Review: Master of Orion – Conquer the Stars

Com a saída do desastroso terceiro jogo da série, tivemos de esperar mais de 13 anos para que voltássemos a poder desfrutar de um dos títulos mais icónicos que a estratégia espacial nos ofereceu. Mudou a produtora mas as pessoas e as ideias ficaram: tentar criar uma versão moderna de Master of Orion II. Em seguida vamos analisar alguns pormenores de Master of Orion – Conquer the Stars para decidir se foi, ou não, um êxito.

Em Early Access, Master of Orion – Conquer the Stars, já parecia bastante completo

Quando Master of Orion – Conquer the Stars saiu em versão de Early Access tivemos acesso ao jogo e verificámos que já funcionava decentemente e grande parte das ideias eram boas. Demos o benefício da dúvida ao que faltava por ainda estar numa fase tão atrasada do seu desenvolvimento. Para quem quiser ler a nossa review do jogo na fase inicial, pode lê-la neste link.

Raças, Diplomacia e AI

No total existem 10 raças (11 para quem tem a Collectors Edition) cada uma delas com a sua personalidade específica e que seguirão, dentro do possível, em cada jogo. Por exemplo, os Psilons, uma raça pacífica, terá mais dificuldade em declarar uma guerra que uma agressiva como, por exemplo, os Silicoids. Ao fim de um tempo começamos a conhecer as raças e a saber, mais ou menos, o que esperar de cada uma.

master of orion conquer the stars raças

E isto leva ao primeiro problema. Para garantir a viabilidade de Master of Orion – Conquer the Stars a longo prazo, tem de haver algum grau de aleatoriedade. Para isso deveria haver a possibilidade de tornar as personalidades aleatórias porque, para o jogador experiente, torna-se demasiado simples compreender de onde virão os futuros problemas com os seus vizinhos.

Principalmente para o jogador com mais tempo de jogo, deveria dar para tornar as personalidades aleatórias

Para garantir que o jogador experiente também sente dificuldades, existem 6 níveis de dificuldade que, para quem tiver o jogo, ou o quiser comprar, verá que na realidade são apenas 4. Os dois níveis mais baixos são absurdamente simples até para o jogador mais casual. O terceiro, Normal, é pouco melhor que os anteriores, mas permite ao jogador aprender algumas técnicas mais básicas.

Os dois níveis de dificuldade mais baixos não deviam existir e o terceiro só serve para aprender conceitos básicos porque, nos 3 inferiores, o AI é irresponsivo e passivo

A seguir do primeiro jogo garanto que passarão a jogar Master of Orion – Conquer the Stars no quarto nível, Hard, porque nos anteriores o AI não demonstra qualquer tipo de inteligência, não declara guerras e é, em poucas palavras, irresponsivo e passivo. A partir de Hard já conseguimos jogar e ver o AI a tentar ganhar mas, tal como no Early Access, os NPC’s continuam a ter alguns problemas de decisão.

master of orion conquer the stars diplomacia

Um dos maiores problemas, e que acontece recorrentemente, é na diplomacia. Se tentarmos fazer uma aliança com um povo que está a ser esmagado numa guerra, ainda nos exige condições para aceitar. Tal como se formos nós a ter praticamente uma raça derrotada e sem hipótese de contra-atacar e tentarmos oferecer paz, mesmo assim nos pedem 3, 4 ou mais colónias para aceitar parar a guerra que não podem ganhar.

O AI devia ser mais inteligente na diplomacia. Não faz sentido pedir várias colónias para declarar paz a uma raça que não temos hipótese de derrotar

Tirando isso, a diplomacia está muito interessante com algumas novas opções, gosto especialmente do facto de se ver dinamicamente a opinião que cada um tem de nós quando negociamos. As raças estão muito bonitas e cada uma tem um brilho especial, pela nostalgia de Master of Orion II. Além disso, o AI está decente, embora ainda merecesse mais uma boa vista de olhos.

Felizmente mudaram a vitória por Pontuação, que fazia o jogo acabar ao fim de 500 turnos

Existem 5 tipos de vitória: Diplomática, Supremacia, Tecnológica, Económica e por Pontuação. Esta última felizmente foi alterada porque, na versão anterior, o jogo acabava ao fim de 500 turnos tivéssemos, ou não, atingido qualquer uma das vitórias possíveis. Neste momento, além de podermos estender este limite, podemos retirar da lista qualquer um dos métodos que não queremos que estejam activos.

Naves, Batalhas e Invasões

Esta é a parte do jogo que me desiludiu mais em Early Access e que continua na mesma na versão final. As batalhas têm zero de estratégia porque o máximo que podem fazer é dizer à nave X para atacar a nave Y. Não controlam as armas, não existem quase obstáculos no mapa e até estes são inúteis e existem bugs que fazem com que, às vezes, as nossas naves fiquem paradas a olhar para o lado contrário da batalha e não consigam atacar.

As batalhas espaciais precisam de ser revistas, porque no estado actual, não funcionam bem

Para dar mais alguma profundidade ao jogo existem monstros espaciais, como já havia, e piratas, uma nova adição. Para os piratas, acho a ideia brilhante mas muito mal implementada. Apenas nos incomodam nos primeiros turnos do jogo porque só têm as naves mais fracas. Para além disso, penso que as recompensas que dão são exageradas, por exemplo, ganhar 1 de população é um bónus muito grande.

Os piratas foram uma boa ideia mas estão mal implementados e os monstros espaciais são demasiado fracos

O resultado deste exagero de recompensas, é que é sempre uma vantagem deixar um dos nossos sistemas onde costumam aparecer piratas vazio, para continuarmos a recolher grandes recompensas com pouco esforço. Em relação aos monstros espaciais são relativamente fracos, incluindo o guardião do sistema Orion, imagem de marca deste jogo, que derrotei com apenas uma nave, o que é decepcionante.

master of orion conquer the stars monstros

As invasões são ainda piores. Embora exista uma animação para os bombardeamentos, que acho aceitáveis, numa invasão não acontece absolutamente nada excepto o número de unidades a diminuir. Já tinha referido isso na análise em Early Access, que se havia algo que Master of Orion III fez bem, foi as invasões com muita estratégia e animações interessantes.

As invasões não têm animação e, com mais ou menos tecnologia, parece que 7 marines perdem (sempre) contra 8

O resultado destas decisões é que acabamos por passar a frente a maioria das batalhas, as invasões são tão confusas que dificilmente se percebe se estamos a vencer, a perder, ou o quer que seja e, para piorar, nunca realmente me apercebi das vantagens das pesquisas que fiz nos meus soldados. Ou seja, parece que, com mais ou menos pesquisas de um lado, 7 marines perdem (sempre) contra 8.

master of orion conquer the stars naves

A customização das naves, por outro lado está bastante boa. Bastantes opções e armas, resultam em vários tipos de caminhos que podemos seguir. Contra um inimigo pode ser melhor um tipo de arma mas, contra outro, pode ser necessário uma nave completamente diferente. Principalmente na parte final do jogo, é bastante divertido e útil ter várias naves com várias armas e especialidades.

O sistema de customização das naves está bom e já podemos ver as alterações automáticas antes de aceitar

Algo novo em relação ao Early Access de Master of Orion – Conquer the Stars é que, quando fazemos upgrade de uma nave por causa de uma nova tecnologia, já podemos ver, antes de aceitar, as alterações que o jogo está a fazer. Podemos assim decidir, para cada uma das naves individualmente, se queremos, ou não, aceitar estas alterações.

Também adicionaram valores de DPS e defesa que se alteram dinamicamente

Neste momento já podemos ver, quando fazemos alterações nas naves, os valores de DPS e defesa a alterar. Este é um bom indicador do impacto que as alterações que fazemos têm na nossa nave. Como podemos ver também estas mesmas estatísticas nas naves inimigas em aproximação, isso dá-nos uma boa ideia da força relativa entre as duas frotas.

Colónias, Espionagem e Tecnologia

No que toca a gestão de colónias ficou basicamente igual ao que existia em Master of Orion II, o que, na minha opinião, é uma boa decisão. O sistema funciona bem e dá-nos liberdade suficiente para vermos a população do nosso planeta ter um efeito quer seja em ciência, alimentação ou produção. Tal como já tinha sido referido antes, agora existe um sistema de poluição que tem efeito no que conseguimos produzir.

master of orion conquer the stars gestao colonias

Um dos novos edifícios criados é onde produzimos os nossos espiões. Nos jogos anteriores tínhamos de os produzir tal como se fosse um qualquer outro edifício ou unidade mas, em Master of Orion – Conquer the Stars, estes são produzidos automaticamente. Como não podemos colocar mais que um espião em cada colónia, aliada ou inimiga, estes acumulam rapidamente em fases iniciais do jogo.

A árvore de espionagem foi uma boa ideia mas a produção e gestão dos espiões tem problemas

No entanto, a espionagem passou a ser uma árvore de decisões, em que, aquelas realmente interessantes estão nos ramos superiores e, como tal, temos de fazer missões mais fáceis antes de chegar a elas. Esta ideia até é interessante e o AI até usa a espionagem de forma bastante eficaz, o que é de louvar, mas o sistema não é espantoso, até porque existe um limite máximo de espiões facilmente atingível mesmo em galáxias pequenas.

master of orion conquer the stars espionagem

Em relação à árvore tecnológica existiram bons avanços deste a fase inicial do jogo, com novas pesquisas e mais escolhas. No último jogo que fiz demorei 600 turnos a acabar todas as pesquisas e isto aconteceu apenas meia dúzia de turnos antes de conseguir ganhar o jogo por supremacia, ou seja, antes de conseguir derrotar todas as raças do jogo, que é seguramente o caminho mais lento.

Gráficos e Som

Esta secção mudou muito pouco deste a fase inicial e sinceramente não precisava. Quando joguei pela primeira vez o jogo em Early Access, o que mais me impressionou foram os gráficos muito bonitos, a música extraordinária e, um dos melhores voice acting que já vi num jogo. Em relação a esta última parte foram escolhidos actores de topo para fazer as vozes de algumas das personagens do jogo.

Em termos de gráficos e som, o jogo não precisava de mudanças desde o Early Access

Master of Orion – Conquer the Stars conta com, por exemplo, Michael Dorn, Mark Hamill, Alan Tudyk Robert Englund. Este jogo pode não estar perfeito nas outras secções mas, pelo menos em termos de gráficos e som, pouco mais podia ter sido feito. Os pormenores gráficos de todas as mais pequenas coisas são incríveis e isso faz toda a diferença para gostarmos um pouco mais das batalhas mal executadas.

master of orion conquer the stars batallha

Algo novo e difícil de entender, mas fácil de resolver, é a quantidade de bugs gráficos que encontrei em Master of Orion – Conquer the Stars e que não existiam na primeira fase do jogo. Um dos piores casos é o desaparecimento das barras de HP das naves, o que nos deixa sem saber como está cada uma das nossas unidades até que misteriosamente expluda do nada.

Resultado Final

Apesar dos problemas óbvios que referi, Master of Orion – Conquer the Stars está agradável e gostei bastante de o jogar. O que sinto é que é um jogo por ciclos e que consigo jogar uma semana seguida sem qualquer problema, mas depois passo dois meses sem lhe pegar até voltar a querer jogar.

De qualquer das formas dou os parabéns à WG Labs por conseguir trazer um pouco de volta da velha mística de Master of Orion II mas também é preciso avisar que podiam ter feito um pouco mais. Com tudo o que referi penso que o jogo merece uma nota de 70/100, porque é um jogo razoável e divertido mas longe do excepcional ou do fraco.

Master of Orion – Conquer the Stars está longe do excepcional e do fraco mas é razoável e divertido. Por isso merece a nota de 70/100

Review dos Leitores0 Votes
0
Gráficos e Som
Baixo Preço
Árvore Tecnológica Extensa
Customização de Naves
Batalhas e Invasões Pobres
Diplomacia AI Pouco Inteligente
Monstros e Piratas Fracos
70
Pelo preço certo ou para quem gostar do género

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Design
Ecrã
Performance
Autonomia
Autonomia e alcance
Câmaras
Ecossistema
Qualidade/Preço
Ergonomia
Audio
Micrófono
Personalização
Video
Fotografia
Conectividade
Final Score