Review Horizon Zero Dawn

Review dos Leitores1 Votes
93
Graficamente incrível
Excente detalhe dos inimigos
Mundo aberto bastante variado
História com uma mensagem importante
Sistema de combate podia ter mais profundidade
Sistema de diálogos fraco
Personalidade inconstante de Aloy
85

Horizon Zero Dawn apresenta claras inspirações noutros jogos, mas consegue erguer-se acima deles com um mundo de jogo e história interessantes e um sistema de combate fluido, mas está longe de ser perfeito.


Após quatro jogos da franquia Killzone, que se espalharam entre a PS2 e a PS4, a Guerrilla Games saiu da sua zona de conforto e começou a desenvolver Horizon Zero Dawn, um RPG de ação em 3ª pessoa, ao contrário dos Killzone que tinham sido do género FPS.

https://www.youtube.com/watch?v=RRQDqurZJNk

A Terra já não é nossa

A premissa de Horizon Zero Dawn é bastante interessante. Basicamente explica o que aconteceria se as máquinas na saga Terminator eliminassem todos os humanos e conseguissem dominar por completo o planeta Terra.

No entanto, devido a um plano secreto levado a cabo por cientistas, foi possível evitar a extinção por completo mas reduziu os humanos existentes a uma vida tribal, como se de um reset se tratasse.

A nossa história começa com Aloy, a protagonista, a ser entregue ao seu guardião Rost para que seja exilada da vila, devido às circunstâncias do seu nascimento. Após vermos alguns pedaços da sua vida enquanto cresce e treina, a história passa alguns anos, mais propriamente, para a data em que Aloy vai participar no Proving, uma prova de iniciação que permite a quem a complete ser aceite na vila, caso seja exilado, ou pedir qualquer coisa aos líderes, caso vençam a prova.

Após vencer a prova, o grupo de Aloy é atacado e muitos são mortos, sendo que esta descobre mais tarde que o ataque se deveu ao facto de Aloy possuir uma grande compatibilidade com o ADN de uma mulher que esta suspeita ser a sua mãe. Uma vez que o desaparecimento desta mulher levou a que Aloy fosse exilada, esta parte numa viagem para descobrir a sua verdadeira origem.

Não querendo alongar mais para evitar spoilers desnecessários, o que achei da história? Achei sólida. O setting do jogo é bastante interessante e existem muitos mistérios acerca do que aconteceu à humanidade para descobrir.

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No entanto, muito deste desenvolvimento passa por ter de ler textos e ouvir gravações que vamos descobrindo ao longo do jogo, mas são sempre na primeira pessoa e não desenvolvem mais que aquilo que o jogo nos conta pelas cinemáticas e diálogos. Ainda assim, todos os pontos chave são-nos explicados de forma bastante coerente e direta e não deixa, propriamente, pontas soltas acerca do tema principal.

A parte de a Terra já não ser nossa, deve-se ao facto de que a superfície do planeta foi tomada por máquinas que se assemelham com animais pré-históricos. Sendo que apenas dispomos de armamento rudimentar, nomeadamente, um arco e flecha e uma lança, o Ser Humano perdeu completamente o seu lugar na cadeia alimentar.

Isto verifica-se imediatamente na forma como abordamos os combates. É importante atacar sempre de surpresa e muitas vezes, nem atacar de todo, uma vez que ao sermos descobertos, podemos ser rodeados e destruídos rapidamente.

Boa variedade de inimigos

Horizon, possui uma boa variedade de inimigos, na medida em que, não é apenas no número de inimigos diferentes que enfrentamos, mas também nas combinações que são criadas com estes inimigos. Existem mais de 20 máquinas diferentes para derrotarmos, mas também lutamos contra inimigos humanos, nomeadamente bandidos que controlam alguns campos, que podemos desbloquear após derrotarmos todos os adversários que se encontram lá dentro.

Muitas das vezes, estes inimigos encontram-se em grupos, especialmente as máquinas que possuem rotinas próprias que simulam os comportamentos dos animais que tentam imitar. Muitas das vezes, os rebanhos são acompanhados por Watchers, que se não forem derrotados, podem alertar as máquinas nas imediações, incluindo alguns predadores que vos darão mais trabalho a derrotar.

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Como tinha dito anteriormente, é importante planear os confrontos, ou pelo menos, ver se é necessário preparar algumas armadilhas antes de entrarem a matar. Para tal, podem fazer uso do Focus, um dispositivo que Aloy encontra durante a história e permite que façam um varrimento dos cenários, detetando animais selvagens, humanos e máquinas.

Com o Focus, podem estudar os inimigos e ver quais as suas fraquezas e resistências, assim como os pontos fracos das suas armaduras, que podem atingir de modo a causar boas quantidades de dano. Este é um dos pontos fortes dos combates, uma vez que algumas das peças que arrancam dos inimigos, podem ser usados como armas para os derrotar.

Aloy é uma personagem inconsistente

Primeiramente, adorei a personagem de Aloy. É uma personagem forte e independente, capaz de se impor mesmo contra os costumes antigos e inimigos mais fortes que ela. A inspiração em Lara Croft é, diria que óbvia, e uma excelente forma de calar aqueles que dizem que não se conseguem fazer personagens femininas com estas características.

No entanto, parece que as suas emoções por vezes estão trocadas ou está completamente apática. Este problema é mais visível nas missões secundárias, que em vez de possuírem cinemáticas pré-renderizadas, possui diálogos gerados com o motor de jogo, que por vezes tornam difícil colocar a expressão correta na cara da personagem.

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O exemplo mais claro de que me lembro, é aquele momento em que Aloy descobre toda a verdade sobre a extinção da humanidade e os segredos do passado. No entanto a sua primeira reação não é de surpresa, mas sim de completa apatia, pois o seu objetivo é saber qual a sua relação com a mulher que foi à procura.

Apesar de Sylens, um nómada que fala com Aloy pelo Focus gozar com este facto, o que mostra a intenção do estúdio de desenvolver Aloy desta forma, acaba por nos deixar um pouco chateados quando estamos a falar com um NPC que nos conta a forma como a sua família foi morta e quer vingança, só para ver Aloy com uma autêntica “poker face”.

Bom sistema de combate, mas falta qualquer coisa

O sistema de combate em Horizon é bastante bom. Pelo menos a parte do arco e flecha. Existem vários tipos de arcos disponíveis em três raridades. Cada raridade aumenta a quantidade de flechas diferentes que podemos usar. Os arcos serão a vossa arma principal e permitem disparar de várias distâncias, assim como causar dano elemental aos inimigos.

Podem ainda utilizar um Ropecastar que permite prender inimigos ao chão para um ataque que causa bastante dano, um Tripcaster que coloca armadilhas no chão, que são acionadas caso um inimigo pise uma corda, um Rattler que dispara dardos de forma rápida, mas possui bastante spread, fisgas que disparam bombas, entre outras, que desbloqueiam em missões secundárias.

Existem inúmeras combinações que podem fazer com estas armas, sendo que podem maximizar o seu efeito se souberem quais as fraquezas dos inimigos, algo que podem ver no focus. No entanto, o meu problema com o combate, é na falta de profundidade no combate com a lança.

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A lança tem por objetivo finalizar um inimigo caído ou matá-los de forma sorrateira enquanto estamos escondidos nos arbustos, assim como convertê-los para o nosso lado. O problema é que, em muitas situações, somos obrigados a ter de combater corpo a corpo com inimigos que carregam sobre nós. Apesar de existirem dois botões para ataque, não existe forma de defender com esta arma, coisa que os inimigos conseguem. A única forma que têm de evitar danos é simplesmente, rebolarem de um lado para o outro até terem espaço para disparar o arco.

Não pedia por um sistema estilo Dark Souls ou God of War, mas que podia ter sido feito mais neste requisito, podia. Na maioria das situações, o ataque ligeiro não causa dano quase nenhum e é rapidamente defendido pelos adversários, enquanto que o ataque pesado demora tanto tempo a executar, que os inimigos rapidamente nos desferem dois ou três golpes que serão, muito provavelmente, fatais.

A IA inimiga também se torna inconsistente por vezes. Enquanto estão em combate aberto, se estiverem em grupos, tentam rodear-vos imediatamente, mas por outro lado, é possível executar e criar uma pilha de corpos à frente do arbusto onde estão escondidos, sem que os inimigos praticamente reajam. Ainda assim, no geral, é uma IA competente.

Também podem desbloquear várias habilidades ao longo do jogo, mas diria que a maioria influencia pouco os combates, apenas dão uma pequena ajuda em alguns aspetos.

Mapa enorme, mas nunca vazio

O mundo de jogo em Horizon é enorme. Fiquei bastante espantado com a variedade de cenários que encontrei, uma vez que nos trailers apenas tinha sido promovida a parte inicial, que é composta por montanhas de gelo e florestas de folhas amarelas.

No entanto, uma boa parte do mapa é constituída por desertos, desfiladeiros e oásis, que lembram bastante o médio oriente. Alguns dos locais pareciam quase retirados de um Uncharted, com cidades árabes a lembrarem bastante aquelas que Drake descobre em Uncharted 3.

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Apesar da dimensão do mapa, nunca senti que estivesse num local vazio. Existem sempre inimigos para contornar ou enfrentar, recursos para recolher ou missões para completar. A distribuição de objetivos está bem feita, uma vez que na maioria das vezes, não possuem várias missões no mesmo local, o que dá sempre a sensação de que a missão é única.

Apesar de ser possível converter e montar certas máquinas, não o fiz uma única vez durante todo o tempo de jogo, visto que a recolha de recursos é algo tão necessário no jogo, pois é o que vos permite construir muitos dos acessórios e armas que usam durante o jogo.

Sistema de mundo aberto estilo Ubisoft, mas melhor

A Ubisoft criou um sistema de mundo aberto que tem sido adotado quase como standard, pela maioria dos jogos deste estilo que têm sido lançados nos últimos anos. No entanto, é um sistema que começa a mostrar alguma idade, mas alguns estúdios ainda conseguem pegar nesta abordagem e adaptá-la ao seu mundo, por vezes de forma melhor que o original.

Este é um desses casos, uma vez que o sistema de recursos e construção de munição “on the go” é algo que já foi visto por várias vezes em Far Cry, mas tem uma importância maior em Horizon, uma vez que a moeda que usam para comprar itens, é usada para fazer as flechas para o vosso arco, pelo que têm de ter cuidado com o que gastam, uma vez que podem ficar apiados durante um combate.

Também existe o tradicional sistema de torres que podemos escalar e descobrir detalhes de uma determinada zona do mapa. Neste caso, a Guerrilla criou os Tallnecks, umas máquinas que lembram girafas e se movem numa determinada rota, que temos de intercetar de forma a poder escalá-los e, uma vez no topo, reprogramá-los de forma a nos mostrarem os segredos da zona envolvente.

Algo que não gostei foi do mapa, uma vez que muitos dos ícones que aparecem, não possuem legenda e se passarmos o cursor por cima, não nos dão mais detalhes. No entanto, não é algo que atrapalhe de qualquer forma, o jogo.

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Outro sistema que achei obsoleto, foi o de Fast Travel. Para tal, necessitam de interagir com algumas fogueiras que estão dispersas ao longo do mapa, que vos permite viajar entre elas pelo menu. O problema com este sistema não é o Fast Travel em si, que é muito bem vindo dado o tamanho do mundo de jogo, o problema é que necessitam de construir umas mochilas de viagem. Isto seria até bastante realista, não fosse o facto de, a meio do jogo, conseguirem uma mochila que permite viagens sem nunca se gastar, o que torna o outro sistema completamente obsoleto.

Tendo em conta que se estiverem a passar missões principais até esse momento, praticamente não vão fazer Fast Travel, e ainda vão receber algumas de inimigos ou como recompensa, pelo que é possível que tenham mais de uma dezena de mochilas, quando adquirirem esta mochila rara que permite viagens infinitas.

Missões secundárias bem trabalhadas

Apesar dos claros problemas de diálogo das missões secundárias, que vêm principalmente, do facto de estas serem geradas com o motor de jogo e não pré-renderizadas, gostei da atenção dada às mesmas.

Desde The Witcher 3 que não via missões secundárias com tanta qualidade e atenção ao detalhe, sendo que muitas delas passariam por missões principais noutros jogos. Este tipo de esforço é algo que aumenta a longevidade do jogo, mas nunca dá a sensação de que estamos a passá-las só porque sim, ou porque queremos subir de nível, ou queremos platinar o jogo. Na realidade, muitas destas possuem histórias e mistérios bastante interessantes e conseguem agarrar o jogador de forma incrível.

No entanto, o sistema de diálogos está muito fraco. Existe o típico sistema de roda, como o que a Bioware usa nos seus jogos, que podemos usar para obter mais informações ou detalhes sobre as missões. Existem até algumas escolhas que fazemos durante o jogo, mas nunca senti que as minhas escolhas tivessem qualquer impacto na história, o que faz disto uma oportunidade mal aproveitada.

Gráficos, Som e Performance

Graficamente, Horizon é provavelmente o jogo mais bonito na PS4. Ainda estava em dúvida se batia Uncharted 4, mas apesar de não possuir, de longe, expressões faciais tão realistas, os cenários, texturas e efeitos de luz não ficam atrás do título da Naughty Dog. Além disso é um mundo aberto e não possui ecrãs de carregamento nas transições entre cenários, o que lhe dá uns pontos extra.

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No entanto, não está livre de carregamentos e quando morrem têm de assistir a um destes. O problema aqui é que são demasiado longos, pelo que se morrerem bastante, vão ter de perder bastante tempo nestes ecrãs de carregamento, que podem durar até 20-30 segundos, mais ou menos.

Uma das razões pela qual Horizon é um jogo fantástico graficamente, é o facto de ser o primeiro título concebido com a PS4 Pro em mente. Isto faz com que a Guerrilla tenha feito o título o mais bonito possível na Pro, tendo depois reduzido alguns detalhes, nomeadamente a distância de visão e a resolução das texturas.

Esta redução das texturas evita que elas percam detalhe, uma vez que foram feitas originalmente acima de 1080p, pelo que a redução não faz com que percam tanto detalhe. Quando acontece o contrário, é comum ver texturas esticadas quando passamos para 4K. Se jogarem Horizon na PS4 Pro, com HDR ligado, o mais provável é os vossos olhos derreterem com tanta beleza e cor, uma vez que é um jogo no qual conseguem notar claramente as diferenças entre as versões.

Isto levanta algumas questões acerca da paridade que a Sony prometeu quando anunciou a PS4 Pro, mas por outro lado, se têm um sistema mais poderoso, seria ridículo não fazer uso dos recursos que têm e Horizon na PS4 normal continua a ser um jogo com excelentes gráficos.

O jogo possui ainda um excelente modo de fotografia, que podem acionar a qualquer momento e fazer uso dos inúmeros modos existentes para tirarem o vosso screenshot perfeito. É raro ver isto implementado no lançamento de um jogo.

Em termos de performance, o jogo corre bastante bem na PS4 normal, a versão que jogámos. Eventualmente ocorrem alguns soluços em situações de extremo stress, do estilo, uma máquina cair-vos em cima, no meio de uma floresta densa com litros de chuva caírem do céu ao mesmo tempo, mas tirando isso, o jogo corre a 30FPS fixos durante o tempo todo.

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A banda sonora é bastante agradável, especialmente durante os combates, assim como a performance dos atores que interpretam os diferentes personagens do jogo, com especial atenção a Sylens, interpretado por Lance Reddick, um ator que tem marcado cada vez mais presença no mundo dos videojogos e é uma das minhas vozes favoritas em jogos, logo depois de Nolan North e Troy Baker.

Conclusões

Horizon Zero Dawn é um jogo muito bom. A história é intrigante mas podia ser mais surpreendente, o mundo de jogo e setting são muito bem feitos, o combate é fluido e imersivo, mas podia ter mais profundidade e tecnologicamente é um colosso.

A Guerrilla fez bem em sair da sua zona de conforto e, na sua primeira tentativa entrega um produto bastante polido e interessante, que nos deixa a pensar no que poderão de fazer a seguir, agora que já têm prática neste género de jogos. Será que eventualmente conseguirão entregar um jogo que supere até o magnífico Witcher 3? Teremos de esperar para ver.

 

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