Crash 4 cover

Review Crash Bandicoot 4: It’s About Time

O Melhor
Capaz de ser acessível e desafiante
Introduz novas mecânicas em cada nível
Boa quantidade de conteúdo para desbloquear
O Pior
Alguns problemas de câmara
Mau posicionamento de alguns checkpoints
80

O subtítulo do novo Crash Bandicoot 4: It’s About Time pode ter dois significados: “Já não era sem tempo” ou “É sobre o tempo” e, nas palavras do lendário Walter White:

Crash Bandicoot 4 é o regresso a um período em que os jogos eram mais simples, no qual podíamos começar um jogo e não somos imediatamente assolados por dezenas de menus com novidades, novos itens para comprar na loja, etc, etc.

Mas enganem-se se acham que Crash Bandicoot 4 é apenas uma viagem nostálgica, porque o estúdio Toys for Bob conseguiu um excelente equilíbrio entre o Crash clássico e elementos mais modernos num jogo que consegue ser bastante acessível e incrivelmente desafiante.

Viagem no tempo

A história, na minha opinião, nunca foi o principal motivador para jogar Crash Bandicoot. Diria que é mais um catalisador para criar níveis extremamente divertidos e com personalidade.

Em Crash Bandicoot 4, o Dr Cortex, N. Tropy e Uka Uka unem-se e criam um rasgo dimensional que faz com que os vários universos e linhas temporais se comecem a mistrurar.

Crash e Coco vão ser atirados para vários “hubs” em várias épocas que incluem uma cidade futurista, uma ilha pré-histórica, uma ilha com piratas, uma nave espacial, etc.

Uma das principais adições a este título são as Quantum Masks que alteram significativamente o estilo de jogo e o design dos mapas.

crash 4 1

Estas máscaras permitem parar o tempo, inverter a gravidade, alterar entre dimensões e transformar Crash num Beyblade (ou no Tasmanian Devil se preferirem) que consegue saltar mais alto e destruir certos objetos que normalmente não conseguem.

A forma como estes poderes são introduzidos está muito bem feita, uma vez que vai aumentando gradualmente a dificuldade ao longo dos mundos, fazendo com que cada um se sinta completamente distinto dos anteriores, uma vez que o design dos níveis está adaptado a cada máscara.

Eventualmente, o jogo começa a misturar os poderes e os últimos níveis são absolutamente diabólicos, obrigando-vos a trocar de máscara várias vezes seguidas o que requer uma concentração bem acima do normal e aposto que muita gente comprou suplementos “gamer” de propósito para este jogo.

Em cada nível morri cerca de 20-30 vezes, excepto no penúltimo que precisei de morrer mais de 100 vezes para o terminar. A secção mesmo antes do fim foi o mais próximo que já tive de atirar o comando à parede e devo ter morrido mais de metade das vezes aí. É uma secção na qual o mínimo erro é imperdoável.

Felizmente, existem dois modos de jogo: um clássico e um moderno. No clássico existe um limite de vidas, que podem aumentar apanhando as Wumpa Fruits e caso percam todas as vidas, têm de recomeçar o nível. No modo moderno, não existe um limite de vidas, sendo que apenas têm um contador de morte e sempre que morrem, regressam ao último checkpoint.

Existe uma funcionalidade bastante boa que cria checkpoints entre outros dois checkpoints caso vocês morram várias vezes seguidas numa certa secção. Isto ajuda bastante a colmatar uma das principais falhas que é o posicionamento dos checkpoints.

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Existem secções bastante fáceis que têm checkpoints bastante próximos e outras bastante difíceis com checkpoints tão longe uns dos outros que simplesmente não fazem sentido.

Se forem como eu e tiverem má perceção 3D, é bastante frustrante chegar ao fim de uma destas secções e falhar um salto porque a câmara está ligeiramente na diagonal e serem obrigados a voltar aquele caminho todo para trás.

Aliás, a câmara foi uma das coisas que menos gostei, parece que está muitas numa posição estranha, ora muito acima, ora muito abaixo e mesmo em secções “supostamente” em 2D, ainda podem andar na diagonal, fazendo com que falhem alguns saltos sem perceberem bem como. De qualquer forma, também pode ser mesmo um problema meu e quando jogarem não vos vai fazer confusão.

Ao longo da campanha, vão poder jogar inclusive com outros personagens como Cortex, Tawna ou Dingodile, cada um com um estilo de jogabilidade completamente diferente dos outros, mas sinceramente não gostei muito dos níveis deles.

Os níveis de Cortex requerem demasiados tiros precisos com a sua arma, algo que não é verdadeiramente possível pelo menos de forma consistente, quando metade desses níveis contêm plataformas que caem um ou dois segundos após tocarem nelas. Devia ter um sistema de auto aim para tornar a jogabilidade mais fluida e consistente.

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Tawna possui um gancho que a permite atravessar plataformas estilo Spiderman. Este sistema é bastante inconsistente uma vez que o “prompt” para o usarem é demasiado pequeno no ecrã e nem sempre funciona bem, levando a quedas para a morte.

Dingodile usa um aspirador que permite absorver caixas fora de alcance e caixas TNT para depois atirar nos inimigos. Infelizmente sofre do mesmo problema de Cortex neste sentido, uma vez que é complicado apontar de forma precisa. No entanto é o menos frustrante dos três.

Podem terminar a campanha em cerca de 8-10 horas sem qualquer problema. No entanto, ainda existem os níveis invertidos que reduz a visibilidade e torna as cores completamente diferentes, fazendo lembrar a visão do Daredevil no filme da Marvel. Ainda têm as timelines que são variações de certos níveis nos quais jogam também com um dos outros personagens e tentam ajudar Crash na sua aventura. Por fim ainda existem os níveis das cassetes do Cortex, que se passam antes do jogo original e mostram as experiências que a que Crash foi submetido.

Além disso, ainda skins que podem desbloquear ao atingir certos objetivos como apanhar todas as caixas e frutas, morrer menos de 3 vezes nos níveis e passar a versão time trial. O conteúdo neste jogo é fantástico e se quiserem platinar o jogo vão ter de sofrer muito para o conseguir.

Gráficos, Performance e Som

Graficamente, Crash Bandicoot 4 não é um colosso, mas possui aquela arte clássica e já intemporal que caracteriza a série. Na minha opinião nunca foi o foco do jogo e sem dúvida não o é neste título. No entanto não é um jogo feio, muito longe disso.

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A performance sim, faz todo o sentido que haja um maior foco e neste caso temos 60 fps constantes (pelo menos não notei quedas). Isto é o mínimo obrigatório para uma boa experiência, especialmente num jogo de plataformas e a PS4 Pro cumpriu sem problemas.

A nível de som, a banda sonora é bastante boa mesmo, com aquele estilo clássico a que já fomos habituados.

Conclusões

Brutalmente acessível e brutalmente difícil, Crash Bandicoot 4 é um excelente regresso às origens da série que consegue modernizar o design dos níveis e as mecânicas, mantendo o estilo clássico que caracteriza a série.

É um jogo obrigatório para fãs de Crash Bandicoot ou de jogos de plataformas em geral e a relação valor/conteúdo é bastante boa.

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Final Score