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Review do Resident Evil 7

Review dos Leitores3 Votes
66
Regresso ao Survival Horror
Vilões memoráveis
Atmosfera aterrorizante
Gameplay bem conseguido
Excelentes gráficos e performance
Personagem principal fraco
IA inimiga explorável
90

O regresso de Resident Evil ao horror, com uma nova perspetiva e personagens memoráveis

Resident Evil 7 é o regresso da série à boa forma por que foi conhecida. Após vários jogos dececionantes e spin-offs péssimos, a Capcom decidiu ouvir os fãs e, vendo o sucesso de outros títulos indie como Amnesia ou Outlast, levou novamente Resident Evil às suas raízes de horror.

Tal como os jogos acima, a Capcom optou por alterar totalmente o jogo, começando por utilizar um novo motor gráfico com perspetiva em 1ª pessoa, mas conseguiu manter todos os elementos que tornaram o jogo tão lendário, como os puzzles, corredores apertados, escassez de recursos e movimento lento.

American Horror Story

Em Resident Evil 7, vemos praticamente um reboot à série, inicialmente sem aparente ligação aos jogos anteriores, mas que se vai revelando com o tempo para que possamos entender o que realmente se passa na casa dos Bakers.

Neste título, jogamos com Ethan Winters que após receber um vídeo da sua esposa Mia, supostamente desaparecida à 3 anos, decide ir procurá-la. Acaba por descobrir que esta se encontra presa numa quinta no Louisiana, propriedade da família Baker.

RE7 Mia

Após aventurar-se na casa, Ethan rapidamente se encontra com Mia, apenas para ser atacado por ela devido a uma espécie de possessão que a afeta, tornando-a praticamente desfigurada e extremamente violenta.

Este confronto leva a que Ethan seja capturado pelo chefe da família Baker, Jack, que amavelmente o leva a jantar com o resto dos moradores da casa.

Os Baker, são o perfeito exemplo de uma família disfuncional, com o psicótico Jack, a sua mulher doida Marguerite, o seu filho sádico Lucas, uma velhota que parece morta numa cadeira, que não vamos revelar quem é e Zoe, a irmã de Mia que apenas quer fugir de casa e nos pede ajuda para o conseguir.

Ethan consegue fugir ao cativeiro e começa uma aventura de sobrevivência e horror, enquanto tenta salvar Mia e fugir dos Baker.

Uma família memorável

Os Baker são uma família memorável, com personalidades únicas que conseguem roçar a linha entre o terrivelmente psicótico e o hilariante.

baker family

Jack parece praticamente retirado de filmes como o Massacre no Texas, com o seu enorme corpo que nos persegue incansavelmente até o conseguirmos derrubar a tiro, apenas para voltar mais tarde com uma nova arma e completamente curado.

Marguerite consegue controlar os insetos mais nojentos que possam imaginar, assim como proteger-se com eles, pelo que apenas podem fugir dela e esperar que vá à vossa procura, para que a possam contornar.

Lucas é um homem sádico que adora prender as vítimas em jogos de morte, que lembram bastante os filmes SAW, enquanto goza connosco sempre que nos ferimos com as suas armadilhas.

Mia também é uma excelente personagem, especialmente pela forma como a sua personalidade altera de um segundo para o outro, lembrando praticamente aqueles personagens possuídos dos filmes de exorcistas.

Estes membros também servem de lutas de bosses, também essas bastante diferentes umas das outras, não existindo qualquer sensação de repetição entre elas.

VHS como missões secundárias

Ao longo do jogo, vão encontrando algumas cassetes de vídeo. Essas cassetes podem ser utilizadas nos vários leitores de VHS espalhados pela casa, que contam algumas situações prévias à vossa chegada à mansão dos Baker. Além de serem muito bem feitas, que praticamente lembram o filme Projeto Blair Witch, elas servem de ligação ao que vão fazer mais tarde, além de que ajudam a descobrir as localizações de certos itens e a resolver puzzles futuros.

RE7 VHS

É uma abordagem muito boa às missões secundárias.

Ethan é um personagem unidimensional

O personagem de Ethan acaba por sofrer um pouco, pelo menos se compararmos com os outros personagens do jogo, de unidimensionalidade.

Para começar, a sua personalidade não é muito convincente, especialmente em situações de maior tensão, nas quais não mostra praticamente emoções ou reações credíveis. Apesar de o seu objetivo ser escapar da casa, segue as instruções de Zoe como um pau mandado, sem se questionar se estará a cair numa armadilha.

A personagem de Zoe também não é muito forte, pois é possível fazer com que não escape da casa, sem qualquer consequência nem ato de vingança.

RE7 Jack

Pouca variedade de inimigos

Além dos Baker, enfrentamos uns inimigos chamados Molded, criados a partir de uma matéria preta que se encontra espalhada pela casa, que conseguem ser bastante bizarros e assustadores em determinadas alturas.

Infelizmente, só existem quatro variantes dos Molded, a versão básica, uma variante com uma espécie de escudo num dos braços, uma mais rápida que anda em 4 patas e outro que aparece duas ou três vezes no jogo e nos cospe um jato de vómito.

A Capcom podia ter incluído uma maior variedade de inimigos, por exemplo, outros humanos que fossem controlados já depois de mortos pela matéria negra, que traria um pouco de zombies ao jogo, inimigos voadores, entre outros.

Apesar de, no geral podermos derrotá-los com armas de fogo, a IA dos Molded é bastante fácil de explorar, especialmente se fecharmos portas que se encontrem no seu caminho. É uma decisão um pouco estranha por parte da Capcom, visto que os Baker não sofrem estes problemas.

RE7 molded 2

Inspiração no Resident Evil original

Apesar de o gameplay beber bastante de jogos como Alien Isolation, Amnesia ou Outlast, a maior inspiração de Resident Evil 7, vem do próprio jogo original, mais propriamente, a mansão Spencer.

Os corredores apertados com bastantes esquinas, o backtracking, as portas fechadas por chaves especiais, os puzzles que abrem caminhos escondidos, tudo isto lembra a mansão Spencer do Resident Evil original. Além disso, ao jogar em primeira pessoa, a sensação de claustrofobia é constante e nunca sabem o que estará atrás das portas ou do outro lado da esquina.

Além disso, estão de volta as salas de pânico, onde podem descansar, gravar o jogo e guardar os itens a mais do inventário na conhecida caixa. Fazer uma boa gestão do inventário é fulcral neste jogo e é frequente que andem para trás e para a frente a recolher ou depositar itens que não vão precisar.

O melhor de dois mundos

Resident Evil 7 apresenta o melhor de dois mundos, o terror de jogos como Outlast e a possibilidade de se defenderem dos inimigos que vos perseguem.

RE7 puzzle

Mas enganem-se se acham que o facto de poderem disparar contra os inimigos diminui a sensação de horror. Pelo contrário, cada bala que falham aumenta a tensão, especialmente se tiverem já poucos recursos convosco. Caso isso aconteça, têm sempre a hipótese de fugir para uma sala de pânico ou bloquear caminhos aos inimigos com portas.

O gameplay em si está muito bem conseguido. As armas sentem-se a cada disparo, com uma sensação de peso realista e os movimentos de Ethan são lentos, o que torna mais tensas as fugas. Desde o Doom de 2016 que não usava uma shotgun que desse tanta satisfação, como a de Resident Evil 7.

Duração de jogo dinâmica

A duração da campanha é algo bastante relativo em Resident Evil 7. Se por um lado é possível terminar a campanha em 5 horas no modo fácil, essa duração pode disparar para as 10 horas se tentarem desbloquear todos os colecionáveis do jogo.

Além disso, ainda existem zonas secretas e puzzles escondidos que podem encontrar, sendo que nenhum item é deixado ao acaso na mansão dos Baker.

Se jogarem em modo normal, o aumento de dificuldade pode acrescentar até 3 ou 4 horas à duração da campanha. Ao terminarem a campanha, desbloqueiam o modo Madhouse cuja dificuldade é, literalmente, de loucos.

Neste quesito, Resident Evil 7 lembra bastante o famoso jogo Gone Home. É um jogo que podem terminar muito rapidamente, mas se quiserem descobrir todos os segredos e vasculhar todos os cantos à casa, vão demorar muito mais tempo.

Resident Evil 7 molded

Gráficos, performance e áudio

O novo motor gráfico de Resident Evil 7 é um mimo para os olhos. Assente no novo RE Engine, o motor faz uso da técnica de fotogrametria para criar cenários extremamente detalhados. Além disso possui efeitos de luz muito bem conseguidos, que aliados ao áudio e banda sonora, levam a uma atmosfera simplesmente perfeita, que há muito não víamos num Resident Evil.

Como cereja no topo do bolo, a sua performance é extremamente estável. O jogo correu com tudo ao máximo no nosso PC com uma GTX 1060, 8GB de RAM e um i7 3770K, sempre a 60 FPS com praticamente nenhum soluço ao longo de toda a campanha.

Conclusões

Resident Evil 7 é um regresso àquilo que a série devia ter sido desde sempre, um Survival Horror. A Capcom fez uma aposta que podemos dizer, foi ganha e esperemos que a ligação feita no final do jogo aos títulos anteriores, seja indicativo que vem aí mais e melhor. Não reinventa a roda, mas o que faz, faz de forma exímia e extremamente bem conseguida.

 

 

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