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Review Returnal – A definição de insanidade

Review dos Leitores0 Votes
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O Melhor
Excelente combate em 3ª pessoa
Bons gráficos e direção de arte
Mundo em constante mudança e imprevisível
O Pior
Ciclos tão longos precisam de algumas mecânicas de atalho mais equilibradas
85

A definição de insanidade, segundo creditado a Einstein, é o ato de repetir a mesma coisa vezes sem conta e esperar um resultado diferente. Para mim, sempre foi a definição que melhor se atribui a um jogo roguelike.

Este tipo de jogos envolve repetir vezes e vezes sem conta os mesmos níveis (muitos com alterações), na esperança de quebrar o ciclo e finalmente poder progredir.

Apesar de não ser o meu género de jogo favorito, muitas vezes devido ao estilo punitivo que lhes é associado, existem alguns jogos que nos últimos tempos me têm agradado: Slay the Spire, Hades e agora Returnal.

Confesso que quando vi os primeiros trailers de Returnal, a última coisa que esperava era que fosse um roguelike. No entanto, a Housemarque conseguiu criar um roguelike com enormes valores de produção (geralmente este género é muito popular nos indies e AA no máximo), com um mundo de jogo misterioso e interessante e difícil como tudo.

Um planeta alienígena em constante mudança

Returnal segue Selene Vassos, uma exploradora espacial para a empresa ASTRA, que aterra no planeta Atropos para investigar um sinal chamado White Shadow. No entanto, durante a aterragem a nave é atingida e Selene acaba por se despenhar em solo desconhecido.

Durante a exploração, Selene dá de caras com um corpo de um astronauta com o nome dela no capacete e ao ouvir as gravações, chega à conclusão que aquele corpo é de facto dela e que está presa num ciclo que recomeça sempre que morre (e mais tarde aprendemos que devido a outros acontecimentos).

Algo que achei interessante, foi o facto de não começarmos no início do ciclo, mas já ao fim de muitas repetições, permitindo encontrar as várias gravações deixadas pelos corpos de Selene e que nos dão contexto acerca do planeta e da causa das mortes anteriores.

Returnal

Em cada ciclo, existe uma zona que contém uma réplica da casa de Selene que é usada para expor partes importantes da história, sempre com um tema de terror psicológico que pauta também ao longo de todo o jogo.

O planeta Atropos é bastante interessante, com imensas zonas completamente distintas que introduzem inimigos diferentes, ou variedades de inimigos que já existiam mas mais perigosas.

O mundo está em sempre em mudança e sempre que repetimos um ciclo, a ordem das zonas muda, assim como os inimigos que aparecem em cada uma, tornando cada repetição em algo imprevisível e que pode a cada momento causar a vossa morte.

A campanha de returnal pode durar entre 20-30 horas, dependendo da vossa habilidade no comando e da build que consigam fazer.

Difícil e punitivo

Returnal não é um jogo fácil. Tal como a maioria dos roguelikes, o jogo requer que morram várias vezes para que comecem a entender as mecânicas e as melhores builds para poderem progredir no jogo. Cada vez que morrem, aprendem uma lição e no ciclo seguinte vão conhecer melhor os padrões de ataque dos inimigos, que armas e upgrades devem procurar e as melhores táticas para sobreviver neste mundo altamente hostil.

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Apesar de estar a incluir Returnal no género Roguelike, na verdade o jogo é mais o que se chama de Roguelite, uma vez que o vosso progresso não é completamente reiniciado em cada ciclo. Existem alguns itens e upgrades que conseguem manter mesmo quando morrem, como os upgrades que permitem passar certos obstáculos, abrir atalhos para as outras áreas e o Ether que colecionam (falaremos mais à frente).

Quando iniciam um ciclo, começam com a pistola básica e sem upgrades. O vosso primeiro objetivo é encontrar uma nova arma de um nível mais alto e com upgrades. Há medida que vão usando as armas e derrotando inimigos, a vossa proficiência aumenta e com ela o nível das armas, permitindo que estas venham com mais upgrades e de maior nível.

Depois existem vários tipos de upgrades que podem obter. Podem equipar parasitas em número limitado, que conferem um bónus e um efeito negativo, sendo que têm de ver se os prós prevalecem sobre os contras.

Existem bónus aos stats que não têm nenhum efeito negativo e incluem mais dano das armas, mais proteção ou aumento da saúde máxima.

Depois existem itens que podem obter e caixas que podem abrir mas ao fazê-lo, existe uma probabilidade de serem afetados por uma avaria no vosso fato. Estas avarias são geralmente efeitos negativos como sofrer dano ao apanhar itens, causar menos dano quando estão no ar ou têm um X de saúde. É possível reparar estas avarias com itens ou completando o objetivo de cada uma, que geralmente envolve construir itens, derrotar X inimigos e por aí fora.

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No entanto, têm de ter cuidado e não ser “gulosos” com estas avarias, pois ao obter mais que um certo número, a vossa saúde máxima diminui e mesmo quando as reparam, não volta ao valor que tinham antes, tornando-vos incrivelmente frágeis. Para colmatar isto, podem usar Ether para “curar” a maldição destes itens e não receber uma avaria.

Não ser guloso é outra mentalidade muito importante quando jogam Returnal. Por vezes acham que podem ir por um caminho secundário porque têm já uma boa build e estão cheios de saúde mas querem ver se ainda conseguem melhorar mais.

Este é o primeiro erro que vos pode sair muito caro. Sim, podem ter a sorte de vos calhar algum artefacto ou item útil, mas o mais provável é cavarem um enorme buraco e as recompensas não valerem a pena. Algo que devem entender rapidamente, é que os inimigos que estão no caminho principal são relativamente limitados e previsíveis e os bosses são bastante fáceis, quando têm uma build minimamente decente.

Os sítios onde normalmente morrem, é nos caminhos secundários que geralmente terminam num bónus e que podem ter Inimigos diferentes e em números diferentes. É importante abrir as portas e não entrar à campeão, tendo o cuidado de ver se será uma arena de luta, pois geralmente estas bloqueiam as saídas até derrotarem todos os inimigos e pode ser a diferença entre perder um ciclo ou não.

Existem mecânicas de atalho, mas são insuficientes

Ao desbloquearem novas zonas, vão poder aceder aos atalhos que existem no primeiro bioma para que possam rapidamente continuar onde estavam, o que é bastante bom visto que cada bioma pode demorar cerca de 30 ou mais minutos a passar, fazendo com que precisem de cerca de 2 horas para tentar passar o ponto onde morreram a última vez.

Ao usar esses atalhos, vão encontrar uma poção que recupera saúde e um item que permite subir a proficiência para o nível daquela zona. No entanto isto é insuficiente.

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Apesar do nível das armas ser muito importante para causarem dano aos inimigos, usarem um atalho para chegar à ultima zona onde estiveram significa que vão para lá sem qualquer upgrade e com a saúde com que iniciam o ciclo.

Isto faz com que um simples golpe de um inimigo vos tire mais de metade da saúde e nos últimos biomas, a componente de bullet hell do jogo é elevado para um nível quase absurdo e por vezes nem têm sitio para onde fugir.

Para colmatar isto, cada zona devia ter uma seleção aleatória de parasitas, artefactos e bónus passivos que podiam comprar com o Ether que guardam entre cada ciclo, permitindo recuperar o progresso de forma mais rápida Este bónus seria permanente até finalmente terminarmos o ciclo, sendo que os valores seriam reiniciados quando voltássemos ao inicio.

Como isto não acontece, sempre que recomeçam um ciclo têm de explorar todos os biomas até ao ponto em que morreram para poderem estar a um nível adequado aos inimigos que aparecem. O que vale é que como já aprenderam com os vossos erros anteriores, conseguem rapidamente perceber o caminho que têm de fazer.

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Uma boa maneira de aprenderem as rotinas dos inimigos e armas que serão úteis nos vossos ciclos, é o desafio diário. Isto coloca-vos num dos biomas, com uma arma pré-definida e vários efeitos positivos e negativos. O objetivo é terminarem esse bioma com o maior número de pontos, sendo que sofrer dano ou demorar muito tempo faz com que percam alguns desses pontos.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Returnal é excelente e possui uma direção de arte soberba com particular destaque no design dos inimigos e biomas.

O jogo corre a 60 fps na maioria do tempo, com algumas quedas em zonas mais intensas mas que não atrapalham a jogabilidade. A maior queda ocorre na casa de Selene, quando olham para um espelho e dá a sensação de que o jogo cai para as 30 fps. Talvez essa zona utilize Ray Tracing, o que explicaria esta queda numa zona que nem combate tem.

A nível de som, a banda sonora é interessante e o voice acting de Jane Perry como Selene é muito bom, algo bastante importante uma vez que Selene é a única personagem que vemos falar durante praticamente todo o jogo, normalmente através de monólogos ou gravações.

Conclusões

Returnal é um jogo muito interessante, com excelente combate em 3ª pessoa, um mundo constantemente em mudança e capaz de oferecer um grande desafio ao jogador, mas também frustrante devido a algumas mecânicas que o tornam excessivamente punitivo, sem que o jogador tenha qualquer voto na matéria.

Ainda assim, é um jogo que recomendo caso gostem de jogos com ação intensa e alta dificuldade, que vos obrigue constantemente a adaptar e a testar os vossos reflexos.

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Design
Ecrã
Performance
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Video
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Final Score