Review - Uncharted: The Lost Legacy
Muito conteúdoExcelente dinâmica entre personagensCenários surpreendentesNovas mecânicas
Pouco desenvolvimento do vilãoHistória algo clichê
85%Overall Score
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Uncharted 4 foi um dos melhores jogos lançados em 2016, tendo recebido grandes elogios no que toca a história, jogabilidade e, principalmente, grafismo. Apesar de terem sido adicionados novos conteúdos nos jogos anteriores, estes foram sempre para o multijogador, pelo que os fãs há muito pediam uma expansão focada no singleplayer.

The Lost Legacy é assim, a resposta da Naughty Dog aos muitos pedidos feitos ao longo dos anos e assume-se como um jogo completo disfarçado de expansão.

Uma aventura na Índia

Uncharted: The Lost Legacy coloca-nos pela primeira vez no papel de Chloe Frazer e, pela primeira vez não jogamos com Nathan Drake. No entanto, não é algo mau, uma vez que permite alterar um pouco o ponto de vista, mesmo que a personalidade de Chloe Frazer seja, em parte, parecida com a de Drake.

Chloe viaja para a Índia, na demanda de encontrar a Tusk of Ganesh, um artefacto mitológico que se diz ter pertencido ao Deus Hindu, juntamente com Nadine Ross, que apareceu como antagonista em Uncharted 4.

No meio de uma guerra civil, Chloe e Nadine são forçadas a unir forças contra Asav, o líder dos rebeldes que pretende obter a Tusk para usar como moeda de troca por armamento.

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No entanto, cada uma tem os seus objetivos, sendo que Chloe pretende resolver um problema do seu passado que envolvia o artefacto, enquanto Nadine pretende retomar o controlo da Shoreline, a sua companhia de mercenários, que perdeu após os eventos de Uncharted 4.

Esta missão leva-as a explorar as montanhas da Índia, em cenários de cortar a respiração.

Mais exploração e menos ação

A meu ver, a expansão de Uncharted foca-se mais em exploração e menos em ação. Isto não significa que não existam grandes momentos ao nível de Hollywood ou combates frenéticos.

Esta diferença deve-se, principalmente, ao design dos níveis, mais propriamente, a adição de uma enorme zona explorável. Esta parte diria que é metade do jogo, uma vez que permite que a explorem durante algumas horas, existindo diversos segredos para descobrir.

Apesar do maior foco na exploração, podem esperar grandes cenas de ação

Enquanto exploram esta área, vão existir algumas zonas com inimigos, um pouco como se fossem pequenas arenas. Nestas, podem entrar a matar ou podem simplesmente andar sorrateiramente pelas ervas, obter o tesouro e sair sem ninguém dar conta.

Apenas na 2ª metade do jogo os níveis começam a tomar uma forma mais linear, sendo que se tornam mais parecidos com os outros Uncharted e, ainda assim, existe um grande foco na componente de plataformas e puzzles.

Uma boa dupla, mas não a que queríamos

A dupla Chloe e Nadine é espetacular. A sinergia entre ambas é praticamente perfeita, algo que se vê nos diálogos, se bem que forte personalidade das duas acaba por levar a confrontos em algumas situações.

No entanto, foi uma boa maneira de conhecer um pouco mais o passado de Chloe e ver um lado de Nadine que não conhecíamos.

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Apesar de Chloe ser bastante parecida com o que conhecíamos de Uncharted 2, matreira e sempre com a resposta preparada, é Nadine quem vê a maior mudança na personalidade, uma vez que passa da mercenária brutal que conhecemos em Uncharted 4, para uma pessoa capaz de ver além do seu objetivo e ajudar pessoas em perigo, mesmo que para isso tenha de perdoar um antigo inimigo.

Ainda assim, apesar de ter gostado da dupla, creio que a maioria dos fãs gostariam de ver em ação uma equipa como Sam Drake e Sully, fechando assim o ciclo destes dois personagens, contando o que fizeram após o final de Uncharted 4, mas antes do epílogo.

O vilão do jogo, Asav, também não é propriamente desenvolvido mas, apesar dos poucos momentos em que aparece, consegue ser bastante intimidador e nunca está um passo atrás das heroínas.

A história em si, acaba por cair um pouco nos clichés deste tipo de aventuras, mas a interação entre personagens consegue colmatar essa falha praticamente por completo.

Novas mecânicas e armas

Além de trazer de volta antigas mecânicas, como condução, o andar furtivo e o gancho, The Lost Legacy traz-nos alguns elementos novos, como armas silenciosas, lockpicks que permitem abrir caixas com armas especiais, um sistema de combate ligeiramente alterado e mais focado em artes marciais, ao contrário de Drake que era um estilo mais arruaceiro e, um novo tipo de colecionável sob a forma de fotos que tiramos com o telemóvel de Chloe.

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Também novas armas foram introduzidas como a Arrowhead, P90 e Desert 5 que antes apenas apareciam no multijogador, a nova Type 95 ou o C4.

Também existe um item, cujo efeito não vos vou dizer para não estragar, mas é incrivelmente útil e vale muito a pena descobrir as 11 peças para o desbloquear, algo que não deve tomar muito tempo, mas vai facilitar bastante a vida de quem gosta de completar o jogo a 100%. Além disso ainda recebem um troféu de prata pelo esforço.

O pacote completo

A campanha de The Lost Legacy dura entre 8 a 10 horas, dependendo do tempo que gastem a explorar os cenários e a dificuldade escolhida.

No entanto, a expansão não se fica só pela campanha, sendo que a Naughty Dog incluiu os conteúdos multijogador de Uncharted 4, assim como o novo modo de sobrevivência que, sinceramente, gostei mais que o multijogador em si.

Cada modo possui a sua própria progressão e desbloqueáveis, sendo que o modo multijogador não sofreu alterações face a Uncharted 4.

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O modo sobrevivência coloca-vos numa arena na qual têm de sobreviver a 10 hordas de inimigos, sendo que a cada nova horda existem alguns modificadores que tornam o jogo mais interessante, como Mirror world que vos inverte o mapa horizontalmente ou Siege, no qual só são recompensadas com dinheiro as mortes que se fazem num determinado local.

Gráficos de cortar a respiração

Graficamente, Uncharted 4 é um dos melhores da atualidade. O mesmo motor foi utilizado na expansão, pelo que podem esperar a mesma qualidade.

Os efeitos de luz são brilhantes, com reflexões realistas, nevoeiro volumétrico que reage quando se movem, tal como as plantas, um motor de física muito bem feito, grande qualidade das animações e texturas detalhadas, fazem desta expansão um mimo gráfico, ainda mais se jogarem na PS4 Pro.

Também a nível sonoro continua igual a si mesmo, com uma boa banda sonora que se encaixa na perfeição, assim como o perfeito trabalho de captura de movimentos e voz dos atores envolvidos.

Conclusão

Por 39.99€ diria que Uncharted: The Lost Legacy vale bem o dinheiro que pede. É um pacote incrivelmente completo, ao ponto de bater muitos jogos AAA no que toca a conteúdo.

Apesar da história ser clichê e o vilão pouco desenvolvido, o resto dos aspetos, incluindo as novas mecânicas, novo cenário e grande componente de exploração, fazem desta expansão uma das melhores dos últimos anos, estando praticamente ao nível da expansão Blood and Wine de The Witcher 3.

Fico curioso para ver o rumo que a série vai quando sair das mãos da Naughty Dog.