Review – Resident Evil 2

A nova referência dos Remakes

O bom
Remake brilhante
Graficamente soberbo
Constantemente desafiante
Bastante conteúdo
O mau
Gestão de inventário leva a Backtracking desnecessário
90

Nenhuma outra série exemplifica melhor o resultado de ouvir as opiniões dos fãs, do que Resident Evil. Após Resident Evil 4 ter sido considerado um dos melhores jogos de sempre, relançado para tudo o que eram consolas novas que saíram, a Capcom decidiu optar por levar a série para um estilo mais de acção e menos survival horror. Do ponto de vista da história até fazia algum sentido, uma vez que o vírus estava espalhado pelo mundo inteiro e novas organizações encontraram formas de o utilizar como arma, aumentando a escala do conflito.

Mas aquilo que muitos fãs queriam, era um regresso a um ambiente mais fechado, focado em sobrevivência e gestão de recursos, puzzles e outras características que tornaram Resident Evil no fenómeno que conhecemos. A Capcom decidiu ouvir esses pedidos e lançou Resident Evil 7, um dos meus jogos favoritos de 2017 e uma lufada de ar fresco na série que a elevou a um novo patamar de qualidade, com um novo motor gráfico que proporcionava uma excelente imersão, câmara em 1ª pessoa, mas toda a essência dos jogos clássicos presente.

Utilizando esse mesmo motor gráfico, a Capcom decidiu refazer Resident Evil 2, o jogo que realmente popularizou a série e o género Survival Horror. Mas ao contrário de Resident Evil HD, Resident Evil 2 é um completo Remake e tudo foi alterado, especialmente a jogabilidade que passou de câmara fixa e os famosos tank controls, para uma perspetiva em 3ª pessoa e câmara livre.

Cidade dos mortos

Resident Evil 2 leva-nos até Racoon City, a cidade que alberga Umbrella, a farmacêutica que desenvolveu o vírus que criou os zombies e mutantes que a série popularizou. Com a cidade num completo caos e infestada de mortos, assumimos o papel de Leon Kennedy, um polícia recém chegado que vai ter o pior primeiro dia de sempre no trabalho, ou Claire Redfield que se dirige para a cidade à procura do seu irmão Chris, o protagonista do primeiro jogo.

Podem começar com qualquer um dos personagens e a campanha é bastante parecida para ambos, uma vez que vão aos mesmos locais e encontram praticamente as mesmas pessoas. No meu caso comecei com Leon, porque é o meu personagem favorito da série.

A personalidade de Leon neste jogo, se compararmos com a que vemos em jogos mais recentes é bastante diferente. Em vez do agente badass capaz de arrancar cabeças com pontapés rotativos, temos um polícia novato com vontade de salvar todas as pessoas que consiga, mesmo que tal seja praticamente impossível. É bastante interessante ver a forma, ainda que algo subtil, como Leon cresce enquanto personagem, há medida que vai descobrindo quem está a puxar pelos cordelinhos e a causar todo este incidente, pessoas morrem à sua volta e é traído por aqueles em quem confiava.

O jogo passa-se em 3 locais principais: a esquadra da polícia, os esgotos e num laboratório secreto da Umbrella. A esquadra da polícia é um local massivo, construída dentro de uma espécie de palácio e com imensas passagens secretas, uma prisão subterrânea e segredos que levam a alguns dos melhores itens do jogo.

Os locais foram refeitos e aumentados, oferecendo uma sensação de familiaridade e novidade

Infelizmente, a Capcom perdeu a oportunidade de explorar mais a cidade, visto que mal lá pomos os pés. Gostava bastante que tivesse sido incluído alguns capítulos que nos levasse a mais pontos da cidade, permitindo assim desenvolver mais a história. Isto seria também um bom vislumbre para aquele que seria o ambiente num possível remake de Resident Evil 3.

Ao terminar a campanha, desbloqueiam um novo modo chamado “2nd run”. No meu caso, este modo ficou disponível para jogar com a Claire visto que terminei primeiro com Leon. Foi aqui que Resident Evil 2 se passou, para mim, de um excelente survival horror para uma experiência brilhante de sobrevivência e desespero.

Neste modo, apesar de irmos na maioria do tempo a locais previamente visitados, estes encontram-se completamente diferentes na medida em que os puzzles mudam, alguns locais já se encontram desbloqueados mas principalmente, o jogo atira os inimigos mais poderosos contra vocês desde o início da campanha. É incrível como pensava que já conhecia a esquadra quando joguei com Leon, mas agora com Claire parecia que tinha os pontos de referência todos trocados.

O principal fator decisivo é o Tyrant, Mr X. Ao contrário da primeira campanha que coloca este inimigo em cena após já terem desbloqueado grande parte dos segredos, na segunda vez serão perseguidos por ele praticamente desde o início, de forma ainda mais agressiva. Mr X pode aparecer em qualquer local, menos nas safe rooms, onde podem gravar o jogo. A sua presença faz-se notar pelos seus pesados passos que ecoam pela sala onde se encontram e não o conseguem derrotar. No máximo, podem acertar com uns quantos tiros na cabeça apenas para o atordoarem, mas diria que tal é um desperdício de balas.

Mr X é o inimigo persistente que vos vai causar suores frios ao longo do jogo

Isto é particularmente tenso quando o jogo apresenta sensivelmente o mesmo número de recursos, mas coloca ao mesmo tempo inimigos perigosos juntamente com Mr X, fazendo com que tenham de gerir de forma implacável o vosso inventário. Escusado será dizer que foram várias as vezes que fiquei sem munição, apenas para ouvir os passos de Mr X que imediatamente me deram calafrios.

Mudança de perspetiva

Resident Evil 2 passou de uma câmara fixa com tank controls, para uma perspetiva em 3ª pessoa “over the shoulder” e câmara livre, tal como tem acontecido nos últimos títulos à exceção de RE7. Mas enganem-se se isto tornou o jogo mais fácil, antes pelo contrário. Os jogos originais não possuíam tantos inimigos em cena e alguns permitiam desviar dos ataques. Aqui, os inimigos tentam a todo o custo agarrar-vos e apenas podem ser mordidos algumas vezes antes de morrerem.

O gunplay é incrível e extremamente satisfatório. As armas possuem peso e recuo realistas e o próprio jogo incentiva-vos a jogar como os originais, na medida em que tal como esses, disparar parado é a melhor solução para pouparem munição e causar o maior dano possível. Isto deve-se ao facto de que, quando apontam parados, a mira fecha e aumenta a precisão do disparo além de que aumenta a probabilidade de causarem dano crítico e explodirem a cabeça dos zombies, impedindo que se voltem a levantar.

Apesar do estilo de jogo ser idêntico aos Resident Evil mais focados para ação, a quantidade de recursos existentes não é assim tão grande, sendo que até aos níveis mais avançados nunca vão ter mais que uma dezena de balas para cada arma, o que faz com que tenham de gerir os confrontos com cuidado.

As armas são bastante precisas e o jogo incentiva-vos a pensar em que inimigos vão derrotar

A gestão de inventário também possui um enorme papel, uma vez que têm de saber conciliar itens importantes, munições, armas, medicamentos e outros materiais. Por exemplo, existem alguns upgrades para as armas que melhoram a sua performance, mas para algumas implica que passam a ocupar dois espaços no inventário, levando-vos a ponderar se realmente querem esses bónus.

Os zombies possuem também um dos melhores sistemas de dano que já vi, com desmembramento mórbidamente realista. Após alguns tiros num braço, poderão ver que este se vai separando lentamente, com os músculos a romperem de forma realista até caírem no chão. Isto também altera o comportamento dos inimigos, fazendo com que tentem atacar-vos de outra forma. A IA é incrível, com pormenores como a forma como os zombies tentam contornar obstáculos para chegarem até vocês, muitas vezes de forma espalhafatosa. Claro que ainda é possível explorar a IA tentando atrair os inimigos para certos locais de forma a poderem fugir sem ter de lutar, mas estamos a falar de seres que, tecnicamente, não possuem inteligência.

Quando falamos de inimigos como os Lickers, aí a conversa é outra. Estes inimigos extremamente perigosos conseguem utilizar o teto e as paredes para montar emboscadas e atacar-vos de ângulos difíceis. O facto de serem bastante móveis e rápidos faz com que acabem por desperdiçar alguns tiros para os mandarem abaixo, especialmente quando andam aos pares. A IA de Mr X permite que se consigam desviar facilmente dele quando está sozinho, mas quando existem outros zombies à volta e são agarrados por algum, todos os alarmes do vosso cérebro vão soar. Em certos locais, também consegue destruir paredes para vos tentar apanhar, mas o pior é quando aparece enquanto tentam resolver um puzzle.

As dificuldades estão bastante equilibradas, oferecendo uma experiência quer casual, quer hardcore

O jogo possui 3 principais dificuldades: Assisted, Standard e Hardcore. Aquela que achei ser a experiência mais equilibrada foi Assisted sem Aim Assist. Isto faz com que consigam sobreviver um pouco melhor, os inimigos não são esponjas de munição e consegue manter intactos os pilares da experiência como a gestão de recursos e algumas situações mais tensas. Hardcore é para os verdadeiros puristas de Resident Evil. Aqui os recursos são escassos, morrem bastante depressa e possuem gravações limitadas uma vez que precisam de Ink Ribbons para o fazer, tal como no original.

Gráficos, performance e som

Graficamente, este jogo é brilhante. Joguei na PS4 Pro, com aquilo que acho ser framerate desbloqueado e a experiência foi bastante suave. Este motor gráfico desenvolvido pela Capcom é incrível e a principal razão para Resident Evil 2 conseguir ser uma experiência aterradora mesmo sem planos de câmara fixa. As técnicas que foram implementadas para esconder os inimigos são geniais, com o jogo a fazer uso das sombras, nevoeiro volumétrico e o cone de luz da vossa lanterna a fazer-vos perder o foco do que existe na periferia, faz com que consigam ser surpreendidos e atacados sem qualquer tipo de aviso.

Os sons guturais dos zombies, gritos dos Lickers e os passos de Mr X contribuem para um ambiente incrivelmente imersivo, especialmente quando começam a ser perseguidos a musica que entra em ação faz o vosso ritmo cardíaco disparar. Os efeitos de luz e excelente posicionamento de certos objetos nos cenários projetam sombras nas paredes que parecem as dos inimigos, induzindo uma sensação de paranóia constante, especialmente quando não sabem e Mr X está na sala onde vão entrar.

Os pormenores de violência deste jogo são extremamente realistas, especialmente o sistema de desmembramento que falei anteriormente. Também existem certos cadáveres espalhados pelos cenários que mostram a forma violenta como morreram e são capazes de impressionar qualquer jogador.

Conclusões

Resident Evil 2, mais que um remake, é uma reimaginação de um excelente jogo que só a tecnologia atual consegue produzir. Quer tenham jogado o original na PS1, quer estejam a ver este jogo pela primeira vez, estamos perante um título que é obrigatório mesmo para quem não é fã deste género mas passará certamente a ser após terminar este jogo.

A razão pela qual este jogo não supera Resident Evil 7 na minha opinião, é pelo facto de que a história não é tão misteriosa e interessante como a de RE7, uma vez que já conhecia os acontecimentos devido a ter jogado os anteriores. Além disso, estamos a falar de uma história que vem desde uma altura em que certos clichés ainda eram uma novidade e já foi entretanto explorados noutros títulos ao longo dos anos.

Resident Evil 2 é o primeiro grande lançamento de 2019, acham que será candidato a jogo do ano?

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Final Score