Review – Days Gone

Deacon Out

O bom
Mundo aberto com muita variedade de locais
Hordas com centenas de zombies para combater
História com momentos muito bons
O mau
A cadência da história
Muitas missões filler
Upgrades requerem grind excessivo
70

Quando joguei Days Gone na Lisboa Games Week, as minhas impressões não foram lá muito positivas. O jogo copiava bastantes elementos de jogos como Last of Us, o que lhe retirava alguma identidade mas o pior eram os problemas técnicos que praguejavam a experiência desde áudio cortado, i de FPS ou até congelamento da imagem.

Se não fossem os trailers da história a aumentarem a antecipação, teria começado este jogo com as expectativas no absoluto mínimo, o que seria a primeira vez em muito tempo para um jogo First Party da PS4.

Felizmente, o jogo acabou por ser bem melhor do que estava a espera, apesar de ainda assim nem se aproximar de outros exclusivos da PS4 que foram lançados anteriormente.

Uma história de zombies diferente

Em Days Gone jogamos com o motard Deacon St. John, um nome muito bem escolhido considerando as conotações religiosas do mesmo, num mundo que é claramente um inferno.

O jogo tem lugar no estado do Oregon, uma escolha bastante interessante considerando que não é um dos locais mais comuns nos videojogos, mas foi uma boa oportunidade de mostrar algumas das paisagens típicas do estado onde se localiza o estúdio Bend, que desenvolveu este jogo.

Curiosamente, a presença dos zombies que causaram o fim do mundo é praticamente um elemento de fundo, uma vez que a história principal é a de Deacon, juntamente com o seu companheiro Boozer a tentar encontrar a sua mulher desaparecida, que durante muito tempo foi dada como morta.

Ao longo da história vamos encontrar diversas fações que vão desde amigáveis, como as que se encontram nos diversos acampamentos, até extremamente agressivas como os Rippers que veneram os zombies e torturam os inocentes até morrerem ou se juntarem ao seu grupo.

O principal problema da história é a cadência da mesma. Somos praticamente largados no meio dos acontecimentos, sem qualquer tipo de background e o jogo atira-nos uma data de nomes e siglas que não fazemos qualquer ideia do que significam.

Felizmente, acabamos por perceber o que é cada coisa mas a primeira secção do jogo é quase idêntica à de Last of Us, mas em vez de começarmos em casa, começamos logo no meio da cidade a fugir dos zombies.

Outro problema ao nível da estrutura, é a quantidade de missões filler que existem durante a missão. Isto é frequente na primeira parte do jogo quando têm de contribuir para os diversos acampamentos, mas principalmente problemático na 2ª parte, quando são literalmente o moço de recados e têm de encontrar materiais para criar dois tipos de armas contra os zombies.

Esta parte seria muito melhor se tivesse menos missões deste estilo e pudéssemos escolher para qual das armas iríamos contribuir.

As melhores partes da história são os flashbacks de Deacon com a namorada Sarah, onde se desenvolvem os personagens de cada um, assim como a relação entre os dois. Infelizmente existem algumas partes que ficaram por explorar e o resultado final é um pouco desapontante.

A história demora cerca de 25-30h a completar, dependendo do número de missões secundárias que façam.

Um jogo Ubificado?

O termo Ubificado é já bastante popular devido aos jogos de mundo aberto da Ubisoft, que introduzem bastante “busy work” e ícones no mapa, de forma a estender a duração do jogo.

Days Gone sofre bastante deste problema, principalmente devido ao loop de gameplay não ser muito variado e as missões serem bastante repetitivas, o que não ajuda a disfarçar esse loop.

As missões principais são bastante interessantes e divertidas, mas apenas constituem cerca de 20-30% (mais ou menos) do jogo. Todas as restantes missões possuem os mesmos objetivos, com o mesmo loop de gameplay vezes e vezes sem conta.

Por exemplo, existem missões nas quais temos de seguir furtivamente investigadores da NERO, uma empresa que tenta descobrir as causas e consequências do vírus que destruiu o mundo. Apesar de ser bastante interessante a história que está por detrás, as missões em si são relativamente aborrecidas.

Também existem outras que envolvem furtividade ou atacar campos de fações inimigas, mas acaba tudo por ser mais do mesmo. Nos trailers foram mostradas várias táticas que envolviam usar as hordas de zombies contra os inimigos, mas na realidade isso não é prático, uma vez que ou entram pelo lado errado do campo, ou podem simplesmente despachar os inimigos facilmente em vez de perderem tempo com alternativas rebuscadas.

A IA inimiga também não ajuda muito e é bastante fácil de explorar. Nas missões da NERO podem quase sprintar ao pé deles que não vos apanham, especialmente depois de desbloquearem a habilidade que reduz o som dos vossos passos.

A jogabilidade tem altos e baixos. As armas possuem grande impacto, mas os inimigos absorvem bastante dano se não acertarem na cabeça, caso contrario morrem com um tiro. No entanto, o sistema de recuo das armas e spread dos tiros é bastante impreciso e até desbloquearem as armas de nível alto, sendo um gunplay bastante maçador.

Existem três árvores de progressão à vossa escolha, que melhora as vossas capacidades de combater corpo-a-corpo, com armas de fogo ou habilidades de sobrevivência. No geral, a maioria das melhorias são notórias e tornam a jogabilidade mais interessante, especialmente ao atingirem o último escalão de cada árvore.

O pior elemento de jogabilidade são os elementos de crafting e sobrevivência. O jogo parece que não se quer decidir se é um jogo de sobrevivência ou de acção.

Por um lado, existem imensas munições e se forem sempre à cabeça nunca vos vai faltar. Por outro, o sistema de crafting consome muito mais materiais do que deve e as matérias primas faltam sempre nos locais onde deviam existir mais.

Isto nota-se mais nas localizações onde existem os ninhos de zombies que temos de destruir. Isto apenas pode ser feito com fogo, mas os materiais para criar molotovs são usados em quase todos os outros objetos, como os que recuperam a saúde. Isto significa que muitas vezes, não possuem molotovs suficientes para destruir estes ninhos.

Uma alternativa seria usar a besta com dardos incendiários, mas infelizmente a IA do jogo faz com que não compense usar esta arma, uma vez que podem matar os inimigos silenciosamente a curto alcance, ou se equiparem um silenciador, deixando o slot da besta para equipar uma sniper ou uma LMG.

O elemento que menos gostei foi o sistema de Stamina. Mesmo com o nível ao máximo, esta gasta-se extremamente depressa, sendo que é ainda mais agravado quando tentamos derrotar uma horda de zombies.

É extremamente frustrante quando estamos a conseguir seguir uma boa estratégia para derrotar centenas de zombies de uma vez, apenas para ficarmos sem Stamina e sermos apanhados e devorados instantaneamente. Este sistema tirou-me completamente o gosto por tentar derrotar hordas.

Outro problema é o facto de não existir um sistema que permita virar 180º para que possam atirar sobre os zombies e fugir de forma rápida, tornando ainda mais difícil combater as hordas.

Um dos elementos principais é a mota, mas os upgrades à mesma são bastante morosos, uma vez que estão ligados ao nível de confiança de certos acampamentos. Esta confiança é obtida ao passar missões, assim como entregar carne de animais caçados e bounties que obtemos ao derrotar zombies. O problema é que estes oferecem muito pouca confiança, mesmo ao entregarem centenas depois de derrotarem uma horda.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Days Gone é bastante bom. No geral, as paisagens e ambientes são soberbos e existem certas horas do dia que a iluminação torna os locais em algo incrível. No entanto, existem certas texturas de baixíssima definição, mesmo na PS4 Pro, que se notam mais em objetos ao perto, como nas roupas dos personagens.

Mesmo com vários updates, ainda são frequentes bugs muito maus, como localizações inteiras que não aparecem no ecrã, pontes que não aparecem e impedem a progressão, árvores que não fazem render e aparecem como modelos de baixa definição ao nível da PS1, etc.

A performance é muito melhor que aquela que experimentei na demo, mas ainda existem muitas quedas de FPS, especialmente na 2ª metade do mapa e em zonas com muita neve.

O voice acting do jogo e banda sonora tem os seus momentos, especialmente nas missões principais, apesar de sofrer uma queda de qualidade nas missões secundárias e nos eventos que ocorrem no mundo de jogo.

Conclusão

Days Gone é um jogo bastante melhor que o que fazia parecer. A história é boa, apesar de cheia de filler que estraga a cadência.

As primeiras 10 horas de jogo são bastante chatas e a forma como a história é contada não é muito boa, mas na 2ª metade a história fica muito mais interessante, apesar das missões menos originais.

O mundo aberto é bastante bom e detalhado, mas não havia necessidade de Days Gone ser um jogo de mundo aberto, quando isto apenas introduz filler e padding para aumentar a duração do jogo de forma artificial. Seria preferível uma história com a estrutura de Last of Us, mas com zonas maiores para explorar tornando-o ligeiramente menos linear.

 

 

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Final Score