Review – Metro Exodus

O bom
O jogo com melhores gráficos atualmente
Jogabilidade hardcore e imersiva
Grande variedade de cenários
Sistema de crafting bastante equilibrado
O mau
Final da campanha algo apressado
Pouco "replay value"
94

A série Metro é uma daquelas pérolas cuja opinião geral é a de que é muito boa, mas por alguma razão continua a passar por baixo dos radares do público mais mainstream. Cada novo jogo melhora a qualidade da história, das mecânicas e a nível gráfico é sempre um dos melhores da atualidade.

Metro Exodus é a 3ª entrada nesta série e, tal como seria de esperar, é um enorme salto face aos jogos anteriores e o melhor da série.

À descoberta de um novo lar

Em Metro Exodus voltamos a colocar-nos na pele de Artyom, que após os eventos de Last Light tenta descobrir uma forma de comunicar com o mundo exterior. Durante uma exploração que corre bastante mal, Artyom dá de caras com um comboio capaz de levar o seu grupo para fora de Moscovo, onde se encontram presos devido à guerra nuclear que ocorreu anos antes.

Esta viagem aumenta de forma quase drástica a escala do mundo do jogo e introduz uma mudança nos cenários que teremos pela frente. Apesar de inicialmente os cenários serem bastante semelhantes ao que vimos em Last Light, com uma mistura de pântanos e as linhas subterrâneas, eventualmente chegamos a locais de floresta, um deserto que lembra quase Mad Max ou uma cidade que ficou permanentemente congelada devido à mudança climática causada pelas bombas nucleares.

Ao longo da viagem também encontraremos vários tipos de inimigos incluindo mutantes humanóides e animais, os perigosos demónios, soldados e até canibais. Em cada zona vamos encontrar algum tipo de facção que domina esse local que vai desde fanáticos religiosos a bandidos ou até canibais, que tentam atrair viajantes incautos para o seu covil.

A história dura cerca de 25h, o que não é nada mau para um jogo deste estilo, mas não existe muito “replay value” visto que não podem voltar a viajar à vontade para cada zona, a não ser que escolham cada capítulo individualmente. Existem dois finais distintos para desbloquear, mas a forma como o jogo acaba é bastante estranha, visto que nada dá a entender que essa é a última missão e parece que a viagem ainda tem muito para dar. Acaba por ser um pouco anti climático.

Um estilo familiar

As mudanças nos cenários, mais propriamente, o aumento da área de cada um mudou também bastante a distância dos combates. Nos jogos anteriores os combates eram a distâncias bastante curtas, com os corredores do metro a serem quase labirintos com fumo e mobília a servir de proteção. Agora, é bastante comum fazermos uso de uma arma de maior alcance, como uma sniper, para nos livrarmos dos inimigos à distância.

No entanto, ainda existem muitas zonas de curto alcance, mesmo nas de maior área uma vez que é frequente os inimigos juntarem-se em pequenos campos, especialmente durante a noite, permitindo assim fazer uso de armas como caçadeiras para despachá-los rapidamente.

A rotação de dia-noite também possui um papel fundamental no combate, uma vez que se querem manter-se furtivos, devem operar durante a noite. Para escolher a hora do dia, podem simplesmente dormir numa das várias camas espalhadas pelos mapas.

Esta aproximação ao design dos cenários faz lembrar bastante o que vemos em Far Cry, mas o combate mais realista e hardcore lembra bastante aquele que vimos em STALKER, especialmente naquelas zonas mais citadinas, o que será o mais parecido que teremos com a lendária série nos tempos atuais.

Uma mudança que achei muito bem vinda, foi o maior foco no combate e menos na sobrevivência e economia. Nos Metro anteriores era necessário calcular cada tiro, pois ao ficar sem munição teríamos de utilizar as balas de alta qualidade que servem de dinheiro. Isto obrigava muitas vezes o jogador a simplesmente abordar tudo de forma silenciosa, uma vez que as facas podiam ser recuperadas e nas maiores dificuldades os inimigos absorviam bastantes tiros.

Isto também evita que haja uma confusão desnecessária ou faça o jogador entrar em “deadlocks” nos quais não tem forma de se defender contra os inimigos. No entanto, ainda é necessário saber racionar bem as munições, assim como trocar frequentemente de armas, uma vez que em certos locais vamos encontrar mais munição de pistola, então não faz sentido não a usarmos.

Este racionamento também se integra com o novo sistema de crafting, que permite criar munições, reparar as armas e a máscara de gás ou criar granadas, facas, etc. Para tal, é necessário encontrar peças e químicos, que estão espalhados pelos vários cenários, ou nos inimigos que derrotamos.

Podemos equipar 3 armas, sendo que o 3º espaço está reservado para a arma pneumática ou para a besta que desbloqueamos mais à frente no jogo. As munições para a 3ª arma podem ser criadas em qualquer lado, bastando abrir a nossa mochila e criar as munições. No entanto, para tudo o resto é necessário utilizar as mesas de trabalho que se encontram, geralmente, nos locais onde podemos dormir.

As armas também têm de ser limpas com frequência, uma vez que se vão degradando ao longo do tempo, especialmente se cairmos na água ou formos apanhados numa tempestade, o que leva a que comecem a encravar quando as disparamos.

Algo que achei estranho e me pareceu uma oportunidade falhada, foi o facto de não existirem quaisquer melhorias para o comboio. Seria interessante ver uma mecânica assim que aumentasse a felicidade e o bem estar dos ocupantes do Aurora, que podia eventualmente levar a bónus como mais munição ou partes de crafting, maior durabilidade dos equipamentos, etc.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Metro Exodus é um colosso. A versão que joguei foi na PS4 Pro no Acer Predator X27 com HDR e foi algo incrível. A implementação do HDR é soberba e bastante natural tornando cada cenário bastante agradável de, simplesmente, observar.

No entanto, é no PC que Metro Exodus atinge um novo patamar. Se possuem uma placa RTX da Nvídia, vão querer ativar o Ray Tracing para obterem alguns dos melhores cenários que já viram num jogo.

Existem imensos pormenores incríveis, desde a forma como os objetos se encontram com poeira, às físicas dos elementos dos cenários, a iluminação global e raios de luz, mesmo sem a nova tecnologia ainda é possível obter um excelente resultado. A câmara em 1ª pessoa também é bastante imersiva, com diversas ações a serem executadas por Artyom, desde escalar obstáculos até agarrar em objetos. Outro excelente pormenor, é o facto de a luz causada pela chama dos disparos espalhar sombras de forma realista, algo que não é de todo comum noutros jogos.

A nível de performance, na PS4 achei que o jogo sempre foi bastante estável, mesmo que 30 FPS não seja o ideal para um FPS. No PC, o jogo é bastante escalável, sendo que com a minha GTX 1060 e um Ryzen 5 1600 consegui jogar em High, com Tesselation e DX12 ligados com o framerate a variar entre os 40’s nas zonas mais pesadas até 100 FPS nas zonas mais leves de efeitos.

No que toca ao som, o som das armas e o eco que fazem, especialmente em zonas abertas é bastante realista, a banda sonora está bem escolhida e o voice acting continua mauzinho, tal como nos jogos anteriores. É possível jogar com as vozes em Russo, que acaba por tornar a experiência mais imersiva, mas requer bastante habituação inicial, se nunca tinham jogado nenhum jogo nesta língua.

Conclusão

Metro Exodus é um excelente jogo e o melhor da série Metro. A evolução a nível de jogabilidade e design é bastante orgânica e é um novo marco no que toca a grafismo no PC. Se são fãs de mundos pós-apocalíticos e ainda não jogaram nenhum jogo desta série, as versões Redux de Metro 2033 e Last Light já se encontram a preços bastante acessíveis e podem terminar com chave de ouro com Exodus. Simplesmente obrigatório.

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Final Score