19 anos depois do primeiro filme da saga, o Missão Impossível mostra que tem possibilidades e capacidades de formar um grande franchise de filmes, como o Fast & Furious series. A única saga que lhe fica à frente será a de James Bond, tendo em conta que, e sejamos honestos, o que é Mission Impossible sem o louco, mas brilhante, Tom Cruise.

Introdução

A ordem dos filmes, na minha opinião, é a seguinte:

I

1- not-bad

II

2- Stupid

III

3 -meh

IV

4- What?!

V

5- Challenge accepted

Numa rápida aula de história, Mission Impossible I iniciou esta caminhada, introduzindo não só o nosso protagonista, como a Theme Song que hoje não sai da cabeça de ninguém depois de a ouvir (nota importante, este theme não é completamente original, mas sim um excelente remake daquele usado na série de 1966). Depois temos o II e o III, que na minha opinião não tiveram muito para mostrar, com um sofrendo de falta de conteúdo e outro tendo sido realizado pelo mesmo que fez Face-Off (não estou a dizer que estavam maus, mas também no máximo eram divertidos).

No fim, tivemos M:I 4, que apanhou as audiências bastante desprevenidas, e fascinou com a sua história mais séria em balanço com personagens mais interessantes e desenvolvidas, e as espectaculares cenas de acção e realização.

Assim, as minhas expectativas estavam em alta para este novo capitulo da série, e tenho de dizer que apesar da história por vezes ficar um pouco desinteressante, o filme consegue satisfazer a todos aqueles que gostam de bons filmes de acção com um toque de espionagem do século XXI.

História

Tal como quase todos os Mission Impossible anteriores, a receita está lá, e funciona lindamente (como digo sempre, if it works, no need to fix it) também neste filme, apesar de dar mais um passo em frente.

No geral, temos Ethan Hunt (Tom Cruise) a receber uma missão por um meio que não passaria pela cabeça de ninguém (if he chose to accept it), esta correr mal, Hunt ser considerado Rogue Agent, perseguido por forças policiais suficientes para completarem o abecedário, e fazer os assaltos, saltos e missões mais impossíveis para limpar o seu nome ou para salvar aqueles que ama.

Bem, antes de começarmos a falar do que o filme nos dá de bom, por favor pressione o botão à direita. Afinal, o que é Mission Impossible sem o excelente theme song.

Começa com Hunt face a uma situação bastante desagradável para resolver, e a tratar dela de forma impossível. Aqui, ficamos logo com uma boa ideia do filme que nos espera, com a incrível cena de acção inicial que é e ver duas das personagens de filmes anteriores que tanto gostamos, com mais uma a caminho mais tarde. Geralmente todas as secundárias mudam por filme mas este, no entanto, decidiu ficar-se pelo cast do anterior, factor que concordo a 100%, não só pelo talento dos actores, com Simon Pegg a fazer o papel de Benji, Hacker da equipa, e Jeremy Renner de Brandt, o misterioso e super negativista agente que toda a gente gosta. Adicionando a cereja no topo do bolo com Ving Rhames como Luther a voltar a fazer uma aparição, e temos uma equipa de “Rogue Agents” que eu quero ver em mais filmes.

Para terminar esta cena inicial, contamos também com algo que sempre será uma das marcas desta série, e que me fazem rir de todas as vezes que acontecem. Aquelas alturas em que Ethan (ou ás vezes até um membro da equipa dele) vêm-se frente a frente com um inimigo numa situação mais improvável que ganhar a lotaria, e temos um daqueles akward silences, enquanto vilão e herói têm uma troca de olhares a analisar a situação, e que pôs todo o cinema a rir não só nessa altura, mas também noutras que aconteceram mais tarde. Neste caso, contamos com um porão de avião, uma troca de olhares de “Como raio é que ele entrou aqui?”, um encolher de ombros, e Ethan ser catapultado pelo porão de carga amarrado a um pára-quedas com 50 ogivas radioactivas debaixo do braço (porque só mais um dia de trabalho, afinal).

No entanto, é quando recebe a seguinte missão que o filme dá uma volta bastante improvável, mas que tenho de admitir que apreciei bastante – IMF foi comprometida.

Para aqueles que não viram filmes anteriores, IMF (Impossible Mission Force) é a agência para que Ehtan trabalha, e a regra geral nos outros filmes é ele receber a missão, ela dar uma volta para o pior, fazendo toda a equipa ser considerada culpada de crimes simples, que vão desde traição, terrorismo, passando até por iniciar uma guerra nuclear, e terem de terminar o trabalho, não só pela humanidade, mas também para limpar os seus nomes.

O mesmo acontece neste filme, apesar de, como tinha dito, ir um passo mais à frente para o pior.

Logo depois da cena inicial, vemos o sistema de comunicações da IMF a ser violado, Ethan a ser quase morto, e cinco minutos mais tarde ele está sozinho a lutar contra o mundo, sem poder pedir ajuda a nenhum dos seus colegas, com medo de os envolver, devido a estar a ser perseguido pela CIA, enquanto que esta última tomou posse e encerrou a IMF. E já agora, ao mesmo tempo, como part time, está também a tentar descobrir o que é Syndicate, a “evil organization” deste filme, composta por agentes de todo o mundo que foram declarados mortos e que estão treinados para caçar e matar agentes como Hunt.

A partir deste ponto, temos o tipico filme de Mission Impossible, com ele a lidar com a situação em verdadeiro “badass character mode”, as outras personagens a irem aparecendo e, apesar de ter gostado que tivessem aparecido mais cedo, todas elas têm um decente tempo de antena e aqueles momentos de acção ao estilo de gritar

Mission Impossibru

Adicionando a tudo isto, temos uma nova personagem, que acaba rapidamente a revelar-se um dos focos centrais do filme – Ilsa, interpretado por Rebecca Ferguson. Tem tudo o que se espera de uma femme fatale num filme deste género: misteriosa, nunca se sabendo de que lado está ou para quem trabalha ou sequer no que acredita, mas ao mesmo tempo com uma personalidade interessante e sexy, dando-lhe aquela aura de Black Widow que toda a gente gosta. Sempre que estava em cena, eu nunca sabia se ia beijar o Hunt ou esfaqueá-lo pelas costas, e adorei esse facto 100% do tempo. Parabéns também à actriz pela sua força de vontade de suportar 6 horas diárias de treino duro e conseguir assim fazer o papel sem recurso a stunt man.

Por último, nota positiva também para as tecnologias impossíveis.

Já desde o primeiro filme, máquinas fotográficas do tamanho de lentes de contacto, máscaras faciais, alteração de voz, hacking do tamanho de cabelos, tudo isto faz parte do kit da IMF para realizar as missões tão impossíveis (pelo menos, até agora) como estas invenções. Neste capitulo, tal como em todos os outros, temos a aparição de novas criações do departamento de efeitos especiais e criatividade (isto se existe um departamento desses neste filme, mas se existir e falhasse, eles provavelmente negariam o envolvimento, portanto….), e que, apesar de não terem sido em quantidade suficiente, na minha opinião, foram mais uma excelente adição, e que eu aqui evidentemente não revelarei quaisquer detalhes, pois poderia ser processado por violação de patente.

Perseguição Mota

Um dos momentos mais altos do filme, e que merece sem dúvida um sub-capitulo nesta review só para si.

Facilmente ao nível da perseguição no segundo capitulo do Matrix ou das perseguições automóveis no Mad Max, não consegui encontrar nada que estivesse errado nesta brilhantemente executada cena. Tudo, deste a escolha de motos (não estou a ser pago, mas BMW for the win, neste caso), com a BMW S 1000 RR, os planos de câmara, a incrível sensação de velocidade extrema, o realismo, … tudo nesta parte do filme funciona e junta-se da melhor maneira possivel. Chega ao ponto de eu nem me lembrar se existiu alguma musica a tocar durante a cena, devido a estar tão focado no que se estava a passar à minha frente.

 Negativos

Uma das coisas que dá para entender rapidamente é que a BMW pagou mesmo muito dinheiro a este filme para ter os seus carros e motas bem colocados, ao ponto de, se forem ao website da marca neste momento, têm o trailer do filme a passar na capa

http://www.bmwmotorcycles.com/us/en/index.html

Ora, como eu disse antes, apesar de achar a escolha de motas e veículos excelente, ouve também a altura, quando apareceu o logotipo da BMW pela 300 vez em grande plano, que me apeteceu gritar para o ecrã “SIM, A BMW É PATROCINADORA, JÁ PERCEBEMOS”. Boa escolha de veículos, especialmente das motas, mas um exagero de “product placement”.

Outro ponto importante é o vilão, pois neste filme ficámos muito longe do assustador e sinistro Owen Davian em Missão Impossível III (R.I.Piece Philip Hoffman). Para além de ter pouco tempo de antena, não consigo concordar com a escolha de actor para o vilão. Não estou aqui a criticar o actor Sean Harris, pois ele faz o seu papel de Solomon Lane sem qualquer critica, mas sim o aspecto dele no filme, tendo mais a cara de um tech guy que se perdeu na hierarquia, e não no líder de uma Rogue Agency composta por dezenas ou mesmo centenas de agentes “mortos” e uma ameaça nas sombras à segurança mundial. Até na batalha final, apesar da maneira como ele é derrotada ser irónica (para dizer o mínimo) achei que foi bastante anti-climática. Assim, muita da historia torna-se desinteressante, tendo em conta que muitas vezes um bom filme depende em muito do seu vilão, e este é um desses casos.

Para além disso, nunca chegam a explicar exactamente o que era o objectivo do Syndicate, já que, durante todo o filme, tudo o que Lane procura são os meios mais óbvios para pôr a sua organização a funcionar. Assim, vou ficar-me pelo “take over the world”, porque é o mais especifico que o filme nos dá.

 Conclusão

Da mesma maneira que Fast Furious evolui muito desde a sua primeira aparição no inicio do século XXI, também Mission Impossible mostra como tem capacidades para se tornar num franchise de topo, com cada filme a tornar-se melhor com o anterior. Apesar de não ser revolucionário, e de ficar um pouco aquém das expectativas nalguns departamentos, em especial conter uma história interessante e especialmente na villain section, este é ainda o meu novo filme preferido da saga, não só pelas novas e interessantes tecnologias, como o cada vez melhor character development, e as incriveis impossible scenes de acção.

Agora, a sua missão, if you choose to accept it, é ir ver este filme, pois acredite, vale muito a pena.

História60%
Acção90%
Efeitos Especiais85%
Personagens-Actores80%
Entretem80%
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