Review FIFA 19 - Divertido, mas pouco expansivo
Jogabilidade fluida e divertidaValores de produção no modo JourneyExcelente performance e banda sonora
Podia ter mais novidadesProbabilidades de obter cartas ao nível de jogos mobile
80%Overall Score

Se há algo certo todos os anos, é que os meses de Setembro e Outubro são dedicados aos lançamentos anuais. Um dos maiores é sem dúvida o de FIFA, o monstro de vendas da EA, que vemos todos os meses no top 10 de jogos vendidos nos principais mercados europeus.

Este ano recebemos FIFA 19, umas semanas depois de PES 19, que na minha opinião, deixou bastante a desejar. A vantagem nesta rivalidade tem pendido claramente para o lado de FIFA, será que conseguiu alargá-la este ano? Vejamos.

Alex Hunter e amigos

O modo Journey está de volta, novamente com Alex Hunter a ser o centro das atenções, que após passar pela MLS e vários clubes europeus, termina a sua viagem no Real Madrid, numa tentativa de obter o maior prestígio possível.

Ao longo da jornada, vamos poder controlar os acontecimentos à volta de Alex, mas também da sua irmã Kim e do seu amigo Danny. Cada um é totalmente personalizável e possui decisões que influenciam a sua carreira, sendo que a de Alex é a versão otimizada pela EA Sports e a experiência mais “controlada”.

A história começa de forma muito interessante, num jogo passado nos anos 60, no qual controlamos Jim Hunter enquanto tenta marcar o 100º golo da sua carreira. O ambiente do jogo é fantástico, com uma UI extremamente limpa e antiga, a imagem apresenta algum ruído característico da época e o relvado apresenta uma degradação bem maior que o normal. A cinemática inicial lembrou-me um bocado o salto entre Battlefield 4 e Battlefield 1, quando passamos de um ambiente mais moderno e limpo, para um mais antigo, sujo e físico.

Apesar de termos uma história relativamente previsível, os valores de produção são bastante altos e existe algum cuidado no que toca a decisões, voice acting e realização das cinemáticas.

O facto de podermos jogar em 3 ligas diferentes, incluindo um campeonato feminino, oferece uma boa variedade à jogabilidade e evita que haja tanta repetição ou que fiquemos fartos de jogar sempre no mesmo ambiente, com a mesma equipa.

Jogabilidade afinada, rápida e arcade

Enquanto PES tenta enveredar por um caminho mais realista, FIFA sempre se apresentou mais fluido, rápido e arcade. Na minha opinião, é bastante mais acessível que PES e permite ao jogador fazer jogadas fantásticas, mesmo que tenha pouca experiência neste tipo de jogos, o que o torna imediatamente mais divertido, que é o objetivo de qualquer jogo.

No entanto, acho que este ano a jogabilidade é demasiado arcade, ao ponto de por vezes sentir que estou a ver um anime de futebol estilo Super Campeões. É verdade que o jogador da capa é usado para captura de movimentos, influenciando sempre um pouco o pacing do jogo e novamente temos Cristiano Ronaldo como referência. Ronaldo marcou um grande golo à Juventus de pontapé de bicicleta e parece que os jogadores de FIFA, de repente, começaram todos a fazer o mesmo e o resultado é a quantidade de remates acrobáticos que vemos no jogo, bastante acessíveis e por vezes em situações que não fazem sentido, nomeadamente, na fase defensiva.

Além disso, até jogadores de baixo rendimento, diga-se aqueles abaixo de 60 de média, conseguem efetuar pontapés acrobáticos como se o fizessem todos os dias, o que contribui para o espetáculo, mas remove alguma imersão.

As novidades

As principais novidades, passam pelos novos modificadores dos jogos rápidos, nos quais podemos jogar partidas com eliminação, onde temos de marcar 5 golos, mas sempre que marcamos, um jogador aleatório é expulso, o que obriga a uma certa estratégia e controlo do jogo, assim como mudanças na tática caso um jogador chave seja removido.

Também existe um modo divertido, sem regras, nos quais podemos causar faltas, jogar em fora de jogo, etc., que faz lembrar os bons tempos da PS1 e PS2, quando podíamos tirar tudo isto e simplesmente fazer faltas duras, estilo Red Card Soccer.

Existem também duas variantes muito interessantes, nas quais golos fora da área contam por 2, ou outro em que só podemos marcar de cabeça, pontapés acrobáticos ou de bolas paradas. Estes modos são muito interessantes para treinar este tipo de jogadas. Também podem fazer uma final de liga dos campeões ou jogos a duas mãos, com o ambiente espetacular que se vê neste tipo de jogos, incluído transmissão televisiva realista.

Apesar de serem modos interessantes, são algo que apenas vejo serem jogados muito raramente, sendo mais divertidos em multijogador local. Ainda assim, cada modo possui um sistema de tracking das estatísticas, para que possam ver a vossa performance, assim como a de outros jogadores.

O principal modo de FIFA 19 é claramente o Ultimate Team ou FUT. A principal novidade é a liga online, na qual podem jogar contra equipas com classificações semelhantes à vossa, enquanto tentam subir o máximo possível no ranking. Obviamente que com cada rank, as recompensas serão superiores e é um excelente modo para separar o trigo do joio, enquanto oferece uma competição mais equilibrada e intensa.

A outra novidade são as novas cartas Ones To Watch ou OTW, que são cartas especiais que vão rodando ao longo das semanas, e permitem que a pontuação dos jogadores suba dinamicamente de acordo com a sua performance no mundo real. Isto significa que a carta de Cristiano Ronaldo, que possui uma pontuação base de 94, pode subir até 100 se num jogo real marcar vários golos, ganhar algum troféu ou receber o prémio de Homem do Jogo.

Apesar de ser uma adição muito interessante, que liga o mundo virtual ao real de forma orgânica, estas cartas possuem uma probabilidade muito baixa de sair nos packs. Quanto? Menos de 1%. A EA foi obrigada pela lei de certos países a divulgar a probabilidade de obter cada raridade de cartas e as OTW possuem menos de 1%, algo que está ao nível de jogos free to play mobile, os conhecidos Gatchas, que conseguem limpar as contas bancárias de muitos jogadores.

Gráficos, performance e som

Graficamente, FIFA 19 não evoluiu muito em relação ao anterior. Mudanças nesta área é algo que vemos muito raramente em jogos deste tipo, talvez 2-3 vezes por geração. No entanto, em termos de performance é um sonho. Com a minha GTX 1060 de 6GB, consegui jogar a 4K em Ultra e manter as 60 FPS constantemente durante o jogo, apesar de continuar a achar extremamente irritante que o jogo bloqueie nas 30FPS durante repetições e lances de bola parada.

Em relação ao som, a banda sonora continua a ser das melhores em jogos de desporto, algo a que a EA Sports já nos habituou desde os tempos da PS1, o ambiente nos estádios é bastante realista, apesar de já pedir há anos por estádios mais vazios em jogos mais pequenos, como acontece na vida real, assim como som de público escalável com o tamanho do estádio.

Conclusão

FIFA 19 continua a ser um jogo extremamente divertido e acessível, com vários modos capazes de vos ocupar durante meses até o novo chegar, caso comprem anualmente. Em termos de novidades, não existem assim tantas como pensei, mas o que foi introduzido é sólido, assim como o pacote completo também o é.

Se compraram FIFA 18, não vão notar grandes diferenças ao jogarem FIFA 19, especialmente se jogarem com o modo FUT em mente, que recebeu apenas duas novidades de relevo. Ainda assim oferece bem mais novidades que PES 19, assim como uma jogabilidade mais divertida e consegue manter a rivalidade a pender para o seu lado.