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Review Sifu – Perfeição através da repetição

Sifu foi um dos jogos mais misteriosos que vimos no final de 2021, com trailers espetaculares que mostravam excelentes animações de combate, naquele que prometia ser um dos grandes beat’em up dos tempos recentes.

A ideia com que fiquei ao ver que o vosso personagem ia ficando mais velho quando morriam, dava a sensação que seria uma espécie de mecânica para tornar o jogo mais fácil, tornando o vosso personagem mais sábio e forte, tal como um mestre de kung fu dos filmes.

Na realidade acaba por ser isto que acontece, mas com um twist muito interessante que veremos adiante. O que posso dizer, é que Sifu é um excelente jogo que vai testar os vossos reflexos mas também a vossa paciência, e provavelmente muitos não vão gostar dessa componente uma vez que sendo um jogo imensamente focado na perícia do jogador, nem todos vão querer entrar nesse ciclo de repetição que afeta tantos jogos deste estilo.

A vingança serve-se à pancada

Se há coisa que Sifu tem de perfeito, é a primeira impressão que deixa no jogador. A secção de tutorial está absolutamente incrível e faz-vos sentir imensamente poderosos. A cinemática que se sucede ao tutorial parece algo tirado de um filme de Quentin Tarantino mais propriamente, Kill Bill e existe até um boss claramente inspirado no final do primeiro volume da série.

O vosso personagem é um aprendiz de Kung Fu que vê o seu mestre e pai ser brutalmente assassinado por um antigo discípulo, com a ajuda de quatro assassinos. Após ser ferido mortalmente, descobre que o talismã que possui lhe permite voltar à vida, a custo de envelhecer vários anos.

Esta é, no fundo, a mecânica principal de Sifu. O nosso objetivo é conseguir a nossa vingança contra os cinco assassinos sem morrer de velhice.

Cada assassino possui um nível próprio, repleto de inimigos incluíndo minibosses. Para conseguir chegar ao nosso alvo, teremos de ultrapassar hordas inteiras de inimigos.

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Cada localização possui um estilo muito característico e por vezes esotérico, fazendo com que estes níveis não se tornem enjoativos.

Os inimigos também possuem uma boa variedade de design mas acabam por se incluir em certos arquétipos que rapidamente vão reconhecer, uma vez que com isso vem uma série de movimentos dos quais se vão ter de aprender a defender.

Cada zona possui vários atalhos que podem desbloquear para chegar mais rapidamente ao boss final dessa zona, mas não é um caminho direto, ainda vão ter de passar por vários inimigos complicados até chegar lá. Mas isto permite poupar imenso tempo e reduzir o risco de morrerem várias vezes quando chegarem ao boss.

Mas afinal onde entra a repetição? Bem, correndo o risco de não ser original, Sifu é o Dark Souls do Kung Fu. Isto porque alguns dos paradigmas são idênticos.

Ambos os jogos funcionam muito à base de estudar as rotinas de ataque dos inimigos e atacar no momento certo. Ambos possuem um sistema de defesa à base de timing e esquiva que permitem obter grande vantagem nos combates. E em ambos os jogos, quando entram na “zona” são capazes de derrotar a maioria dos inimigos de uma zona sem grandes problemas.

Tal como em Dark Souls, este estudo das rotinas dos inimigos envolve repetir diversas vezes cada nível e neste caso, existem vários benefícios em fazê-lo.

Como disse, a mecânica principal do jogo é o facto de quando morrem durante um combate, renascem no local mais velhos. Cada morte aumenta em 1 o vosso contador de mortes e ao renascerem, esse contador é adicionado à vossa idade atual.

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Começando nos 20 anos, cada 10 anos que envelhecem aumenta o dano que causam mas também reduz a vossa saúde máxima e a quantidade de habilidades que podem aprender. Apesar de não existirem checkpoints dentro dos níveis, existem entre níveis e a idade com que terminam um nível vai ser a idade com que começam o próximo.

Neste caso, a repetição dos níveis permite-vos tentar terminar com o mínimo de mortes possíveis e assim dar-vos mais margem de manobra no próximo. Também é uma forma de melhorar a vossa perícia contra os diversos arquétipos de inimigos, enquanto otimizam a vossa forma de combate.

Os controlos são bastante simples, existe um ataque leve e um pesado, um botão para defender, um para esquivar e outro que permite apanhar armas.

Apesar de até certa forma conseguirem martelar os botões para derrotar inimigos mais fáceis, quando enfrentam minibosses e os bosses finais de cada nível, esta é uma forma fácil de serem completamente aniquilados e verem o ecrã de Game Over.

Existem várias combinações de botões que permitem ataques altamente poderoso, mas não tão poderosos que consigam fazer “cheese” aos inimigos. Alguns deles até conseguem contra-atacar muitos dos vossos golpes. Um exemplo, é um golpe que permite atordoar um inimigo ao segurar o botão do ataque pesado, mas muitos dos inimigos nem vos atacam enquanto o fazem. É um golpe de alta recompensa caso o usem no momento certo, mas deixa-vos expostos a ataques caso o usem levianamente.

Ainda assim, existem ataques que são francamente melhores que outros. Durante as lutas podem encher uma barra de foco que permite usar ataques imbloqueáveis e um dos melhores permite pregar uma rasteira que atira o inimigo para o chão expondo-o assim a um ataque. Outro, permite que atirem armas ou objetos que estão no cenário contra inimigos, deixando-os atordoados por uma fração de tempo, criando uma aberta para atacar.

Estas habilidades são desbloqueadas com a experiência que obtêm ao derrotar inimigos. Derrotar vários inimigos sem sofrer dano permite aumentar um multiplicador e assim obter grandes quantidades de experiência. Cada habilidade é desbloqueada de forma temporária até a obterem 5 vezes. Se fizerem Game Over, todos os vossos upgrades temporários serão apagados. Assim, é preferível guardarem a vossa experiência e desbloquearem permanentemente uma habilidade de uma só vez, especialmente se estiverem numa idade mais avançada.

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Também existem vários santuários que vos conferem diversos upgrades como aumentar a saúde que recuperam ao derrotar um inimigo, aumentar a vossa Estrutura (mais à frente), aumentar o dano que causam com armas ou o foco que recebem ao esquivar e defender no tempo certo e até reduzir instantaneamente o vosso contador de mortes para zero, algo que também é possível ao derrotar minibosses, que reduzem o contador em 1.

Apesar de ser um jogo que recompensa a agressividade, saber defender é provavelmente a chave do vosso sucesso. Afinal, se os inimigos não vos acertarem também não vos conseguem derrotar.

O elemento chave da defesa é a Estrutura. Se jogaram Sekiro, esta barra é exatamente igual. Defender golpes aumenta essa barra e ao chegar ao fim, a vossa guarda é quebrada e deixa-vos expostos a golpes. Os inimigos também têm isto, apesar de alguns demorarem mais que outros a encher a barra.

Ao encherem a barra dos inimigos vão poder efetuar um golpe final que recupera a vossa saúde e os derrota instantaneamente, independentemente da saúde que tiverem. Isto aplica-se também aos bosses finais de cada zona e é possível derrotarem-nos com metade da saúde por gastar.

O segundo elemento e aquele que ao aprenderem a usar vão conseguir terminar o jogo sem grande dificuldade, é a guarda alta e baixa. Cada inimigo possui dois tipos de ataque: um alto e um baixo. Esta guarda é usada ao segurar o botão da guarda e usando um dos analógicos para baixo ou para cima.

O que torna este movimento tão poderoso é o facto de vos dar frames de invencibilidade e vos permitir desviar de ataques imbloqueáveis, caracterizados por uma espécie de chamas nas mãos ou pernas dos adversários. Além disso, a maioria dos golpes dos inimigos são altos, portanto mesmo que desviem desses golpes todos mas não dos golpes baixos, ainda têm estrutura que chegue para resistir a esses golpes.

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Esta técnica é tão poderosa, que a 2ª fase do 3º boss pode ser terminada praticamente sem saírem do sítio, apenas usando este tipo de guarda e esperando que o boss se aproxime e fique exposto. Alguns dos bosses também começam a usar ataques imbloqueáveis baixos, mas ao fim de sofrerem estes ataques umas vezes vão conseguir perceber a denúncia que os inimigos fazem antes de os usar e vão conseguir esquivar sem problema.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Sifu não é um colosso mas possui uma arte altamente estilizada que lhe confere um aspeto único. A performance não é um problema, e ainda existe a possibilidade de usar o DLSS da Nvidia. Não tive qualquer queda de frame notória durante as cerca de 12-13 horas que demorei a terminar o jogo.

A nível de som, o voice acting é bom, tirando um personagem que parecia que estava a ler do guião. A banda sonora é daquelas que não vão notar muito mas faz um bom trabalho em criar um ambiente para cada confronto, especialmente nos bosses.

Conclusão

Nem toda a gente vai gostar de Sifu, a repetição dos níveis com o objetivo de melhorar no jogo não é um atrativo para aqueles que querem uma experiência de kung fu mais rápida e gratificante, mas é um jogo que não vos vai deixar arrependidos de se terem dedicado a aprender as suas mecânicas.

É a verdadeira perfeição através da repetição.

Review dos Leitores0 Votes
0
O Melhor
Excelente sistema de combate
Arte estilizada confere um aspeto único ao jogo
Imensos segredos e atalhos para descobrir
O Pior
Repetição pode não agradar a todos os jogadores
82

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Design
Ecrã
Performance
Autonomia
Autonomia e alcance
Câmaras
Ecossistema
Qualidade/Preço
Ergonomia
Audio
Micrófono
Personalização
Video
Fotografia
Conectividade
Final Score