Review - Rising Storm 2 Vietnam: Hardcore ao extremo
Jogabilidade RealistaExcelente design de mapasSistema de classes assimétrico Muitas opções gráficas
Falta de tutoriaisProgressão demasiado lentaOptimização podia ser melhor
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Rising Storm 2 é um shooter tático e assimétrico que recompensa uma jogabilidade mais calma e ponderada, sem nunca perder na diversão.


Rising Storm 2 Vietnam, é o sucessor do Rising Storm lançado em 2013, como uma expansão standalone para Red Orchestra 2. O novo título tem como cenário a guerra do Vietname e mantém as características que tornaram os antecessores tão populares, dentro do género FPS.

Produzido pela Antimatter Games e publicado pela Tripwire Interactive, Rising Storm 2 é um shooter tático, com grande ênfase no realismo e combate assimétrico. Apesar de não ser um jogo claramente indicado ao utilizador mais casual, na realidade é possível que qualquer fã de FPS se possa divertir e passar um bom momento com este título. Então vejamos.

Lutem na selva ou na cidade

Apesar de se passar numa guerra muito conhecida pelos confrontos na selva, na realidade existiram combates urbanos sangrentos, um dos mais conhecidos sendo a batalha pela cidade de Hue, que marca presença como um dos mapas do jogo.

Seja na selva ou na cidade, o perigo é constante pois nunca sabem de onde veio o tiro que vos matou. Ainda assim, nos mapas de selva, devido ao seu design mais labiríntico, é frequente que deem de caras com algum inimigo isolado e apanhem um valente susto.

A forma como os mapas estão construídos é um dos pontos mais fortes do jogo. Apesar de não vir com muitos mapas e, alguns deles, serem exclusivos de determinados modos de jogo, a atenção ao detalhe em cada um é incrível, sem praticamente elementos repetidos e com muitos pontos de flanqueamento.

Esta falta de repetição de assets nos mapas, leva a que raramente se sintam perdido, o que torna o conhecimento dos mesmos numa enorme vantagem a vosso favor. Ao fim de algumas rondas, já conseguirão progredir no mapa e conhecer alguns dos ângulos mais perigosos que devem evitar, assim como algumas das melhores posições para apanharem os inimigos de surpresa.

O jogo inclui 8 mapas no total: Song Be, Jungle Camp, Hue City, Hil 937, Firebase, Cu Chi, Compound e An Lao Valley. Muitos destes mapas são totalmente selva ou cidade, com alguns a misturarem ambos. Os meus favoritos foram Hue City pelo intenso combate urbano, Hill 937 a defender com os vietnamitas e An Lao Valley devido aos pontos de emboscada que se podem montar.

Modos de jogo

Rising Storm 2 vem com 3 modos de jogo: Supremacy, Territories e Skirmish.

Em Supremacy, o vosso objetivo é controlar o máximo de pontos existentes no mapa. No entanto, apenas ganham pontos se as bandeiras que capturarem estiverem ligadas entre elas. Para evitar que a equipa adversária ganhe pontos, têm de quebrar estas linhas de fornecimento entre objetivos, capturando uma bandeira que esteja no meio. É o modo que permite combates em maior escala com 64 jogadores.

Em Territories, o mapa é dividido em secções. O vosso objetivo é capturar os pontos existentes em cada secção e, caso exista mais que uma bandeira, segurá-las todas para que possam passar à próxima zona. Caso os atacantes falhem em capturar uma zona no tempo previsto, a equipa que está a defender vence o jogo.

Em Skirmish, pequenas equipas defrontam-se para capturar 3 objetivos disponíveis no mapa. No entanto, existe um limite de reforços por ronda, ou respawns, que impedem que se possam ressuscitar quando este limite é atingido. Ao capturarem um ponto, recarregam os vossos reforços e, caso o jogo termine empatado, ou seja, uma equipa não foi eliminada, os reforços ficam bloqueados e é morte súbita até que uma equipa seja vencida.

Este sistema de reforços está presente nos outros modos de jogo também, mas numa quantidade mais significativa. No entanto faz com que sejam quase obrigados a ponderar bem os vossos movimentos e jogadas, ainda mais quando o número de reforços é reduzido.

Algo que falta no jogo é um tutorial. Na realidade existe um menu e tutorial, mas apenas são vídeos do Youtube que vos mostram como fazer algumas das ações, como funcionam as classes e os modos de jogo. Apesar de serem bastante explicativos e suficientes para não ficarem perdidos num servidor, faz falta um tutorial que nos permita colocar as mãos na massa.

O mais próximo que existe disso, é um modo Free Play, no qual existe um campo de tiro que vos deixa utilizar muitas das armas existentes, assim como mapa com helicópteros no qual podem voar à vontade. Seria interessante ver um modo que nos colocasse contra Bots ser implementado no futuro.

Combate assimétrico

Se já jogaram algo como Counter Strike, sabem que cada uma das fações possui as suas armas que não transitam entre fações. Em Rising Storm 2, é o que acontece, mas numa escala ainda maior. Ao contrário de Counter Strike, no qual as diferenças são essencialmente, as armas, neste as armas são apenas a ponta do icebergue.

Rising Storm 2_ Vietnam - AnLao

Existem diversas classes para escolher: Básicas( grunt, pointman, machine gunner), Especialistas (combat engineer, sapper, grenadier, RPG trooper), Avançadas (commander, squad leader, radioman) e Pilotos(transporte, combate).

Cada classe possui armamento específico e existe um limite de unidades disponíveis, com a exceção dos Grunts que não têm limite. As classes mais procuradas são Marksman e Commander.

Marksman é incrivelmente poderosa, uma vez que coloca à nossa disposição uma espingarda com mira telescópica. Num jogo no qual morrem geralmente com um tiro, é uma classe extremamente útil e difícil de contra-atacar. Commander é a melhor classe de suporte, uma vez que permite chamar ataques aéreos e outro tipo de suporte, para facilitar a vida dos soldados no campo de batalha.

Uma das classes menos utilizadas, mas bastante útil é o Radioman. As suas armas não são más, no entanto a sua função não é muito sedutora, uma vez que deve acompanhar o Commander pelo campo de batalha, uma vez que o radio nas suas costas permite que se possam chamar ataques diretamente na frente de batalha.

O tipo de ataques que podemos chamar também varia entre as fações, por exemplo, os americanos podem chamar ataques de napalm numa área ou helicópteros que patrulham uma determinada zona, enquanto que os vietnamitas podem chamar ataques de morteiros, artilharia ou misseis antiaéreos.

Outra classe extremamente útil é a de Squad Leader. Apesar de lhe chamar classe, não é propriamente uma classe com armas próprias, mas sim, qualquer classe pode ser Squad Leader. Isto significa que ao criarem um esquadrão no menu de spawn, ficam automaticamente com esta designação.

Rising Storm 2_ Vietnam - m40

A sua utilidade é enorme no campo de batalha e o seu comportamento muda de acordo com a fação. Ao jogarem como americanos, têm de ter em conta que são a única ponto de spawn possível no campo de batalha, com a exceção dos dois spawns principais que se encontram no mapa. Assim, se quiserem que os vossos companheiros de esquadrão voltem rapidamente ao objetivo, têm de se manter vivos a todo o custo.

Ao jogarem com os vietnamitas, não têm tanto este problema, uma vez que podem construir um túnel que permite aos vossos companheiros, renascer nele, o que dá aquela sensação de reforços quase ilimitados que se vê nas táticas de guerrilha, sendo possível estar sempre em superioridade numérica.

As classes de piloto apenas estão disponíveis para os americanos, uma vez que apenas eles possuem helicópteros de transporte e combate. É uma classe importantíssima, uma vez que podem largar grupos de soldados atrás das linhas inimigas, ou fornecer fogo de cobertura para permitir aos aliados avançar sobre um objetivo.

Progressão e personalização

Algo que não gostei em Rising Storm 2 foi a progressão do jogador. Além de ser incrivelmente lenta, uma vez que a quantidade de pontos que recebem por jogo não é muito grande, se jogarem com uma das classes básicas, pelo que vão necessitar de muitas horas de jogo para atingirem os níveis altos.

Ao longo dos níveis, vão desbloqueando armas para as classes, assim como variantes que alteram algumas estatísticas das mesmas. Algo que não me agradou nada foi o facto de nem todas as classes virem com pistola, ou ser necessário desbloqueá-las ao fim de algum tempo. Isto significa que se perdem noção do vosso carregador e enfrentam alguém sem munição, vão morrer com 99% de certeza.

Rising Storm 2_ Vietnam - Cobra_Hill_937

A progressão lenta também influencia a vossa personalização, uma vez que praticamente todos os itens cosméticos (capacetes, coletes, tatuagens) dependem do vosso nível, sendo que algumas das melhores requerem nível acima de 50, portanto vão demorar muito tempo a desbloquear.

No que toca a personalização das classes, não temos algo com tanta profundidade como o que se vê, por exemplo, em Insurgency, no qual possuem pontos que podem usar para adquirir armas e acessórios. Aqui, a única influência que o equipamento tem é no peso, ou seja, quanto mais armas carregarem, pior a vossa mobilidade, o que torna mais complicado atravessarem ainda atravessarem uma killzone.

Jogabilidade hardcore

A jogabilidade apresenta-se bastante trapalhona, no sentido em que o vosso soldado não é um perito em parkour como se verifica noutros jogos como CoD, Battlefield ou até mesmo Insurgency. Aqui, o vosso personagem é pesado e demora tempo a atravessar obstáculos. Quando correm durante algum tempo, a vossa mira fica incrivelmente desestabilizada, pelo que precisam de parar por uns segundos antes de iniciarem um combate.

Também têm de ter em conta as vossas munições, uma vez que não têm HUD para verificar quanto falta para ficarem com o carregador vazio. O máximo que podem fazer é manter premido o botão de reload, que fará aparecer uma mensagem (caso ativem essa opção) a dizer se o carregador está cheio, vazio ou a meio.

Rising Storm 2 - options

Em Rising Storm 2, vão morrer. Muito. No entanto, esta característica não faz dele um jogo aborrecido ou frustrante, antes pelo contrário. Vão ser constantemente obrigados a mudar de táticas, planear bem o vosso percurso e, se jogarem com amigos por microfone, podem definir caminhos de flanqueamento que podem resultar num verdadeiro desastre para vocês, se forem mal calculados ou para a outra equipa se resultarem na perfeição.

Esta componente hardcore torna o combate extremamente viciante uma vez que recompensa um tiro ponderado, mas também podem ter alguma sorte e matar vários inimigos com um spray, como me aconteceu várias vezes. A razão pela qual adorei o mapa Hue City, foi devido à possibilidade de planear flanqueamentos e emboscadas a partir das varandas ou telhados das casas, que eram incríveis quando corriam bem.

É incrivelmente satisfatório quando estão a apontar a vossa arma e vêm o que parece ser um capacete, que gera um som característico de embate em metal ao ser atingido. Melhor ainda quando esse jogador que atingiram já vos tinha morto duas ou três vezes e conseguem finalmente virar o jogo.

Algo que têm de ter em conta ao iniciar um combate, quer com tiros, quer com o lançamento de uma granada, é se existem unidades amigáveis nas imediações, uma vez que existe friendly fire e caso magoem algum aliado, terão uma penalização de 5 segundos por unidade que atingem e, caso matem são 30 segundos por unidade. No pior caso podem mesmo ser expulsos do servidor pelo comandante, que pode colocar uma ordem de expulsão que requer um certo número de votos da vossa equipa.

Rising Storm 2_ Vietnam - Cobra

O jogo vem ainda com desmembramento por definição, para uma sensação mais realista, portanto se virem umas pernas a voar após uma explosão, não ficam admirados. No entanto, se são sensíveis a este tipo de violência, podem desativar esta opção no menu do jogo.

Gráficos e Som

Graficamente é um jogo competente. Os mapas têm bastante detalhe e variedade, as explosões são intensas e o design das armas está muito bem conseguido e realista. Existem muitas opções gráficas, devidamente explicadas quando passam com o cursor do rato nelas.

No entanto a otimização do jogo não está muito boa. A saga Red Orchestra/Rising Storm sempre foi conhecida por puxar bastante pelas máquinas e, apesar de ter gráficos até bons, não tem performance a condizer. Battlefield 1 é o exemplo de um jogo com bons gráficos e performance igualmente boa, mesmo com 64 jogadores em campo.

Ainda assim está muito melhor que na beta, na qual joguei com tudo ao mínimo e não conseguia chegar as 60FPS. Agora, com definições médias/altas, consigo manter-me na maioria do tempo acima das 60fps, apesar de existirem alguns soluços que acredito serem devido a má performance do servidor devido a ping, uma vez que não noto quedas de FPS.

Rising Storm 2_ Vietnam - Hue 01

No que toca a som, as armas além de possuírem um excelente design, ainda soam de forma bastante realista. É possível também detetar facilmente de onde vêm os tiros ou ouvir passos de outros jogadores, ainda mais se usarem um bom headset.

A banda sonora é composta por temas que se inserem na época, nomeadamente o rock dos anos 60, sendo que a música do menu é a Run Through the Jungle dos Creedence Clearwater Revival, que são sinónimo de filmes e jogos passados na guerra do Vietname.

Também de realçar o fantástico sistema de comunicação por voz, com diversos canais que podem alternar utilizando o teclado e permite comunicar apenas para quem querem, evitando assim, distrair os restantes aliados com ordens ou indicações de que não precisam.

Conclusão

Rising Storm 2: Vietnam é uma excelente alternativa para quem gosta de um shooter tático como Insurgency, mas com aqueles elementos All out War com 64 jogadores e veículos, como se vê em Battlefield.

O design dos mapas, jogabilidade hardcore e autenticidade são, de longe, os seus pontos mais fortes, além da sua comunidade, algo raro nos dias de hoje, que frequentemente usa os microfones para dar ordens e indicações úteis, sempre com um pouco de role play, que ajuda a entrar ainda mais no espírito do jogo.

Podem obter o jogo por 22.99€ no Steam, um preço bastante simpático tendo em conta o número de horas de que vão colocar no jogo, se gostarem deste género de shooters.