Review – Total War: Three Kingdoms

História e fantasia, juntos num excelente RTS

O bom
Campanha histórica, com alguma fantasia à mistura
Várias formas de chegar ao objetivo final
Dos melhores sistemas de diplomacia em RTS
Batalhas enormes, imersivas e com imensas opções táticas
O mau
Interface um pouco confusa e por vezes intrusiva
Por vezes perdem controlo de recursos sem qualquer explicação
90

A série Total War tem sido uma das mais consistentes no que toca a RTS de qualidade, com apenas um ou outro título menos conseguido.

Desde que fizeram a parceria com Warhammer 40K, a série praticamente reinventou-se e focou-se mais nas mecânicas de combate, personagens e na forma como abordamos os objetivos.

Total War: Three Kingdoms é o novo título da série e volta à sua temática mais histórica, desta vez com o período dos Três Reinos da China (220-280 D.C.), no qual têm o objetivo de levar uma das várias fações controladas por um Senhor da Guerra à vitória e, consequentemente, à unificação da China.

A vitória, a qualquer custo

Fundamentalmente, Total War: Three Kingdoms não difere muito dos jogos anteriores na medida em que, os modos de jogo são os mesmos: Campanha, Batalha e Online.

Podem também escolher entre dois tipos de jogo: Romance e Records, onde o primeiro confere vários poderes aos generais tornando-os bastante poderosos e dando um ar mais fantasioso à história. Records remove estes poderes e torna os generais mais vulneráveis, aumentando a dificuldade do jogo mas dá uma visão mais crua e realista das batalhas e pune os vossos erros de decisão.

O que mais gostei na campanha, foi a forma como podemos progredir na história. Uma vez que não sou propriamente um expert em RTS e não me safo como antigamente, toda a micro-gestão dos exércitos torna o jogo mais difícil de apreciar, para mim, mas felizmente nem sempre é preciso resolver as coisas à martelada.

O sistema de diplomacia e negociação está incrivelmente bem feito e o próprio jogo incentiva-vos a fazer uso dessas mecânicas, afinal existem alturas em que a caneta é mais poderosa que a espada e neste jogo passei grande parte dos turnos a negociar vários termos com outras fações.

Além do objetivo de unificar a China, o vosso outro objetivo é serem nomeados Imperador. Para tal, precisam de influência e apoio de outras fações. Isto faz com que não seja possível uma vitória diplomática, como existe em Civilization, mas se quiserem passar o país inteiro pela espada, vão ter muito trabalhinho pela frente.

O truque aqui é saber equilibrar a balança. Para tal, vão necessitar sempre de entrar em guerra, nem que seja para expandirem o vosso território e ter acesso a novos tipos de edifícios, mais população e maior produção de recursos.

Além disso, vão ter de negociar frequentemente com os outros líderes, quer com acordos de não agressão, quer com a formação de coligações que podem incluir várias fações que vão partilhar recursos, exércitos e participar em guerras em conjunto.

A forma como o jogo vos incentiva a negociar, é pelo facto de desde cedo na campanha os outros líderes vos abordarem com várias propostas. Podem aceitar ou não e, de facto, algumas são bastante inúteis para o vosso caso, como um pacto de não agressão com uma fação que se situa no outro lado do país.

 

No entanto, por vezes vão começar a ficar com poucos recursos, quer devido a uma batalha que reduziu as vossas unidades, que custam dinheiro para repor, quer devido à obtenção de uma nova vila ou cidade, que introduz um custo adicional para manter.

Para recuperar estes recursos, podem facilmente abordar outros líderes mais afastados e trocar recursos por oficiais, dinheiro ou alimentos, aumentando assim a vossa influência e a confiança de outros lideres uma vez conseguem manter estes acordos.

Batalhas cinemáticas

As batalhas em Total War sempre foram bastante cinemática, não tanto como por exemplo, em Star Wars: Empire at War, mas a câmara permite aproximar até ao nível do chão, onde vemos os vários batalhões de soldados envolvidos em batalhas corpo-a-corpo, ou a dispararem as setas de forma bastante realista.

Em Three Kingdoms, o sistema de combate não foge muito à norma do que se fazia em jogos anteriores da série, com um ecrã inicial onde podemos escolher uma formação pré-definida, colocar os batalhões em locais escolhidos por nós, dentro de uma certa área, etc.

As unidades também se comportam um pouco ao estilo pedra, papel, tesoura, sendo fortes e fracas contra outros tipos de unidades.

Para quem não se dá tão bem com a micro-gestão, é possível pausar os combates a qualquer altura e ordenar os próximos movimentos com toda a calma, algo que gosto bastante.

Os generais, tal como nos jogos anteriores influenciam bastante a moral das unidades e a sua perda pode levar à deserção. Cada general possui certos poderes (caso estejam em modo Romance) que aumentam a performance das unidades à volta e pode ditar a diferença entre a vitória e a derrota. Durante as batalhas, os generais de ambas as fações podem entrar em duelo, lembrando bastante o que se vê nos filmes com esta temática.

O papel dos generais não é só importante nos combates. Fora destes, enquanto líderes terão de se certificar que estes estão satisfeitos, caso contrário podem ver um aumento de corrupção, que leva a uma redução da ordem pública e, por conseguinte, leva à rebelião.

Esta satisfação pode ser aumentada de diversas formas, como a sua utilização em combates ou tarefas, aceder aos seus pedidos, ficar do lado deles quando existe divergência com outro general, colocá-los em lugares de poder, etc.

Apesar de parecerem bastantes coisas a ter em conta, o jogo simplifica bastante isto com vários balões e pop-ups durante o jogo que, apesar de ajudar bastante nalgumas coisas, dificultam noutras.

Isto porque, para quem não está habituado, nomes chineses não são fáceis de decorar e na maioria das vezes, estes balões bloqueiam o ecrã, impedindo que vão a outros menus ou ao mapa ver quem são estas pessoas. Isto pode levar a que façam escolhas erradas, que podem ter um papel fundamental em acontecimentos futuros.

Sistema de progressão interessante

A cada 5 turnos podem abrir a janela de Reformas e escolher uma nova medida. Estas reformas conferem bónus substanciais e podem ajudar em muitas situações de aperto.

Caso estejam com falta de produção, podem introduzir uma reforma que confira maior eficiência na produção de alimento, melhor recolha de impostos, redução do custo do exército, etc.

Estas reformas requerem que existam alguns edifícios construídos antes de poderem ser desbloqueadas, mas também permitem subir o nível máximo de certos edifícios.

Cada região possui vários tipos de edifícios. Geralmente possuem uma cidade que serve de capital, quintas, portos, etc. A interface destes edifícios é um pouco confusa, uma vez que caso uma fação inimiga possua um edifício dentro de uma região, estes vão ficar misturados com os vossos, uma vez que a barra de edifícios mostra os que existem numa região, não apenas os vossos.

Cada edifício pode ser melhorado, sendo que alguns permitem se separam em dois caminhos, permitindo bónus mais focado num recurso ou mais equilibrado.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Total War: Three Kingdoms é um jogo muito bonito, com uma arte espetacular, especialmente durante o mapa da campanha.

A nível de performance, esta série sempre foi conhecida por puxar bastante pelo processador. Joguei a 4K com as definições ao máximo e HDR com uma RTX 2080 Ti, Ryzen 5 1600 e 16GB de RAM e consegui entre 45-60 FPS durante as batalhas, com o zoom ao máximo, o que não é nada mau considerando a carga quer no processador, quer na GPU.

A banda sonora é mais uma vez muito boa e o som ambiente, especialmente durante as batalhas onde ouvimos os sons das espadas a baterem, setas a voarem e os gritos de soldados feridos ou vitoriosos a oferecer uma autenticidade acrescida ao jogo.

Conclusão

Total War: Three Kingdoms pega na fórmula histórica clássica, mistura-a com a componente mais fantasiosa de Warhammer e refina as várias mecânicas para oferecer um jogo de estratégia extremamente imersivo, com imensas opções de batalha, diplomacia e gestão interna que permitem ao jogador fazer as suas escolhas e jogar da forma que mais lhe agrada.

É um jogo que recomendo, obviamente, a fãs do género mas também aqueles que nunca experimentaram ou não jogam um RTS há muito tempo, uma vez que o jogo é bastante acessível a jogadores com todo o tipo de experiência em RTS.

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Final Score