Para aqueles que não têm vontade de ler toda a review, mas apenas saber se o filme vale ou não a pena, apenas temos isto a dizer (depois de premir CAPSLOCK) – NÃO VÃO VER ESTE FILME.

Introdução

Posso descrever as minhas três reacções ao longo de duas horas, a partir destas três simples e conhecidas imagens:

Além disso, este é um dos piores filmes de super heróis que já vimos até hoje (sim, estamos a incluir na lista os desastres do inicio do século XXI e os Fantastic 4 anteriores). Com esta review esperamos ter ajudado a poupar 6 euros, ao dizer-lhes que, mesmo sendo fãs destes super heróis, aqui vão acabar a torcer pelo vilão, para que o filme possa acabar mais depressa.

História

Como tinhamos dito na review do Ant-Man, apesar de ser cliché, existe um conjunto de passos que fazem parte de um filme de super-heróis:

  1. Conhecer a pessoa(s) por trás da máscara;
  2. Ganhar os poderes;
  3. Primeiro uso, secção de treino e ficar a conhecer o seu lugar no mundo;
  4. Crime Fighting;
  5. O vilão aparece e ataca o(s) herói(s), e a primeira ronda é perdida pois ainda não conseguem ver o “ por detrás da situação”;
  6. Subita revelação filosófica ou fonte de poder, seguida por batalha final.

E este filme não é excepção. O “pequeno” problema é que o uso de tempo e de cenas é usado da seguinte maneira:

  1. As únicas personagens minimamente interessantes em todo o filme são a Sue (Kata Mara) e o Doom (Toby Kebell) e o tempo de antena dos dois somado é de aproximadamente vinte minutos.

2. Quando o intervalo chegou, uma hora de filme mais tarde, ainda iam ser precisos mais dez minutos para eles ganharem os poderes.

3. Time Skip, pois era muito mais importante gastar uma hora em cenas inúteis, e depois a parte em que vemos os Fantastic 4 usarem os poderes pela primeira vez e ficarem mais fortes pode ser resumida a um ecrã preto a dizer “1 YEAR LATER”

4. O que é isso?

5. Isto acontece a quinze minutos do fim, e para além de não ter qualquer lógica, o Doom simplesmente começa a destruir, porque….. “HE’S EVIL”.

6. A batalha final dura menos de 5 minutos, nem sequer acontece na Terra, e é das coisas mais aborrecidas que eu já vimos até hoje.

De uma maneira mais simples, este filme tem provavelmente o pior uso de tempo que já vimos até hoje num filme de super-heróis. Um bocado como alguém querer escrever um relatório cientifico, e depois acabar usando 90% do tempo a fazer a capa.

O filme começa quando conhecemos a nossa personagem principal, Reed Richards (Miles Teller), com apenas 12 anos, que consegue construir um tele transportador na sua garagem, e enviar com êxito um carrinho de brincar para uma dimensão alternativa, recebendo de volta um composto que não existe neste planeta (pelo menos segundo eles, pois nos meus olhos aquilo era tão obviamente areia de praia ou terra que perdia a piada). Ora, como incrível génio que é, ao invés de escrever um artigo sobre isso, publica o seu trabalho com todas as fórmulas e deduções matemáticas que descobriu, o que chamaria imediatamente a atenção de toda a comunidade cientifica, decide mostrar a sua descoberta ao professor, aos pais e aos colegas, que evidentemente não acreditam nele, fazendo-nos passar por um Time Skip, onde aparentemente este “génio” ainda não aprendeu a lição, e está a tentar mostrar o seu trabalho numa feira de ciência da escola, 7 anos mais tarte.

Ao fim de aproximadamente vinte minutos de filme, que podiam ter sido resumidos a cinco facilmente, Reed finalmente é visto por um cientista que está a anos a tentar fazer o que o Reed já tinha conseguido – mandar matéria por uma via inter dimensional e de volta. De facto, este cientista é tão bom, e tem tão boas capacidades de pesquisa, que não conseguiu descobrir isto mais cedo, mesmo quando as experiências de Reed tinham causado apagões a cidades inteiras e quase aberto buracos negros no planeta.

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E não é só o cientista. Praticamente todos os actores do filme fazem uma performance que ás vezes mostra emoção mais mal colocada que o Tommy Wiseau no The Room. Graças a Deus existem excepções, como a Sue e o Victor, as únicas personagens interessantes e cujos actores fazem um papel minimamente decente, mas tirando mais alguns momentos aqui e ali, todo o filme é do mais aborrecido e fraco que há. Se foi dos actores ou do script, não sabemos. Vejamos a opinião de AngryJoe.

Aliás, parabéns ao realizador por perceber isso – o que fazemos quando não temos actores com a capacidade de mostrar a emoção de descobrir um novo mundo? Tapamos as caras deles com os fatos que usam para fazer a viagem, evidentemente.

Ora, ao fim de quase trinta minutos, finalmente estamos a construir a máquina, e já conhecemos as outras personagens do filme – Jonny Storm (Michael B. Jordan) e Ben Grimm (Jamie Bell). Como o realizador sabia exactamente o que fazer com os recursos que tinha, Ben é interpretado por um bom actor, que faz uma performance que eu não sei descrever, pois aparece menos de cinco minutos no filme, e Jonny, com o conteúdo que tem, faz tão bem as cenas como o que o levou a entrar na equipa (aparentemente, conseguir construir um carro dá-te habilitações suficientes para construir um teletransportador).

A partir daqui existem muito mais momentos e ideias sem qualquer lógica ou consenso, tais que esta review teria dez páginas quando eu acabasse, caso fosse para falar de tudo. Tantas vezes neste filme eu tive vontade de gritar “WHY?” ou “POR AMOR DE DEUS, NÃO QUERO SABER DISTO, DESPACHEM-SE”, que quando cheguei a uma hora, a única coisa que não me fez ir embora foi a curiosidade.

  1. Porque é que o Reed havia de fazer uma sexta quando acabou a máquina? É tão anti-climático
  2. Quase uma hora de filme, e depois o primeiro vislumbre que temos desta nova dimensão é a partir de uma câmara mandada para lá, estragando a surpresa?
  3. Não quero saber de futuros projectos, nem do bad government guy (não falei dele, mas quase todos os filmes têm um, e este tem tempo de antena maior que as personagens do Fantastic 4… a sério, o realizador leu o titulo do filme?)
  4. Porque é que o Victor esperou um ano para por o plano dele em acção, porque é que teve de esperar que eles o viessem resgatar só para dizer que os ia destruir?

E se estão à espera que a batalha final, que foi preparada com tanto detalhe e atenção ao longo do filme, salve toda a vossa hora e trinta perdidas, contem com cinco minutos de uma luta aborrecida, com efeitos especiais que, ainda que bem feitos, são desprovidos que qualquer criatividade, e que passa tão depressa e tão mal, que eu prefiro mil vezes a batalha final curta demais do Fantastic 4 original. Ao menos essa teve a dignidade de se passar na Terra, e de ver algo que não seja pedras a explodirem. Até o vilão não tem interesse na batalha, pois as suas razões nunca são explicadas, ficando-se por “O vosso mundo teve a sua chance, eu vou voltar para casa”, e nem sequer isso tem lógica, pois então porque não ficaria ele no mundo dele e nós ficamos no nosso, não há qualquer razão para o querer destruir. Ah, e já agora, para nos irritar ainda mais, pois o Ben a dizer “Its Clobbering time” a um murro do fim, porque temos de adicionar “fan boy stuff” no filme, claro.

Positivo

Como tinha dito, a única coisa que salva minimamente isto é o Doom e a Sue, pois ambos têm aquela personalidade misteriosa no inicio, racionais mas frios, com boas performances pela parte dos actores, que me deixaram a querer ver mais destas personagens, coisa que até o filme consegue estragar, pois, como já tinha dito, os dois juntos têm uns 20 minutos de antena.

Para além disso, ainda consigo dizer que os efeitos especiais dos quatro estão bastante bem feitos, em especial a pedra do The Thing, e todo o guarda-roupa e cenários também estão bastante bem construídos (adorei especialmente o fato do Doom e a dimensão alternativa). No entanto, tudo isto sofre do mesmo problema – a atenção do filme está noutro sitio.

 Conclusão

Quando vamos ver um filme de super heróis, a principal coisa que procuramos são os super heróis em si, cenas de acção, super poderes ou “cenas badass”. Só o facto de o filme “começar” ao fim de uma hora, quando os protagonistas ganham os poderes, é por si o suficiente para fazer deste um mau filme, mas o bad acting, cena de acção aborrecida e curta, terrível character development, mau uso de tempo e escolha de cenas, fazem deste um dos piores de filmes de super heróis alguma vez feito.

E assim terminamos a nossa review, com a mesma expressão com que estavamos quando os créditos finais surgiram.

História30%
Acção20%
Efeitos Especiais60%
Personagens-Actores30%
Entretem10%
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