Review: Total War Saga: Thrones of Britannia - Um passo para trás
Diplomacia mais profundaGestão mais interessanteAlguns bugs antigos de batalha resolvidos
Mapa baço e feioVikings e Ingleses quase iguaisNovos bugs frustrantesPraticamente zero inovação
70%Um jogo Total War muito mediano
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Este é o primeiro jogo de estratégia da saga Total War lançado após a divisão em dois da equipa que produz os jogos desta série: a que produz jogos com base histórica, como este; e a que produz jogos de fantasia (como os dois Warhammer que já foram lançados e o que ainda está em produção). Então, se Thrones of Britannia é um reflexo desta decisão, não devia ter sido feita.

Longe de mim dizer que o jogo não está bom, mas o que se vê, principalmente para quem jogou os dois Warhammer lançados recentemente, é que este foi um passo atrás. Depois destes dois excelentes jogos, eu esperava muito de um lançamento com base nas invasões Vikings do século VIII às ilhas britânicas, mas o resultado ficou aquém. Vamos analisar o porquê.

O mais importante em Total War: as batalhas

Quem gosta de Total War gosta das batalhas épicas que se conseguem produzir neste jogo. A receita dos jogos iniciais era brilhante e, verdade seja dito, não foi assim tão alterada como isso nestes 18 anos que já passaram, desde que tudo começou. Embora se entenda que equipa que ganha não muda, já se esperava que se tentasse mexer um pouco nesta mecânica, com intuito de a melhorar.

O problema é que as oportunidades perdidas são imensas. Estamos numa era de grande importância para estes dois povos. Temos dois exércitos dos dois lados a lutar de forma completamente diferente. Com motivos, armas e estratégias diferentes. E o que se vê em Thrones of Britannia não é esta diferença. Embora possam jogar com qualquer um dos lados, as unidades disponíveis são praticamente as mesmas.

Isto é o que me dá pena em relação a este jogo. Um desperdício de uma das épocas mais férteis e mais interessantes para jogos de estratégia, que podia ter tanto potencial. No entanto, não deixa de continuar a ser bastante divertido. As batalhas continuam a ser épicas, com a estratégia que tão bem conhecemos e também com os mesmos bugs (ou ainda alguns novos).

Um dos mais hilariantes e, ao mesmo tempo, frustrantes foi num cerco a uma cidade inimiga. Como já acontecia nos jogos anteriores, ao fazerem um cerco podem construir algumas armas que vos ajudam a ultrapassar as muralhas. Na fase inicial existem duas: um aríete e uma torre de cerco. A primeira tem como objectivo partir o portão de entrada e a segunda transportar as tropas para o topo das muralhas.

Tanto uma como a outra são transportadas por um dos vossos batalhões (que por definição é de tropas de curto alcance a pé). O bug aconteceu-me quando mandei duas torres de cerco, ambas com tropas no seu interior, para uma secção da muralha. Ao chegarem, embora a secção em causa tivesse espaço mais que suficiente não só para essas duas torres, como para mais uma dezena delas, ambas atacaram no mesmo local.

Ao tentarem lançar as tropas no mesmo local, começou uma “luta” para ver qual chegava primeiro. A vencedora funcionou como previsto, mas a segunda não. Ficou parada mesmo atrás da outra com as tropas presas no seu interior. Sem querer criei presos de guerra, pena serem do meu próprio exército.

Mas nem tudo é negativo, um dos bugs que mais me frustrava nos jogos anteriores era no posicionamento estranho das divisões. Muitas vezes ficavam de lado, ou mesmo de costas, sendo impossível atacar, principalmente se fossem unidades de longo alcance. Neste jogo isso nunca aconteceu. Embora se veja um esforço para melhorar alguns erros antigos, deixaram passar alguns novos.

Finalmente falta falar de algo que voltou e que já não existia há um tempo: batalhas navais. Embora seja completamente verdade afirmar que nesta época as batalhas navais fossem muito primitivas, o que eu gostava era das batalhas com navios de grandes dimensões, à moda de Empire: Total War. Aqui funcionam um pouco como uma batalha terrestre, só que infinitamente mais confusa.

Cada navio transporta uma divisão de soldados. Se forem unidades de curto alcance, a única coisa que podem fazer com eles é embarcar outro navio inimigo, o que faz com que lutem, como lutariam em terra. Apenas as unidades de longo alcance podem disparar de longe. Resumidamente, as batalhas navais são, no mínimo, decepcionantes.

Apenas gostei de uma parte das batalhas navais. Se tiverem de lutar no mar, é uma batalha desinteressante. Mas invadir uma cidade costeira, significa que podem desembarcar as vossas unidades sem passar pelas muralhas. É uma ideia muito interessante mas, o AI não sabe bem como lidar com isto. Não propriamente a defender, mas não sabe atacar com navios.

Aspecto visual completamente remodelado

A primeira coisa que vão ver mal abram o jogo é que está tudo com outra cara. Gosto das animações, e dos vídeos de apresentação, em modo de escultura de baixo relevo. Embora na minha opinião dê um ar um pouco “egípcio” ao jogo não deixa de ser bonito. Desde o primeiro instante que gostei de ver estes momentos, que acontecem durante o jogo, em forma de eventos.

Mas depois o mapa. Não sei bem que se passou nesta parte. O mapa parece baço, sem cor e com pouca variedade. Não se se o objectivo seria mesmo esse, com foco numa época terrível para estas ilhas, ou mesmo para ter em foco o tempo instável no Reino Unido, mas o resultado final deixa-me desapontado.

mapa_total_warCada vez que abria o jogo lembrava-me das paisagens deslumbrantes de Warhammer II e como aqui tudo parece menos refinado e menos colorido. Numa zona do nosso planeta tão florescente como as ilhas britânicas, ver todo o terreno em verde baço, faz-me mais lembrar que estou no sul da Europa, do que na Escócia. Se nunca tivesse o tivessem feito percebia-se, mas já mostraram que o sabem fazer, e bem.

Mais gestão, muito mais gestão

A parte de gerir as nossas cidades sempre foi uma parte importante do jogo. Não devido às cidades em si, ou mesmo ao nosso império, mas simplesmente para conseguirmos manter um exército maior e mais rápido. Pelo menos foi sempre assim que geri os meus jogos, com a pergunta em mente: O que posso fazer para conseguir manter um exército maior?

A gestão aqui é bastante mais complexa e com mais impacto. O ouro é um problema, a comida também, os nossos governadores, generais têm de ser bem geridos, tal como as populações, isto para dar alguns exemplos. A minha primeira impressão é que estava a jogar Crusader Kings. Ter de casar os meus governadores para aumentar a lealdade, subornar pessoas para não contarem os meus segredos, entre outros.

plotSão pequenos toques que dão outra imersividade ao jogo, e que gostei especialmente. E apesar de parecer que não têm efeito, quando as coisas correm mal, correm mesmo mal. Por exemplo, a falta de comida faz com que os soldados fujam, a falta de ordem pública cria rebeldes, para citar apenas alguns exemplos. Este último, especialmente, é uma pedra no sapato mesmo muito difícil de tirar.

Com impérios pequenos normalmente não são um grande problema. Mas ao terem um maior território em vosso poder, têm mais espaço para patrulhar. Uma revolta do outro lado do império pode significar perder uma povoação, e isso pode ter efeitos graves se estivermos numa guerra, ou se isso fizer os nossos recursos passar para negativo. Esta é, de longe, a melhor parte de Thrones of Britannia.

Diplomacia

A diplomacia nunca foi o forte de Total War. E sinceramente não é um jogo que precise de diplomacia muito refinada, porque este é um jogo de guerra. Ao contrário de muitos outros lançamentos, onde a paz pode ser um gerador de força tão grande como a guerra, aqui dificilmente o será. Apesar de poderem evoluir as vossas cidades, essa gestão é rapidamente finalizada.

Neste jogo, sendo numa época tão caótica, faz algum sentido ter uma diplomacia um pouco mais profunda. Com um enorme número de facções, sendo em forma de províncias inimigas ou de revoltas, a guerra contra todos não é certamente uma boa ideia. Desta forma, um dos primeiros passos poderá ser tentar arranjar aliados ou, pelo menos, amigos, nestes tempos que correm.

Todos os líderes das ilhas britânicas, tanto ou mais que os Vikings, olham para os vossos territórios com cobiça. Que posso fazer para me defender? As opções são agora mais variadas. Existem tratados de amizade. Não funciona como uma aliança, sendo talvez mais próximo a um tratado de não-agressão. Uma espécie de “gosto mais de ti que dos outros”. É um primeiro passo para relações mais profundas.

Existem ainda as típicas alianças (defensiva e ofensiva). Aqui entra um factor interessante. Obviamente, se forem aliados de alguém e esse entrar numa guerra, vocês têm a obrigação moral de ajudar o vosso aliado. Não sei se notaram que disse obrigação moral, mas não obrigação no verdadeiro sentido da palavra. Podem rejeitar ajudar o vosso aliado, quebrando a aliança, e sofrendo obviamente uma grande quebra na relação entre ambos.

diplomaciaIsto torna as alianças bastante mais interessantes. Ao não sermos obrigados a lutar em guerras que não queremos, podemos simplesmente sair deste tratado, embora isto tenha consequências bastante negativas. Continua a ser uma decisão difícil de tomar, mas se a decidirem seguir, não serão obrigados a fazer o que não querem.

Podem ainda tornar outras províncias inimigas mais fracas que vocês em vossos vassalos. Com isto, esse território perde a autonomia diplomática, mas ganha a defesa que vocês lhe fornecem. Assim, podem juntar território ao vosso império, sem perder soldados que são muito necessários.

Conclusão

Ser Viking ou Inglês eis a questão. Mas será mesmo uma questão difícil de responder? Se retirarmos os pequenos detalhes, como os escravos, ou as expedições, que afectam o jogo relativamente pouco, jogar com um ou outro não altera em quase nada o jogo.

Dizer mal de um jogo Total War que está bem feito é sempre uma tarefa complicada, mas quando a inovação não existe, é preciso analisar o que foi mal feito. E o que aqui foi mal feito foram os passos atrás que foram dados em vários sectores. A maioria do que funcionava continua a funcionar bem, mas isso não é grande razão para festejar. O problema é que havia coisas bem feitas que agora não estão.

Essa é a principal razão pelo qual não consigo dar uma boa nota a este jogo. Fico sempre a pensar como é que o Warhammer II conseguia ser melhor que este em quase tudo. O que me preocupa, como amante de jogos do estilo Total War, é que a divisão da equipa de produção em dois, tenha estragado o que foi feito recentemente, e isso pode afectar seriamente os que virão no futuro.

Este jogo é um bom jogo Total War? Claro que sim. Mas vale a pena? Isso pode já não ser verdade.

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