Review – Grip: Combat Racing

Sucessor pouco espiritual

Corridas a 360º
Splitscreen até 4 jogadores
Gráficamente mediano
Falta de polimento em certas mecânicas
Performance mediana
70

 

Rollcage, lançado em 1999, foi um jogo bastante à frente do seu tempo que optava por um estilo mais agressivo, alta velocidade e, principalmente, a possibilidade de correr num ângulo de 360º, ou seja, o vosso carro podia andar nos tetos, paredes, etc.

A Wired Productions decidiu pegar neste conceito e publicar Grip: Combat Racing, um sucessor espiritual de Rollcage, mas será que conseguiu manter esse espírito e entregar um jogo de corridas capaz de se diferenciar neste mercado? Vejamos.

Destruição a alta velocidade

Grip além de ser um jogo de corridas, possui um enorme foco no combate. Isto adiciona uma camada de skill que não envolve só o controlo sobre os carros, mas também saber quando usar as várias armas disponíveis.

Existem 3 tipos de carros que são mais ou menos resistentes dependendo da sua velocidade, pelo que o jogador tem de escolher se quer um veículo mais ágil mas mais difícil de controlar e sem grandes armas para recuperar tempo perdido, ou um veículo mais lento mas com melhores armas para cobrir a distância perdida.

O conceito de Grip é que se trata de um programa de TV, onde os rebeldes da galáxia se juntam para combater entre si e ver quem é o melhor. Isto oferece ao jogo aquele tom de reality show com uma câmara própria e tonalidade de cores característica.

As corridas assemelham-se muito aquilo que vemos em jogos como Wipeout, com vários pickups no chão que nos conferem armas aleatórias, painéis que aumentam a nossa velocidade, mas aqui não estamos fechados na pista, uma vez que podemos ver as pistas como uma esfera com caminhos predefinidos que nos permite andar ao longo de toda a face.

Existe um modo de Arena, uma pista gigante e mais aberta que permite jogar modos como Deathmatch ou Capture the Flag. Nesta pista temos mais liberdade de abordar as situações e puxar mais pela criatividade, especialmente com o número de obstáculos que existem e podemos fazer uso para atrapalhar os adversários, ou nós próprios.

Infelizmente, a sensação de velocidade é estranha. Apesar de andarmos a várias centenas de quilómetros por hora, o carro parece parado na pista, dando uma sensação de passadeira rolante na qual apenas o cenário à nossa volta se move esborratado. Isto dá uma má sensação de progressão ao longo das pistas, especialmente quando existem mais elementos destrutivéis que saltam por todo o lado e nos deixam meio perdidos durante as corridas.

O sistema de armas também não me agradou muito, uma vez que muitas vezes rebentam com um adversário mas não existem muitas dicas visuais que o indiquem, retirando aquela pompa que vemos noutros tipos de jogos deste estilo como Burnout ou, mais recentemente, Onrush.

Gráficos, som e performance

Gráficamente, Grip não é mau, mas podia ser muito melhor. Como disse, o principal problema é o enorme blur que desfoca a maioria dos detalhes faz com que, involuntariamente, se foquem apenas no carro. Os carros são bastante detalhados e únicos no design, com um comportamento realista no que toca à fisica, mesmo que realismo não seja o principal alvo deste jogo.

O som é bastante bom, no que toca ao ambiente de jogo, som dos veículos e, principalmente, banda sonora que é composta principalmente por Drum and Bass e Eletrónica, algo bastante comum neste tipo de jogos.

Em termos de performance, o jogo peca bastante e mostra alguma falta de polimento. Joguei na PS4 normal  e o jogo corre a 30 FPS, com bastantes quedas tornando o jogo pouco fluido e contribuindo para a falta de sensação de velocidade. Se gostarem deste tipo de jogos, optem pela versão de PC que é capaz de ser jogado a 60 FPS, claramente o ideal para um jogo de corridas.

A performance sofre uma queda ainda maior ao jogar em splitscreen, uma opção cuja inclusão é cada vez mais rara, mas leva a um impacto ainda maior na performance e uma redução na qualidade gráfica.

Conclusões

Grip: Combat Racing não é um mau jogo, infelizmente sofre de alguma falta de polimento e muito do charme que fez de Rollcage um jogo de culto no final dos anos 90. Se gostam deste tipo de jogos de corrida mais focados em combate, têm Onrush, o remake de Wipeout e até o remake de Burnout Paradise disponíveis, que são melhores opções que Grip.

 

Gostam deste tipo de jogos? Acham que Grip consegue fazer algo melhor que a concorrência?