Review – Wolfenstein Youngblood

O bom
Jogabilidade competente
Bom sistema de progressão
O mau
História genérica, com escrita infantil
Poucas missões, com imenso filler e level gating
IA horrível
Repleto de microtransações
55

Wolfenstein Youngblood é uma espécie de spin-off disfarçado de sequela que afasta ação de B.J. Blazkowicz, para se focar nas suas duas filhas 20 anos após os acontecimentos de New Colossus.

Com uma nova abordagem mais focada em cooperação num mundo menos linear, será que Youngblood conseguiu manter a qualidade dos jogos anteriores? Não.

Escrita infantil e irritante, numa campanha curta e genérica

A história de Wolfenstein Youngblood dá vontade de rir no mau sentido. É recheada de personagens irritantes, com uma escrita infantil e nenhum personagem memorável.

As duas personagens principais Soph e Jess não conseguem carregar este jogo e as suas expressões parecem mais de skaters dos anos 2000, do que jovens dos anos 80 dominados por Nazis.

A campanha passa-se em Paris nos anos 80 e as duas irmãs juntamente com Abby, a filha de Grace de New Colossus, tentam descobrir o paradeiro de Blazkowicz que desapareceu sem deixar rasto. Após acidentalmente descobrirem um sótão escondido, seguem as pistas até as catacumbas de Paris, onde se encontra a base da resistência.

Em Paris, agora chamada Neu-Paris, as irmãs descobrem que Blazkowicz está à procura de um laboratório secreto chamado Lab X e, que para descobrir a sua localização, têm de atacar e assassinar os comandantes de 3 locais chave de Paris.

Uma das desilusões do jogo é quando descobrem que estas 3 missões de raid, o tutorial e o boss final são as únicas missões principais do jogo.

Além disso, as 3 raids são iguais em estrutura, apenas mudam os locais, os inimigos são os mesmos, os comandantes não têm nada de novo e confundem-se com inimigos comuns. Aliás, numa destas missões, derrotei os 2 comandantes por engano enquanto procurava por cobertura para fugir do robô gigante que os guardava.

A campanha pode ser terminada em cerca de 10h, apesar de cada missão principal durar cerca de 30 minutos. A razão disto é o padding, filler e o chamado “level gating” que iremos analisar mais tarde.

Mundo aberto desnecessário, cheio de filler e missões copy-paste

As catacumbas de Neu-Paris é a base da resistência e o local onde a maioria da campanha avança. É aqui que vão também encontrar os NPC sem qualquer personalidade, que vos vão dar missões secundárias que só servem de filler e grind para subirem de nível e obterem a moeda que permite os upgrades às armas.

Estas missões vão-vos levar a diversas zonas de Neu-Paris, separadas por uma linha de metro. As missões podem envolver assassinatos, sabotagem ou roubo e por vezes, são constituídas por várias partes que vos vão obrigar a mudar de zona.

Isto introduz alguns problemas muito graves. Para começar, só podem viajar usando o metro, o que significa ter de atravessar toda uma zona para chegar ao objetivo e voltar tudo para chegar ao metro novamente.

Segundo, os inimigos fazem respawn ao mudarem de zona, então todo o trabalho que tiveram a limpar um local, é para nada a partir do momento em que saem de lá. Isto faz com que seja mais fácil simplesmente correr pelos inimigos, cuja IA é extremamente idiota e permite despachar estas missões mais rapidamente.

Depois, existem objetivos que recebem durante a exploração, estilo World Events dos MMOs e podem levar-vos para zonas que são de nível bem mais alto que o vosso, levando a serem mortos de forma quase instantânea.

Por fim, é extremamente irritante terminar, por exemplo, uma raid e um NPC dar-vos outra missão no mesmo local de onde acabaram de vir. E pior ainda é quando vos dão a mesma missão, no mesmo local.

Isto é extremamente frustrante e sinceramente não fiz muitas missões secundárias, uma vez que consegui experiência suficiente para atacar todas as missões principais, apenas derrotando os inimigos.

O infame Level Gating é algo que está extremamente presente neste jogo e é uma das mecânicas que os estúdios insistem em implementar para atrasar o progresso do jogador. É um dos piores aspectos de jogos como Assassin’s Creed Origins/Odyssey ou Far Cry New Dawn e é uma mecânica extremamente preguiçosa que não introduz qualquer diversão ao jogador.

Se querem implementar elementos RPG e power fantasy num jogo que nunca o teve, têm de oferecer ao jogador elementos que o façam sentir poderoso. Wolfenstein Youngblood não faz nada disso.

Para começar, existem zonas com inimigos a nível superior que nunca são indicadas. Podem estar a fazer uma missão de nivel 10 num local e logo de seguida receber uma de nível 20 ou superior, o que significa que essa zona vai ser povoada por inimigos muito mais fortes que vocês e inacessível até atingirem esse nível.

Depois, o nível do inimigo escala com o vosso, o que pode ser bom para manter o desafio, mas acaba com qualquer sensação de poder que os RPG tentam oferecer. Não existe nada mais divertido que chegar a um boss e desfazê-lo completamente com ataques de alto nível, algo que neste jogo não acontece.

No entanto a progressão não é má e, mesmo com com os inimigos ao vosso nível, uma arma com upgrades faz bem a diferença.

Ao longo do jogo, vão encontrar moedas de prata que permitem obter upgrades para as armas. Estes upgrades alteram o design das armas e vêm em 3 sets que conferem bónus para diferentes setores.

Existe um que confere mais estabilidade, um que confere maior cadência de fogo e outro que aumenta o dano causado. Ao equiparem 3 upgrades do mesmo set, recebem um bónus que torna as armas ainda mais letais.

Estes upgrades ainda podem ser melhorados mudando o nome de Standard para Improved e conferem um bónus ainda maior.

Além das armas, existem ainda habilidades ativas e passivas que podem ser melhoradas. Ao subirem de nível, recebem pontos para gastar e existem diversas habilidades que influenciam a jogabilidade de forma muito positiva.

No entanto, as habilidades ativas ou poderes são bastante obsoletos. Consegui acabar o jogo todo sem precisar de desbloquear o 2º e o 3º poder e sem qualquer upgrade.

Jogar a solo é um martírio

Wolfenstein Youngblood foi feito para jogar em cooperação. Existem mecânicas que requerem dois jogadores que vimos em jogos no início da PS3 e, por alguma razão, ainda existem em 2019.

No entanto, também podem jogar a solo, mas esta experiência é um profundo martírio e capaz de induzir raiva em qualquer um.

Começando pelo modo de cooperação. Podem chamar um amigo vosso, ou juntar-se ao jogo de outra pessoa. O problema é que se ainda não conhecem a história, podem ter o azar de se juntar a alguém no boss final, como acontecia em Anthem por exemplo.

Também podem fazer de host e ter um total desconhecido a ajudar ou atrapalhar o vosso jogo. Por fim, podem chamar um amigo vosso, mas têm de passar pelos diversos problemas de conexão e entraves que a Bethesda.net mete no vosso caminho.

Portanto, a minha escolha óbvia foi jogar Solo (offline), com particular atenção ao “offline”. Neste modo, a outra personagem é controlada pela IA e digamos que o vosso maior inimigo não são os Nazis.

Primeiro, o modo “offline” não é offline porque nunca podem colocar o jogo em pausa e requer constante ligação à internet.

Segundo, a IA da companheira é absurdamente idiota e não se podem livrar dela. Quando morrem, podem ser revividos mas o que acontece na maioria das vezes, é que a IA deve entrar em overflow e fica parada a olhar para vocês, como se tivesse a gozar convosco de forma quase cruel.

Depois, não contribuem nada para os combates a não ser quando vos dão saúde nos momentos mais parvos, como quando têm a vida cheia. Ocasionalmente servem de carne para canhão enquanto fogem para se recuperar ou flanquear o adversário.

Existe um sistema de vida partilhada. Sempre que morrem e não são revividos, perdem 1 de 3 vidas. O problema aqui, é que se perdem as 3 vidas morrem de vez e têm de recomeçar a missão do zero, porque o sistema de checkpoints é absurdo e os autosaves que existem durante as missões apenas servem para não poderem explorar os baús com moedas de prata, que se mantêm abertos mesmo depois de recomeçarem.

Isto significa que se a IA se matar 3 vezes seguidas, voltam à estaca zero mesmo sem terem culpa nenhuma.

Jogar de forma furtiva é um não neste jogo, além do vosso personagem andar extremamente devagar, a maioria dos inimigos anda em grupo e não morrem com um único golpe furtivo, sendo que ao serem descobertos, todos os inimigos em Neu-Paris são instantaneamente alertados.

A IA adversária não é muito melhor, sem qualquer noção de tática além de correrem contra vocês de arma na mão. Muitas das vezes também bloqueiam e nem sequer disparam.

Jogabilidade boa, quando têm balas nas armas

A jogabilidade de Wolfenstein tem sido um marco na série desde New Order, sendo sempre um dos melhores elementos do jogo.

Em Youngblood, isto mantém-se, com as armas a terem um peso enorme, com forte recuo e boa sensação de impacto.

O problema aqui é a economia absolutamente ridícula que foi implementada. Mesmo com o upgrade à quantidade de balas que podem carregar e recuperar de inimigos derrotados, nunca têm munição suficiente para derrotar os inimigos, pior ainda quando estes fazem respawn ao mudarem de zona.

Uma mecânica que foi introduzida, foi o tipo de bala ser forte contra certas armaduras. Caso a armadura inimiga seja um quadrado de fundo preto junto à barra de vida, têm de usar armas que tenham esse símbolo ao pé do contador de balas. Caso seja um rectângulo branco, têm de usar armas com esse símbolo.

O problema é que esta mecânica nunca é devidamente explicada, principalmente por culpa de os tutoriais só estarem presentes em computadores espalhados pelos cenários, que podem ou não ver e só desbloqueiam esse tutorial no menu quando o descobrem pela primeira vez.

Caso ataquem um inimigo com o tipo de munição errada, vai ser o mesmo que disparar berlindes e vão acabar por gastar munição desnecessariamente. O problema é que na maioria das vezes vão estar quase sempre sem munição, pois a quantidade que obtêm no chão é irrisória.

Isto significa que vão ter de trocar de arma frequentemente, algo que na consola é bastante complicado uma vez que a roda de selecção das armas é muito imprecisa e, ao contrário de outros jogos, o tempo não abranda levando a escolhas erradas, tudo enquanto levam dano constante dos adversários.

Gráficos, som e performance

Wolfenstein Youngblood possui gráficos bastante bons, mesmo na versão da PS4 que joguei, com excelente sistema de iluminação e gráficos bastante detalhados. As ruas de Neu-Paris são repletas de zonas interiores escondidas que possuem grande detalhe e parecem vivas, mesmo estando desertas.

A nível de performance, o jogo possui 3 opções na consola que permite resolução dinâmica para manter as 60 fps, ou frame rate mais baixo mas estável e maior resolução.

A nível de som, a performance dos atores é bastante irritante como tinha dito, tornando difícil a imersão, mas no que toca a armas, o som é bastante bom.

A banda sonora é praticamente inexistente durante a jogabilidade, o que é estranho considerando que se passa nos anos 80 e existe muito por onde pegar para fazer uma excelente banda sonora para um jogo que envolve massacrar Nazis.

Conclusões

Wolfenstein Youngblood é um jogo muito mau cuja jogabilidade e progressão são os únicos elementos que se aproveitam.

A história possui uma escrita banal e infantil, não existe nenhum personagem memorável, o antagonista é revelado na última missão e existem sérios problemas de IA, padding e level gating.

Além disso, o jogo veio repleto de microtransações que não fazem falta, nem sentido num jogo que pode ser jogado a solo e terminado em menos de duas dezenas de horas.

Wolfenstein The New Colossus possuía alguns elementos que não me agradaram muito, mas Youngblood arrastou a série pela lama. Esperemos que a Bethesda abra os olhos no futuro.

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