Review – Devil May Cry 5

De chorar por mais

Excelente Regresso
A Capcom trouxe de volta a linha principal de Devil May Cry e todos os elementos que adorávamos nos jogos anteriores estão presentes nesta sequela. É um jogo altamente recomendado para fãs da série e de Hack N' Slash.
O bom
Gráficos altamente detalhados
Três estilos de jogabilidade refinada e hardcore
História e personagens interessantes
O mau
Posicionamento da câmara em certos níveis
Um ou outro pico de dificuldade
90

A série Devil May Cry é uma das pérolas da Capcom e com o reboot DMC a gerar enorme controvérsia, seria uma questão de tempo até voltarmos ao universo do Dante original.

Por isso, este novo Devil May Cry tem o número 5 à frente, pois é uma sequela direta de Devil May Cry 4 e conclui finalmente os eventos de Dante, Nero e companhia.

O reboot de DMC, apesar de ter uma jogabilidade de topo pecou bastante na parte da história e na forma como os personagens eram apresentados. Será que em Devil May Cry 5 conseguimos ter de volta todo o carisma a que a série nos habituou? Vejamos.

Trindade demoníaca

Em Devil May Cry 5 voltamos a acompanhar a história de Dante e Nero. Sendo uns anos após os acontecimentos de DMC4, vemos Nero com um estilo um pouco diferente, mais maduro mas igualmente badass.

Do outro lado, vemos Dante já com algumas rugas e barba branca, mas com a mesma atitude leviana de quem só quer comer piza, fazer trabalhos fáceis e destruir alguns demónios.

Além disso, é introduzido um novo e misterioso personagem chamado V, com um aspeto de gótico que faz lembrar um pouco o estilo usado no reboot DMC, mas com bastante carisma que é acompanhado por um pássaro bastante engraçado, que serve de comic relief para a história de V.

V contrata Dante para derrotar um demónio chamado Urizen, que está a tentar conquistar o submundo fazendo uso de uma planta gigante chamada Qliphoth, capaz de sugar sangue humano para se proliferar e aumentar o poder de Urizen.

O jogo inicia-se com Nero e Dante a enfrentar Urizen numa luta que dificilmente vão ganhar na primeira vez que jogarem.

Nero após ter sido atacado por Urizen vê o seu braço que possui o poder do Devil Bringer ser roubado e Dante tenta descobrir quem Urizen realmente é e o porquê de V dizer que este demónio é aquele que Dante sempre tentou caçar.

Sendo completamente derrotados, Nero e V fogem do Qliphoth e Dante é dado como morto. Agora Nero tem de conseguir obter poder suficiente para derrotar Urizen e V tem de descobrir uma forma de obter uma certa arma que possa ser usada para derrotar Urizen.

A forma como a campanha está estruturada é um pouco diferente dos Devil May Cry anteriores. Apesar de ainda ser divida em missões, existe uma linha temporal mais dinâmica, com a mesma a efetuar vários saltos para contar a história dos três personagens, em vez de ser como em Devil May Cry 4 onde primeiro passámos tudo com Nero e depois a história continuo com Dante.

Aqui existem algumas missões que até nos deixam escolher qual o personagem que queremos utilizar e introduz uma espécie de componente multijogador muito interessante, que nos permite ver outro jogador controlar o outro personagem e ver ao longe no cenário o que estão a fazer em tempo real.

Mais ou menos a meio do jogo, Dante volta e temos o trio completo.

A história possui sensivelmente 20 missões com vários segredos para descobrir, os desafios que já tinham aparecido em jogos anteriores e conferem grandes recompensas em troca de cumprirem um certo objetivo num determinado tempo.

A nível de qualidade, achei a história muito boa, com um nível de direção acima do que vimos nos jogos anteriores. Diria que é a melhor imediatamente a seguir a Devil May Cry 3.

Jogabilidade que nunca desilude

Apesar de possuir uma movimentação de personagens mais realista, a forma como os 3 lutam e fazem os seus combos quase faz lembrar os Devil May Cry da PS2. Os ataques são absolutamente precisos, as hitboxes são muito bem implementadas e o combate é, no geral, frenético e extremamente satisfatório.

Cada personagem possui uma jogabilidade completamente distinta dos demais.

 

Dante possui o estilo a que já estamos habituados, com os 4 estilos que podemos trocar durante o combate a oferecerem diferentes combos e estilo de jogo.

A quantidade de armas que Dante possui ao longo do jogo, oferece tanta profundidade ao combate que quase se torna impossível combinar todas elas e lembrar de todos os combos e sinergias possíveis.

Nero, para substituir o seu braço perdido possui agora uma prótese criada pela sua nova companheira Nico, que é descendente da armeira que criou as pistolas de Dante. Estes Devil Breakers possuem diversos poderes e juntamente com a espada e revolver de Nero introduzem uma profundidade incrível ao combate.

Estes Devil Breakers podem ser obtidos durante as missões ao serem apanhados do chão, ou comprados a Nico, sendo que alguns são bastante poderosos e conseguem auxiliar durante combates mais difíceis. No entanto, por alguma razão não podemos trocar entre os Devil Breakers sem os destruir, algo que achei uma pena, uma vez que oferecia uma camada de estratégia diferente.

V possui o combate mais simples, mas o mais peculiar. Fazendo uso dos seus familiares, V não participa propriamente nos combates, sendo que os botões que pressionam controlam os familiares e após causar bastante dano, os inimigos vão ficar num estado que permite a V dar o golpe final.

Ao ativarem o conhecido Devil Trigger, vão invocar um Golem gigante capaz de causar quantidades massivas de dano aos inimigos e bosses.

De volta está o sistema de estilo que permite ir de D até SSS dependendo da quantidade de golpes que conseguem infligir nos inimigos, mas também a variedade de armas que usam. Quanto maior o estilo ao fim do combate, mais esferas vermelhas recebem.

Estas esferas, tal como nos jogos anteriores, são usadas para comprar as habilidades e upgrades para os personagens. Apesar destas esferas serem partilhadas pelos três personagens, a estrutura de missões está bem pensada ao ponto de, se não usarem um personagem há muito tempo, a missão anterior será maior para poderem obter mais esferas e comprarem vários upgrades ao mesmo tempo.

Estas esferas podem ser compradas com dinheiro real, algo que foi bastante controverso, mas não existe uma loja dentro do jogo, as esferas são fáceis de obter se souberem jogar bem e o jogo só vos pergunta se querem comprar mais quando tentam obter um upgrade não tendo esferas suficientes.

Podem, portanto, jogar Devil May Cry 5 de uma ponta à outra sem sequer verem uma mensagem a perguntar se querem comprar esferas com dinheiro real.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Devil May Cry 5 faz uso do motor RE Engine, que a Capcom usou em Resident Evil 7 e Resident Evil 2 Remake.

É um motor capaz de uma qualidade gráfica incrível e estes três jogos são a prova do quão versátil é este motor, uma vez que permitiu criar um jogo em primeira pessoa, um survival horror em 3ª pessoa e um Hack N’ Slash, todos com um nível de detalhe incrível.

A nível de performance, tal como os anteriores jogos do RE Engine, Devil May Cry 5 está muito bem otimizado, com o jogo a correr frequentemente a 60 FPS na PS4 Pro, com muito poucas quedas de frames, permitindo uma fluidez que é obrigatória num jogo deste estilo.

A banda sonora mais uma vez está incrível, com cada um dos personagens a ter um estilo de música diferente durante os combates. A versão Deluxe também possui algumas músicas dos jogos anteriores que podem definir como música dos combates.

Conclusões

Devil May Cry 5 é um jogo fenomenal e um excelente regresso à linha principal da série. O jogo possui uma história interessante e conclusiva, com uma jogabilidade incrível que não fica atrás dos títulos anteriores e até em muitos aspetos, introduz mais elementos.

A versão Deluxe possui também uma opção para substituir as cinemáticas do jogo por videos de captura de movimentos atrás das cenas, com os atores reais que é provavelmente uma das melhores coisas que já vi num videojogo e só por isso vale o dinheiro que essa versão custa a mais.

A Capcom está a voltar a uma era dourada que só é possível após ter ouvido as reclamações dos fãs acerca da direção que estava a tomar. A prova disso é que Resident Evil e Devil May Cry voltaram à sua grande forma, e só em 2019 já lançou dois candidatos a jogo do ano.

 

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Final Score