Watch Dogs Legion cover

Review Watch Dogs Legion – Uma sandbox divertida mas que falha em tudo o resto

O Melhor
Boa recriação de Londres
Missões divertidas e com diferentes abordagens
O Pior
Péssimo a nível técnico
História genérica e previsível
Má IA
Típicos objetivos genéricos dos jogos de mundo aberto da Ubisoft.
50

Watch Dogs Legion é o novo jogo da conhecida série e teve um marketing bastante colorido, focado na possibilidade de recrutar qualquer NPC do jogo e fazer uso das suas habilidades específicas para abordar as missões de várias maneiras diferentes.

Infelizmente, alguém no estúdio se esqueceu que uma sandbox divertida não torna um jogo bom se tudo o resto for um falhanço. O jogo ainda precisa de uma boa história, personagens carismáticos e ser consistente a nível técnico.

Dizer que fiquei desapontado com Watch Dogs Legion é apenas parte da experiência que tive com o jogo. É uma pena que a Ubisoft tenha retrocedido tantos passos quando comparado a Watch Dogs 2.

Londres foi uma boa escolha

Apesar de não gostar de muitas coisas neste jogo, uma coisa é certa: Londres é uma excelente cidade para se fazer um jogo de mundo aberto.

A escala da cidade e os principais marcos estão lá, drones viajam pelos céus, muitos carros populam as estradas e os NPC seguem a sua vida com rotinas credíveis, o que confere bastante vida a Londres de Watch Dogs Legion.

A cidade consegue manter um excelente contraste entre tecnologia no seu centro e o estilo vitoriano das zonas periféricas. É bastante engraçado ver armazéns e prédios do século 19 completamente iluminados por hologramas com publicidade e as tradicionais cabines telefónicas transformadas em hotspots de Wi-Fi.

A história é incrivelmente genérica

A história de Watch Dogs Legion começa quando o DedSec, grupo hacktivista que apareceu nos outros jogos da série, não consegue impedir um atentado terrorista em Londres causado por um novo grupo chamado Zero-Day.

Watch Dogs Legion 2

Graças a este atentado, o grupo militar privado Albion toma conta da cidade com o suposto propósito de a proteger, liderado pelo típico psicopata patriota que acha que é pela força que se consegue proteger um país.

Também existe um aumento no crime de gangs, especialmente pelo clã Kelley, que domina o mercado de armas e tráfico de orgãos e escravos.

Por fim existe a SIRS que é um serviço de inteligência governamental, responsável por deter grupos de hackers criminosos e substituiu o atual MI6.

Obviamente que todos estes grupos estão envolvidos com Zero-Day nos atentados de Londres e ao fim de pouco tempo, a história torna-se completamente previsível.

Apesar da história genérica e previsível, a verdade é que as missões até são bastante bem feitas e divertidas, mantendo a qualidade de Watch Dogs 2 nesse aspeto.

Watch Dogs Legion 1

O outro elemento da história que gostei foi Bagley, a IA que gere a cidade e que a DedSec conseguiu roubar para ajudá-los nas suas missões. Possui uma atitude bastante cómica e gostei bastante dos diálogos em que aparece.

As atividades que podem fazer fora das missões principais, são o típico de um jogo open world da Ubisoft. Concluir vários objetivos repetitivos, concluir uma missão final e libertar o bairro, o que permite desbloquear alguns upgrades.

Sinceramente, é triste ver que o design da Ubisoft não muda à quase 2 gerações, mas ao menos em Watch Dogs Legion conseguem concluir tudo em cerca de 2-3 horas. Também existem máscaras e mensagens para colecionar, mas as máscaras apenas podem ser trocadas no guarda roupa que se encontra na vossa base, onde só vão esporadicamente, portanto o mais provável é que raramente troquem a máscara.

A sandbox é boa, mas podia ser muito melhor

Algo que gosto em jogos, é a opção de escolha. Watch Dogs Legions oferece-vos várias formas de abordar as missões mas não existe um equilíbrio perfeito. O jogo vende-vos a hipótese de recrutarem qualquer NPC, mas na realidade podem passar o jogo todo com apenas 1 classe de operador.

No meu caso, praticamente não troquei do espião, visto que é a classe que achei ser o Jack of All Trades do jogo.

Watch Dogs Legion 4

Possui uma pistola com silenciador bastante poderosa e com imenso alcance, portanto era útil para não ser detetado. Caso tivesse de entrar em combate, tinha o relógio que bloqueava armas e uma SMG que causa bastante dano aos drones.

Com os upgrades que desbloqueei, podia controlar qualquer drone ou simplesmente desativá-los, fazendo com que nem precisasse de me aproximar da maioria dos locais das missões.

Além disso para fugas, podia chamar um carro bastante rápido e capaz de ficar invisível e disparar mísseis. Portanto como podem ver, não havia praticamente nenhuma razão para usar outros operadores. O único que ainda usei mais vezes, foi o operário de construção civil pois podia chamar um Cargo Drone que me permitia subir a edifícios e voar estilo Green Goblin.

Os upgrades deviam ser limitados a certas classes, não faz sentido um espião que é focado em furtividade e combate, poder tomar o controlo de um drone de combate. A única razão para usar um hacker seria para aumentar o alcance dos drones ou reduzir o tempo entre hacks, mas os valores pré-definidos já são bons o suficiente.

Além disso, devia ser possível alterar o equipamento e de operador dentro de zonas restritas o que permitiria adaptar melhor às situações. Um problema que reparei, é que se forem para o único boss do jogo com uma classe que não use armas de fogo ou só tenha uma pistola, é praticamente impossível completar esse confronto e não podem trocar durante toda a missão.

Watch Dogs Legion 5

Os operadores possuem habilidades próprias, algumas bastante úteis como curar outros operadores mais rapidamente quando vão para o hospital, libertar operadores que foram presos, poder andar em zonas restritas sem ser detetado ao estilo Hitman, etc.

O problema é que nada no jogo vos “obriga” a usar estas classes quando podem simplesmente entrar a matar ou usar técnicas de hacking a partir de um local seguro e chegar ao mesmo resultado sem qualquer trabalho.

Saltar entre câmaras e atrair inimigos para as armadilhas, ou tomar controlo de um drone armado é de longe a melhor opção, especialmente porque a IA inimiga é completamente inútil. Um inimigo pode ver um aliado ser atraído para uma armadilha que explode, para de seguida cometer exatamente o mesmo erro noutra armadilha ali perto.

O mínimo que poderiam fazer, era desligar as câmaras na vizinhança ou colocar um bloqueio nos drones que os impedisse de serem controlados. Qualquer coisa que não fosse ignorar os cadáveres aliados ao fim de uns segundos. Até parece que não sabem que vivem numa era tecnológica em que tudo está ligado e que as câmaras podem ser controladas remotamente.

Se quiserem tornar o jogo mais interessante, podem ativar o modo Permadeath, que faz com que os operadores mortos não possam ser recuperados, o que vos obriga a pensar um pouco mais na estratégia a usar.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Watch Dogs Legions não é péssimo. A cidade está muito detalhada e densa, apesar de existir uma iluminação estranha, especialmente no que toca a Ambient Occlusion, que dá um aspeto bastante plano aos cenários.

Existe RTX Reflections que permite reflexos realistas usando a tecnologia de Ray Tracing, mas mesmo com o setting ao máximo, estes reflexos são demasiado borrados ou em baixa resolução, o que faz com que objetos como os carros pareçam quase foscos ou que têm uma camada de nevoeiro por cima.

Watch Dogs Legion 3

O pior mesmo é o detalhe dos personagens. O lip sync é absolutamente atroz e as caras dos personagens parecem algo tirado de um jogo de início de geração.

No entanto o pior de tudo, é a performance. Watch Dogs Legion é um desastre a nível técnico, com imensos bugs que vos obrigam a ter de reiniciar o jogo, quedas de FPS absurdas e muito pouco escalável com o hardware.

Com uma 2080Ti, i7 9700K, 32GB de RAM e a correr num SSD M.2, o jogo corria tão bem a 1080p com DLSS como a 4K com DLSS. O jogo é claramente limitado a nível de CPU, o que não deveria acontecer com um CPU com 8 núcleos, como é o caso do 9700K. O pior é que a maioria das opções, segundo o jogo, tem maior impacto na GPU que no CPU, portanto subir ou descer a qualidade das definições não altera em praticamente nada.

Era raro ter mais de 60fps, com quedas frequentes para abaixo dos 40, especialmente a conduzir e à noite quando existem mais fontes de luz. Com uma 2080Ti isto nunca deveria acontecer e Watch Dogs Legion é absolutamente horrível neste aspeto.

A banda sonora é variada e o jogo permite saltar as músicas quando não vos agrada. O voice acting dos atores é bom, excepto o da maioria dos operadores, que se situa entre o irritante e o muito mau.

Conclusões

Watch Dogs Legion pegou naquilo que fez de Watch Dogs 2 um jogo melhor que o original e atirou tudo pela janela.

Colocar uma sandbox com mais hipótese de escolha foi uma boa decisão, mas a sua execução foi muito aquém do que seria necessário para atingir o verdadeiro potencial.

As missões da história são bastante divertidas e variadas, o que até ajuda a ignorar de certa forma a história genérica e previsível.

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