Wolfenstein 2 cover

Análise – Wolfenstein 2: The New Colossus [Review]

História cativante
Personagens carismáticos
Excelente jogabilidade
Boa otimização
Áreas abertas algo forçadas
Crashes frequentes em algumas máquinas
88

Wolfenstein: The New Order, lançado em 2014 e desenvolvido pela MachineGames, foi um espetacular reboot de uma das mais icónicas séries FPS da indústria dos videojogos, tendo sido considerado um dos melhores jogos desse ano.

Wolfenstein está de volta

O jogo apresentava uma história muito interessante, com jogabilidade fluída e divertida e muitas maneiras diferentes de abordar os cenários. Também deu origem a uma expansão interessante, The Old Blood, que apresentou elementos sobrenaturais, lembrando um pouco o Wolfenstein lançado em 2009.

Três anos passaram e temos novamente um novo título, mas será que consegue manter o padrão de qualidade do primeiro? Vejamos…

A segunda revolução americana

Wolfenstein 2 tem lugar após os acontecimentos do primeiro jogo, com o nosso personagem principal William B.J. Blazkowicz a acordar de um coma de 5 meses, após ter sido resgatado pelo Kreisau Circle, um grupo composto por vários rebeldes que pretendem lutar contra o regime Nazi.

No entanto, o barco onde o grupo se encontra refugiado é capturado pelo inimigo sob o comando de Frau Engel, a sádica general que Blazkowicz desfigurou no primeiro jogo. Sem conseguir fazer uso das pernas, temos de percorrer o barco enquanto fazemos descer chumbo sob os inimigos, usando uma cadeira de rodas.

Uma excelente mistura de comédia, tragédia e drama

Este nível inicial é uma excelente introdução ao tom do jogo: cómico e violento, mas igualmente trágico e imprevisível, capaz de nos chocar do nada, especialmente quando os personagens que achávamos ser os principais, são abatidos de repente e de formas não muito agradáveis e limpas.

Wolfenstein 2 frau

Este contraste entre tom mais cómico e sério é ainda mais acentuado pelo facto de Anya, a mulher de Blazkowicz, estar grávida de gémeos, ter de comandar toda uma tripulação de refugiados e se sentir culpado pela morte de um dos camaradas, algo que é visível nos vários monólogos que ouvimos ao longo do jogo, no qual Blazkowicz clama por apoio espiritual e aconselhamento, que sabe nunca terá.

O novo palco de guerra são os EUA. Com o país completamente dominado, são agora poucos os grupos que ainda se atrevem a opor ao novo regime. O objetivo do Kreisau Circle é assim conseguir o apoio destes grupos, inspirar a população e dar início à Segunda Revolução Americana.

Ao colocarmos os pés no solo americano pela primeira vez, vemos uma Manhattan completamente aniquilada por bombas nucleares, com o ar radioativo a tornar impossível à habitação. Mais à frente chegamos a Roswell, no Novo México, onde felizmente, as coisas ainda não chegaram a este ponto.

Viajaremos por vários locais dos EUA

É aqui que vemos o rápido avanço do domínio Nazi sobre a população. Não bastando a conquista do país, os invasores começaram a modificar a cultura local, convertendo-a progressivamente, na sua própria. Vemos também a ascensão dos grupos como o KKK, que imediatamente se alia aos Nazis para capturar todos os judeus, negros e homosexuais, levando-os para campos de exterminação.

Estes locais não se ficam só pela Terra, sendo que encontramos um certo Nazi muito conhecido no planeta Vénus, um pouco ao estilo do primeiro, que nos levou à Lua.

wolfenstein 2 combat

Ao longo da campanha, vamos encontrando vários personagens muito interessantes. Além dos membros do Kreisau Circle, ainda temos Grace e Spesh, dois rebeldes que se juntam a Blazkowicz e os ajudam a encontrar os vários grupos aliados nos EUA.

Também temos o grupo de Horton Boone, o líder de um grupo rebelde situado em Nova Orleães, cujo Moonshine (bebida alcoólica) leva a uma das cinemáticas mais cómicas de todo o jogo.

Vários personagens carismáticos para conhecer

A história de Wolfenstein 2 é assim carregada de um misto entre momentos cómicos e dramáticos, com excelente desenvolvimento de personagens, em especial Blazkowicz, que passa por inúmeras situações capazes de destruir qualquer um mentalmente, mas consegue continuar graças ao apoio dos seus companheiros.

wolfenstein 2 horton

Apenas achei que a história deu a sensação de acabar de repente, talvez devido à ausência de um boss final, como aconteceu no primeiro jogo, mas também estava tão agarrado aos acontecimentos, que nem dei conta que a campanha demorou cerca de 10 horas a terminar.

Um mundo…”aberto”

No seu núcleo, Wolfenstein 2 é um jogo linear, pelo menos na forma como avançamos na história. Os cenários são suficientemente abertos, que nos permitem abordar os combates de várias formas diferentes, especialmente depois de obtermos as Contraptions.

ROW_Wolfenstein_II_Roswell_1496826976

Estas Contraptions mudam a forma como progredimos nos níveis, sendo que influencia quase drasticamente as “Rules of Engagement”.

As 3 Contraptions permitem entrar em espaços muito apertados, rebentar com paredes ao correr contra elas e aceder a locais altos, que normalmente não conseguiríamos.

As zonas oferecem alguma liberdade de exploração

Isto significa que a primeira, permite uma abordagem mais furtiva, a segunda permite uma entrar a matar e a terceira é um misto, uma vez que permite atacar de ângulos pouco usuais.

As aspas no aberto, justificam-se pelo tom algo enganador com que o jogo foi apresentado e publicitado, uma vez que deu a entender que o jogo seria relativamente aberto, o qual poderíamos ir libertando há medida que íamos progredindo.

wolfenstein 2 orleans

Na realidade, o que temos aqui são várias zonas, que podemos eventualmente explorar, com muitos objetos para colecionar. Também é aqui que iremos completar as várias missões secundárias, entre as quais, as missões de assassinato.

Estas missões, requerem que matemos os ubercommanders, inimigos geralmente bem guardados, que podemos encontrar ao desbloquear a sua localização na máquina Enigma.

Esta máquina faz uso de cartões que obtemos ao derrotar comandantes, tendo depois que completar um minijogo relativamente simples. Ao assassinar todos os alvos, ganhamos acesso a um nível secreto.

A fluidez da matança

A jogabilidade de Wolfenstein 2 volta a ser extremamente fluída e satisfatória, tal como aconteceu no primeiro jogo. Além de não nos sentirmos presos, é incrivelmente divertido limpar corredores inteiros com uma shotgun automática em cada mão.

Provavelmente a melhor Shotgun desde Doom 2016

As execuções, mais uma vez apresentam-se viscerais e sangrentas, geralmente envolvendo braços ou pernas decepadas.

Há medida que vão desbloqueando novos upgrades para as vossas armas, vão ganhar novas opções de ataque, que pode envolver disparar de uma distância maior, ou simplesmente cair em cima dos inimigos e desfazê-los em polpa.

wolfenstein 2 takedown

O sistema de perks é muito bem construído, sendo que cada um requer completem uma ação enquanto jogam. Podem, por exemplo, assassinar furtivamente com o machado, o que aumenta a velocidade enquanto estão agachados, ou executar os inimigos durante o combate, que vos aumenta a velocidade com que regeneram a vida.

É perfeitamente possível obter o nível máximo em cada perk, o que vos torna ainda mais mortíferos e resistentes, se bem que terão de trabalhar para obter alguns deles. Isto também significa que os perks que obtêm, são adaptados ao vosso estilo de jogo, uma vez que vão obter os que vos são mais úteis, mais cedo.

Gráficos e som

Graficamente, Wolfenstein 2 é muito competente. O jogo também correu bastante bem, no PC com a nova RX Vega 56, i7 3770K e 8GB de RAM. Apenas tive alguns problemas com crashes que não me permitiam iniciar o jogo, mas após remover o vídeo de introdução, nunca mais tive este problema.

Apesar de alguns crashes, o jogo corre lindamente

Em termos de som, o voice acting está soberbo, o som das armas combinam com a sensação de peso e força que apresentam ao disparar, a música lembra bastante o estilo de heavy metal utilizado em Doom.

wolfenstein 2 combat 2

Temos assim, uma boa versão de PC, se conseguirem passar pelos crashes ao iniciar o jogo.

Conclusão

Wolfenstein 2: The New Colossus, volta a mostrar que a MachineGames é perita em criar FPS divertidos e envolventes.

Em termos de jogabilidade e história, é um jogo a não perder, com suficiente conteúdo para vos agarrar durante umas boas dezenas de horas, mais ainda se tentarem bater os recordes no Wolfenstein 3D que vem incluído como minijogo.

Apesar de ter sido lançado numa altura ano do ano muito concorrida, cheia de novos lançamentos, Wolfenstein 2 é um jogo que não podem deixar passar.

Gostam de Wolfenstein? Estão a pensar comprar este jogo?

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Final Score