Last of Us 2

The Last of Us Part 2 Review: Espiral de emoções

O Melhor
Graficamente incrivel
Jogabilidade visceral
História Cativante e intensa
Opções de acessibilidade revolucionárias
O Pior
Final deixa opiniões mistas
95

The Last of Us 2 é um jogo diferente. Enquanto a maioria dos jogos tentam incutir sentimentos positivos no jogador, a Naughty Dog decidiu que The Last of Us 2 seria um jogo que iria colocar o jogador numa espiral de emoções, a maioria delas nada boas.

Isto não significa que The Last of Us 2 seja um mau jogo, antes pelo contrário, é um dos melhores jogos desta geração, mesmo que não seja o jogo perfeito que muitos queriam que fosse.

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Duas histórias que se interligam

Em The Last of Us 2 assumimos o papel de Ellie vários anos após o primeiro jogo, que devido a certos acontecimentos se vê a caminho de Seattle numa nova aventura repleta de violência e vingança.

As zonas de quarentena são infames no mundo de The Last of Us devido às condições incrivelmente hostis, com fações sem lei a dominarem certas zonas, constantemente em guerra por recursos e sempre com a presença de infetados que percorrem as ruas.

Mesmo entre as zonas de quarentena, Seattle é considerada uma das piores, com a maioria dos edifícios em ruínas devido a bombardeamentos, duas fações incrivelmente agressivas que lutam por território e um elevado número de infetados que incluem algumas novas variações bastante perigosas.

Para minha surpresa, não jogamos apenas com Ellie. Um enorme segmento do jogo é jogado com Abby, uma soldado dos WLF ou Wolves, uma das fações que dominam Seattle.

O objetivo principal deste jogo, é mostrar o caminho sangrento que leva Ellie a tornar-se numa máquina assassina ao ponto de quase perder a própria humanidade, assim como o caminho reverso que a tira da escuridão.

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Assim, é interessante ver a dinâmica de ver o outro lado do conflito, uma vez que boa parte do tempo que jogamos com Ellie, lutamos e assassinamos vários elementos dos WLF.

Vão existir vários momentos em que vão ter pequenas epifanias e perceber que os personagens com quem estão a conviver, foram mortos de forma brutal por vocês momentos antes e o consequente murro no estômago que vão sentir, é algo que nunca nenhum jogo me tinha feito.

Outro tema bastante controverso que surgiu nos trailers foi o interesse amoroso de Ellie, Dina. Apesar de, regra geral, os temas como a homossexualidade serem tratados de forma bastante pobre na maioria dos jogos ou filmes, acho que a Naughty Dog teve um especial cuidado em não fazer disto o tema central, mas sim um dos pilares que suportam o crescimento de Ellie enquanto personagem.

A história do jogo é bastante grande, com pouco mais de 20 horas de duração. Pessoalmente, gostei do último ato, apesar de achar que podia ter sido retirado e deixado o jogo com um final mais feliz. Apesar de ter suspirado de alívio por não ter sido obrigado a escolher no fim do 1º jogo, acho que seria interessante ter mais escolha no fim deste, uma vez que o final é bastante agridoce, mesmo que o encontro final seja excelente.

Jogabilidade e exploração

The Last of Us é um jogo bastante linear mas com imensos colecionáveis para descobrir. A sequela possui níveis bastante mais abertos, mesmo que no geral possua uma estrutura linear. Podem comparar com Uncharted Lost Legacy.

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No entanto, a introdução destes níveis maiores com várias formas de abordar os combates, acabou por tornar o pacing do jogo bastante mais lento. Pode ter sido apenas a minha experiência, mas senti que tinha de revoltear cada quarto, abrir todas as gavetas.

Tal como no primeiro jogo, o combate é incrivelmente visceral e intenso. Não é incomum terminarem uma secção de combate quase sem munição, o que torna quase imperativo explorarem os cenários a fundo em busca de materiais ou munições para as vossas armas.

Felizmente o jogo nunca se torna aborrecido devido à brutalidade dos combates. Não existem grandes mudanças face ao primeiro jogo, com a exceção de agora os inimigos possuírem cães que vos podem seguir, ervas altas nas quais podemos rastejar e várias aberturas que podemos usar para fugir ou flanquear inimigos.

Ellie não é tão forte quanto Joel e isso nota-se imediatamente nos combates. Caso sejam atingidos, é comum serem projetados para trás ou caírem mesmo, deixando-vos expostos aos inimigos. No combate corpo a corpo também é comum inimigos mais corpulentos conseguirem bloquear os vossos golpes, caso não usem nenhuma arma.

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As armas possuem um impacto altamente realista, mas as reações dos inimigos são a cereja no topo do bolo. Se dispararem na perna de um inimigo, este imediatamente leva o joelho ao chão e começa a coxear.

Os vossos golpes com lâminas deixam cortes realistas onde acertam e quando degolam um inimigo, o sangue jorra de forma realista.

Se dispararem com um tiro de alto calibre num membro de um inimigo, esse membro vai voar para qualquer lado e esse inimigo vai começar aos gritos com dores, até que finalmente morre. Se outro inimigo presenciar isto, vai entrar em pânico enquanto grita pelo nome da vossa última vítima.

Tudo isto serve para tornar o combate mais realista, violento e aumentar a força do eventual murro no estômago que vão sofrer ao jogar este jogo.

Progressão expandida

Tal como em The Last of Us, neste jogo existem suplementos que vos permitem desbloquear novas habilidades, assim como peças de armas que permitem melhorar as vossas armas.

No entanto, a quantidade de habilidades foi bastante expandida, sendo que agora estão divididas em categorias, que podem desbloquear ao encontrar os livros apropriados, o que nos leva de volta à importância de explorar bem os cenários.

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Estas habilidades são incrivelmente úteis, desde aumentos de saúde, melhoria do modo de audição que permite ver inimigos pelas paredes, até à possibilidade de construir munições especiais ou explosivos.

Os upgrades das armas são também muito úteis uma vez que as tornam mais consistentes e mortíferas. Para quem não está habituado a disparar com o comando, dei por mim a falhar muito mais tiros do que o norma, mesmo noutros jogos da PS4.

Isto deve-se ao facto de a mira balançar ligeiramente e o cone da mira ser bastante largo, o que introduz a possibilidade de falharem tiros. Ao melhorarem as vossas armas, podem eliminar quase por completo este balanço ou reduzir o tamanho da mira, tornando os vossos tiros muito mais consistentes.

Gráficos, som e performance

Graficamente, The Last of Us 2 é um digno canto do cisne da PS4 e um dos jogos com melhores gráficos desta geração. Só fim de 18 horas de jogo descobri uma textura de baixa resolução e foi apenas uma árvore no background que não carregou devidamente.

Jogar este jogo numa tv 4K com HDR ligado é sinónimo de ter de parar constantemente para apreciar os cenários, que nalguns locais quase se confundem com a realidade.

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A atenção ao detalhe é estonteante, desde a forma como interagimos com os cenários, o sangue que sai dos buracos das balas cai de forma realista e de acordo com a posição do personagem, as folhas e tecidos reagem quando lhes tocamos, entre muitas outras coisas.

A performance é bastante suave, mesmo a 30 FPS pois o frame pacing é altamente estável e não notei nenhuma queda mesmo nos momentos mais intensos. Se a PS5 vier com melhoramentos na retrocompatibilidade, a possibilidade de jogar este jogo a 4K nativos e 60 FPS é algo que me agrada bastante.

A banda sonora é bastante adequada ao jogo, com temas mais melancólicos que ajudam imenso a criar a atmosfera mais triste e depressiva que é a essência deste jogo. O minijogo de tocar guitarra é bastante intuitivo e podem até reproduzir algumas músicas conhecidas.

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Algo que me surpreendeu bastante, foram as opções de acessibilidade. Existem opções para todos os gostos e capacidades motoras ou visuais. Desde coisas básicas como Field of View, Camera Shake ou Motion Blur, até imensas opções de visualização para quem sofre de daltonismo ou até cegueira.

Para quem não tem tanto jeito para jogar com comando, ou simplesmente não consegue devido a problemas motores, existem opções como saltar puzzles, mira automática, assistência nas secções de plataformas, enfim… um número incrível de opções, algumas até quase parecem os clássicos códigos de batota.

Conclusões

The Last of Us Part 2 é um digno sucessor daquele que foi um dos melhores jogos da geração passada. O final pode não agradar a toda a gente, mas a viagem que Ellie faz às profundezas da escuridão e os sentimentos que deixa no jogador são algo que muito poucos jogos conseguem atingir.

Apesar de não existirem grandes novidades no que toca à jogabilidade e esta se tornar um pouco repetitiva no último ato do jogo, trata-se de uma fórmula que funcionou bastante bem anteriormente e sinceramente não acho que necessite de grandes mudanças.

As opções de acessibilidade deste jogo são altamente revolucionárias e espero que sejam o standard nesta nova geração de consolas que aí vem.

Assim sendo, o combate visceral, história violenta e cativante, gráficos e as opções de acessibilidade revolucionárias fazem de The Last of Us Part 2 um jogo obrigatório para qualquer jogador que possua uma PS4.

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