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Review Stellaris – Paradox Interactive

Hoje sai o novo jogo da Paradox Interactive que deixou muita gente na expectativa desde os primeiros momentos. Este jogo é Stellaris, o novo IP desta empresa num estilo de jogo bastante diferente do que estamos habituados mas, ao mesmo tempo, com traços muito marcantes do estilo da Paradox. A pergunta que todos farão certamente é: O jogo vale a pena? Se gostaram dos outros jogos desta produtora então vão gostar deste certamente.

Falaremos de algumas partes fundamentais de Stellaris, tentando explicar algumas mudanças em relação a outros 4x no espaço. Este ano já foi lançado também Master of Orion – Conquer the Stars, um jogo que pensei que seria concorrente deste, mas após jogar os dois, tirei a conclusão que os jogos são tão diferentes que acho que dificilmente vão entrar no mesmo mercado.

Resumo de Stellaris

Stellaris é um jogo 4x no espaço, em que controlamos uma civilização na tentativa de se expandir e dominar uma galáxia. Isto é feito através da colonização de novos planetas, construção, quer seja de edifícios económicos, quer de edifícios e unidades militares e, finalmente, da conquista dos nossos inimigos, que pode ser feita por várias formas. Embora esta possa parecer uma explicação bastante parecida a outros jogos deste tipo, Stellaris é em quase tudo diferente dos outros.

stellaris batalha

Como a Paradox Interactive já nos habituou, Stellaris tem um estilo de jogo bastante lento, com uma componente diplomática muito forte. Até posso dizer mais; se não fizerem aliados, será mesmo muito complicado conseguirem submeter à vossa vontade os vossos vizinhos. Isto porque o AI está tão bem feito que quando se apercebe que o vosso poder se torna maior que todos eles, várias civilizações em vosso redor aliam-se de forma a manter as suas fronteiras protegidas.

O AI está tão bem feito, que quando sente que somos mais fortes que ele, alia-se a vários dos nossos vizinhos para se manter protegido

Customização de Raças

Os produtores de Stellaris tiveram cuidado em relação a todos os pormenores, incluindo, claro, a customização da nossa raça. Embora possamos escolher algumas pré-definidas, penso que é muito mais interessante fazermos nós próprios a nossa escolha. A quantidade de hipóteses é incrível para um jogo deste tipo, desde a nossa aparência (onde temos 148 opções de raças que vão desde mamíferos a fungos), os traços da nossa raça, o nosso governo, a coisas tão simples como armas iniciais, método de FTL (forma como viajamos entre estrelas) e a classe do nosso planeta de origem.

Na altura do lançamento do jogo já existiam 148 possíveis raças que podíamos usar

Várias destas escolhas são quase puramente visuais, como a nossa raça, embora até aí os produtores deram o seu toque. Por exemplo, se formos qualquer uma das raças de mamíferos e encontrarmos no espaço duas raças xenófobas, uma dela de mamíferos e outra de répteis, a primeira terá um pouco mais facilidade em gostar de nós visto sermos do mesmo grupo.

Os traços são estatísticas extra que podemos fornecer à nossa civilização de forma a ganharmos alguma profundidade extra. Podemos escolher traços negativos como Inadaptado (diminui a habitabilidade dos planetas), Crescimento Lento (diminui o crescimento natural da civilização) e Repugnante (que diminui a felicidade das outras espécies perto de nós). Podemos escolher também traços positivos desde Veneráveis (que aumenta a nossa esperança de vida) a Extremamente Fortes (que aumenta a produção de cristais e o nosso dano militar).
stellaris raças

Nos governos e éticas podemos escolher, em primeiro lugar, a ética do nosso povo. Isto significa escolher aquilo em que acreditamos como civilização. Cada uma das 16 escolhas que temos, tem uma no seu oposto que não pode ser escolhida em simultâneo, por exemplo, não podemos ser pacifistas e militaristas. De acordo com o que escolhemos nas éticas, podemos escolher depois o governo do nosso povo. Todas estas escolhas vão mudar as nossas leis; por exemplo, um povo individualista não pode fazer escravos.

As leis e éticas não só dão bónus como alteram as leis que podemos escolher

Em último lugar podemos escolher o método FTL. Este é a forma como viajamos pelo espaço de estrela em estrela. Existem 3 métodos FTL que podemos escolher:

  • Warp Drive – com este podemos viajar livremente pelo espaço, desde que a distância entre estrelas não seja muito grande,
  • Wormhole – com esta tecnologia temos de criar uma Estação de Wormhole que nos dá um raio em que podemos viajar, ou seja, dentro desse mesmo raio podemos viajar sem passar pelas estrelas intermédias,
  • Hyperspace Travel – desta forma temos caminhos específicos que podemos utilizar entre estrelas não podendo sair dos mesmos.

O primeiro método é o mais lento dos 3 mas dá maior liberdade ao jogador. Com Hyperspace Travel, viajamos à velocidade máxima mas só existem caminhos pré-definidos. Em último lugar, com Wormhole, temos a vantagem da liberdade de Warp Drive com a rapidez de Hyperspace Travel mas só podemos viajar dentro do espaço que estas estações nos fornecem.

Tecnologia

Este sistema é também um pouco diferente do que estamos habituados. Ao contrário da típica árvore de tecnologias, em Stellaris este sistema funciona mais como se fosse um baralho de cartas. Quando escolhemos uma de 3 ou 4 tecnologias, as restantes que não foram escolhidas voltam para o monte e este é baralhado de novo, ou seja, se rejeitarmos uma tecnologia, não sabemos quando é que ela volta.

Quando rejeitamos tecnologias não sabemos quando é que estas vão voltar

Existem algumas restrições para este sistema de forma a que não nos vá aparecer a última tecnologia logo no início do jogo, mas em cada escolha temos sempre a hipótese de encontrar alguma tecnologia um pouco mais avançada, embora, em princípio, teremos sempre avanços mais ou menos do nosso nível. É bastante incomum mas podem aparecer tecnologias de cor roxa, que são tecnologias raras e que não se devem deixar escapar, ou podemos mesmo não as voltar a receber.

stellaris tecnologias

Também diferente do habitual, em Stellaris pesquisamos 3 tecnologias ao mesmo tempo. Em cada momento do jogo vamos estar a pesquisar tecnologias do ramo Físico, Sociedade e Engenharia. Cada uma destas tem um cientista associado, cada um com os seus bónus específicos e com pontos de pesquisa separados, ou seja, se quisermos, por alguma razão, acelerar a pesquisa de tecnologias de engenharia, podemos focar mais pontos nessa área.

Construção Planetária

Cada um dos nossos planetas tem uma superfície onde podemos construir os nossos edifícios. Simplificando, a superfície do planeta é uma grelha de espaços, em que cada um pode ter já, ou não, produção de recursos associada. Por exemplo, um espaço em específico produz 2 de comida para a nossa civilização. Este valor é-nos dado quando metemos um civil a trabalhar nele. Podemos construir edifícios para aumentar esta produção, embora se construirmos, por exemplo, uma mina de minerais, vamos perder os 2 de comida.

stellaris superficie

As construções mais básicas servem para aumentar a produção de recursos que são: Créditos de Energia, Minerais, Física, Sociedade e Engenharia. Para os dois primeiros produzimos, respectivamente, centrais eléctricas e minas e para os restantes laboratórios. Os créditos de energia são basicamente a moeda do jogo, ou seja, todos os edifícios, naves, etc., têm uma manutenção que é paga nesta moeda. Os minerais são o recursos básico de construção do jogo e os restantes são usados para fazer pesquisa.

Design de Naves

Depois de pesquisadas novas tecnologias, podemos actualizar as nossas naves para suportarem módulos mais recentes. O sistema de desenho de novas naves é bastante simples, demasiado simples na minha opinião. Eu gostava de ter visto mais algumas armas, ou alterações às mesmas em vez de se tratar simplesmente de apenas mudanças no tamanho da mesma. Ignorando este facto, é relativamente simples para um jogador desenhar uma nova nave.

Existem 3 tipos básicos de armas: Laser, Mísseis e Projécteis, e cada um tem a sua vantagem contra um dos 2 tipos de defesa: Armadura Escudo (+ significa forte contra, – fraco contra):

  • Laser : + armadura, – escudos,
  • Projécteis : – armadura, + escudos,
  • Mísseis : +/- armadura e escudos, + alcance.

Podemos também adicionar módulos que incluem novos motores, computadores e sensores. Para alimentar todos estes módulos temos de fornecer energia às nossas naves com reactores. Todos estes módulos podem ser usados para construir os diferentes tipos de naves. Temos à nossa disposição Naves de Pesquisa, Naves de Construção, Naves de Colonização, Bases de Defesa e 4 tipos de Naves de AtaqueCorvettes, Destroyers, Cruisers Battleships, cada uma maior que a anterior.stellaris design naves

Cada um destes tipos de nave tem um objectivo:

  • Naves de Pesquisa – Pesquisa os novos sistemas, procura planetas habitáveis e recursos. Estas mesmas naves também pesquisam anomalias e detritos deixados por batalhas,
  • Naves de Construção – Constroem minas e laboratórios fora do nosso planeta, wormholes, outposts (bases que aumentam as nossas fronteiras) e ainda bases de defesa no espaço,
  • Naves de Colonização – Como o nome diz, estas naves servem para colonizar novos planetas,
  • Bases de Defesa – Estações de defesa no espaço, que permitem atacar frotas perto de zonas que não queremos perder.

Diplomacia, Facções e Sectores

Tal como em todos os jogos da Paradox Interactive, em Stellaris a diplomacia é extremamente importante. Neste jogo não vamos conseguir sobreviver sozinhos, portanto parar para fazer alguns amigos é, sem dúvida, uma boa ideia. Com o passar do tempo vamos encontrando algumas das raças com que partilhamos o nosso canto da galáxia e algumas delas serão mais chegadas a nós, algumas não gostarão das nossas políticas e outras são tão diferentes de nós que sabemos que a guerra começará mais cedo ou mais tarde.

Tal como em todos os outros jogos da Paradox, em Stellaris a diplomacia também é extremamente importante

A nossa relação com outra espécie depende de vários factores. Em primeiro lugar se temos uma fronteira com eles o que provoca sempre alguma tensão, se temos éticas semelhantes, se temos rivais em comum e se temos uma embaixada. Estes últimos dois factores são novos sistemas de Stellaris. Antes de mais é preciso explicar que existe ainda mais um recurso a adicionar àqueles que falámos mais atrás: Influência.

stellaris diplomacia

A qualquer momento podemos declarar qualquer povo da galáxia nosso rival. Quando o fazemos ganhamos uma certa quantidade de influência, mas as nossas relações com esse povo vão-se deteriorar rapidamente. O sistema de embaixadas é um pouco o inverso dos rivais. Dependendo do nosso governo, podemos enviar uma embaixada para qualquer raça do universo, o que fará a longo prazo melhorar as relações entre os dois povos. É difícil aumentar o ganho de influência pelo que tem de ser gasto com algum cuidado.

Declarar um povo rival diminui as relações entre os povos mas dá influência, por outro lado enviar uma embaixada faz o inverso mas não retira influência

Quando um povo gostar de nós o suficiente podemos criar uma aliança, que é um pacto de ajuda mútua em caso de guerra, ou seja, se declararem guerra a um deles, todos têm de entrar. Existe algo interessante que é o novo método de declaração de guerra. Como todos são empurrados para a guerra, os nossos aliados têm de concordar com as nossas condições e exigências. Para que a guerra seja declarada todos os membros da aliança têm de votar sim.

Para que a guerra seja declarada todos os membros da aliança têm de votar sim

Em Stellaris só podemos controlar 5 planetas, o que à primeira vista pode parecer negativo, mas ao fim de algumas horas de jogo apercebi-me que numa galáxia em que o tamanho mínimo são 150 estrelas, ser obrigado a controlar todos e cada planeta se tornaria rapidamente numa tarefa chata. Desta forma, para garantir que não temos de sofrer desvantagens pelo controlo excessivo de planetas temos de criar sectores, que é uma parte do nosso império controlada por um governador AI.

Como só podemos controlar 5 planetas, quando excedemos esse valor temos de criar sectores para não sofrermos desvantagens

Cada sector é governado separadamente, ou seja, cada um tem os seus planetas, focos e impostos diferentes. Ao criar um sector designamos um governador, que se compra com influência, e que segue as nossas directrizes. Podemos focar na produção de um recurso caso tenhamos falta de alguma coisa e podemos, ou não, permitir a alteração dos blocos da superfície caso desejemos manter o trabalho que já está feito.

stellaris facçoes

Em último lugar existem as facções. Estas são criadas por partes da população que está descontente com algo na nossa governação. Por exemplo, podem querer ser independentes ou abolir uma lei. Se não fizermos nada para as controlar, estas podem ganhar poder suficiente para se revoltarem contra nós, o que é perigoso, principalmente para as civilizações mais pequenas.

Notas Finais

Quando dois grupos de naves hostis se aproximam uma da outra começa uma batalha. Em Stellaris não vamos poder controlar as naves, tal como não o podemos fazer nos outros jogos da Paradox. Pode parecer estranho mas acho que esta escolha faz sentido porque o jogo tornar-se-ia bastante mais simples se pudéssemos ganhar uma batalha mesmo contra oponentes bem mais fortes. É a mesma razão pelo qual, por exemplo, em Football Manager não podemos controlar os nossos jogadores. O jogo perdia grande parte do seu núcleo e do interesse.

O objectivo deste jogo é governar um império e não tanto a componente estratégica da batalha e por isso aceito que as batalhas sejam simplesmente cinematográficas. O jogo não tem praticamente bugs excepto um que penso que será resolvido rapidamente. Trata-se de um bug engraçado em que, se o inimigo resolver oferecer paz juntamente com os planetas que pedimos para nós e para os nossos aliados, eles são oferecidos todos a nós. O que acabei por fazer foi oferecer aqueles que seriam para os meus aliados a eles.

Stellaris está a ser lançado praticamente sem bugs

Stellaris tem centenas ou milhares de eventos e anomalias de forma a tentar com que não apareçam frequentemente repetidos. Alguns deles têm algumas piadas escondidas de filmes, séries e jogos de Ficção Científica, o que é sempre interessante e engraçado de se ver. Devido ao facto de só podermos controlar 5 planetas, o jogo em late game acaba por se tornar um pouco repetitivo.

Apesar de não ter conseguido jogar multiplayer até ao lançamento desta review, vi bastantes streams da Paradox a jogar em multiplayer e não observei um único problema, o que é sem dúvida positivo. Em último lugar e mais importante, o jogo vale a pena? Eu acho que sim. O jogo está muito bem implementado, tem imensa rejogabilidade, é bonito graficamente e tem uma banda sonora muito agradável, portanto se forem fãs de Grand Strategy Games com uma componente de guerra e desenvolvimento espacial este pode ser o vosso jogo.

O jogo vale a pena? Eu acho que sim.

Gráficos85
Tutorial80
Som90
Jogabilidade90
Reader Rating2 Votes100
Jogabilidade
Gráficos e Banda Sonora
Tutorial
Variedade de Customizações
Sistema de Tecnologias Interessante
Centenas ou Milhares de Eventos Diferentes
Design de Naves com Poucas Opções
Jogo em Late Game é Repetitivo
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