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Review Outlast 2 – Calafrios nas partes baixas

Review dos Leitores2 Votes
99
Ambiente tenebroso
Novas mecânicas
História cativante deixa bastante à interpretação do jogador
Banda sonora arrepiante
IA inimiga inconsistente
Algumas pontas soltas
91

Arrepiante e viciante, Outlast 2 melhora em tudo face ao original e apresenta-se como um dos melhores jogos de terror dos últimos anos


Confesso que jogos de terror nunca foram o meu forte. Sempre gostei de os jogar, mas poucos foram os que acabei, muitas das vezes não pelos sustos, mas devido a outros fatores que me tiravam completamente o prazer de os jogar, quer sejam mecânicas frustrantes ou backtracking excessivo. Foi uma das razões pela qual nem acabei o Outlast original, e o facto de saber que o final era dececionante não fez muito para me convencer a voltar.

O excelente Resident Evil 7 foi dos poucos jogos de terror que consegui terminar nos últimos anos, era viciante, possuía uma jogabilidade bastante afinada e a história dava-nos vontade de descobrir sempre o que vem a seguir.

Mas nem o título da Capcom me conseguiu segurar o suficiente para o terminar numa tarde, como Outlast 2 conseguiu. É de longe, o melhor jogo de terror que joguei nos últimos anos e acredito que a franquia terá um excelente futuro se continuar neste caminho de constante evolução.

Resumidamente, Outlast 2 melhora em todos os aspetos quando comparado ao original. A história é mais intrigante, as mecânicas foram mais afinadas, o design dos níveis melhorou muito, o voice acting está bem mais conseguido e o final vai deixar-vos colados à cadeira por uns bons minutos.

Sabem aqueles calafrios que vos dá lá em baixo quando apanham um daqueles sustos que vos colam onde estão? O jogo deu-me muitos desses e quando terminei o jogo estava com o corpo gelado, como se o sangue tivesse fluído apenas para as mãos e para a cabeça, tal foi a forma como este me agarrou.

Uma investigação que correu muito mal

Em Outlast 2, jogamos com Blake Langermann, um operador de câmara que juntamente com a sua mulher Lynn, formam uma dupla de repórteres de investigação, que viajam para o Arizona afim de descobrir o que levou à morte de uma jovem grávida.

Logo no inicio corre tudo mal, pois um clarão enorme faz com que o helicóptero onde viajam se despenhe no meio da floresta e separe os dois. Blake tem então de procurar por Lynn no meio daquela terra de ninguém, cheio de cadáveres expostos, enquanto faz uso da famosa câmara para gravar os acontecimentos.

E o inferno porque Blake vai passar faz por ser bastante literal. Existem duas fações em guerra na vila que se encontra na floresta: Cristãos e Hereges. Sendo que cada grupo é mais fanático que o anterior, perseguem Blake e raptam Lynn, pois acreditam que são os pais do anticristo e portanto, os Cristãos querem matá-los e os Hereges querem assegurar-se de que a criança nasce.

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Para ajudar, Blake sofre de alucinações que o levam à escola católica que frequentou quando era criança, na qual uma amiga sua e de Lynn se suicidou, levando a que Blake se sentisse culpado pela tragédia. Há medida que o jogo vai avançando, estas alucinações ficam cada vez mais frequentes. Garanto-vos que quando terminarem o jogo, vão odiar escolas.

Não querendo prolongar mais para evitar spoilers desnecessários, terminei a campanha numa tarde, em cerca de 6 a 7 horas na dificuldade normal. Além disso aconselho-vos a jogarem uma 2ª vez, pelo menos, pois existem muitas coisas que vos vão fazer muito mais sentido quando as repetirem e, o próprio jogo, altera algumas coisas na 2ª vez que o jogarem, se bem que alguns pormenores serão apenas detetados pelos mais atentos.

Além disso, é imperativo que explorem os cenários e leiam atentamente os papeis que encontram, pois muito do que está a acontecer à vossa volta é revelado nessas cartas e, é assim que Outlast 2 faz a ligação com o primeiro jogo.

Novas mecânicas e design mais linear

Outlast 2 apresenta algumas novidades nas mecânicas de jogo. Para começar, a câmara apresenta uma nova funcionalidade que vos deixa usar o microfone para detetar a localização geral dos inimigos. No entanto esta funcionalidade consome bateria e, se combinada com a visão noturna, vai queimar as vossas reservas de bateria rapidamente.

Outra mecânica muito útil é poderem deitar-se no chão. Isto permite que passem por algumas cercas ou paredes que tenham um buraco fundo o suficiente para tal, irão usar esta mecânica frequentemente. O movimento também está mais fluido e permite uma transição menos trapalhona dos obstáculos, extremamente útil para quando temos de fugir dos inimigos.

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Agora também é possível escondermo-nos nas ervas altas e nas sombras. Também podemos esconder-nos debaixo de água, mas a visão fica de tal maneira turva que perdemos facilmente noção de onde estamos. Esta foi uma das mecânicas mais frustrantes do jogo, especialmente num nível no qual temos de a usar para contornar um “boss”. Além disso, também podem trancar a maioria das portas por dentro, quando fogem dos inimigos.

O design do mundo de jogo apresenta-se muito mais linear, coisa que me agrada bastante. Não existe qualquer pontinha de backtracking neste jogo, nada de ter de andar descobrir chaves e cartões para entrar numa zona que já passamos dezenas de vezes antes. As únicas duas coisas minimamente parecidas, foram dois objetivos que nos faziam ter de ligar um gerador que ativava um elevador e encontrar uma corda e um gancho para passar à próxima zona.

Mesmo durante as alucinações na escola, o cenário muda bastante, com novas zonas a abrirem-se e portas diferentes por onde entrar.

Este design mais linear, faz com que o jogo não se torne tão enfadonho e ajuda (e de que maneira) a manter o jogador agarrado e sempre interessado no que vai acontecer a seguir. O jogo também apresenta cenários bastante variados, com florestas incrivelmente densas, vilas, minas, uma secção com uma jangada, a escola, entre outros.

Outlast 2 não é para os fracos de estômago

Se há coisa em que Outlast 2 não se acanha, é em mostrar cenas arrepiantes e com um alto teor sexual ou violento.

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Desde corpos mutilados, valas comuns, nudez, tortura, existe de tudo neste jogo. Algo que o jogo consegue fazer extremamente bem, é tornar ambos os cristãos e os hereges como vilões. O seu fanatismo é tal, que não hesitam em matar de forma brutal e expor os seus corpos de forma a incitarem o medo no outro lado. É comum ver suicídios em massa com lixívia, cabras sacrificadas, corpos contorcidos e cabeças espetadas em estacas, e isto é apenas a ponta do icebergue.

A atenção ao detalhe é tal, que não faço ideia como é que os developers não precisaram de terapia após terminarem de criar o jogo.

Inteligência artificial pode ser inconsistente

A IA dos inimigos é algo estranho em Outlast 2. Não sei se foi do nível de dificuldade, mas achei-a muito inconsistente. Para começar, o jogo dá-vos algum espaço de manobra para contornarem os inimigos. Podem passar por eles sem terem de estar agachados, desde que estejam nas sombras ou no meio de erva alta.

Além disso, quando são detetados, nem sempre precisam de se esconder, pois os inimigos perdem-vos de vista bastante rápido, com a exceção de alguns inimigos especiais.

No entanto, muitas vezes estava a contornar um inimigo no escuro, com a visão noturna ativada e ele estava claramente a seguir-me com a cabeça, mas não fazia nada para me perseguir, simplesmente ficava lá parado. Outras vezes, estava completamente fora do ângulo de visão dos inimigos e mesmo assim detetavam-me e corriam atrás de mim.

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Outra coisa que não gostei foi a forma como os inimigos nos atacam. Algumas vezes dão-nos algumas pancadas, causando dano que podemos curar com ligaduras. Noutras tentam agarrar-nos e para nos livrarmos deles, precisamos de fazer um QTE. Noutras, simplesmente colocam-nos numa cutscene no qual somos mortos instantaneamente, de forma geralmente brutal e bastante pessoal, visto que se passa na 1ª pessoa.

Esta inconsistência, faz com que, muitas vezes não saibamos o que esperar dos inimigos, algo que afeta a jogabilidade, uma vez que não sabemos se podemos ser mais agressivos ou se temos de ser mais cuidadosos.

Mais uma vez somos praticamente inúteis

Tal como no primeiro Outlast, somos praticamente inúteis no que toca a defesa, sendo que apenas temos aqueles raros QTEs para afastar um inimigo que nos agarra. Portanto, a nossa única opção é fugir o mais rápido possível. Infelizmente para nós, Blake não é um maratonista queniano, mas sim um americano, que presumo não tenha o melhor regime de alimentação. Portanto, se corrermos muito, ficamos rapidamente cansados e podemos ser apanhados.

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Mas é aqui que o jogo nos trama, no bom sentido. Ao contrário do 1º jogo, Outlast 2 não se foca tanto em jumpscares e naqueles momentos de cortar a respiração, quando temos de contornar um inimigo sem ser apanhados. Agora, o jogo é 20% jumpscares, 10% cortar a respiração e 70% fugas a sete pés.

Especialmente na parte final do jogo, vão passar o tempo todo a fugir e em momentos nos quais ficam a uma unha negra de acabar despedaçados por várias pessoas deformadas e zangadas. A única coisa que ouvem são os gritos atrás de vocês e a respiração ofegante de Blake. Durante as últimas duas horas do jogo, vão ter a adrenalina sempre em alta, ao ponto de ficarem com as pernas a tremer quando se levantarem da cadeira.

Gráficos e Som

Gráficamente o jogo está muito bom. O Unreal Engine permite os cenários muito detalhados e efeitos de luz que contribuem para o excelente ambiente que Outlast 2 proporciona. Além disso, é extremamente bem otimizado e capaz de correr mesmo em máquinas mais antigas. No meu PC com uma GTX1060, i7 3770K e 8GB de RAM DDR3, fui capaz de o correr a 60 FPS em ultra, sem qualquer queda.

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A nível de áudio, a banda sonora é incrivelmente arrepiante e bem conseguida, oferecendo bastantes pistas ao jogador. Além disso o voice acting está espetacular, com performances credíveis dos atores principais, assim como dos inimigos que na maioria das vezes entoam rezas capazes de vos deixar com calafrios. Acho que após jogar Outlast 2 não vou conseguir ouvir rezas durante algum tempo.

Conclusão

Outlast 2 foi um jogo que me deu enorme prazer jogar. Sempre que queria desistir, alguma coisa acontecia que me voltava a colocar nos trilhos. É arrepiante e intrigante, com excelente jogabilidade e atenção ao detalhe. Após terminarem o jogo, aconselho-vos a visitar fóruns pois existem diversas teorias acerca do final e de outros acontecimentos, que sem dúvida vos vão dar a volta à cabeça.

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