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Review Final Fantasy XV Royal Edition – A versão definitiva?

Review dos Leitores2 Votes
95
Gráficos espetaculares
Banda sonora incrível
Mundo aberto bem construído
Sistema de combate fluido e realista
Sistema de progressão simples e acessível
Vários updates à história e de equilíbrio
Versão de PC muito bem otimizada
Missões secundárias tornam-se repetitivas
Sistema de invocações aleatório e sem profundidade
Royal Pack não vale o preço pedido
Versão de PC limitada a 120 FPS
89

Atualizamos a análise com os conteúdos do Season Pass, Royal Pack e Windows Edition. Podem ler as novidades após as conclusões da análise original.


Foi em 2006 que a Square Enix nos deu o primeiro vislumbre naquele que seria o Final Fantasy mais ambicioso da altura. Previsto para a PS3, com o nome Versus XIII, o jogo contava na sua produção, com a mesma equipa que nos trouxe Kingdom Hearts, no entanto, o desenvolvimento do jogo não correu como planeado e, após várias mudanças na equipa, só ao fim de 10 anos chega à PS4 com o nome Final Fantasy XV.

O jogo foi alvo de vários rumores de cancelamento e adiamentos sucessivos, que o colocaram no mesmo pacote de The Last Guardian e Half Life 3. Felizmente, destes, apenas o último ainda se encontra desaparecido.

A história de Final Fantasy XV

Final Fantasy XV termina a saga Fabula Nova Crystallis, na qual se inserem Final Fantasy XIII e Type-0 e a sua premissa é bastante mais simples que o habitual nesta franquia.

Neste jogo seguimos o nosso personagem principal, Príncipe Noctis, que junto com os seus 3 companheiros e guarda costas Gladio, Ignis e Prompto, o escoltam em direção a Insomnia, a capital de Lucis e terra natal de Noctis, para que este se case com Lunafreya, afim de terminar as hostilidades entre Lucis e o Império de Niflheim.

No entanto, enquanto estão em viagem, o Império trai o reino de Lucis e destrói a capital, cujos eventos decorrem no filme Kingsglaive. Durante esse ataque, Luna refugia-se na cidade de Altissia e Noctis tem de a encontrar.

Além do casamento, a viagem de Noctis tem o propósito de o tornar mais forte, para que possa ser reconhecido pelos espíritos dos antigos réis de Lucis, que lhe oferecem as suas armas como prenda.

Não querendo alongar mais, a história de Final Fantasy XV deixou-me com um sentimento misto. Por um lado, possui bastantes buracos e coisas que não são contadas de forma explícita, algumas requerem que vejam o filme Kingsglaive, outras são tão subjetivas que só depois de verem várias vezes ou investigarem online é que vão compreender.

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Gostei da forma como os personagens se relacionam e são desenvolvidos, dá para entender o quão próximos são uns dos outros, quase como irmãos. As conversas que têm mesmo durante as viagens pelo mundo de jogo parecem naturais e as suas interações conseguem bater jogos como Mass Effect ou Dragon Age, que o fazem de forma magistral.

O tom da campanha também vai sofrendo alterações ao longo do jogo, começando bastante alegre e colorido, passando para bastante triste e negro. Aliás, uma analogia excelente ao ambiente do jogo é o ciclo dia e noite, que com o passar do jogo, a noite começa a predominar cada vez mais deixando, inclusive, de existir dia a uma dada altura.

O final da história vai parecer um pouco confuso, mas quando perceberem o que realmente acontece, vão entender que este é um dos finais mais tristes de que há memória em Final Fantasy.

Após terminarem a campanha, ainda possuem imensas missões secundárias pela frente. Apesar de ter gostado da maioria, eventualmente acabam por se tornar um pouco repetitivas, especialmente as missões de caça, que só podemos aceitar uma de cada vez, sendo que muitas são no mesmo sítio, o que leva a que tenhamos de percorrer o mesmo caminho várias vezes.

Os vossos companheiros também oferecem pequenas missões secundárias na forma de favores, mas também são praticamente sempre as mesmas.

O Mundo de Final Fantasy XV

Em Final Fantasy XV vão poder explorar o reino de Lucis, nomeadamente a periferia da capital. A variedade de cenários é enorme, com a geografia a alternar entre praias, desertos, montanhas, pântanos, florestas, etc.

Ainda podem visitar diversas vilas e cidades, com NPCs bastante credíveis cujas rotinas são extremamente naturais e inclusive, interagem entre si e falam das coisas que acontecem no próprio mundo.

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As cidades são especialmente detalhadas e, inacreditavelmente densas, ainda para mais com os gráficos que possui, um feito particularmente incrível, tratando-se de consolas.

Além dos NPC realistas, os animais e monstros que encontramos a percorrer os cenários possuem comportamentos naturais, sendo que existem predadores agressivos que vos atacam quando se aproximam e outros, que vos ignoram exceto se os atacarem.

A primeira metade da história é passada num mundo aberto e livre de exploração enquanto que, a segunda parte, vos coloca num mundo mais linear, ainda que igualmente aberto à exploração, apesar de serem cenários mais pequenos, um pouco ao estilo do que víamos em Final Fantasy XIII.

Para percorrer este mundo o jogo coloca-nos dois principais meios à disposição: Regalia e Chocobos. O primeiro é o carro da família real que podemos conduzir ou deixar Ignis conduzir, levando-nos de forma automática até ao nosso destino. Os Chocobos são aquelas pseudo-avestruzes já conhecidas da serie, que nos permitem andar por locais que o carro não deixa.

A forma como utilizamos o Regalia é bastante japonesa. Apesar de dar a entender que o podemos conduzir livremente, ao estilo GTA, na realidade o seu controlo é um pouco on-rails, ao bom estilo japonês. Sim podemos mudar de direção de forma manual e virar onde quisermos, mas enquanto andamos em frente, apenas temos de acelerar, sendo que o carro se mantém sozinho na estrada.

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Isto por um lado é uma mecânica interessante, pois permite que apreciemos os belos cenários enquanto conduzimos, sem o perigo de bater nalgum muro, mas por outro lado reduz um pouco a sensação de liberdade e mundo aberto. Se Ignis conduzir, todo o percurso é como uma espécie de ecrã de loading gigante, apesar de podermos fazer fast travel e aí, temos mesmo um ecrã de loading.

Os Chocobos, neste jogo podem ser alugados nas várias aldeias e cidades e, melhorados com várias cores e adereços. Além disso, à medida que vamos andando cada vez mais com eles, a sua resistência aumenta e ainda aprendem algumas habilidades muito úteis para os combates.

Final Fantasy XV possui um mundo, que apesar de não ser tão futurista como em FFXIII, consegue combinar de forma espectacular os elementos já conhecidos da franquia num mundo aberto credível e contemporâneo.

Os perigos da noite

Uma das mecânicas mais interessantes deste mundo aberto é o ciclo dia/noite. Durante o dia o jogo funciona de forma normal, mas à noite tudo muda. Não via um sistema tão bom desde Dying Light. É extremamente perigoso viajar de noite, pelo menos, se estiverem num nível relativamente baixo.

À noite, os inimigos são mais agressivos, praticamente não vêm nada a frente a não ser o que a vossa lanterna ilumina e, ainda podem aparecer inimigos de alto nível, de forma completamente aleatória. A sensação de perigo é constante, ao ponto de Ignis vos aconselhar a descansar se quiserem conduzir à noite.

Tal como disse antes, este ciclo dia/noite é bastante afetado pela história, que com o passar da mesma, vai fazendo com que os dias fiquem cada vez menores, o que aumenta ainda mais os riscos de se aventurarem muito para o interior de florestas, longe das cidades e dos Havens.

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Estes Havens são pontos distribuídos no mapa, nos quais podem treinar com os vossos companheiros ou acampar. Isto permite que consigam passar a noite no campo, afastados das cidades e ainda, comer uma refeição confeccionada por Ignis, que vos dá diferente tipos de bónus. Além disso têm uma ligação muito forte com a progressão do jogo, que falarei a seguir.

Sistema de progressão simples

O sistema de progressão de Final Fantasy XV é bastante simples, sem grandes mecânicas para aprender. Para se tornarem mais fortes vão necessitar de duas coisas: EXP e AP.

EXP é a típica experiência, presente em todos os RPG tradicionais, que ganham combatendo e completando quests, que serve para subirem de nível. Em Final Fantasy XV, a experiência que recebem não conta imediatamente para subirem de nível. Em vez disso, fica acumulada, só sendo atribuída aos personagens quando dormem.

Para tal, o têm de acampar nos vários Havens ou dormir em camas espalhadas pelo mundo. Estas duas possibilidades oferecem várias vantagens e desvantagens. Se acamparem, têm a possibilidade de consumir uma refeição, se tiverem os ingredientes necessários e, obviamente, não custa nada. Se optarem por dormir num quarto, vão ter de abrir os cordões à bolsa e não podem comer refeições.

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No entanto, dormir numa boa cama oferece um bónus para a EXP que têm acumulada, na forma de um multiplicador. Se dormirem numa caravana, pagam 300 gil e recebem 1.2 vezes a EXP que ganharam, mas, se dormirem num hotel podem pagar 30.000 gil para receberem 3 vezes essa EXP.

Isto implica que têm de decidir bem o que vão fazer. Se vão combater um boss ou fazer uma missão de alto nível, talvez queiram acampar e comer uma refeição que aumente a vossa saúde e ataque. Mas se querem subir vários níveis, podem fazer várias quests ou caças para o vosso nível e, depois de acumular uma boa quantidade de experiência, dormir num sítio caro para que subam bastantes níveis duma vez.

Os AP ou Ability Points, são pontos que vão recebendo por subir os personagens de nível, matar inimigos de diversas formas ou por outras ações que fazem.

Estes pontos podem ser gastos no menu Ascension, um pouco ao estilo da Sphere Grid de Final Fantasy X, mas mais simples. Este menu está dividido em várias categorias e, cada uma foca numa área diferente. Podem desbloquear novas habilidades para os vossos companheiros, aumentar a saúde, magia, etc., aumentar os ganhos de AP quando pescam, cozinham, viajam no Regalia, entre outros.

É um sistema simples e que não obriga o jogador a ter de antecipar os caminhos devido a ramificações que possam haver. Dá a liberdade de poder começar pelos pontos que acha mais relevantes para o seu estilo de jogo, enquanto evita que fique aquele sentimento de que se não puser neste ponto, posso já não conseguir por, uma vez que existem muitas formas de ganhar AP no jogo.

Sistema de combate

Uma das principais razões pela qual Final Fantasy XV, na altura Versus XIII em 2006, me fascinou tanto, foi pelo sistema de combate. Em Final Fantasy X, o combate era por turnos, em Final Fantasy XII, já existia alguma liberdade mas ainda se parecia com um RPG tradicional. Versus XIII apresentou um combate de RPG de ação, ao bom estilo de Kingdom Hearts, com um sistema de teleporte fantástico.

Vendo o produto final, Final Fantasy XV apresenta o mesmo sistema de combate, com uma abordagem mais realista que Kingdom Hearts, mas igualmente fascinante.

Uma das habilidades de Noctis, é a de poder atirar a sua arma e teleportar-se para ela. Isto chama-se Warp e é uma excelente maneira de fechar a distância entre nós e os inimigos, assim como de fugir quando os combates ficam muito intensos.

Noctis ainda possui quatro espaços para armas de diferentes categorias, que podemos trocar a qualquer momento, dependendo das fraquezas dos inimigos. Isto permite efetuar uns combos bastante interessantes, de modo a causar o máximo dano possível.

É ainda possível equipar magias, cujos elementos absorvemos de diversas fontes espalhadas pelo mapa. Estes elementos são guardados em frascos que atiramos contra os inimigos, libertando assim o poder mágico. Estas magias são criadas no menu e podemos ainda combinar itens, que dão efeitos secundários.

Apesar de possuir animações do melhor que já vi num jogo, acho que este sistema de magia mais realista ficou um pouco aquém do que seria esperado.

Segundo a história do jogo, a linhagem de Noctis possui a capacidade de controlar estes elementos, o que permite guardá-los nos tais frascos de modo a serem usados por qualquer um. No entanto, Noctis não consegue conjurar magia sem ser desta forma, algo que vai contra aquilo que é mostrado em várias cutscenes, especialmente em Kingsglaive, no qual o pai de Noctis consegue controlar magia sem estes frascos.

Outra mecânica que não agradou muito, foi o da magia ocupar um espaço de arma. Podia facilmente ser um sistema parecido ao de Kingdom Hearts, no qual carregamos num botão e podiam aparecer as várias magias caso estivéssemos com um inimigo na mira, caso contrário podíamos apontar como já é possível no jogo.

Para os que gostam de um sistema de combate mais tradicional, podem ligar o modo de espera. Isto faz com que o jogo pause sempre que deixam de mover o personagem, permitindo assim escolher tranquilamente o que fazer a seguir, tornando mais fácil a micro-gestão, se bem que não senti grande necessidade de utilizar este modo. Existe ainda uma secção no Ascension para este modo, podendo ser melhorado.

Irmandade real

Um dos pontos altos do sistema de combate é a forma como os companheiros de Noctis se inserem no mesmo. Ao longo das batalhas, vamos enchendo uma barra, que permite escolher uma habilidade especial para cada companheiro. Quando esta habilidade é executada, podemos premir o botão de ataque no tempo certo para causar ainda mais dano aos inimigos.

Além disso, quando acertamos num inimigo a partir dum ângulo morto, podemos efetuar um “link-strike” na qual um dos companheiros que esteja mais próximos combina com Noctis, causando bastante dano.

Outro sistema que gostei bastante foi o de pontos de saúde. Em vez de chegar a zero e terminar instantaneamente, os personagens entram num estado de Perigo, que vai diminuindo a saúde máxima disponível. Para os tirar desse estado, um dos companheiros tem de se aproximar e ajudá-lo ou utilizar um item que recupere esta saúde. Na verdade este sistema também facilita um pouco o jogo, uma vez que em dificuldade normal e contra inimigos fortes nunca vi o ecrã de Game Over.

Além da interação entre Noctis e companhia durante os combates, a forma como falam uns com os outros dentro e fora dos combates é da melhor que já vi até hoje.

Como tinha dito antes, este sistema de interações lembra um pouco aquele existente nos jogos da Bioware, mas achei que esta uns bons furos acima. As conversas são muitas vezes cómicas e, principalmente, encontram-se dentro do contexto. Por exemplo quando fica de noite, Prompto queixa-se que está a ficar demasiado cansado e Ignis diz que realmente, estão à muitas horas em viagem.

Também existem muitas alturas nas quais os companheiros abordam Noctis para pedir um favor ou dar conselhos. É comum antes de entrarem em combate, serem puxados por um deles, que vos diz uma maneira boa de iniciar esse confronto, pelo que se o fizerem, vão receber algum AP.

Esta interação realista entre os personagens faz com que fiquemos a gostar bastante deles e nos preocupemos com a sua situação. Durante a campanha, um dos personagens sofre um golpe que o deixa bastante debilitado, pelo que temos de esperar por ele, pois agora move-se de forma mais lenta. Se nos afastarmos muito, somos imediatamente alertados de que o personagem ficou para trás.

Uma das mecânicas que mais gostei neste tema, foi o facto de Prompto ir tirando fotos à medida que vão viajando, sendo que, quando descansam, podem ver, guardar e até partilhá-las nas redes sociais. Eventualmente estas fotos que guardam vão ter um pequeno papel na história lá mais para o final.

Poder dos deuses e dos reis

Ao longo da aventura, Noctis vai encontrar as tumbas dos antigos reis de Lucis. Cada um destes reis possuía uma arma característica, que Noctis passa a controlar. Estas armas podem ser bastante poderosas, no entanto, causam dano ao utilizador. Estas armas são uma excelente maneira de variar de acordo com as fraquezas dos inimigos, sem termos de comprá-las nos vendedores. No entanto, têm este senão de causar bastante dano a Noctis.

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Outro poder que voltou foi a capacidade de fazer Summon, invocando assim aliados muito poderosos. Ao contrário do que acontecia noutros Final Fantasy, agora as invocações são em menor número, mas muito mais poderosas, acabando facilmente com os inimigos à nossa volta.

Estas invocações são obtidas ao longo do jogo, muitas vezes em combates que mais parecem tirados de um jogo de God of War, tal é a sua escala, algo que nunca pensei ver na série Final Fantasy. Para os invocar, é necessário cumprir algumas condições específicas de cada invocação. Para utilizar, basta apenas manter premido L2, na PS4, quando aparece a indicação. As animações e música são simplesmente brutais e deixam um rasto de destruição no cenário incrível.

Banda Sonora épica

Quando joguei Bloodbourne, pensei que mais nenhum jogo desta geração conseguisse apresentar uma banda sonora tão boa como aquela. Até jogar Final Fantasy XV.

As músicas do jogo estão simplesmente perfeitas, desde as músicas dos combates, até às de exploração, são um excelente complemento e ajudam a tornar o jogo menos aborrecido.

Viajar no Regalia é um autêntico tributo à série Final Fantasy, no qual podemos ouvir músicas de todos os jogos e alguns filmes. Desde Final Fantasy I até XV, incluíndo Kingsglaive, Type-0, entre outros. Além disso podem viajar enquanto ouvem o One Winged Angel, o que chega perfeitamente para tornar as viagens épicas.

Gráficos e Performance

Aquilo que Final Fantasy XV faz nas consolas, em termos de grafismo é algo simplesmente incrível. A quantidade de técnicas que são usadas ao mesmo tempo não devia ser possível numa consola com hardware limitado. Existem coisas como sombras dinâmicas, os efeitos de luz sobre as superfícies, o nevoeiro, a chuva, a distância a que podemos ver os objetos do mapa (draw distance), combinam de tal forma que muitas vezes vão parar para apreciar as paisagens. 

Um dos pormenores que mais me impressionou foi sem dúvida a luz. Além de se projetar de forma super realista nas superfícies, ela funciona de forma natural, sem grandes exageros, mas dá ao mundo uma vivacidade única. Se repararem bem durante a chuva, até as gotas que caem, refletem a luz da mesma forma que vimos na vida real.

Em termos de performance, o jogo possui alguns problemas já conhecidos de Frame Pacing na PS4, algo que não acontece na Xbox One, que possui uma resolução mais baixa, que associado ao Temporal AA, lhe confere um aspeto mais desfocado. Ainda assim, este problema de Frame Pacing na PS4 não afeta em nada a jogabilidade, visto que se mantém a 30 FPS.

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O Frame Pacing é um problema que já acontecia, por exemplo, em Bloodbourne e consiste nas frames não serem processadas com o mesmo intervalo entre si. Como o jogo corre a 30 FPS, seria de esperar que fosse 30 frames por cada segundo. No entanto, o que acontece, é que como existem frames que demoram mais tempo a serem processadas, o jogo envia uma imagem, por exemplo, em 0.5 frações de tempo e a seguinte em 1.5. Isto faz com que, em média, o jogo envie na mesma as 30 imagens por segundo, mas nunca ao mesmo ritmo. Isto leva a que o jogo pareça mais irregular, do que é na realidade.

Conclusão

Na minha opinião, valeu a pena esperar os 10 anos por Final Fantasy XV. Apesar da história possuir alguns buracos, tendo de ser complementada por elementos externos ao jogo, a forma como os personagens são desenvolvidos e interagem entre si consegue agarrar o jogador. O sistema de combate vai depender do vosso gosto, se bem que o Wait Mode permite agradar a fãs de todos os géneros de RPG. Ainda possui gráficos espetaculares e uma banda sonora brilhante.

Demorei 30 horas a terminar a campanha e neste momento já tenho mais de 40 horas de jogo, que nem dei conta de ver passar, tal é a forma como o jogo me agarrou com todas as atividades que podem fazer nele. Tal como aparece quando ligam o jogo, é um Final Fantasy para fãs e novos jogadores.


A versão que faltava

A Square Enix já tinha deixado bem claro, que pretendia trazer todos os títulos Final Fantasy para o PC (exceto o Tactics, por alguma razão), incluindo Final Fantasy XV. A versão de PC foi esperada com grande ansiedade, visto que a possibilidade de jogar um título que já tinha um aspeto tão bom nas consolas, numa máquina mais potente, a maior resolução e framerate, é algo capaz de deixar qualquer fã a babar-se.

Tal como tem sido habitual, as versões de PC lançadas algum tempo depois das versões de consola, costumam incluir os conteúdos lançados até então. Final Fantasy XV não é exceção, mas a Square Enix foi um pouco mais à frente.

Final-Fantasy-XV-Gets-a-Royal-Edition-2Além de incluir os DLC do Season Pass, foi lançado conteúdo adicional, sob a forma do Royal Pack. Este pacote, pode ser obtido pelo preço de 14.99€ para quem já tinha o jogo nas consolas.

Depois existe a Royal Edition. Esta edição, contém todos os conteúdos incluindo o Royal Pack. Isto significa que no mesmo pacote têm o jogo completo, as três campanhas de DLC lançadas no Season Pass, os DLC extra que foram lançados e contêm itens cosméticos e armas, assim como os updates à campanha e a expansão Comrades, que serve de modo multijogador.

Considerando que não analisámos as expansões do Season Pass, aproveito agora para o fazer. Em cada expansão vamos jogar com um dos três companheiros de Noctis: Gladiolus, Prompto e Ignis. Cada uma tem lugar durante uma certa parte da campanha, pelo que devem terminar a história de Noctis antes de se aventurarem nestas expansões. Aliás, o jogo deteta se já terminaram a campanha principal e pergunta-vos se têm a certeza se querem começar as dos DLC.

Um dos updates mais interessantes de Final Fantasy XV, é o facto de podermos tomar controlo dos companheiros de Noctis durante o combate, sendo que quando chegarem às expansões, já vão saber utilizar cada um como deve ser.

Isto deve-se ao facto de cada personagem possuir a sua própria jogabilidade. Gladiolus faz uso da sua espada e escudo para o combate, tornando o jogo mais parecido com um hack and slash convencional. Prompto utiliza as suas armas de fogo, sendo que é possível fazer mira e tornar o jogo num Third Person Shooter. Ignis utiliza adaga, às quais pode adicionar elementos de fogo, eletricidade ou gelo para lidar com os inimigos de três formas diferentes.

Final-Fantasy-XV_Jul312017_01-890x606Além disso, cada um possui habilidades que vão carregando ao longo dos combates. Gladio possui quatro ataques, que vão necessitando de maior quantidade da barra de habilidade, mas causa imenso dano, especialmente se tiverem o bónus que tira o limitador de dano das habilidades dos personagens. Prompto e Ignis podem utilizar habilidades próprias, idênticas às de Noctis que fazem uso dos seus companheiros, mas também possuem uma habilidade especial.

Ao disparar nos pontos fracos com Prompto, podemos deixá-los atordoados, o que permite disparar um tiro que causa imenso dano, ou fazer algo chamado Overkill a curta distância, uma espécie de execução que permite roubar a arma desse inimigo.

Ignis é o que possui maior profundidade no combate. Os três elementos alteram a praticamente o combate em termos de velocidade e dano. O elemento de fogo apenas permite causar dano a um único inimigo, mas é o elemento que causa maior quantidade de dano, gelo permite atacar vários inimigos numa área, causando menos dano que o elemento de fogo, mas com a vantagem de atingir vários alvos e, eletricidade, permite atacar um alvo mas a uma enorme velocidade, ganhando a distância a inimigos afastados numa questão de segundos, o que leva a combos bastante interessantes.

Ao encher a barra de Total Clarity, podemos utilizar um ataque muito potente dependendo do elemento que temos equipado, fogo atinge várias vezes no mesmo alvo, gelo atinge vários alvos ao mesmo tempo e eletricidade permite atirar uma das adagas ao ar, fazendo com que caia como um trovão num inimigo alvo.

No que toca a história, todas se passam quando um dos personagens se separa de Noctis por algum tempo. Gladiolus quando se separa para tentar ganhar um poder que o torne capaz de proteger o seu rei, Prompto descobre o seu passado após se separar durante a viagem para Tenebrae e Ignis tenta ajudar Noctis durante os acontecimentos em Altissia.

O meu favorito foi de longe o episódio de Ignis. Além de ser o personagem com a jogabilidade que gostei mais, existe uma espécie de captura de territórios, que aliado ao cenário, me lembrou um bocado Assassin’s Creed 2 (o melhor Assassin’s Creed). Além disso, ao terminarem o episódio, existe um segundo “verso”, no qual podem escolher uma opção nova durante uma determinada parte que vos leva a uma zona nova e, algo que não esperava, pode levar a um final alternativo para a campanha principal.

ffxv-royal-edition-screenshot-15A expansão Comrades, permite-vos criar o vosso próprio membro dos Kingsglaive, com diferentes origens que alteram as vossas habilidades. Algo que achei muito interessante, foi o facto de os combates lembrarem um bocado Monster Hunter, especialmente quando enfrentam as bestas enormes que por vezes aparecem. Acaba por ser uma alternativa engraçada, enquanto Monster Hunter World não chega ao PC.

O Royal Pack

O Royal Pack introduz algumas mudanças interessantes, mas que poderiam ter vindo facilmente num update gratuito, visto que não alteram propriamente nada no jogo e o que introduzem de novo é muito pouco para 14.990€.

As mudanças são um aumento na área de Insomnia, a zona final do jogo com inimigos de alto nível, novos bosses com os quais lutamos antes do boss final, fazendo com que seja necessária uma preparação extra para não sermos destruídos. Cada um destes bosses é bastante interessante e durante a luta acabam por desenvolver mais a história dos companheiros de Noctis. Também introduz uma nova cinemática antes do confronto final, na qual vemos o retorno de uma personagem importante para a história.

Existe também uma nova zona explorável, apesar de a zona em si não ser propriamente nova. Trata-se do mar entre Cape Caem, Galdin Quay e Altissia, que apareceu durante uma cena na história totalmente “on-rails”, mas agora explorável, com alguns segredos e a possibilidade de pescar no barco, assim como novas receitas.

Royal_Edition_Armiger_UnleashedOs outros conteúdos incluem um novo modo Armiger, que desbloqueiam quando obtêm todas as armas reais, novas modificações para o Regalia e a possibilidade de jogar em primeira pessoa, apesar de não estar ao nível de GTA V, que tinha um modo semelhante muito bem feito.

A versão definitiva?

Definitivamente. Final Fantasy XV, especialmente a versão de PC, é a versão definitiva da versão definitiva. Contém todos os elementos gráficos das versões de consola, mas elevadas a um novo patamar. Para o jogar com as definições ao máximo, precisam de uma máquina com muita carne, especialmente se forem para o 4K. No entanto, o jogo está bem otimizado.

Joguei com tudo em High e as definições da Nvidia desligadas e consegui durante a maior parte do tempo estar acima das 70 FPS. Apenas em zonas mais populadas o framerate caía para os 50’s. Considerando que o nosso PC faz uso de uma GTX1060 e um Ryzen 5 1600 a 3.2GHz, que apesar de bons acabam por cair na gama média das respetivas categorias, o jogo correu de forma bastante suave sem comprometer na qualidade gráfica.

Algo que não gostei, foi o facto de o jogo estar bloqueado a 120Hz. Para quem, como eu, possui um monitor de 144Hz e tem hardware poderoso o suficiente para manter essa taxa, 120Hz parece-me algo desatualizado. Talvez um modo sem limitador de FPS seria o ideal numa futura atualização.

ffxv-royal-edition-screenshot-5Conclusão (definitiva)

Final Fantasy XV Royal Edition e o equivalente de PC, Windows Edition é a versão definitiva de um jogo que já era bastante bom. Os updates que fizeram para resolver alguns buracos na história foram interessantes, especialmente as mudanças no capítulo 13, que se tornou bastante mais suportável, acabaram por tornar a história mais completa, se juntarem os episódios de Gladio, Prompto e Ignis.

Além disso, foram feitos vários equilíbrios no que toca a ganhos de AP, fazendo com que não seja necessária a quantidade de grind que era no início.

A versão de PC está muito bem implementada e valeu a pena o tempo de espera, ainda para mais com suporte a mods, que certamente vão aumentar o tempo de vida do jogo. Se ainda não jogaram Final Fantasy XV, qualquer uma das duas versões são praticamente obrigatórias, particularmente a de PC devido à melhor qualidade gráfica e performance.

Quanto ao Royal Pack em separado, não consigo recomendá-lo pelo facto de no seu grosso, serem updates de “qualidade de vida”, pelo preço de 14.99€. As novidades podiam ter sido facilmente incluídas gratuitamente para quem é detentor do Season Pass.

Concluindo, Final Fantasy XV é capaz de vos agarrar durante largas dezenas de horas, quer sejam fãs ou novatos, tal como diz no ecrã inicial.

 

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