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Review The Medium – Mente dividida

Review dos Leitores0 Votes
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O Melhor
História com excelentes momentos
Mecânica de ecrã dividido muito interessante
O Pior
Fraca otimização e animações ultrapassadas
Fim deixa algo a desejar
70
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The Medium

PC, Xbox Series X/S

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The Medium é o novo jogo da Bloober Team, responsável por nos trazer vários títulos de terror como Layers of Fear, Observer e Blair Witch. É também o primeiro título exclusivo para as consolas Xbox de nova geração, apesar de também estar disponível para Windows 10.

O principal conceito de The Medium é a possibilidade de, em certas situações, controlar a mesma personagem em dois mundos paralelos, com o ecrã dividido. Vejamos o que o jogo nos oferece

O paraíso transformado em inferno

The Medium segue a história de Marianne, uma medium capaz enviar os espíritos presos neste mundo para o pós vida, frequentemente assombrada por um sonho no qual uma criança é assassinada por um homem à beira de um lago.

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Enquanto trata do funeral do seu pai adotivo, Marianne recebe uma chamada de um homem chamado Thomas, que revela ter conhecimento acerca dos seus poderes e lhe pede que se encontrem numa estância de férias abandonada, Niwa, onde pretende revelar o que sabe e explicar a origem do sonho que a assombra.

Niwa faz lembrar aquele tipo de edifícios que encontramos em jogos que se passam em locais como Chernobyl (por exemplo, em STALKER ou Call of Duty 4) e o cenário parece o de uma cena do crime que parou no tempo. A estância foi abandonada devido a um massacre e assim se manteve durante anos.

Existem zonas sujas de sangue dos assassinatos que ocorreram e outras que foram dominadas pela natureza com o passar do tempo. No entanto, o maior contraste acontece quando entramos no mundo paralelo.

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Em certas situações, os poderes de Marianne manifestam-se sob a forma de um rasgo na dimensão, mostrando ao mesmo tempo o nosso mundo e uma versão paralela na qual os espíritos habitam.

Uma sala no nosso mundo, é uma prisão no mundo paralelo, as mobílias passam a ser blocos compostos por ossadas humanas, tentáculos e outros elementos sobrenaturais. Marianne também fica diferente, apresentando um cabelo branco e a roupa degradada, como se estivesse repleta de coral.

Existem diversas limitações, uma vez que Marianne se move nos dois mundos ao mesmo tempo, portanto se alguma coisa bloquear o seu caminho no mundo real, uma parede invisível vai aparecer no mundo paralelo. É aqui que entram os puzzles.

O inimigo invisível

Ao nos depararmos com um obstáculo, podemos removê-lo no mundo normal, quer por mover uma mobília, ou interagir com outros elementos, permitindo que Marianne do mundo paralelo passe pela tal parede invisível.

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No entanto, existem alturas em que tal não é possível e aí, a alternativa é usar a experiência fora de corpo. Isto permite que Marianne do mundo paralelo se separe da sua versão original e possa navegar de forma independente no mundo dos espíritos. Assim, podem resolver puzzles que causam reações no mundo original, abrindo um novo caminho para Marianne.

Ao longo da vossa investigação, vão-se encontrar com um espírito perdido chamado Sadness. Ao tentar ajudá-la, vão descobrir que o massacre não foi causado por algo do nosso mundo, mas sim por um inimigo invisível do qual os residentes da estância não se podiam defender.

Este inimigo vai ser um elemento fundamental para a componente de horror do jogo uma vez que têm poucas armas para o poder contrariar e portanto, na maioria das vezes têm de se esgueirar para longe dele.

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O horror em The Medium faz-me lembrar Alan Wake. Possui uma atmosfera tenebrosa, e o design do jogo oferece-nos todas as formas de ultrapassar os inimigos, pelo que nunca existe aquele desespero por falta de recursos ou situações virtualmente impossíveis de ultrapassar, como acontece no género survival horror.

A história tem momentos altos e baixos. Existem alturas em que é uma verdadeira seca e simplesmente não me agarrou, mas existem outras em que é verdadeiramente fenomenal, especialmente quando desenvolve os acontecimentos que levaram ao massacre ou quando vemos a história de um outro personagem.

Também existem imensas notas e objetos que podemos inspecionar e permitem ouvir alguns acontecimentos do passado, o que ajuda a entender o passado acerca da estância e das pessoas que lá viviam.

O jogo pode ser terminado em cerca de 7-8 horas e não existe propriamente nenhum incentivo para voltar a jogar. O final deixou muitas coisas em aberto e sinceramente não gostei muito da forma repentina como ocorre.

Gráficos, performance e som

Graficamente, The Medium é um título que provavelmente não poderia ser lançado nas consolas da geração anterior, sem sofrer grandes cortes a nível artístico. Mas por outro lado não é um verdadeiro título next-gen, visto que ainda sofre de algumas texturas em baixa resolução e os detalhes dos personagens ainda estão presos à geração passada.

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A nível de performance, a versão de PC é um pouco má. Com uma 2080Ti, i7 9700k, 32 GB de RAM e SSD, não tive problema em manter as 60 FPS (o limite máximo) na maioria do tempo com as definições todas ao máximo e Ray Tracing On.

No entanto, existem vários problemas como o Variable Refresh Rate nem sempre funcionar e geralmente nessas alturas, as funcionalidades do Shadowplay também não funcionam, existem várias alturas em que o jogo sofre uns soluços estranhos mesmo quando o framerate não se altera, o que parece ser um problema de I/O (algo que acontece também na versão da Xbox) mesmo com o jogo a correr num SSD.

O lip sync por vezes não funciona e mal se vê os personagens a mexer a boca quando falam. As animações estão presas na geração da PS3 e Xbox 360, um problema agravado pelo facto de usar ângulos de câmara fixos (felizmente não usa tank controls).

As opções de anti-aliasing são limitadas a TAA ou DLSS, sendo que ambas tornam o jogo bastante borrado. DLSS limita a vossa resolução interna a 80% no máximo e não notei um ganho de performance significativo, o que leva a entender que simplesmente não funciona. Não é o primeiro em que tal acontece, a versão do Gamepass de Control sofre do mesmo.

A nível de som, o voice acting é bom e a banda sonora ajuda a manter o ambiente tenso, especialmente nas secções furtivas. Aconselho a jogarem The Medium com um sistema de som que permita ter bons baixos (headset ou soundbar/subwoofer), pois o jogo beneficia imenso das baixas frequências.

Conclusões

The Medium é um jogo com vários altos e baixos que consegue introduzir excelentes momentos, quando estão prestes a desistir dele e vos agarra por mais algum tempo.

A mecânica do ecrã dividido é bastante interessante, mesmo que os puzzles sejam algo simples. A nível gráfico, possui boa direção de arte, mas sofre bastante com uma fraca otimização que por vezes quebra a imersão.

O jogo está disponível por 49.99€ ou gratuito se o jogarem pelo Gamepass no PC e Xbox Series X/S.

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Design
Ecrã
Performance
Autonomia
Autonomia e alcance
Câmaras
Ecossistema
Qualidade/Preço
Ergonomia
Audio
Micrófono
Personalização
Video
Fotografia
Conectividade
Final Score