Review Tartarugas Ninja: O Romper das Sombras

Dois anos depois de Michael Bay ter destruído para muitos toda a possibilidade dos heróis mutantes triunfarem nesta segunda década de 2000, chega-nos o segundo capitulo na saga de filmes, Tartarugas Ninja: O Romper das Sombras que, tal como Transformers, claramente não parará até terem espremido todos os cêntimos da nossa carteira e todos os bons momentos da nossa infância.

Introdução

Depois do que vimos no primeiro filme, pode-se mesmo dizer que toda a gente já estava à espera disto. Evidentemente, ainda havia esperança, principalmente com o que vimos no trailer, que mostrou personagens muito famosas da série original, como Krang, Rocksteady, Beebop ou Casey Jones.

Depois do que vimos no primeiro filme, todos estavam à espera disto

No entanto, apesar de alguns momentos divertidos ali e acolá, não há duvida que o regresso das versões Shrek deformadas das Tartarugas serve claramente mais para destruir mais um pedaço de infância de muitos de nós, que cresceram com estes heróis, enquanto tenta espremer a maior quantidade de dinheiro possível de nostálgicos e crianças, cujo filme foi claramente feito para, tendo em conta as horríveis piadas de 5 anos espalhadas pelo filme.

Por mais que lhe digamos não, parece que o Michael Bay de 5 anos que dá testículos a Transformers recusa ir-se embora, e vai continuar a dar-nos estes pedaços de nostalgia incorporados com efeitos especiais horrendos em alguns instantes, pacing horrível noutros, piadas que nem um miúdo de 12 anos se sentiria orgulhoso, e claro, corpos descascados de mulheres (essa então bastou esperar 5 minutos de filme).

Tartarugas Ninja - Leonardo

História

De história e spoilers pouco ou nada há a dizer, tendo em conta o filme ter alguns momentos em que simplesmente muda sem razão nenhuma e a história ter mais buracos que um queijo Suíço na série Tom & Jerry.

imdb                      rottentomatoes

Começa com as Tartarugas a fazer o que sempre fizeram na série – andar pela cidade de noite, a comer pizza e a tentar entrar no mundo em que vivem sem nunca poder dar muito nas vistas. E tenho de admitir, os primeiros cinco minutos de filme são bastante engraçados, enquanto comem pizza a ver um jogo de basquete e tentam esgueirar-se para uma festa de Halloween.

O designer que deu a cara a Donatello, Miguel Ângelo, Rafael e Leonardo devia ser despedido

No entanto, se há coisa que não muda, são as caras deles. Ao designer que deu a cara a Donatello, Miguel Ângelo, Rafael e Leonardo, estás despedido, que isto é um trabalho que dói ver o filme todo. Infelizmente, a cara é o local principal para onde olhamos, e ao contrário de Hunger Games, onde olhar para o peito de Jennifer Lawrence teria sido bem melhor, aqui não temos nenhum plano B desses disponível.

Tartarugas Ninja protagonistas

E apesar dos cinco minutos de entrada, o filme rapidamente entra nos seus carris quando vimos April, ainda representada por Megan “im here just for body” Fox, que claramente não perde tempo em dar razão ao seu nome, quando, nos primeiros cinco minutos de filme, já a temos de saia e metade do corpo à mostra, enquanto está rodeada de outras mulheres na mesma situação, numa tentativa de obter informações sobre o professor Baxter Stockman.

Tartarugas Ninja Megan Fox

Este último, interpretado por Tyler Perry, por muito que que o actor se esforce, tem uma personalidade tão boa e dialogo tão bem construído, que é facilmente a segunda coisa mais irritante do filme, apenas atrás da cara das tartarugas com defeito de fabrico (a Megan Fox é um segundo próximo, mas tem a vantagem, apesar de tudo, de ser uma brasa, portanto fica-se pelo terceiro lugar).

Tartarugas Ninja April e Casey

E não é só esta personagem – todo o diálogo do filme é fraco. E não, não estou só a falar da história em si, que essa já terá um capitulo só para ela a seguir. Praticamente todas as trocas de diálogo entre as personagens põe qualquer um a coçar a cabeça, pois para além de não fazerem sentido, são simplesmente fracas e desprovidas de qualquer esforço, como se um miúdo de cinco anos o tivesse escrito (bom, foi sem dúvida avaliado por um adulto de cinco anos, portanto…).

Todo o diálogo do filme é fraco

Entretanto, April descobre que Baxter está a trabalhar num plano para libertar Shredder da prisão com a ajuda da qualquer coisa liga de sombras deste ultimo (este filme foi tão memorável), que conta com os piores ninjas que eu alguma vez vi (a sério, um deles perde um 1v1 contra April). E, graças a um portal interdimensional, conseguem.

Nos trinta segundos seguintes, Shredder encontra-se com Krang, fazem um contrato para dominar o mundo (aparentemente, já se conheciam), Beebop e Rocksteady são transformados nos seus eu’s animais por algum muco que Krang lhes dá.

Tartarugas Ninja Shredder

Krang, o vilão principal do filme, tenho de lhe dar crédito numa área e facepalm noutra. Em primeiro lugar, o desenho dele está espectacular – o cérebro em si, o robô, tão fantasticamente bem desenhados, e só me deixaram a desejar que o mesmo esforço tivesse sido posto na cara das tartarugas. Por outro lado, a voz dele está um desastre – sim, só mesmo isso, um desastre. Não condiz nada com a personagem, não faz qualquer sentido e parece que a desloca de sitio, coisa que só me fez perguntar “porque não usar o actor original?”.

O desenho do Krang está espectacular, a voz um desastre

Por ultimo, a maneira como entra em cena pela primeira vez. Quando eu disse que o pacing deste filme estava mau, este era um dos momentos a que me referia. Do nada temos Shredder a fazer um contrato com ele, noutro de volta à Terra, e só mais tarde Krang entra, também, quase do nada, é só um dos momentos que me fizeram perguntar “o que raio foi aquilo?”.

Tartarugas Ninja Bebop Rocksteady Krang

Depois, há que ter em conta a personalidade que o filme dá ás personagens, principalmente às tartarugas – temos o crânio, o líder, o músculo e a mascote, em que dentre todos só o ultimo de safa minimamente em termos de entretenimento, por muito que os actores se esforcem. Em termos de desenvolvimento, zangam-se a meio para ser cliché, e unem-se no fim do nada antes da batalha final porque outro cliché.

Pouco depois, temos a aparição de Rocksteady e Beebop, de longe as melhores personagens do filme. Sim, claramente mal escritas, mas a maneira deles de encarar as coisas e o facto de serem simplesmente burros que nem portas trouxe ainda uma boa dose de humor (“Mah” Man).

Rocksteady e Beebop, as melhores personagens do filme

Tartarugas Ninja Bebop Rocksteady

Em termos do restante filme, pouco ou nada há a dizer tirando o numero de buracos que tem. Num resumo, Shredder tenta abrir o portal para trazer Krang para a Terra, consegue e portanto no fim temos uma batalha final, fim.

Agora, porque é que o robô de Krang teve de vir em modo Transformer?

Porque é que as tartarugas têm se esconder quando há uma nave alien gigante por cima da cidade? Porque é que ninguém foge quando a vê (selfies, suponho)?

Porque é que a tenente da policia, nos seus cinco minutos de cena, num segundo as tartarugas são monstros (assim do nada, com alguém como o Shredder no mesmo filme, ok…) e do nada coloca neles o futuro do mundo?

Porque é que Casey Jones, um badass da série original, aqui pouco mais é que um policia que pouco ou nada faz durante o filme, principalmente na batalha final (porquê gases toxicos? Essa eu não percebi de todo)?

Que tipo de engenhoca é que o Donatello tem no braço para saber logo tudo antemão? Suponho que dava trabalho ao filme desenvolver estrutura e dar razões para descoberta.

E vou-me ficar por aqui… se desse a lista completa, esta página demoraria meia hora a carregar, mas acho que a ideia está dita – o filme está claramente mais preocupado com o seu humor de cinco anos do que em desenvolver história ou personalidade, e mesmo com alguns momentos divertidos, o geral falha redondamente.

Em termos do melhor momento do filme, é fácil – os créditos finais

Em termos do melhor momento do filme, é fácil – os créditos finais. Não só acabou, como é quando podemos ouvir a musica de que tão bem nos lembramos, acompanhado de um excelente background de arte, como que a dizer “yep, era isto que devia ter sido”.

Tartarugas Ninja Casey

Últimas impressões

Com humor que ás vezes bate no chão de tal maneira que eu juro que ouvi um baque depois de algumas das piadas, personagens e história inexistentes e irritantes, este é um filme de que de pouco ou nada me lembro de relevante apenas uns dias depois de o ver.

Na altura admito que gostei dele, mas também acho que o meu estado emocional na altura estava perfeito para este filme – 1 semana de trabalho intensivo, exausto e deprimido – pelo que qualquer coisa soava bem nessa altura. Assim, se estiverem à procura de qualquer coisa para vos fazer esquecer o mundo real por uma hora e meia, vão ver. Caso sejam fãs da série, miúdos, pais ou pessoas no geral no bom estado de espírito, esqueçam.

Tartarugas Ninja Capa

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Carapaça partida
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