cyberpunk cover

Review Cyberpunk 2077 – Provavelmente um dos melhores jogos da geração… daqui a uns anos

Review dos Leitores0 Votes
0
O Melhor
Excelente escrita e voice acting
Bons elementos RPG
Excelentes gráficos
O Pior
Completamente infestado de bugs, alguns capazes de impedir o progresso
IA artificial do pior que já se viu
80
Versão de PC
Cyberpunk 2077 capa

Cyberpunk 2077

Kinguin Logo

Dizer que Cyberpunk 2077 foi um dos jogos mais esperados da última década não é, definitivamente, um exagero. As expectativas para este jogo estavam facilmente ao nível do que seria de esperar para um título como Half Life 3 e muito dificilmente seriam cumpridas.

Após sucessivos adiamentos, finalmente pudemos jogar este jogo tão esperado e os resultados têm tanto de incrível como de desapontante. Mas vejamos mais em detalhe.

Uma sociedade controlada pelas corporações

O género cyberpunk sempre foi muito crítico acerca do papel que as grandes corporações têm na sociedade e na forma como as controlam. Cyberpunk 2077 não é diferente e leva-nos até à mega cidade Night City, situada no Norte da Califórnia e rodeada por desertos.

Tal como é habitual neste género, a Night City possui várias zonas distintas que vão desde blocos de apartamentos gigantes a favelas, enormes torres com publicidades em holograma ou neon, com enorme densidade de população a zonas industriais e ruinas, passando pelo deserto com zonas onde é depositado todo o entulho largado pela cidade.

Cyberpunk 4

A variedade de cenários é realmente incrível e faz de Night City uma cidade incrivelmente densa e mesmo que a sua área não seja tão extensa como as de outros jogos, a verticalidade e detalhes mais do que compensam a área mais reduzida.

Night City é uma cidade constantemente a implodir. Guerras entre corporações e companhias militares, policia e gangues sempre aos tiros no meio das ruas colocam a cidade a ferro e fogo e a forma como conseguem interagir com estes acontecimentos é bastante interessante (falaremos mais à frente).

A sociedade também se encontra altamente desfigurada, com a dependência da robótica e implantes cibernéticos a moldarem os corpos e as mentes dos cidadãos.

Os 3 caminhos para as grandes ligas

Em Cyberpunk 2077 encarnam o papel do personagem V e podem escolher um de três caminhos: Nomad, Street Kid e Corpo. Pessoalmente, escolhi Corpo e a primeira missão é diferente dependendo da vossa escolha.

Qualquer que seja, essa missão vai acabar mal e vão ter um timeskip que mostra a vossa ascensão enquanto mercenários, levando a que sejam contactados pelo Fixer Dexter DeShawn.

Os Fixers são “empresários” que vos contratam para certos trabalhos e Dexter contrata-vos para roubarem um certo chip que se encontra num hotel controlado pela companhia Arasaka, possivelmente a mais poderosa do mundo.

Cyberpunk 2

No entanto, a missão corre horrivelmente mal e V é obrigado a colocar o chip no seu próprio corpo, tornando-o “possuído” por Johnny Silverhand, interpretado por Keanu Reeves e um ícone do rock n’ roll conhecido por tentar destruir a companhia Arasaka no passado.

Johnny é um personagem incrivelmente bem feito e os diálogos com ele nunca enjoam. Aliás, esta é uma das melhores coisas que o jogo tem: a escrita e o voice acting.

Apesar de ser possível saltar os diálogos, mesmo em missões secundárias nunca saltei (a não ser que por engano escolhesse a mesma opção duas vezes) uma fala, pois é frequente explicarem lore ou backstories que são bastante interessantes e ajudam a entender melhor o mundo de jogo.

A história demora cerca de 15-20h a terminar mas ainda vão ter uma quantidade quase ridícula de missões secundárias para completar. Algumas destas permitem até desbloquear alguns dos finais possíveis, portanto vale sempre a pena fazê-las.

Excelente progressão, mas podia ser mais equilibrada

Existem dois tipos de progressão principais: níveis e street cred. Os níveis, obviamente, aumentam com a experiência ganha ao derrotarem inimigos ou cumprirem objetivos. A street cred é a vossa reputação nas ruas e aumenta ao derrotarem inimigos, ajudarem a polícia enquanto lutam com gangues ou ao derrotar criminosos procurados.

cyberpunk skills

Sempre que sobem de nível, recebem um ponto de atributo e um ponto de skill. Os pontos de atributo permitem aumentar os vossos atributos principais como Reflexos, corpo, frieza, inteligência, entre outros.

Cada atributo aumenta várias das vossas estatísticas, mas também permite adquirir novas habilidades. Por exemplo, se quiserem focar em pistolas, têm de colocar pontos em Reflexos. Mas se quiserem ser tanques com muita vida e stamina, têm de desbloquear esses bónus com pontos em Corpo.

Ao jogarem de uma certa forma, vão também subir os níveis desse estilo. Por exemplo, quanto mais correrem, mais vão subir o nível de atlético, quanto mais jogarem em modo furtivo, mais vão subir o seu nível. Isto funciona um pouco como a progressão nos Elder Scrolls e cada nível introduz um bónus ou recompensa-vos com um ponto de skill.

No entanto, sinto que não existem incentivos suficientes para jogar de forma que não seja ou furtiva, ou agressiva. O que quero dizer com isto?

Cyberpunk 6

As missões e o design dos níveis permitem que consigam abordá-las de múltiplas formas. Pensem na forma como os últimos Deus Ex funcionam.

Podem passar as missões de forma furtiva, não letal, utilizando os vossos hacks ou podem simplesmente entrar a matar. No entanto, as abordagens mais subtis como fazer hack a um computador, que vai permitir que leiam algum detalhe acerca de um personagem que depois podem confrontar e evitar um conflito que vai levar à sua morte, simplesmente não tem grande incentivo quando podem simplesmente chegar lá, meter uma bala na cabeça e o pior que recebem é uma reprimenda do vosso Fixer que diz que podiam ter feito as coisas de outra forma.

Podem meter alguns pontos em atributos como inteligência ou tecnologia, que permitem abrir certos atalhos que evitam passar por vários inimigos, mas skills, acho que não vale tanto a pena gastar nesses campos.

Por acidente, ou talvez porque é um estilo que gosto de usar neste tipo de jogos, descobri que colocar pontos em pistolas e furtividade é absolutamente melhor que qualquer outro estilo de jogo.

Cyberpunk 3

A quantidade de bónus de dano e critical hit chance/damage que conseguem acumular fazem com que revolveres com silenciador sejam as melhores armas do jogo. Possuem alcance enorme e conseguem matar qualquer inimigo, mesmo a grandes distâncias, com um headshot (com o equipamento certo até conseguem matar uns 2-3 que estejam ao pé uns dos outros).

As armas e armaduras possuem raridades e com elas, podem equipar mais mods ou têm mais atributos que tornam esse equipamento ainda mais potente. Também podem fazer upgrades, se bem que é bastante complicado obter os materiais necessários, especialmente para raridades maiores, pelo que devem evitar fazer isto até atingirem os últimos níveis.

Também podem equipar Cyberwares, que são o equivalente aos Augments de Deus Ex e permitem modificar o vosso corpo. Podem desbloquear salto duplo ou saltar mais alto após alguns segundos de carregamento, tornar certas armas na smart gun do Titanfall (por acaso têm o mesmo nome em Cyberpunk 2077), fazer com que as vossas armas disparem de forma não letal, aumentar a quantidade de stamina que têm, reviver-vos quando morrem, entre muitos outros.

Estes Cyberwares também possuem raridades e alguns são estupidamente caros e requerem altos níveis de street cred, mas os bónus que conferem são igualmente poderosos. Um deles revive-vos com a vida toda se morrerem e possui um cooldown de 2 minutos, que pode ser reduzido com certos bónus, tornando-vos virtualmente imortais.

Cyberbug 2077

Agora a pior parte de Cyberpunk 2077: os bugs. É comum em jogos de mundo aberto virem alguns bugs. Mas a quantidade presente em Cyberpunk 2077 é um nível de mau que não deveria estar presente num jogo que foi adiado tantas vezes e este em desenvolvimento durante tanto tempo.

Antes de mais, eu não sofri tanto como algumas das pessoas que tenho visto no youtube, mas mesmo assim apanhei bugs que me obrigaram a recarregar o último save por 2-3 vezes.

Tirando isso, os principais bugs que apanhei foram coisas como elementos do cenário que não aparecem, como postes dos semáforos, fazendo com que estes fiquem a flutuar, carros com a parte da frente enfiada na estada (sinceramente já vi isso acontecer na vida real, portanto nem considero tanto como um bug), o cabo que usam para ligar a computadores não aparece, armas que não aparecem ficando o vosso personagem a segurar uma arma invisível, um bug altamente parvo que faz com que quando tento entrar por uma janela, o meu personagem é catapultado 200 metros para trás, o carro do nada bater num objeto invisível que o atira para os céus, inimigos que detetam corpos mortos mesmo estando completamente escondidos, etc., etc., etc.

O pior de todos é a IA. A dos inimigos não é brilhante, a dos pedestres é má e se tentarem agredir algum, por vezes desaparecem todos os que estão à volta. A polícia é um caso digno de estudo. A sua IA é provavelmente a pior que já vi num jogo.

Para começar, se matarem alguém que não devem, mesmo que estejam num local isolado e sem testemunhas, ficam imediatamente procurados pela polícia. Por vezes, se os ajudarem a matar um gangue que os está a atacar, eles recompensam-vos começando aos tiros contra vocês.

Se já jogaram GTA, estarem procurados pela polícia geralmente implica perseguições em automóveis para fugir de carros da polícia, helicópteros, etc. Em Cyberpunk 2077 a tecnologia chegou a um ponto em que isso não é preciso. Os polícias simplesmente teleportam-se para trás de vocês (ou mesmo à vossa frente) e disparam com a precisão de um aimbot. Mesmo que resistam, ao fim de algum tempo simplesmente disparam contra vocês e morrem com um único tiro.

cyberpunk 1

Se estiverem de carro, é ainda mais fácil lidar com eles, Após alguns spawns no passeio à vossa frente, mesmo que tenham o máximo de estrelas de procurado, eles vão simplesmente desistir e nunca vão atrás de vocês de carro.

A IA da polícia é provavelmente um dos bugs que é mais urgente corrigirem, pois quebra a imersão por completo.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Cyberpunk 2077 é um jogo incrível, como já seria de esperar, pelo menos no PC. A cidade densa e altamente detalhada leva a uma imersão que muito poucos jogos conseguem atingir.

Apesar do efeito que tem a nível de performance, jogar com Ray Tracing facilita em muito a imersão, especialmente no que toca aos reflexos, uma vez que estes se comportam de forma realista e de acordo com o que o vosso cérebro espera que aconteça, algo que simplesmente não acontece com Screen Space Reflection (SSR).

A performance podia ser muito melhor, mesmo com ray tracing e notei que existem certos comportamentos estranhos com o jogo. Por exemplo, não noto diferença entre jogar com RT Lighting em Ultra ou Medium sendo que a diferença está na complexidade da iluminação que é introduzida e devia ter um impacto maior do que o que estou a ver.

Outro problema é o DLSS. Não noto praticamente diferença de performance entre os modos, apesar da imagem ficar mais desfocada, o que significa que o render interno está a uma resolução mais baixa e portanto o DLSS está a reconstruir a imagem como deve, mas isso devia ter impacto na performance e na verdade isso não se verifica.

Outra coisa que tentei foi dar um ligeiro OC ao CPU e gráfica e também aí não se nota grande diferença. A nível de valores, tirando naquelas zonas mais densas perto do vosso apartamento, o valor mais baixo que notei foi cerca de 45 FPS, sendo na maioria do tempo as FPS flutuam entre 70-100, portanto acaba por nem ter grande impacto a nível de jogabilidade. Mesmo as maiores quedas que tive foram durante a condução e nas zonas mais intensas que mencionei.

O jogo possui ainda Photo Mode, mas sinceramente achei-o bastante limitado, pelo menos comparado ao melhor que usei até agora, o de Ghost of Tsushima.

O PC em que testei o jogo inclui uma RTX 2080 TI, um Intel i7 9700K, 32GB de RAM a 3200MHz e o jogo encontra-se instalado num SSD M.2 Crucial P1 com 1900MB/s de leitura.

A banda sonora do jogo também é excelente, com várias rádios disponíveis enquanto conduzem e, como disse, voice acting excecional que não se fica apenas pelas missões principais, tendo a mesma qualidade nas missões secundárias como já tinha acontecido com The Witcher 3.

Conclusões

Cyberpunk 2077 é um jogo muito bom. Possui uma história intrigante, com excelente escrita e voice acting excecional. A progressão e elementos RPG estão bem feitos, mesmo que alguns dos caminhos precisem de ser mais equilibrados. No geral, as bases são incrivelmente sólidas.

No entanto, o jogo é completamente praguejado de bugs que destroem a imersão do jogador, alguns destes impedem progressão e a performance tem de ser muito melhorada, especialmente nas consolas base da última geração, nas quais o jogo é completamente injogável.

A minha experiência com este jogo não sofreu tanto com os bugs como a de outras pessoas mas acredito que com os updates certos, este jogo se vá tornar num dos jogos de maior qualidade desta geração.

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Design
Ecrã
Performance
Autonomia
Autonomia e alcance
Câmaras
Ecossistema
Qualidade/Preço
Ergonomia
Audio
Micrófono
Personalização
Video
Fotografia
Conectividade
Final Score