Dying light 2 cover

Review Dying Light 2 – Uma sequela digna que consegue expandir em praticamente todos os aspetos

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O Melhor
Sistema de parkour altamente fluido
Combate visceral e violento
História com imensas opções de escolha e finais
O Pior
Não teve grande salto em qualidade gráfica
Performance em Ray Tracing precisa de otimização
Alguns bugs podem pontualmente bloquear o progresso da história
85

Dying Light é um dos meus jogos favoritos, com o seu sistema de parkour em 1ª pessoa altamente refinado e combate violento e satisfatório, capaz de misturar ação com sobrevivência e horror através do seu ciclo dia-noite que muda completamente o aspeto e ambiente do jogo.

Dying Light 2 esteve em desenvolvimento por cerca de 6 anos e foi adiado por várias vezes. Geralmente este é um mau presságio de que o jogo está com problemas no ciclo de desenvolvimento e muitos estúdios já deram a desculpa de que os adiamentos se devem à necessidade de polir mais o jogo, para no fim recebermos algo que nada tem a ver com o que foi prometido e com diversas falhas a nível técnico.

Felizmente, Dying Light 2 é uma lufada de ar fresco no meio de tanto lançamento terrível que se tem verificado nos últimos tempos e posso dizer que em 30 horas que joguei, apenas encontrei um bug no qual caí para fora do mapa e um ou outro inimigo que morria mais rápido por ficar preso na geometria do mapa. É um lançamento bastante estável, mesmo sem o update de dia 1 que está para vir.

Mas vejamos o que Dying Light 2 tem para nos oferecer.

O mundo perdido

Após os acontecimentos em Harran no 1º jogo, a humanidade conseguiu encontrar uma cura para o terrível vírus que afetou a cidade e transformou os seus habitante em monstros. No entanto a GRE, o grupo que desenvolveu o 1º virus, continuou a investigá-lo para uso militar e acabou por libertar uma variante ainda mais contagiosa que praticamente destruiu toda a civilização, com exceção de algumas vilas e cidades isoladas e espalhadas pelo mundo.

O nosso personagem Aiden é um Pilgrim, uma espécie de nómada corajoso o suficiente para viajar de vila em vila atravessando terras desoladas e cheias de perigos. Enquanto procura pela sua irmã, descobre que é possível encontrar as respostas em Villedor, também conhecida simplesmente por The City.

Villedor é composta por diversos distritos, ligados por uma rede de metro que serve como método de Fast Travel entre eles e ao contrário de Harran que apresentava um distrito de favela e outro com uma arquitetura árabe, apresenta um distrito com casas ao estilo Haussmann como o que se vê em França e outro dividido ao meio por um rio, que mistura uma arquitetura mais metropolitana com enormes prédios e outro relativamente parecido com o primeiro, com uma enorme catedral.

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O primeiro jogo era um pouco mais denso em termos de distância entre edifícios, dando uma maior sensação de estar a jogar “the floor is lava”, visto que podiam atravessar grande parte das zonas sem nunca tocar no chão.

Existem formas de o fazer neste jogo, como vamos ver mais à frente, mas os edifícios estão, geralmente um pouco mais afastados uns dos outros, especialmente no distrito dos arranha-céus, mas para compensar, existem muito mais formas de poder escapar a inimigos trepando postes de eletricidade, usando barras para balançar ou fugindo através dos edifícios.

Villedor é uma cidade envolvida numa constante luta de poder entre três principais fações: sobreviventes, Peacekeepers e os Renegades.

Os sobreviventes são um povo comum que luta pela liberdade e são contra forasteiros que tentem entrar no seu ambiente. Os Peacekeepers são compostos por ex-militares principalmente e seguem um regime hierárquico idêntico e acreditam que o uso da força é necessário para manter a ordem. Estão melhor equipados que os sobreviventes e as suas ideologias entram em constante conflito.

Os Renegades são compostos por bandidos que nada querem senão causar estragos e pilhar tudo o que podem. São o inimigo comum das outras duas fações e aqueles com quem lutam na maioria das missões, tirando os zombies claro.

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Devido ao vosso papel na história, vão acabar por interferir com esta luta de poder. Certos edifícios chave como centrais elétricas ou torres de água são pontos fundamentais para garantir a estabilidade da população. No entanto, apenas uma pode controlar cada um desses edifícios e cabe-vos a vocês decidir quem fica com cada um.

Escolher os sobreviventes permite que estes construam mais estruturas para parkour como linhas entre prédios, trampolins ou almofadas que vos permite resistir a quedas altas. Isto reduz a distância entre edifícios, fazendo com que não tenham de ir tantas vezes ao chão, onde estão mais expostos.

Escolher os Peacekeepers permite aumentar a segurança no chão através de patrulhas que vos ajudam nos combates e pela instalação de armadilhas para atrasar os zombies em caso de perseguição.

Escolher uma fação em detrimento de outra tem várias implicações a nível da história, mas o quê, terão de descobrir por vocês mesmos.

Um claro esforço para melhorar a escrita e a história

Toda esta dinâmica das fações acaba por conferir ao jogo uma história mais multidimensional, ao contrário do primeiro jogo, que possuía uma história bastante cliché e unidimensional. Não significa que a história e a escrita neste jogo sejam perfeitas, mas nota-se um claro esforço para melhorar e contar uma história capaz de vos deixar agarrados ao ecrã e com uma sensação de conflito, sem deixar de ter aqueles típicos contos de filmes de zombies, especialmente nas missões secundárias.

Alguns dos personagens que encontram ao longo do jogo são bastante interessantes e há medida que os vão conhecendo melhor, vão mudar completamente a vossa primeira impressão deles.

Aiden também é um personagem muito mais multidimensional que Crane, que era basicamente um pau mandado da GRE no 1º jogo. Aiden precisa de ajudar as duas fações para poder progredir na sua própria missão de encontrar a sua irmã desaparecida, o que dá uma sensação de urgência constante.

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Ao longo da história também vão ter situações nas quais têm de focar no vosso principal objetivo ou desviarem-se e ajudarem outra pessoa sem saber se vão ou não tirar algum benefício desta decisão.

Se há algo que este jogo faz bem com as escolhas, é que independemente do que escolham vão sentir-se em conflito e a ponderar se tomaram a decisão correta, seja imediatamente ou seja mais tarde. A escolha certa nem é sempre é a mais óbvia e a sensação de poderem ser traídos está constantemente a pairar no ar.

Existem vários finais para desbloquear mas infelizmente o jogo ainda não tem um New Game +, portanto se querem desbloquear os outros finais, têm de recomeçar do zero.

Um parque de diversões violento e imprevisível

Tal como Harran, Villedor é um autêntico parque de diversões altamente violento e imprevisível. Cada esquina pode esconder uma patrulha de Renegades pronta a atacar-vos e os zombies durante o dia são lentos mas é fácil perderem noção da sua presença e acabarem rodeados.

Os interiores das casas e prédios são de evitar devido aos zombies que lá dormem durante o dia e vos obriga a mover furtivamente para não acordarem aquilo que são autênticos ninhos de vespas.

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Durante a noite, tal como no 1º jogo a situação muda completamente. Os humanos recolhem às suas bases e as ruas ficam apinhadas de zombies. Isto significa que agora os prédios são a vossa melhor forma de evitarem as ruas e chegarem ao vosso objetivo de forma segura.

A forma como o jogo funciona à noite mudou um bocado em relação ao primeiro título. Nesse, existiam os perigosos Volatiles que patrulhavam as ruas assim como outros monstros mais poderosos.

Em Dying Light 2, isto foi substituído por um sistema de Chase, no qual se forem detetados por um zombie especial, chamado Howler, os gritos deste iniciam a perseguição que vai subindo de nível enquanto não se conseguirem esconder. Nos níveis mais altos começam a aparecer os Volatiles e estes vão atrás de vocês até ao monte Evereste se for preciso.

Para colmatar o facto de não existirem Volatiles na rua, a densidade de zombies e Howlers à noite é imensamente maior que no primeiro jogo e estes são muito mais rápidos e agressivos, tentando constantemente agarrar-vos.

Existem atividades que só podem fazer à noite como procurar objetos de valor ou equipamento em lojas e bunkers da GRE, uma vez que durante o dia estas zonas estão repletas de zombies, incluindo Volatiles que vos vão transformar em farrapos se vos encontrarem nestas zonas mais fechadas.

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Entrar numa destas “Dark Zones” tem de ser algo relativamente bem planeado, especialmente a hora a que entram. Chegou a acontecer entrar numa destas zonas já perto do amanhecer e acabar cercado por vários zombies que retornavam a casa. Parecia a história dos Três Ursos e eu era a rapariga dos caracóis dourados que tinha comido a sopa do pai urso e estava pronto a ser transformado no jantar.

Algo que este jogo faz bastante bem, é a forma como vos faz sentir bastante vulneráveis, pelo menos até certa parte.

Devido a certos eventos que ocorreram antes da sua chegada a Villedor, Aiden encontra-se infetado pelo vírus. Ao contrário do primeiro jogo, no qual podiam vaguear à vontade nas zonas escuras, neste jogo o facto de estarem infetados faz com que não possam estar muito tempo sem luz UV.

No entanto, há medida que vão melhorando a vossa saúde e stamina, o vosso período de imunidade aumenta, permitindo passar mais tempo em zonas escuras.

A vossa stamina também não é ilimitada quando estão a escalar estruturas. O sistema é bastante parecido ao que têm, por exemplo, em Zelda Breath of the Wild o que significa que não podem estar eternamente pendurados numa trave.

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Existem certos moinhos que podem capturar depois de os treparem, nos quais uma das fações vai construir uma base sob as ruínas e existem requerimentos de stamina para poderem chegar ao topo. Aliás, existe quase uma espécie de ironia quando os sobreviventes têm de construir edifícios improvisados por cima de ruínas porque os zombies dominam todos os prédios que estão em bom estado.

Vários sistemas expandidos

Apesar de no fundo o Parkour e o Combate serem idênticos aos do 1º jogo, que continuam incrivelmente fluidos e satisfatórios, com incrível feedback que permite uma boa sensação de peso em cada golpe, geralmente recompensados por membros decepados e um banho de sangue.

A Techland expandiu bastante o sistema de crafting, equipamento, modificações das armas e simplificaram a forma como subimos de nível e desbloqueamos habilidades.

Existem três principais elementos de progressão: inibidores, pontos de habilidade e nível. Os inibidores permitem aumentar 20 pontos de saúde ou stamina ao juntar 3 destes itens. Os pontos de habilidade estão divididos em duas árvores, uma para combate e outra para parkour. Cada habilidade possui um valor de saúde ou stamina para poder ser desbloqueado e a experiência que recebem para obter estes pontos é ganho de forma passiva durante combates ou ao usar movimentos de parkour, assim como ao terminar missões principais e secundárias.

O vosso nível principal sobe ao desbloquearem um certo número de habilidades e afeta o valor do dano das armas que encontram e dos bónus que vêm nas armaduras. No geral, a progressão é muito mais rápida que no primeiro jogo, mas ainda assim é possível terminarem o jogo sem terem todos os upgrades desbloqueados, mesmo fazendo umas poucas missões secundárias pelo meio.

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O sistema de crafting está mais completo também e têm a possibilidade de criar imensas modificações para as armas, como efeitos de eletricidade, sangramento, chamas ou veneno que ativam quando causam dano critico ou usam um ataque pesado; podem usar uma modificação chamada Blast Mod que causa uma pequena explosão à vossa frente e causa dano de um destes elementos aos inimigos que vos atacam.

Existem imensos itens para criar como facas que podem lançar aos inimgos, granadas improvisadas, cocktail molotov, barras de UV para colocarem no chão caso a vossa imunidade esteja em baixo, medicamentos, entre muitos outros.

Devido ao facto de terem passado imensos anos desde os acontecimentos de Harran, não existem armas de fogo em Dying Light 2, uma vez que a cidade se encontra isolada e a munição acabou há muito tempo. A alternativa é usar arco ou uma besta e podem construir vários tipos de setas ou dardos. Existe ainda uma arma que permite disparar um único tiro antes de ser destruída, mas custa imensos recursos portanto devem guardar para ocasiões especiais.

O único sistema que não gostei assim tanto foi o de upgrades do vosso crafting. Cada esquemático pode ser melhorado nas lojas, permitindo que os itens que criam sejam melhores. Os medicamentos demoram menos tempo a curar e são mais eficazes, as vossas lockpicks são mais resistentes e podem forçar fechaduras de certas dificuldades, granadas dão mais dano e em mais área, entre outros.

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No entanto, os itens necessários para melhorar estes esquemáticos envolvem que matem imensos zombies, sendo necessário “farmá-los” para obterem a quantidade necessária em vez de algo que conseguem obter sem terem de se desviar muito do vosso caminho, como acontece em jogos como Far Cry por exemplo.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Dying Light 2 é um misto. Existem alturas do dia em que a luz do sol consegue tornar um cenário numa pintura bastante interessante. Durante a noite o cenário muda completamente e possui um aspeto pesado no qual as unicas fontes de luz são focos de incêndio espalhados pelas ruas e as ocasionais luzes UV que sinalizam os locais de refúgio.

O salto em relação ao primeiro jogo não é muito mas para quem tem gráficas de nova geração, existe a opção do Ray Tracing que introduz um realistmo adicional ao jogo.

A perspetiva em primeira pessoa continua incrivelmente imersiva, com o balançar da câmara em locais altos capaz de tornar cada salto em algo assustador, especialmente quando tentam escalar um dos edifícios mais altos. Mesmo quem não tem vertigens vai sentir um buraco no estômago de vez em quando.

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A performance está dividida em duas categorias: com e sem ray tracing. Sem ray tracing, mesmo a versão sem o update de dia 1 e drivers estava bastante bem otimizada. A minha RTX2080 Ti aguentou sem qualquer problema o jogo a 1440p com tudo ao máximo sem o ray tracing ligado e uma média de 90 fps.

Com Ray tracing ligado a conversa é outra. Sem upscaller e todas as opções ligadas, o frame rate cai para cerca das 40 FPS. Com DLSS em Performance, é possível atingir acima das 60 fps, mas o framerate é demasiado instável e sinceramente, não troco fluidez por melhores efeitos de luz e sombra.

A melhor combinação que encontrei foi com DLSS em Quality e o sharpening interno do jogo a 50%, sem ray tracing. Esta combinação permite uma qualidade de imagem muito próxima de 1440p nativos, mas com uma média de 120 fps em vez de 90 fps, o que significa um ganho de 33%.

A nível de som, a banda sonora é bastante boa. É daquelas que normalmente não notam mas quando entra naqueles momentos mais tensos vai elevar toda a situação. O voice acting de certos personagens é bom, mas da maioria dos personagens secundários deixa um bocado a desejar.

Uma das razões pela qual andar no escuro é tão intenso, é o som dos zombies e os gritos que dão quando vos detetam e imediatamente vos colocam em alerta. É quase impossível não acabarem a suar das mãos quando vêem as luzes de um refúgio à vossa frente e a única coisa que ouvem é a vossa respiração ofegante, os gritos de zombies que tentam a todo o custo arrancar-vos um bife e o tremer do baixo das vossas colunas devido à musica de fundo.

Conclusão

Pessoalmente, adorei Dying Light 2. Terminei a história e algumas das missões secundárias em cerca de 30 horas. A jogabilidade satisfatória e as mecânicas expandidas em relação ao primeiro jogo fazem deste título uma sequela digna e recompensa os 6 anos de espera.

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Graficamente não é um grande salto, mas a primeira versão sem o update de 1º dia está bastante polido e com poucos bugs, a história é muito mais dinâmica e oferece ao jogador mais opções de escolha. Ainda não tive oportunidade de jogar em modo cooperativo, mas se for como o primeiro jogo, é diversão garantida.

Muito se falou acerca das declarações sobre o jogo demorar 500 horas para terminar tudo. Com a quantidade de escolhas durante a história, colecionáveis para encontrar e missões secundárias para terminar, sinceramente acredito que não é completamente descabido.

Se gostaram do primeiro vão sem dúvida adorar este jogo. Se nunca jogaram nenhum deles, a edição completado primeiro jogo está frequentemente em promoção e depois joguem este. A Techland, sem dúvida, fez por merecer o apoio dos jogadores com a série Dying Light.

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