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Do mesmo realizador que nos trouxe District 9, que mostrou uma inovação única numa mistura entre “Cloverfield Style camera” e a ideia que Alien nem sempre significa bad guy, e ao mesmo tempo a desilusão que foi Elysium, que não contribuiu de muito para além de funcionar como uma maneira de mostrar e criticar as enormes diferenças sociais que, nos dias de hoje, continuam a aumentar, chega-nos agora o próximo Robô aos olhos – Chappie.

Apesar das muitas questões filosóficas e psicológicas que o filme não só mostra como defende, para nós a maior questão de todas é sempre – vale a pena gastar o nosso “hard earning cash” num bilhete e 2 horas da nossa vida nele? Apesar de não ser nenhuma revolução cinematográfica, acredito que a resposta, neste caso, é um SIM.

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]Num futuro tão longínquo que será presente para o próximo ano, Joanesburgo, uma cidade na África no Sul, que é também o palco de trabalho de Neill Blomkamp, está à beira da anarquia, com taxas de criminalidade a chegarem aos 300 homicídios por dia e à incapacidade policial e politica para controlar a situação. Tudo isto até que os police robots da Tetravaal, companhia responsável, aparecerem na história nos primeiros 2 minutos, e rapidamente revelarem como, apesar do seu nível rudimentar de inteligencia, as suas incríveis capacidades de combate, resistência, e capacidade de trabalho em sincronia com forças policiais humanas fazem deles armas formidáveis, e o crime rapidamente começa a diminuir.

Logo depois, conhecemos Deon (Dev Patel), o responsável pelo IA dos robôs que, apesar do seu enorme sucesso, continua, nos tempos livres, a despejar Red Bulls como se fossem água e a passar noites por cima de um teclado enquanto tenta criar a verdadeira inteligência artificial. Ao mesmo tempo, ficamos não só a conhecer Vincent Moore(Hugh Jackman), o principal rival de Deon, que acredita que a solução sempre será human controlled robots, ao invés do uso de inteligencia artificial, como também a directora da Tetravaal (Sigourney Weaver), e vimos Deon ser raptado por um bando de criminosos que, claramente, não estão muito felizes com o facto de já não conseguirem cometer crimes devido aos robôs que ele criou.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_single_image image=”4024″ border_color=”grey” img_link_target=”_self” img_size=”large” alignment=”center”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column][vc_text_separator title=”Story” title_align=”separator_align_left” color=”black”][/vc_column][vc_column width=”1/1″][vc_column_text]

É nesta altura que, na minha opinião, o filme dá uma das mais inesperadas e brilhantes reviravoltas, e que também acontece quando Chappie nasce.

[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/4″][vc_single_image image=”4033″ alignment=”center” border_color=”grey” img_link_target=”_self” img_size=”medium”][/vc_column][vc_column width=”3/4″][vc_column_text]Como dito acima, Deon atinge o seu objectivo de quase 1000 dias e 50 litros de Red Bull de trabalho quando, enquanto está a ser raptado, cria um robô com inteligencia artifical humana, uma máquina que não está programada para receber uma instrução e executá-la de acordo com o que lhe é ordenado, mas para evoluir, sentir, e tomar as suas próprias decisões. É também nesta altura que conhecemos a melhor coisa do filme – Chappie.
Chappie, muito bem interpretado pelo actor que sempre trabalhou lado a lado com Neill Blomkamp, Sharlto Copley(à direita), nasce num armazém em volta de criminosos, que acabam por ficar a tratar dele de modo a tentarem usá-lo para cometerem um assalto a um carro blindado.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]Desde o momento em que Chappie nasce, sem saber falar ou o que um garfo é, até encontrar o seu lugar e a sua família, não existe uma única altura em que não seja interessante estar a vê-lo crescer, a desenvolver a sua relação com as pessoas à sua volta, que só por acaso, são um grupo de criminosos, e a criar a sua própria ideia de certo ou errado. Quer seja nos momentos em que ficamos assustados quando ele está a ser ensinado que armas não matam, só adormecem pessoas, a quando nos rimos enquanto ele aprende o “andar do mano, estás a topar, yooo!”, ou até a altura em que nos vem uma lágrima ao olho enquanto ele chora a morte de um amigo, se senta a ler uma história, ou está a ser severamente maltratado por outros que apenas o vêm como ameaça, Chappie já seria uma boa personagem sendo um robô com IA de humano, mas é vê-lo crescer no filme que torna tudo muito mais interessante.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_gallery type=”flexslider_fade” interval=”3″ images=”4022,4018,4025,4017,4023,4026″ onclick=”link_image” custom_links_target=”_self” img_size=”medium”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_column_text]Ora depois de ler este parágrafo, há que pensar noutro excelente filme de robôs, I Robot, e é verdade que, em muitos aspectos, este filme tira ideias desse. Tem é, ao mesmo tempo, a capacidade de as inverter para uma história com a inovação que poucos são capazes de fazer, e fico muito feliz por isso me ter lembrado tanto a história de District 9. Assim, ao invés de seguir um policia enquanto ele tenta provar que robôs e IA são uma ameaça enquanto ele patrulha as cidades, damos por nós a seguir um robô enquanto ele percorre as estradas perigosas e sujas dos piores bairros da cidade e tenta mostrar como todos podem ter o seu lugar neste mundo, o que importa são as decisões que tomamos e como os outros nos influenciam.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/4″][vc_single_image image=”4032″ border_color=”grey” img_link_target=”_self” img_size=”medium”][/vc_column][vc_column width=”1/2″][vc_column_text]É neste aspecto também, ao seguir uma “criança a descobrir”, que o filme explora todas as filosofias que já conhecemos de outros filmes – Certo e Errado? O que nos torna humanos é a nossa capacidade para aprender, a nossa capacidade para procurar algo mais para além do nosso trabalho, a nossa capacidade para lermos uma situação e tomarmos decisões que um robô nao tomaria? IA é certo, ou é uma abominação que um dia dominará o mundo? Podemos algum dia confiar em robôs para fazer tarefas importantes, ou o factor humano irá estar sempre presente? Muitos destes aspectos já foram explorados em tantos outros filmes como o remake de Robocop ou Terminator. No entanto, ao contrário do primeiro, que procurou tanto defender as suas filosofias que acabou sendo um filme muito abaixo do que se queria, ou o segundo, que se focava mais em acção que outra coisa, este filme procura responder a essas perguntas com o character development e algumas cenas de acção à mistura. Consegue fazê-lo? Sim, e da sua, apesar de própria, boa maneira.[/vc_column_text][/vc_column][vc_column width=”1/4″][vc_single_image image=”4031″ alignment=”right” border_color=”grey” img_link_target=”_self” img_size=”medium”][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_column_text]Durante todo o filme não fui capaz de escolher o “vilão”, pois todos têm o seu grau de contributo no bem e no mal. Os criminosos estão prontos para matar pessoas de modo a conseguirem o que querem, mas não conseguimos deixar de sentir um certo afecto e ligação por eles à medida que exploramos o lado familiar da sua vida.

Depois temos Chappie, que ao mesmo tempo que as más influências o tentam convencer de que armas não matam e que ele tem de fazer o assalto, consegue manter os pés assentes na terra e nunca concordar com isso, mas rapidamente o vemos a mudar de ideias quando a sua sobrevivência depende de isso, explorando o lado de “viver ou morrer vs certo ou errado“! O mesmo acontece com Vincent que, apesar dos seus maus métodos, estava a tentar provar que o roubo nunca poderá chegar ao nível de processamento humano.

Adicionando a isso uma conclusão onde a ideia de consciência humana se transforma numa PS4(tenho de admitir, bom product placement nessa cena) ou numa flash drive, conjugado com algumas, apesar de curtas, boas cenas de acção, o filme volta às raízes de District 9 com um ângulo que nunca foi visto até hoje, e é capaz de nos deixar a pensar em coisas bastante interessantes bem depois de sairmos da sala de cinema.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_column_text]

Aspetos Negativos

Depois de tudo isso, o filme é perfeito? Não, evidentemente que não. Como dito acima, as cenas de acção são curtas demais, e apesar de não esperar ver o Terminator 5, gostava de ter visto algo mais de acção. O inicio também deixa muito a desejar dado que, apesar de estar bem feito, todas as cenas mais importantes acontecem de repente: fomos desde Deon a trabalhar no IA de Chappie em casa, até ao rapto, nascimento de Chappie e guerra com Vincent em pouco mais de 5 minutos de filme, sendo impossível tirar aquela ideia de que algo falta.

E pode-se dizer que algo falta no filme, pois apesar de Chappie ser uma personagem excelente, todo o resto do elenco deixa bastante a desejar, quer seja por personagens desinteressantes ou por pouco tempo de antena (não estava a espera de ver a Sigourney Weaver tirar um lança chamas e ir combater Aliens ou robôs). Para além disso, todo o mundo parece vazio e desprovido de vida, apenas com alguns encontros de criminosos e ocorrências, tendo em conta que boa parte do filme acontece no armazém ou no escritório de Deon, não nos conseguindo fazer ter qualquer interesse pelo que nos rodeia.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/6″][/vc_column][vc_column width=”2/3″][vc_single_image image=”4021″ alignment=”center” border_color=”grey” img_link_target=”_self” img_size=”large”][/vc_column][vc_column width=”1/6″][/vc_column][/vc_row][vc_row][vc_column width=”1/1″][vc_column_text]Chappie é um filme que explora os tabus sobre IA de forma única, mas a quantidade de buracos na história, o ritmo incorente e os personagens esquecíveis impedem-no de ser um filme muito melhor.[/vc_column_text][/vc_column][/vc_row]

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