Muito provavelmente já viram escrito na Internet, alguma coisa sobre o IP, ou até sabem o que é. Mas podem não saber as diferenças entre os dois tipos de IP existentes em comunicações. Assim neste artigo vamos tentar explicar-vos da forma mais sucinta possível o que são os dois protocolos IPv4 e IPv6 bem como as suas principais diferenças.
O que é o IP?
O IP não é nada mais que a vossa morada na Internet. Podem vê-lo como um endereço que colocariam numa carta, ou um número de telefone e é algo fundamental para que se consigam estabelecer ligações na Internet.
Se não existissem números de telefone ou moradas, sempre que quisessem efetuar uma chamada, o operador não sabia para quem haveria de redirecionar a ligação, pelo que podem imaginar a confusão que seria.
Assim, sendo, tal como nos números de telefone, cada IP é único, algo extremamente importante para evitar ligações com destinatários errados. Além disso, o IP também possui uma estrutura única que permite milhares de milhões de combinações diferentes.
IP estático e IP Dinâmico
Certamente também já ouviram falar nestes termos, mas talvez não entendam bem o que cada um destes tipos de IP faz ou para que servem.
O IP estático, como o nome indica, é um endereço que nunca é alterado. Isto significa que ao ser atribuído um IP à vossa máquina pelo ISP, este IP não será alterado, mesmo que reiniciem a máquina ou o router.
Este tipo de IP é bastante utilizado por servidores de websites, email ou bases de dados, uma vez que este tipo de máquinas requerem que o IP nunca mude, ou seria praticamente impossível garantir acessos constantes.
O IP dinâmico é, obviamente, o contrário. Neste caso, o vosso ISP atribui-vos um novo IP sempre que reiniciam a máquina ou o router, utilizando o protocolo DHCP. Se utilizarem o comando ipconfig na vossa linha de comandos do Windows, os parâmetros que aparecem são fornecidos pelo protocolo DHCP e são o que permite a criação de IPs dinâmicos.
Então, o que são o IPv4 e o IPv6?
O IPv4 (Internet Protocol Version 4) é o protocolo de Internet mais utilizado e é capaz de cobrir uma quantidade exponencial de dispositivos.
O IPv4 possui uma estrutura de 32 bits, sob a forma xxx : xxx : xxx : xxx, sendo que cada grupo xxx pode variar entre 0 e 255. Isto significa que este protocolo pode abranger 2^32 dispositivos, algo que era perfeitamente aceitável há alguns anos atrás.
2^32 é um número muito grande, mas não chega no ciberespaço
Também existem diversas classes de IPv4, denominadas de A a E, sendo que cada classe engloba uma gama diferente de IPs, dependendo do uso da rede e o número de máquinas. Não é algo que interesse ao utilizador final, foi apenas um standard criado para organizar melhor a atribuição dos IPs.
Devido à explosão do desenvolvimento eletrónico, existem cada vez mais dispositivos que requerem ligação à Internet, ou seja, mais endereços. Assim, rapidamente se esgotaram as combinações de IPs que eram possíveis atribuir, pelo que foi necessário aumentar essas combinações.
Assim surgiu o IPv6
Para conseguir responder à procura cada vez maior de novos IPs, foi criado o IPv6, que permite abranger um número muitas vezes maior que o IPv4.
Para evitar problemas de compatibilidade, o IPv6 foi criado com a mesma estrutura do IPv4, apenas com um endereço mais longo.
Assim, o IPv6 agora permite endereços com 128 bits de comprimento, permitindo agora 2^128 combinações de endereços diferentes. A sua estrutura é similar à do IPv4, sendo que agora é xxxx : xxxx : xxxx : xxxx : xxxx : xxxx : xxxx : xxxx, em que cada X corresponde a um número hexadecimal (4 bits).
2^128 dá um número muito longo, com 39 números nele
Apesar de o IPv6 ser o próximo passo, na realidade, foi introduzida uma técnica chamada Classless Inter-Domain Routing, que permitiu expandir o tempo de vida do IPv4. Isto fez com que, na realidade, o IPv4 ainda seja o protocolo dominante, abrangendo mais de 90% dos dispositivos existentes.
É complicado passar tanto endereço do IPv4 para o IPv6
Outra das razões pela qual o IPv4 ainda é muito utilizado, é o facto de serem necessárias várias técnicas de adaptação do IPv4 para IPv6. Uma das técnicas utilizadas, é o encapsulamento do endereço de IPv6 dentro do pacote que contém o IPv4, sendo utilizado caso o dispositivo de destino tenha suporte a IPv6.
Conclusões
O IPv4 e o IPv6 possuem poucas diferenças, no que toca ao nível de abstração do utilizador. Claro que por detrás existem muitas diferenças, quer na forma como os endereços são atribuídos, o tempo de vida de cada um, o uso ou não de máscaras de endereço, encaminhamento entre outras.
No entanto, o objetivo deste artigo foi mesmo explicar que não é necessário ficar intimidado ou confuso com o facto de existirem dois tipos de endereços, sendo que a adaptação ao IPv6 até tem sido extremamente mais lenta que o esperado e, a transição vai ser praticamente invisível para nós, utilizadores.

