Review – Grid

O primeiro Grid da Codemasters foi um excelente jogo quando saiu, pegando no incrível motor gráfico usado em Colin McRae Dirt e adaptando-o a um género mais focado em pistas e corridas citadinas, com diversas classes de veículos e provas mais “exóticas” como Drift.

Grid 2 para mim, foi uma desilusão com imensos cortes que tornaram o jogo original tão fascinante, uma condução muito mais arcade e pistas pouco interessantes. O terceiro título, Grid Autosports passou-me completamente ao lado, uma vez que me pareceu muito focado em circuitos, algo que Forza fazia muito mais e melhor nessa altura.

Quando anunciaram o trailer do novo Grid, o jogo assumiu-se como um reboot da série, voltando aos seus tempos de corridas frenéticas em cidades, com muitos choques e bocados de carros a voar por todo o lado.

Mas será que é realmente o reboot que os fãs queriam? Vejamos.

Modo Carreira sem sentido de progressão

O Modo Carreira em Grid possui uma progressão um pouco estranha. Existem vários Showdowns compostos por diversos eventos, sendo que precisam de ganhar 10 desses eventos para desbloquear o evento final.

Ao completarem 4 finais de Showdown, vão desbloquear o Grid World Series, que é composto por vários eventos, cada um utilizando um carro da categoria de um dos Showdown disponíveis.

Apesar de ser possível escolher o nosso caminho, esta progressão torna o processo monótono, uma vez que vamos estar muito tempo na mesma categoria, vencer o Showdown e trocar de categoria.

A progressão na carreira no Grid era um pouco mais vertical e misturava mais as categorias dos carros.

Como não é necessário vencer todos os eventos, se forem fazendo aqueles que precisam de menos corridas, podem terminar o modo carreira em sensivelmente 8-10h. Claro que vencer completamente este modo deve aumentar este número para o dobro.

A variedade de pistas torna este modo um pouco aborrecido. Existem 13 pistas, com uma ou duas variantes em cada, mas a forma como se repetem dão a sensação que estão sempre no mesmo sítio, especialmente quando um evento requer que façam a mesma localização de duas formas diferentes.

Um dos modos que mais gostei foi o Sprint, em que têm apenas de ir de uma ponta a outra da pista, mas apenas existe uma que suporta este modo, no Japão e apenas existem duas variantes (normal e reversa) que pode ser curta ou longa.

O World Series não é mais que a repetição do que jogaram anteriormente e é algo que me dececionou bastante, uma vez que esperava algo único que ainda não tivesse visto anteriormente, com carros de topo que apenas poderiam ser obtidos neste evento final.

Condução extremamente divertida

Ao iniciar a primeira corrida de Grid, não sabia o que esperar. Será que ia ser mais focado na simulação? Mais arcade? Após as primeiras curvas tive a certeza que este Grid ia ter um foco muito mais arcade e divertido, do que simulação e realismo.

A condução é incrivelmente divertida, com uma excelente sensação de velocidade. Diria que foi o principal elemento do jogo que me fez querer voltar constantemente, mesmo que os eventos em si fossem aborrecidos.

A resposta dos carros é espetacular, existe uma diferença notável ao passarem de um carro mais rápido e leve, para um mais lento e pesado. A tração influencia bastante a forma como têm de atacar as curvas, especialmente com o piso molhado.

A IA é bastante boa, mas após serem ultrapassados deixam de lutar pelas posições, que é algo que sempre detestei nos jogos de corridas.

Existe um sistema chamado Nemesis no qual, quando passam por certos pilotos ou são excessivamente agressivos para com eles, podem tornar-se vossos “inimigos” e ficam muito mais agressivos e tentam evitar que os ultrapassem, tentam embater no vosso carro quando estão atrás e ficam muito mais rápidos. Acho que esta devia ser a IA dos adversários por definição.

Uma das maiores queixas que tenho nas corridas, é o facto de começarem sempre nas últimas posições. Podem, claro, começar mais à frente fazendo uma volta que vai determinar a vossa posição baseado no tempo, mas caso não queiram perder tempo nisso, as corridas podem ser um pouco frustrantes.

Em certas pistas, os lugares do fim vão ser uma enorme batalha campal, com carros a chocarem constantemente, levando a uma enorme perda de tempo. A não ser que consigam ultrapassar quase toda a gente numa das primeiras curvas, vai ser praticamente impossível ganharem essas corridas, simplesmente porque não existem voltas suficientes para recuperarem da desvantagem de começar no fim e ter de lutar para ultrapassar.

Pouco para fazer depois da Carreira

Tirando o modo de Carreira, não existe muito mais para fazer em Grid. O modo de corrida simples é bastante minimal e o mesmo ocorre no multijogador. Não existem ferramentas de torneio, missões específicas para estes modos ou carros exclusivos.

Apesar de receberem dinheiro ao fim de cada corrida, cada evento oferece um carro por definição, que geralmente chega para competir nesse evento. As poucas exceções custam bastante mas é fácil juntar o dinheiro suficiente para comprar esses carros quando for necessário.

A Ultimate Edition vem com o bónus VIP que são cerca de 10% do prémio da corrida mas como é muito difícil não causarem danos devido a começarem nas posições finais, os custos de reparação acabam por ser praticamente iguais ao prémio do VIP.

Esta edição ainda vem com pinturas exclusivas mas durante as corridas, ao atingirem os objetivos, conseguem ainda mais pinturas e formas de personalizar os vossos carros e emblema de jogador.

Existe um menu de loja no menu principal, mas durante o tempo em que analisei o jogo, este menu não levava a lado nenhum portanto, por enquanto não existem microtransações.

Gráficos, Som e Performance

Graficamente, Grid é um jogo excelente. A skybox é uma das melhores que já vi num jogo de corridas, com excelente ambiente em qualquer hora do dia. Conduzir à noite e à chuva pode ser muito complicado devido à falta de visibilidade, especialmente se conduzirem com a câmara do cockpit.

A nível de performance, o jogo corre na PS4 Pro a 60 FPS na maioria do tempo, sendo as quedas mais notórias durante a chuva, à noite e em caso de colisão com muitos carros. Mas em cerca de 95% do tempo, é bastante fluido.

O som dos carros é muito bem conseguido e realista, ao mudarem de câmara o som altera como deve ser e existe um posicionamento 3D realista que permite saber se estão a ser ultrapassados e por que lado.

A banda sonora do jogo só serve mesmo de ambiente, não foi algo que se sobressaísse muito durante as corridas ou nos menus.

Conclusões

Grid é um bom jogo de corridas, com condução extremamente divertida que vos vai querer voltar sempre a jogá-lo. Infelizmente sofre pelo modo de Carreira desinspirado, pouca variedade de pistas e modos de jogo, multijogador extremamente simplista e sem opções de competição.

É um jogo que recomendo obter a um preço mais reduzido, por exemplo num bundle do Humble Bundle ou numa semana promocional.

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