Acer Predator X35, Review em Português

O FUTURO DOS MONITORES ESTÁ AQUI
O Acer Predator X35 foi apresentado na IFA 2017 e atraiu todas as atenções devido ao grande número de novas tecnologias que reunia. Demorou 2 anos para chegar ao mercado, mas continua a ser um dos monitores mais importantes que existem, combinando iluminação HDR1000, FALD, G-Sync Ultimate, taxa de atualização de 200Hz, 10 bits de cor e Quantum Dots.
Design
80
Conectividade
80
Ecrã
95
Funcionalidades
98
OSD
80
O bom
Experiência HDR quase perfeita
Iluminação de 512 zonas e até 1000 nits
Máxima fluidez com 200Hz e G-Sync
Inclui Freesync 2
Calibração bastante ajustada
O mau
Base excessivamente larga (35 cm)
Conectividade algo limitada
O preço é proibitivo
87
Recomendado

Hoje temos um dos monitores mais poderosos (e caros) em cena. Uma fera de 35” com G-Sync e taxa de atualização de até 200Hz que fará as delícias dos gamers mais exigentes, o Acer Predator X35. Trata-se, sem dúvida, de uma exibição de características únicas que em 2020 iremos, finalmente, descobrir se se irão tornar populares, como é exemplo disso a iluminação dinâmica de 512 zonas.

Características e Unboxing

PainelAMVA de 10bits dA AU Optronics
ResoluçãoWQHD – 3440×1440 (106.5dpi)
Cor100%sRGB (90% DCI P3)
Brilho600nits (1000nits máximo)
HDRHDR1000 – HDR10
Contraste2500:1 (sensor de luminosidad)
Local DimmingFALD (Full Array Local Dimming) de 512 zonas
Frequência200Hz ( 24-200Hz G-Sync)
Altavoces2 x 4 W
Predator X35 Unboxing4

O monitor chegou numa caixa de enormes dimensões. O facto é que vem com a base já montada e protegida com duas grandes peças de esferovite. A destacar que a caixa pode ser aberta a partir da lateral para facilitar o acesso ao monitor, algo a agradecer em monitores de grande formato.

Além do monitor, encontramos os manuais, um cabo HDMI 2.0, um DisplayPort 1.4, cabo USB downstream e um adaptador para suporte VESA 100x100mm. O carregador de energia é externo, o que favorece a que o monitor não aqueça quase nada, mesmo após longas horas de trabalho ou lazer.

Design e base

A Acer continua com uma linha agressiva, mas sem estridências, como pudemos ver na review do Acer NITRO XV273K. A empresa repete a utilização de plásticos em preto mate, superfícies que imitam alumínio escovado, pernas metálicas e nas costas uma série de “brânquias” que contam com iluminação.

Predator X35 trasera

A base mudou completamente em relação ao protótipo X35 apresentado na IFA 2017. Contamos com duas pernas na parte frontal e um apoio traseiro em forma de U que pode ser interessante para fazer passar cabos ou prender o monitor à mesa com um grampo para assim evitar que se mova.

A base é muito grande, fazendo com o ecrã avance uns 35 cm, o que pode ser um problema se a nossa mesa não for muito larga. No meu caso, a mesa tem 80 cm de profundidade ficando quase reduzida a metade, tendo que colocar o teclado e o rato quase sob o monitor.

Predator X35 Peana atrás

Os controlos de navegação dispostos na lateral inferior direita são de fácil acesso. Como sempre na Acer, funcionam e bem e agradecem-se os 4 botões auxiliares, que servem para facilitar a navegação e efetuar ajustes rápidos.

Conectividade

A conectividade está bem integrada, embora, como na maioria dos monitores G-Sync, tenhamos apenas 1 HDMI 2.0 e 1 DisplayPort 1.4. Contamos ainda com 3 USB 3.0 para que possamos conectar os nossos periféricos diretamente ao monitor e, assim, simplificar a organização dos cabos no nosso escritório.

Predator X35 conectividad

O monitor carece de PiP (Picture In Picture) e PbP (Picture by Picture), portanto, ter mais conectividade também não é muito importante… embora seja algo que a maioria das pessoas não use diariamente, é sempre interessante contar com essas opções.

Ecrã

A tela é, sem dúvida, o fator diferencial deste monitor. Temos aqui uma série de tecnologias de realce que vou tentar explicar uma de cada vez para terem uma ideia de como funcionam. O painel é um AMVA de 35” fabricado pela AU Optronics com resolução de 3440 x 1440 e uma curvatura de 1800R que produz uma enorme sensação de imersão, sobretudo em shooters e jogos de corridas.

Full Array Local Dimming e Quantum Dots

O painel conta com 512 zonas que se iluminam de forma totalmente independente. Isto permite-nos ter enormes contrastes entre zonas iluminadas e escuras, além de cores pretas mais puras. A isto soma-se a tecnologia Quantum Dots que nos permite ter cores realmente vibrantes, embora, neste caso, a implementação não seja muito agressiva, não superando os 100% sRGB como é habitual em monitores com painéis Samsung.

Não há o menor rasto de bleeding. Tanto que não faz sentido colocar a habitual animação da ISO, porque mesmo aumentando os tempos de exposição com a ISO 6400, não vemos sinais de bleeding ou falta de uniformidade na retroiluminação.

O brilho do monitor é tal que tivemos que alterar os parâmetros de teste e aumentar no Resident Evil, passando dos habituais 1/70s para 1/250s. É impressionante.

HRD1000

A principal consequência do Local Dimming é que temos um monitor capaz de alcançar (finalmente) os 1000nits de brilho máximo necessários para uma boa representação do padrão HDR10. Portanto, quando ativarmos o modo HDR em jogos ou no Windows, a representação de cores será quase perfeita.

Predator X35 HDR1000

E só não digo perfeita porque o DCI P3 permanece em 90%, não atingindo os 100% que é o standard do HDR10. Nem isto é algo sobre o qual nos devamos preocupar. Desfrutemos da melhor experiência HDR que podemos encontrar num monitor, o que não é uma coisa pequena.

Obviamente, o Windows fará truques connosco com o HDR ativado, como escurecer alguns programas com fundo branco. No meu caso, durante o dia, geralmente desativo o HDR durante o horário de trabalho. Durante a tarde e à noite torno a ativá-lo para reproduzir ou assistir a vídeos. Infelizmente, não é compatível com o Acer Display Widget e não tem nenhum programa que permita alterar o modo de imagem em função do conteúdo.

G-Sync Ultrame e 200Hz

Nos jogos, a experiência é uma delícia. Temos uma resolução de 3440 x 1440 com sincronização G-Sync Ultimate, que nos permite alcançar 200Hz e continuar a desfrutar do HDR com os nossos gráficos NVIDIA com sincronização perfeita. E, no caso de terem uma gráfica AMD, também funciona com FreeSync e HDR simultaneamente, como se fosse um monitor FreeSync 2.

Atingir os 200fps será complicado, necessitaremos de uma gráfica muito potente como a RTX2080ti. No entanto, com gráficas de gama média como a RTX2070 ou RX5700XT poderemos desfrutar de 80-120fps na maioria dos jogos baixando um pouco as configurações ou usando uma resolução algo inferior e que o monitor interpole em 3440 x 1440 nativos.

SDR Variable Backlight

Talvez uma das opções mais interessantes do monitor, mas daquelas que passarão despercebidas. Esta opção permite-nos usar o Local Dimming em conteúdo não HDR. Normalmente, as informações de brilho de cada pixel / zona são codificados nos metadados HDR.

No conteúdo não HDR, o monitor é o responsável pela interpretação da imagem e pela aplicação da iluminação zonal. E faz isso muito bem, diferenciando entre conteúdos HDR e conteúdos HD com esta opção ativada.

Na animação, vemos como, em cenas escuras, os pretos com SDR Variable Backlight ativados ficam mesmo muito mais profundos, enquanto a desativação faz com que estas cores se tornem azúis escuros, mesmo com tons de roxo.

Gaming e Multimédia

Como já vimos, este é um dos melhores monitores de gaming do momento, sobretudo porque não tem nenhum ponto fraco. Bons tempos de resposta (4ms GtG, com Overdrive 2ms), sem problemas de bleeding graças ao Local Dimming, um HDR que funciona de maneira surpreendente, frequência de 200Hz, sincronização G-Sync… não podemos pedir mais neste aspeto.

Predator X35 HDR compare 1

Nas fotos podemos verificar um dos mapas mais espetaculares de Battlefield 1 e como a imagem muda ao ativar o HDR10 no jogo. As cenas tornam-se sombrias e dramáticas, tanto que desligá-lo parece que faz surgir a luz do dia. Se não te importares em ter uns pontos a menos, vale a pena ativá-lo para desfrutar dos jogos de guerra.

Predator X35 HDR compare 2

Contamos com 3 modos específicos para gaming (ação, aventura e desporto), que como em outros monitores Acer são personalizáveis, pelo que podemos ter os nossos presets favoritos guardados e aceder rapidamente a eles. Também contamos com os tradicionais “crosshair” para fixar a mira no centro do ecrã, muito úteis em shooters competitivos do tipo CS:GO, já que nos permitem poupar umas décimas de segundo fundamentais.

Para consumo de multimédia também é ideal, sobretudo na visualização de filmes sem as tradicionais faixas pretas. Mesmo se assistirem a séries em formato 16:9, as faixas pretas são tão profundas que não irão distrair como noutros monitores ultrawide.

Em muitos casos, pode ser até interessante assistir a conteúdo no formato 4K e usar alguma extensão do Chrome como “Ultrawide Video” para ver séries (ou YouTube) em 21:9. Com a opção de “crop” é possível cortar parte da imagem em cima e em baixo.

Produtividade e Multitarefas

Como bom monitor ultrawide, a possibilidade de multitarefas é um ponto a destacar. A grande quantidade de espaço extra permite-nos trabalhar em tela dividida com várias janelas abertas ao mesmo tempo. Perdemos os modos PiP e PbP como comentámos no início…, mas estamos perante um monitor fundamentalmente de gaming. A grande curvatura requer habituação a início, mas passados alguns dias já estamos acostumados, sem qualquer problema.

A calibração de cor de fábrica é bastante precisa, mas é recomendável fazer uma calibração mais afinada caso nos dediquemos a tarefas de design ou edição de fotos e vídeos. Pode-se trabalhar perfeitamente com ele… e de facto há momentos em que te esqueces que estás perante um painel VA, que não tem nada que invejar a maioria dos IPS no mercado (exceto nalguns ângulos de visualização).

Para as noites de trabalho, ele conta com um interessante modo low blue light. Em vez de tingir a tela com um tom amarelado exagerado, ele permite ajustar diferentes níveis de redução da luz azul, que também estão associados ao nível de brilho. Por outro lado, ao desativá-lo, os nossos valores de cor são modificados e em vez de vermos os nossos valores personalizados como “Utilizador”, são definidos valores RGB de “Luz Azul”.

Veredito e Alternativas

O Acer Predator X35 é sem dúvida um dos monitores mais avançados do momento. Tecnologias como a Local Dimming e os 1000nits são um luxo hoje em dia, mas terão que chegar eventualmente aos monitores mainstream. O HDR1000 faz com que possamos desfrutar do HDR, e o G-Sync Ultimate é sempre uma mais-valia para assegurar o melhor sincronismo possível.

Os 200Hz são chamativos do ponto de vista do marketing, mas não oferecem melhorias substanciais em comparação com monitores como o MSI Optix MPG341CQR de 144Hz que analisámos recentemente. É difícil diferenciar taxas FPS semelhantes, além de que hoje em dia é um desafio alcançá-las de forma sustentada.

Os poucos pontos contra que posso referir não são muito relevantes. É um monitor puramente de gaming, portanto a falta de PiP/PiB ou de maior conectividade são características habituais em monitores G-Sync e, portanto, algo não propriamente condenável neste modelo em concreto.

Existem 2 modelos com características “idênticas”, o ASUS PG35VQ e o AOC Agon AG353, que partilham o ecrã e especificações do Acer Predator X35, mas nos 3 casos estamos a falar de monitores de mais de 2.500 €. Como alternativas mais baratas, temos os Acer Predator X34/Z35, o MSI Optix MPG341CQR que referimos antes ou o LG 34GK950 (versão Freesync ou G-Sync) com nanoIPS, que podemos encontrar numa gama de preços entre 700 € e 1100 €. Se estás à procura de um monitor mais barato, podes também consultar a nossa lista.

Editor Chefe

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