The Last of Us Parte 2 Remastered – Vale a pena?

O remaster de The Last of Us Parte 2 já chegou e, como quase tudo hoje em dia, não se livrou de alguma controvérsia. Após colocar uma boa quantidade de horas no jogo, posso concluir que alguma dessa opinião mais negativa sobre este lançamento é válida e poderia ter sido evitada, mas não é assim tão mau como muitos fazem parecer. Vamos ver o que este pacote nos oferece.

O público alvo

The Last of Us parte 2 é um jogo relativamente recente, com menos de 4 anos que apesar de ter sido lançado para a Playstation 4, continua a ser um dos jogos com melhores gráficos e qualidade de animação atualmente no mercado.

Atribuir a etiqueta de remaster a um jogo, especialmente se for um bom remaster, requer mais do que um aumento na resolução. Novas texturas, efeitos visuais, algumas melhorias na jogabilidade e conteúdo cortado são elementos que não transformam o remaster num remake e o fazem justificar o valor de recompra.

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Existem vários excelentes exemplos de remasters atualmente no mercado: Kingdom Hearts, Halo, Mafia, Sypro, Crash Bandicoot, Yakuza, entre outros. Todos estes jogos conseguiram implementar mudanças suficientes para valer a pena voltar a adquirir nas novas consolas ou no PC.

Infelizmente, The Last of Us parte 2 não marca todas estas caixas. Não existem mudanças a nível de jogabilidade, a nível gráfico quase não vão notar diferença sem compararem diretamente com o original, especialmente se jogaram em retro compatibilidade na Playstation 5 e agora no modo de performance, o conteúdo cortado que foi recuperado apesar de ter alguns elementos interessantes, não é substancial e faz-se em poucos minutos.

O principal conteúdo são os comentários durante a história e os novos modos de jogo que foram adicionados.

Então, mas qual é afinal o público alvo deste remaster? Eu diria, aqueles que não jogaram The Last of Us parte 2 na Playstation 4 e agora têm a oportunidade de o comprar na Playstation 5 com conteúdo adicional. No entanto, eu acho que apenas uma muito pequena minoria de jogadores se engloba neste grupo, portanto eu diria que a maioria dos jogadores que vão adquirir este remaster já tinham o jogo na Playstation 4 e nesse caso, é possível comprar o upgrade por apenas 10€, o que nem seria mau se em Dezembro não tivéssemos recebido God of War Valhalla de forma completamente gratuita.

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A Naughty Dog podia ter acabado a conversa imediatamente se tivesse apenas chamado No Return ao DLC, fazendo alusão ao novo modo de jogo e incluído todas as restantes melhorias neste pacote, e The Last of Us Parte 2 Complete Edition ou algo assim para a versão completa, tornado-a mais fácil de digerir.

Esta também podia ter sido a oportunidade perfeita para lançar a versão de PC deste jogo, aumentando imenso o publico alvo e justificava as poucas melhorias gráficas com a necessidade de paridade entre PC e Playstation 5, por exemplo.

No Return

No Return é a principal adição incluída no Remaster. Este modo funciona ao estilo Roguelike, no qual temos de decidir um caminho e em cada nível temos um desafio para cumprir que envolve derrotar um certo número de inimigos em vagas, sobreviver durante um determinado período de tempo, capturar uma caixa valiosa que se encontra guardada por inimigos, ou segurar um ponto do mapa contra vagas de inimigos. No fim da rota, temos um encontro bastante desafiante contra um boss de uma lista que já tínhamos encontrado durante a campanha.

Lev in TLOU2 No Return

Durante os níveis temos de obter equipamento, munição e materiais para crafting, que passam para o nível seguinte. Alguns níveis também têm modificadores que nos podem beneficiar a nós ou aos inimigos. No fim de cada nível recebemos uma pontuação, cujo multiplicador é maior quanto maior for a dificuldade que escolhemos e a quantidade de modificadores negativos presentes. Tal como no típico roguelike, se morrem, têm de recomeçar do zero.

Pessoalmente, não sou o maior fã de roguelike e apesar de No Return ser até bastante simples, a jogabilidade de gato e rato que é proeminente na série The Last of Us acaba por tornar cada encontro em algo bastante intenso, pois a IA inimiga é bastante brutal por vezes e em certos modos, as regras ditam que eles saibam sempre onde vocês estão no início dos níveis, fazendo com que tenham de fugir deles enquanto procuram mantimentos para poderem construir itens de defesa.

Os cenários são todos retirados de secções da campanha e alguns funcionam bastante bem, outros nem por isso. Em muitos deles, especialmente em modos como o Assault no qual temos de derrotar um certo número de vagas de inimigos, é fácil descobrir um ou outro ponto do qual podemos abusar e explorar para eliminá-los de longe com um tiro de arma silenciosa, poupando recursos como munição de outras armas ou itens de cura.

As lutas de boss foram a parte que menos gostei, mais porque são demasiado “esponjosos” e é frequente serem rodeados de outros inimigos num espaço pequeno, tornando difícil gerir todos estes inimigos, principalmente quando quase não temos armas de “crowd control” e somos constantemente bombardeados por ataques do boss enquanto fugimos dos outros inimigos.

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Na campanha, quando temos de lutar contra tantos inimigos de uma vez temos um companheiro controlado pela IA a atrair parte dos inimigos, temos muito mais recursos que fomos acumulando ao longo dos níveis anteriores ou simplesmente temos de fugir destes inimigos.

Não esperem, portanto, conseguir vencer o modo à primeira, pois provavelmente precisarão de algumas tentativas para o fazer. Se se quiserem divertir, podem ativar os modificadores desbloqueáveis após terminarem a campanha como munição infinita, mas ao fazê-lo não irão receber pontos nem progredir nos desafios que permitem desbloquear novos personagens, bosses e fatos.

Ao terminarem cada nível, a vossa pontuação permite que recebam moedas para comprar armas ou itens num quiosque, partes de armas para desbloquearem as suas melhorias e pontos que permitem adquirir habilidades nas árvores de habilidades, tudo como acontece na campanha.

Existe assim, uma componente de gestão de recursos e saber que estilo de jogo vão querer usar baseado no caminho de níveis que querem tomar até chegar ao boss final.

No geral, acho que No Return é um modo interessante, que faz uso ao máximo das características de jogabilidade de The Last of Us parte 2.

Comentários de Diretor, níveis perdidos e Speedrun

Para desbloquearem o conteúdo adicional, têm de terminar a campanha uma vez. Felizmente, se já tiverem um save na cloud ou na Playstation 4 com isto feito, podem simplesmente importar para a Playstation 5 e aceder a este conteúdo imediatamente.

Apesar de na minha análise original ao jogo ter gostado da campanha, após alguma retrospectiva a minha opinião mudou, mas não signifique que agora não goste da campanha.

Para mim, The Last of Us parte 2 continua a ser um excelente jogo, com uma excelente campanha recheada de enormes momentos, mas que infelizmente conta uma boa história da pior forma possível.

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Eu gosto de uma boa história de vingança, mas infelizmente quase todas as histórias de vingança têm um grande problema para mim: os escritores acobardam-se no fim e não deixam o personagem principal exercer o castigo final e perdoam o seu alvo, numa forma de mostrar que a vingança é má e que só gera mais vingança.

Ok, a moral é muito bonita e tal, mas quando um jogo nos faz estar 20 horas a ver esta vingança ser construída sendo que mais de metade destas horas são a controlar o alvo da vingança, enquanto de forma fútil tenta que ganhemos alguma apatia por essa pessoa e os que estão à volta, apenas para no fim puxarem o tapete e não levarem a cabo aquilo que prometeram, deixa um vazio e um sabor amargo no fim além de uma sensação de que perdemos estas horas todas e que nunca as vamos obter de volta.

Toda esta situação fez com que ficasse bastante curioso com a inclusão de comentários da equipa de desenvolvimento durante as cinemáticas do jogo. Estes comentários incluem opiniões dos diretores e atores que protagonizaram o jogo, algumas histórias sobre o desenvolvimento mas, mais importante, o que levou a tomar certas decisões a nível da narrativa ou design dos níveis, incluindo as razões para certas mudanças ou adições.

Apesar de agora ter uma maior visão sobre as decisões que tornaram a narrativa na pior parte de The Last of Us parte 2, o facto de algumas destas decisões terem sido mudadas daquilo que fazia sentido para outras que deixaram de fazer sentido não me deixaram a gostar mais da narrativa do que gostava antes.

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Aliás, eu acho que dado o feedback que houve por parte da comunidade, teria sido interessante que fosse incluída uma campanha no qual recontavam a história de outra forma com várias decisões alternativas que levavam a acontecimentos diferentes. Isto também seria uma forma de tornar o valor do pacote ainda maior e realmente justificar o nome de Remaster na caixa.

Os níveis cortados que foram incluídos são algo bastante simples, que se termina em minutos. Mas incluem algo que tive pena de também não estar presente na campanha principal junto dos comentários de diretor.

Ao interagir com certos ícones no cenário, podemos ouvir os comentários dos desenvolvedores sobre as razões pela qual o design dos níveis foi feito desta forma.

Isto seria algo excelente na campanha, obviamente sem precisarmos de interagir com os ícones mas que fossem ativados de forma automática ao chegarmos a um certo local. A Naughty Dog é um estúdio conhecido pela sua atenção ao detalhe e design complexo então para quem gosta deste tipo de informação, seria algo interessante para estar no jogo.

Para terminar, existe agora um modo de Speedrun no qual podem fazer tracking do vosso melhor tempo e comparar com outros jogadores na leaderboard, novas skins para os personagens e armas e a possibilidade de tocar a guitarra de forma livre diretamente do menu principal, podendo escolher diferentes tipos de instrumentos, efeitos e personagens.

Conclusões

Se já têm The Last of Us parte 2 na Playstation 4, eu diria que o upgrade de 10€ não é um valor assim tão mau, considerando o novo modo de jogo No Return. Além disso, apesar dos problemas da narrativa, a campanha ainda é algo que me dá bastante gosto jogar e os comentários de diretor são uma adição interessante.

O problema principal deste pacote é mesmo a etiqueta de Remaster que não se justifica pois não inclui os elementos que fazem de um remaster… um remaster. E considerando que o principal conteúdo é um modo Roguelike, algo que foi oferecido de forma totalmente gratuita em God of War Ragnarok, entende-se a frustração e críticas da comunidade.

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