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Review – Football Manager 2019

O mercado de transferências voltou a abrir

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Treino completo
Tácticas interessantes
Novas tecnologias do futebol
Som e animações insuficientes
Poucas alterações
75

Mais um ano e mais um lançamento da série Football Manager. Pelo menos da minha parte era grande a curiosidade em saber o traria de novo este ano e as melhorias em relação aos anos anteriores. Isto era especialmente importante porque de há algum tempo para cá, Football Manager tem alterado muito pouco, quase sendo uma adaptação perfeita ao ditado popular, curiosamente muito utilizado em futebol: equipa que ganha não muda.

Isto é verdade talvez porque esta série domina claramente o mercado dos simuladores de treinador de futebol e porque o jogo funciona razoavelmente bem. No entanto, começam a ser cada vez mais perceptíveis as vozes de quem pede mais e melhor. Para analisar se Football Manager 2019 conseguiu atingir o que muitos de nós queríamos, vamos analisar o lançamento deste ano ao pormenor.

O que há de novo?

Na realidade esta secção não é tanto o que há de novo mas mais o que mudou, embora tenham sido adicionadas algumas funcionalidades. Vamos analisar então aquilo que está diferente do que havia no passado.

Mais e melhores tácticas

A primeira coisa de que se vão aperceber imediatamente é que o menu das tácticas mudou. Algo que tem mudado muito ao longo dos anos são os planos de jogo e em FM 2019 isto não é excepção. As novas opções parecem mais refinadas e fazer mais sentido do que as que tínhamos até aqui.

Talvez para nos ajudar a utilizar estes planos da forma mais eficiente possível, e para ajudar os jogadores mais casuais, agora podemos definir com facilidade e precisão certas tácticas base do futebol, como o tiki-taka espanhol, contra-ataque, ou jogar pelos flancos. Isto define automaticamente o plano de jogo para representar estas tácticas, embora possamos fazer alterações manualmente.

Com todas estas novas opções é bastante mais simples, depois de analisar um adversário, utilizar aquilo que realmente queremos que a nossa equipa faça. Para adicionar a isso, nota-se também uma grande alteração no que acontece em campo quando as usamos. Embora sempre pudéssemos definir em teoria o tiki-taka espanhol, agora vemos realmente este a ser usado em campo, quanto que nos anos anteriores se notava apenas pequenas diferenças na forma de jogar.

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Resumindo temos novas opções e mais facilidade em as escolher e para melhorar isso tudo, estas são melhor representadas em campo do que nas versões anteriores. É sempre incrivelmente satisfatório ver um golo surgir através de uma decisão táctica nossa.

Treino muito mais complexo e completo

Outra grande alteração em FM 2019 foi o menu de treinos. Esta é uma mudança que vai literalmente no sentido oposto das tácticas. Enquanto que as tácticas deram mais a que gosta de mexer em tudo, mas também facilitaram a vida de quem apenas quer escolher algo geral, o treino está muito, muito mais complexo. Cada dia do ano passa a ter três opções. Podemos definir treino atacante no primeiro período, defender em largura no segundo e descanso no último, por exemplo.

Para cada uma destas opções existem um total de 47 treinos (ou outras actividades). Quarenta e sete! Agora imaginem fazer um treino personalizado para um mês. Embora tenha um potencial enorme, e possa ser incrivelmente interessante, no final pode-se tornar muito desgastante para nós. Embora exista sempre a possibilidade de deixar este controlo para o jogo, perde-se um pouco o controlo que antes tínhamos com grande facilidade.

Digo isto apenas para defender os jogadores mais casuais. Para quem gosta de controlar tudo é uma excelente adição. Por isso digo que esta alteração é ao mesmo tempo muito boa e muito má. A maior complexidade acaba por poder ser um inimigo do jogador, porque em pouco tempo se pode tornar uma tarefa chata, repetitiva e que consome uma grande parte do nosso jogo.

Existe ainda no menu das tácticas uma nova adição da qual eu gostei bastante. Todas as semanas somos avisados sobre a prestação dos nossos jogadores no treino. Obviamente alguns terão uma boa prestação e outros nem por isso. Temos uma opção imediata que permite elogiar quem fez um bom trabalho e avisar quem não o fez. Isto é uma forma de aumentar o moral de quem trabalha muito e de avisar alguns que é preciso esforçar-se mais. Muito interessante.

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Visão 3D com mudanças (muito ligeiras)

Este sempre foi, na minha opinião, um ponto fraco em Football Manager. Animações fracas e incoerentes, o som desfasado e de fraca qualidade. Isto faz com que se perca um pouco a imersão em dia de jogo. Obviamente que poderíamos comparar com jogos como FIFA ou PES, de qualidade gráfica muito superior, mas não penso que FM precisasse de tanto, até porque a visão de jogo não é o centro nem uma funcionalidade assim tão importante como isso.

A razão pelo qual me foco neste problema é mais porque estraga a imersão. Quando estamos a jogar queremos entrar naquele mundo e em FM isso funciona da mesma forma. Eu quero imaginar ser o treinador daquela equipa no meio daquele jogo. E quando vemos algo que fisicamente não faz sentido aí saímos cá para fora e percebemos que isto tudo afinal é apenas um jogo.

Eu entendo perfeitamente que não precise de ter uma qualidade gráfica abismal, mas há mínimos que tem de se cumprir quando já se tem esta funcionalidade há tantos anos. Embora se notem algumas melhorias, como melhores e mais animações dos jogadores continua a notar-se muitas falhas. O AI é pouco inteligente, os movimentos por vezes não fazem sentido, como ver o movimento de um remate para a frente e a bola ir para o lado, o público é uma enorme repetição de movimentos em sincronia, etc. As falhas são muitas.

Grande parte delas já existiam antes e continuam a existir e penso não haver grande sentido para que não se invista um pouco em melhorar isto. Embora não tenha uma influencia forte no jogo em si, não é propriamente bom para a imersão ver falhas desta dimensão a acontecer frequentemente, principalmente num dos momentos em que a adrenalina tende a subir.

Novas tecnologias no futebol

Com a introdução de novas tecnologias no futebol estas também foram adicionadas ao Football Manager. Quando há jogadas que podem dar dúvidas ao árbitro o árbitro vai à famosa televisão e analisa o resultado. Ver o árbitro fazer isto mesmo no meio de um jogo nosso é bastante gratificante, até mesmo quando a decisão final é contra a nossa equipa.

Também existe a tecnologia de linha de golo que analisa se num lance a bola passou realmente a linha de golo ou não. Estes pequenos momentos foram muito agradáveis de ver, e por um breve momento ajudou-me a imaginar que estava mesmo a ver um jogo real, mesmo com as animações a puxar para o outro lado.

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Então e tudo o resto?

Infelizmente as mudanças acabam aqui. Tudo o resto está na mesma e é… o Football Manager 2018. O jogo no seu geral sente-se como uma expansão do ano anterior. Se conseguirmos ignorar o que aconteceu nas tácticas e no treino (o que foi bem feito e, na realidade, é difícil de ignorar) o jogo é exactamente o mesmo que joguei no ano anterior. Não que o jogo seja mau, que não é de todo, mas não é um jogo novo.

Isto dá-me pena, porque esta é uma das minhas séries favoritas, mas junto-me ao grupo que queria ver mais mudanças. Queria um jogo com alterações que o fizessem sentir isso mesmo, um jogo novo. E é tendo isto em conta que avalio este jogo: um bom jogo, mas já o ano passado o era. Mas podem perguntar, este ano o jogo está melhor? Está. Mas devia estar muito melhor? Devia.

No final o que me deixa ligeiramente contente é que o pouco que é novo realmente foi bem feito e pensado. Como jogador experiente gosto de poder manipular todos os pequenos detalhes da minha equipa. Com as novas tácticas, e principalmente poder vê-las ser devidamente efectuadas, juntamente com o treino muito completo e as novas tecnologias, sinto que o jogo melhorou um pouco, embora ache que estas melhorias foram mais óbvias para mim, jogador experiente, do que para o jogador casual.