NieR Replicant cover

Review: Nier Replicant – Nier Perfect

Review dos Leitores0 Votes
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O Melhor
História incrível, com vários finais
Uma das melhores bandas sonoras de todos os tempos
Jogabilidade atualizada e viciante
O Pior
Missões secundárias sem interesse
Falta de atualização gráfica para a nova geração
90

Já vos aconteceu passar um jogo pela frente, não darem importância e anos mais tarde quando finalmente o experimentam, arrependem-se de não o terem jogado mais cedo? A mim já aconteceu, por várias vezes até. Shadow of the Colossus, Persona e agora Nier.

O Nier original saiu na PS3 em 2010 e na altura, o nome passou por mim várias vezes mas simplesmente entrou por um ouvido e saiu por outro, especialmente porque sendo considerado um jogo de nicho, nunca teve aquela atenção mainstream que provavelmente merecia.

Anos mais tarde, saiu Nier Automata e esse já teve toda a atenção (mais que merecida) do público mainstream, trazendo inclusive de volta o Nier original à conversa, mas por essa altura, muitos anos já tinham passado e a jogabilidade de Nier não envelheceu muito bem, pelo que continuei a não dar importância.

Até que finalmente, há cerca de um ano, tivemos a confirmação de um remaster do Nier original, com um nome ridiculamente longo que vamos abreviar para Nier Replicant. Agora após ter metido mais de 30 horas no jogo e visto todos os finais, só me apetece bater no meu eu de há 11 anos atrás por ter deixado fugir este jogo absolutamente incrível.

Uma história fantástica, cheia voltas e murros no estômago

Apesar de ter gostado bastante de Nier Automata, acabei por achar Nier Replicant superior a nível da história. A estrutura é menos convoluta e a narrativa é mais “grounded”, o que a torna mais fácil de seguir e apreciar.

Faz lembrar em certos aspetos, aquilo que vemos num Final Fantasy, em que existe uma introdução que estabelece o tema do jogo, um primeiro ato em que tudo está bem, um segundo ato em que corre tudo mal e introduz um “time skip” e um terceiro ato em que culminam todos os acontecimentos de forma dramática.

O que Nier Replicant faz imensamente bem, é que a primeira vez que terminam a história não é o verdadeiro final e o que torna o jogo em algo verdadeiramente especial, é a forma como consegue contar, no fundo, a mesma história mas com algumas reviravoltas e vos dá um murro no estômago enquanto o faz.

A história em si, é bastante simples. O nosso personagem principal procura a todo o custo por uma cura para a doença, Black Scrawl, que aflige a sua irmã, Yonah. Durante essa busca, o nosso herói descobre que a doença está de certa forma ligada a criaturas que povoam a Terra chamadas, Shades.

Após o desaparecimento de Yonah, o herói descobre um grimório chamado Weiss, capaz de utilizar magia fazendo uso dos Sealed Verses, poderosos feitiços que Weiss acredita serem a chave para curar a Black Scrawl.

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Durante a aventura, o herói é acompanhado por Kainé, uma rapariga solitária com um segredo e uma linguagem bastante badalhoca, que contrasta de tal maneira com o resto dos personagens que fazem dela a melhor personagem do jogo. E Emil, um rapaz que viveu durante muito tempo em isolamento devido ao seu poder de petrificar tudo o que o seu olhar capta.

Estes personagens são a chave do sucesso do nosso herói e possuem excelentes personalidades e histórias que não deixarão ninguém indiferente.

O jogo possui 5 finais. O primeiro é o final normal. O segundo muda certas partes do jogo, como a possibilidade de ver algumas cinemáticas focadas nos inimigos que massacramos na primeira vez, fazendo-nos questionar a nossa motivação e colocando uma pressão emocional bastante alta. O 3º e 4º finais são alternativos um do outro, ou seja, escolhemos um ou outro. Um deles envolve uma escolha que faz com que o vosso ficheiro de gravação seja apagado (algo que também aconteceu em Automata), mas é essencial para obter o 5º e último final.

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A única componente de Nier Replicant que sinceramente não gostei, foram as missões secundárias. Se gostam de “fetch quests”, então vão adorar. O jogo não possui um sistema de fast travel até mais tarde no jogo e mesmo este sistema tem alguns problemas e não é, de todo, flexível. Algumas missões chegam ao cúmulo de vos mandar a um sítio fazer algo, voltam e mandam-vos para lá novamente para fazer outra coisa, resultando numa série de piscinas para trás e para à frente sem fim.

Jogabilidade atualizada e elementos de RPG simplificados

A jogabilidade da versão original de Nier Replicant foi algo que dizem não ter envelhecido bem. Por isso, o combate foi atualizado e é basicamente o mesmo estilo de Automata. Temos dois botões para fazer combos com a espada e utilizamos os botões R e L para ativar habilidades.

Nesses botões podemos utilizar 4 feitiços ou uma combinação entre feitiços e habilidades de defesa como bloqueio com a arma ou esquiva. Cada feitiço pode ainda ser carregado para aumentar a sua potência, a troco de maior consumo de magia.

As mecânicas de RPG são bastante simplificadas. Ao derrotar inimigos, vão receber palavras que podem equipar nas vossas armas e habilidades para obter bónus em certos stats, ou efeitos novos como debuffs.

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Não é nada de rebuscado e faz o seu papel, pelo que não tenho grandes queixas. As armas é que deviam ter comportamentos um pouco diferentes. É possível pegarem em qualquer arma e completar o jogo com ela sem trocar.

No meu caso, fiquei-me sempre por uma arma de uma mão visto que já me tinha habituado a elas. As armas de duas mãos mais pesadas e lanças apenas aparecem na 2ª metade do jogo, pelo que simplesmente não me consegui adaptar. Além disso, a diferença de dano ou capacidade de partir armadura dos adversários não é significativa face às espadas normais.

Gráficos, performance e som

Graficamente, fui ver uma comparação com o jogo original e este remaster introduz uma tonelada de novos elementos nos cenários, maior densidade de vegetação e partículas e mais detalhe nos edifícios, enquanto consegue manter o estilo de arte original.

A nível de performance, joguei na PS5 e o jogo corre de forma perfeita, a 60 FPS sem nenhuma queda, mas infelizmente, não existe uma versão com melhorias para a nova geração, forçando o jogo a 1080p nas novas consolas, o que não é bom, especialmente se jogarem numa TV 4K de maiores dimensões.

A nível de som, o voice acting é excelente na minha opinião, até superior ao de Nier Automata, que joguei com o áudio em japonês porque achei o diálogo bastante cringe em inglês. Em Nier Replicant, Weiss e Kainé carregam os diálogos deste jogo às costas, nem que seja pelo completo contraste das suas falas, teatral e suave versus rude e violenta.

A banda sonora é absolutamente perfeita. Em 33 horas não enjoei nenhuma das músicas do jogo e tornou-se para mim, uma das melhores que já ouvi até hoje. É facilmente top 5.

Conclusões

Tirando os elementos de RPG simplificados e as missões secundárias, Nier Replicant é um jogo praticamente perfeito no que toca à história e a forma como esta afeta o jogador. É uma pena o jogo não ter uma atualização para a nova geração, mas visto que é um remaster de um jogo com 11 anos, provavelmente existem limitações que o impedem.

Se nunca jogaram Nier Replicant ou até mesmo Automata, podem começar por este (apesar de ambos não terem grande ligação). Não se vão arrepender de entrar neste mundo.

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