Review: Knack 2 - Está quase lá
Combate divertidoPuzzles equilibradosDesign dos níveis adequa-se ao gameplay
História não cativaQTE aborrecidosArte não cativaGráficamente inconsistente
70%Overall Score
Reader Rating 1 Vote
89%

A ideia por detrás do Knack original até era boa, um jogo que tinha o objetivo de mostrar as capacidades da PS4, desenvolvido com a orientação de Mark Cerny, a principal figura responsável pela criação da consola.

No entanto, o que tivemos foi um jogo bastante aborrecido e repetitivo, com gráficos que não mostravam aquilo de que a nova geração era capaz e acabou por se tornar um meme.

Com o anúncio da sequela, muitos foram apanhados de surpresa uma vez que o original não foi propriamente um sucesso, mas o hype foi real (que o digam os jogadores de Splatoon 2) e os jogadores pensaram que seria esta a redenção de Knack.

Verdade seja dita, o jogo está mais divertido que o primeiro e um pouco menos repetitivo, mas ainda existem alguns problemas que não foram totalmente corrigidos e isso deve-se principalmente ao estilo de design implementado.

Uma campanha sólida

Durante a campanha de Knack 2, Knack e Lucas vão investigar a razão pela qual máquinas que supostamente deveriam estar destruídas, começaram a acordar e a atacar as cidades humanas.

Depressa descobrem que estas máquinas pertenceram a uma raça antiga de Goblins, chamados High Goblins, que em tempos dominaram o mundo mas foram derrotados pela esperteza dos humanos que supostamente eram mais primitivos.

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Esta nova ameaça leva Knack e Lucas a procurar novos aliados, sendo que se juntam a uma tribo de monges capazes de criar seres como Knack, a partir de rélicas.

Um das novas personagens é Ava, uma membro desta tribo que possui o poder de criar esferas de energia, dando novos poderes a Knack.

A aventura de Knack e Lucas passa por vários cenários, que introduzem novas mecânicas há medida que vão progredindo em cada nível.

No entanto, a estrutura de cada nível é bastante repetitiva, na medida em que, a progressão de cada faz-se da mesma maneira: Knack começa pequeno, vai aumentando de tamanho, desbloqueia um novo poder que usa para enfrentar um inimigo novo ou um passar um puzzle, e fica gigante até ao fim do nível.

Se todo o jogo fosse tão interessante como as últimas duas horas, Knack 2 seria um jogo brilhante

Mais para o fim, o jogo torna-se até bastante interessante, uma vez que os níveis perdem este tipo de progressão e começam a misturar as várias mecânicas que foram usadas ao longo do jogo. Até são introduzidas mecânicas únicas, como uma secção na qual conduzem um tanque.

Existem também algumas lutas contra bosses, mas são bastante escassas, apesar de possuírem uma estrutura interessante e fazerem bom uso das mecânicas introduzidas até cada uma.

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A campanha dura entre 8 a 10 horas, dependendo da dificuldade e da quantidade de exploração que façam em cada nível.

O jogo é carregado pelo combate

O combate em Knack 2 é bastante satisfatório e fluido. Não é propriamente profundo ou complexo, mas possui a quantidade certa de profundidade para o tornar viciante.

O combate resume-se a murros e pontapés, sendo que ao longo do jogo vão desbloqueando combinações que envolvem manter o botão premido ou atacar no ar, entre outros. Também existe um botão para agarrar inimigos e defender, que permite devolver projécteis que sejam disparados contra vocês, se acertarem no tempo certo.

O combate fica muito mais interessante quando Knack está em modo gigante, uma vez que aumenta bastante o dano que causam e permite atropelar (literalmente) a maioria dos inimigos.

Também existem diversos materiais que Knack pode absorver e lhe dão novos poderes, nomeadamente metal e gelo, que adicionam novos ataques enquanto os usam, permitem causar muito dano e são essenciais para passarem certos puzzles.

Outra mecânica divertidíssima é o sistema de cristais que vos dá invencibilidade durante algum tempo, assim como novos ataques, nomeadamente duas espadas, que vos deixam arrasar completamente os inimigos.

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Estas secções são uma espécie de mini arenas e deixa-vos largar as frustrações naqueles inimigos chatos que vos deram tanto trabalho.

A parte que menos gostei no combate, foram os QTEs.

Existem algumas cenas, nas quais terão de pressionar os botões na hora certa, mas além de serem extremamente fáceis, uma vez que a câmara abranda para vos dar tempo, as cinemáticas em sí são na maioria, muito chatas e lentas.  Algo que não querem num QTE, que supostamente é usado quando nos querem mostrar uma cena de ação que não pode ser feita com a jogabilidade normal.

Design que acompanha o vosso crescimento

O design dos níveis de Knack 2, apesar de repetitivo no seu núcleo, acompanha de forma bastante subtil o crescimento do personagem. O melhor exemplo disso é o tipo de cenários que encontram.

Enquanto pequenos (geralmente a primeira metade), o jogo coloca-vos várias secções de plataformas que vão alternando entre o Knack normal e a sua versão mais pequena.

Há medida que vão aumentando o tamanho, as secções começam a focar cada vez menos nos puzzles e mais no combate, sendo que as secções de plataformas requerem sempre que passem para o Knack pequeno e as partes de combate são na grande maioria enquanto estão grandes.

É como se os níveis começassem iguais para ambas as formas, mas existisse uma separação a meio.

Conteúdo extra e cooperação

Knack 2 é um jogo que pode ser jogado com um amigo, e além disso, conta com bastante conteúdo após terminarem a campanha e durante a mesma ainda.

Durante a campanha, existem várias caixas secretas, que ao serem abertas dão-vos a escolher entre diversos itens.

Entre esses itens incluem-se partes de gadgets, que uma vez completos vos dão diversos bonus e fragmentos de cristais, que ao serem colecionados na totalidade, vos permitem utilizar formas diferentes de Knack, com poderes adicionais.

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Ao terminarem a campanha, podem repetir qualquer capítulo, recomeçar o jogo mantendo todos os vossos desbloqueáveis (new game+) ou jogar os desafios.

Estes desafios vêm em dois tipos: time attack e arena

Time attack permite-vos repetir certas secções de níveis da campanha, mas com inimigos previamente posicionados sendo que o vosso objetivo é chegarem ao fim no menor tempo possível.

Para tal, podem passar em anéis verdes que param o relógio por 1 segundo, derrotar inimigos para o relógio por mais tempo dependendo do tipo, ou passar em anéis dourados que vos dá uma espécie de impulso e normalmente vêm em sequência.

A arena coloca-vos em níveis nos quais têm de derrotar o máximo de inimigos antes que o tempo acabe. Caso consigam derrotá-los sem sofrer dano, recebem um bónus.

Por cada vaga que derrotam, mais inimigos aparecem e em maior quantidade, sendo que ao chegar perto do fim aparece um cristal dourado que vos dá invencibilidade e permite causar muitos danos, tal como na campanha.

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Estes modos são bastante interessantes e podem ser completos a solo ou em cooperação e existem certos níveis que requerem a máxima mestria das mecânicas do jogo, assim como excelentes reflexos.

Gráficos e som

Gráficamente, Knack 2 é um jogo um pouco estranho, na medida em que existem partes que até são bastante boas a nível gráfico, mas noutras são completamente horrendas.

As primeiras devido, principalmente, aos bons efeitos de iluminação e ambient occlusion, que como digo sempre, fazem a diferença entre um cenário parecer chato e sem vida ou o completo oposto.

As segundas devido às texturas de baixa resolução que por vezes vemos nos níveis, mas principalmente, devido aos cenários muitas vezes vazios e com geometria tão básica, que não se pode usar a desculpa que se deve à arte usada no jogo.

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A arte também foi algo que não me agradou, já desde o primeiro Knack, que faz os personagens estranhos, mas isso é algo que não se pode propriamente criticar, vem dos gostos de cada um.

Felizmente, a qualidade gráfica mais baixa faz com que seja possível melhorar a fluidez do jogo e framerate, sendo que o jogo corre na maior parte das vezes à volta das 60fps, mas podem ativar o modo 30fps nas opções, algo que não recomendo de todo, uma vez que torna o jogo mais lento e piora a resposta dos comandos.

Aliás, esta fluidez mais suave é o que torna o combate de Knack 2 tão viciante, não faria sentido tirar esta opção. Presumo que tenha sido incluída a pensar na PS4 Pro, uma vez que tem suporte para 4K, para os que querem resolução às custas de performance.

No que toca a som e banda sonora, a música do jogo é boa, nada propriamente épico, mas chega para dar bom ambiente aos níveis. Já o voice acting, consegue ter alturas em que é suportável e relativamente boa, e outras em que é insuportável e incrivelmente cringe.

Conclusão

Knack 2 foi uma boa evolução face ao primeiro jogo, agora apresenta-se bastante mais divertido, apesar de sofrer um pouco com as decisões de design escolhidas, que o impedem de ser ainda melhor.

Se alguns dos pontos que referi acima forem resolvidos, mas principalmente se as filosofias de design forem melhoradas, acredito que Knack tem potencial para se tornar uma série de marca no mundo PlayStation.

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