Já se passaram 30 anos desde que o último Mad Max surgiu no cinema, ou seja, para muitos, eu incluído, este foi o nosso primeiro capitulo nesta saga apocalíptica. Consegue satisfazer os curiosos, fãs de acção e desta série? Sem qualquer problema.

Durante o filme, rapidamente conseguimos ver que este tem algumas características muito diferentes dos normais – as falas e diálogo são praticamente inexistentes, a história é mínima e o character development é feito usando o ambiente e interacções entre personagens. O resto, claro, são cenas de acção. Para muitos isto poderá imediatamente parecer incompleto, e durante as primeiras cenas tenho de admitir que fiquei um bocado com essa impressão, e até a perguntar-me “is that it?”. No entanto, quando percebemos a “receita” do filme, imediatamente percebemos que funciona muito melhor do que pensávamos.

Mad Max: Trailer 1

Mad Max: Trailer 2

Antes de começar, quem quiser pode premir o botão à direita e ouvir o soundtrack enquanto lê, Sountrack esse que, apesar de não ser Grammy award material, ajuda em muito a manter a acção e o ritmo a 250 Km/h.

Começando pelo que o filme faz de melhor, e que acontece também durante 90% do mesmo: as cenas de acção e perseguições automóveis.

Este filme pode facilmente considerar-se uma mistura entre Fast&Furious e Waterworld, em ambiente inverso e misturado com esteróides e Red Bull’s, pois também é assim que sentimos o sangue e a adrenalina no corpo durante e quando acaba.

As cenas de acção são completamente inacreditáveis, não só a nível de criatividade, velocidade e wow factor, mas também a nível de realismo – não sou Sherlock Holmes a detectar esse tipo de coisas, mas por mais que procurasse não encontrei nada que fizesse o meu cérebro gritar “fake!”. Todas as cenas parece que foram feitas genuinamente no deserto, filmadas por uma câmara a 150 km/h enquanto areia voa por todo o lado, e quando, ao fim de 10 minutos de filme (sim, apenas 10 minutos), vemos os protagonistas frente a frente com uma tempestade de areia, até sentimos um arrepio na espinha, pois parece mesmo que estamos prestes a entrar no interior de um furacão. Carros a voar, bombas, muita velocidade, nenhuma pareceu atrás de um green screen, algumas cenas do filme eu vou facilmente recordar-me durante muito tempo. Como um colega meu disse e muito bem: “pensem nas duas melhores perseguições automóveis que já viram até hoje. Este filme tem duas melhores”.

Mad-Max-Fury-Road-

Como dito antes, o filme não se destaca de todo pela história, que pode ser facilmente resumida a um conjunto de raparigas que estão a tentar fugir de um gangue. Max e um desses membros acabam no meio da linha de fogo. Assim, para ficarmos a conhecê-las melhor, o filme usa as cenas de acção, o ambiente devastador e interacções entre elas para desenvolver as personagens, o que, apesar de tudo, funciona bem melhor do que estava à espera.

Para começar, um elenco de luxo: Tom Hardy(Max), Charlize Theron(Furiosa), Nicholas Hoult(Nux), e comentem, se faz favor, aqueles que já sabiam que estes:

Mad Max Fury Road Bayne-Max
Mad Max Fury Road Nux-Beast

são a mesma pessoa.

Segundo, o ambiente do filme também dá uma grande ajuda. Quando se vive num planeta cuja única diferença em relação a Marte é atmosfera respirável, a destruição e a tensão são quase automáticas. Não é tanto como aconteceu no filme Dark Knight, que era muito mais focado em tensão psicológica, mas um ambiente físico que quase nos esmaga – desolador, sem qualquer esperança por mais voltas que dêmos ou por mais que procuremos, fugir leva à morte e ao nada, suplicar não faz parte do dicionário e sobreviver, mesmo que seja a única coisa que conhecemos e em que pensamos, pode facilmente não ser suficiente. É matar ou ser morto, e desistir ou ficar a pensar no que fizemos, ou no que já perdemos não serve de nada. Não apenas por isso, mas ver o que o ser humano é capaz de acreditar e fazer quando não existe absolutamente mais nada à sua volta, e a única razão que ainda tem para viver é acreditar em coisas que, para nós que estamos a ver, soam completamente ridiculas, só ajuda a fomentar o ambiente de chumbo deste filme. Este último ponto é facilmente destacado por uma das melhores personagens, que não irei spoilar aqui.

Em termos de aspectos negativos, não há muito a dizer, sendo este o tipo de filme que é. Podia dizer que não há história, que é muito simples, que as personagens pouco ou nada falam, mas tendo em conta que o Director fez isso claramente de propósito, estaria a ser injusto, especialmente tendo em conta que o método funciona tão bem. Assim, apenas posso destacar que queria mais no fim, que gostava de ter visto um pouco mais de character development – todas as personagens têm uma base sólida e gostamos de todas elas facilmente, mas com apenas acção e trocas de olhares, há muitas que queria ter conhecido muito melhor – ver o passado do Max contado mais em pessoa, a infância da Furiosa, o que fez o Nux chegar ali, muitas outras coisas. Mais cenas de acção, isso claro que queria, não por falta delas, mas pela qualidade ser tão boa que 3 horas não chegariam.

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Mais um caso que claramente não é para aqueles que gostam de romances ou histórias complexas, mas também mais um filme que me apanhou desprevenido e surpreendeu pela simplicidade em paralelo com a qualidade. Se gostam de filmes de acção, de tensão psicológica e/ou física e principalmente de perseguições automóveis, este é claramente um must see.

Mad-Max
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