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God of War – Primeiras Impressões

Com a data de lançamento do novo jogo da franquia God of War a chegar cada vez mais rápido, 20 de Abril, e sendo um dos jogos mais destacados para a PS4 para todo o ano de 2018, não podíamos ter perdido a oportunidade de o experimentar em primeira mão. As notícias vinham surgido desde há dois anos atrás, quando foi anunciado pela primeira vez, e agora pudemos finalmente meter as mãos na massa.

god of war 1Esta experiência foi feita no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, decorado a rigor para o jogo que falamos. Não faltava a “neve” e os bancos medievais, tudo isto em perfeita sintonia com a pedra de que o forte é construído. Havia ainda um Kratos a passear pelo recinto, talvez um pouco menos musculado que o verdadeiro, e o seu filho sempre atrás de si. Tudo fazia antever uma excelente experiência.

A história desta vez, passa-se vários anos depois da trilogia original e vemos um Kratos mais velho e experiente, que após a morte da sua mulher, tenta fazer com que Atreus, o seu filho seja forte o suficiente para carregar o último desejo da mãe, levar os seus restos até ao topo da montanha mais alta.

A relação entre Kratos e Atreus é um pouco como a de um leão com as suas crias, com Kratos frequentemente a “atirar o seu filho de um penhasco”, para que este ganhe instinto de sobrevivência. Este treino também serve para que Atreus consiga, eventualmente, dominar o seu poder que herdou de Kratos, visto que este tem poderes divinos.

Admito que havia logo algo à partida que me preocupava um pouco: não haver um controlo dedicado para saltar, ao contrário do que acontecia nas edições anteriores e, à partida, poderia significar menos liberdade no movimento. Não podia estar mais enganado acerca deste problema.

O jogo está feito de forma a que não sentimos qualquer necessidade de o fazer. Embora seja óbvio que temos de saltar eventualmente, apenas não existe um botão que faça exclusivamente isso.

Embora exista combate regular, não há nada que substitua os combos e os ataques especiais contra inimigos poderosos. Logo no início do jogo somos postos à prova por várias vezes em batalhas que podem durar uma boa quantidade de tempo. God of War conseguiu deixar logo a sua marca, mesmo que não tenha sequer raspado a superfície do jogo, pelo menos em termos de tempo de duração.

god of war 3O combate assume uma perspetiva ao estilo Dark Souls, com câmara fixa, tal como acontecia nos originais, mas este foco mais próximo, faz com que os confrontos sejam mais “mano a mano”, em vez de usar as espadas para atacar vários inimigos ao mesmo tempo.

O facto de Kratos usar um machado em vez das Blades of Chaos, presas por correntes que lhe conferiam maior alcance, também faz com que este novo ângulo de visão seja justificável.

Ainda assim, apesar da mudança, sinto que foi introduzida uma profundidade muito maior no combate. Antes, existiam aqueles dois combos: quadrado 4 vezes ou quadrado 3 vezes mais triângulo, com os quais podíamos passar praticamente o jogo todo.

Desta vez, ainda existem combos com ataque leve e pesado, mas o facto de nos focarmos, normalmente, num único inimigo, faz com que o jogador se sinta compelido a testar novas formas de destruir esses inimigos. Além disso, existem adversários resistentes a certas armas o que por vezes nos obriga a mudar completamente a abordagem. Digamos que Kratos passou de um corta relvas, capaz de desbravar hordas de inimigos num combo, para um machado capaz de cortar uma árvore em dois ou três golpes com bastante impacto.

Um dos combos que mais gostei de fazer e diz bastante sobre o que é possível “inventar” no novo God of War foi: atirar um inimigo ao ar e fazer “malabarismo” com ele, usando ataques leves enquanto o mesmo estava no ar, atirar o machado contra um segundo inimigo de forma a prendê-lo numa parede, bloquear e contra atacar um terceiro que me atacava entretanto, espancar esse inimigo atordoado com os punhos e chamar de volta o machado, terminando assim com o inimigo que estava preso. O mais engraçado foi o facto de nem ter começado a jogar à 10 minutos, o que significa que o combate é extremamente intuitivo.

De volta estão aqueles momentos altamente cinemáticos com Quick Time Events (QTEs), que são obrigatórios em qualquer God of War. Na demo pude experimentar uma luta de boss e garanto que não fica nada atrás dos anteriores em termos de desafio, brutalidade e espetacularidade.

god of war 2Em termos de design dos níveis, no início o jogo é bastante linear, ao estilo dos anteriores, com vários segredos com baús para descobrir. No entanto existe um mapa do mundo de jogo, bastante grande por sinal, que parece dar a entender que a determinada altura vai abrir e ser mais ao estilo do que vimos, por exemplo, em Horizon Zero Dawn. Os colecionáveis que aumentam a barra de saúde e magia também estão de volta, assim como o modo de fúria que podem usar nos combates. Pergunto-me se teremos aquele minijogo “picante” que existia nos outros títulos.

O jogo também introduz uma árvore de habilidades que achei bastante grande, com vários upgrades às estatísticas do personagem, assim como a possibilidade de desbloquear novos combos e ataques. A forma como desbloqueamos os nós desta árvore, é semelhante ao que fazíamos nos jogos anteriores, mas em vez de subirmos o nível das armas, subimos o nível da árvore dessa arma. Isto oferece mais liberdade, visto que podemos focar-nos nos ramos que possuem os ataques que mais nos interessam, visto ser possível ver uma “preview” de cada ataque, em vez de os combos serem desbloqueados conforme o nível da arma, como acontecia anteriormente.

O papel de Atreus na jogabilidade é semelhante ao de, por exemplo, Ellie de The Last of Us, dando uma ajuda nos combates ao distrair os inimigos com arco e flecha, permitindo explorar os seus pontos fracos, assim como na resolução de puzzles, que marcam mais uma vez presença no jogo.

Graficamente também impressionou, quer seja nos cenários, quer seja nas personagens que vão aparecendo regularmente. Por incrível que pareça, acho que o que me impressionou mais, foram as personagens humanas, o que normalmente é o mais fácil de conseguir, devido a captura de movimentos. Isto talvez pelo nível de detalhe em todos os sentidos, ou talvez pela espetacular barba de Kratos.

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O jogo estava a correr na PS4 Pro numa TV 4K e corre tão bem como o aspeto que tem, a 30 FPS bloqueados, sem quedas que tenha notado. O único elemento gráfico que não gostei foi o exagero de motion blur, mas felizmente, tal como tem sido hábito nos jogos da Sony, é possível reduzir ou remover completamente, tornando a experiência mais agradável.

Para concluir, após ter experimentado God of War, todas as minhas dúvidas e medos desapareceram. O SIE Santa Monica Studio conseguiu alterar o design do jogo por completo, mas manteve aquilo que sempre o tornou divertido, assim como muitos elementos dos jogos anteriores.

O personagem de Kratos também parece menos bidimensional, especialmente pela presença de Atreus, que acaba por lhe dar uma componente mais sábia, paternal e dramática, em vez de ser apenas um louco com duas espadas a gritar por vingança. Pessoalmente, estou curioso para ver como a relação entre pai e filho é desenvolvida, ainda mais quando o passado de Kratos volta para o assombrar.

Estão anciosos por God of War? Falta pouco para lhe poderem por as mãos em cima.