Battlefield Hardline é um spin-off da clássica série FPS produzida pela Visceral, responsável pela fantástica série Survival Horror Dead Space. Em Hardline deixamos o típico ambiente militar focado em armamento pesado como tanques e helicópteros de ataque, para um ambiente mais urbano focado nos combates de proximidade entre policias e ladrões.

O anúncio do jogo esteve envolto em controvérsia pois muitos veteranos não gostaram do novo tema que foge estilo mais militar clássico da série, e pelo facto de muitos elementos de Battlefield 4 terem sido colocados no jogo, fazendo com que muitos considerassem que pedir o preço de 60 dólares por Hardline seria um exagero, e que o jogo devia ser lançado como DLC de Battlefield 4.

Trailer de lançamento de Hardline

Campanha

A Visceral sendo uma veterana em jogos single player prometeu para Hardline a campanha que um Battlefield merecia e para tal decidiu estruturar a mesma como uma série policial de televisão, os cop dramas como são chamados nos EUA. Se sairmos de um episódio a meio, é-nos mostrada uma preview do próximo episódio e se voltarmos a jogar esse episódio, é-nos mostrado um resumo do que fizemos até então.

Na campanha vamos jogar com apenas um personagem, Nick Mendoza, um jovem detetive de Miami que fugiu com a sua mãe de Cuba devido aos maus tratos do pai também polícia. O seu objectivo é mostrar que um podem existir bons polícias sem corrupção e opressão pela violência.

Battlefield Hardline nick

Durante a história vamos visitar vários locais dos EUA com a nossa parceira Khai de modo a investigar uma guerra entre cartéis por um novo tipo de droga que está a invadir as ruas devido à possibilidade de apanhar uma “moca” mais limpa. Essa investigação vai-nos levar a várias missões “off the book” devido ao perigo de fuga de informação pois suspeita-se que algumas altas patentes na esquadra são corruptas.

De facto, mais tarde descobrimos que a nossa parceira atual, o nosso antigo parceiro Stoddard que nos iniciou no combate ao crime e o nosso chefe Dawes são corruptos e a sua traição faz com que Nick acabe na prisão por 3 anos. Durante uma transferência para outra prisão, o nosso autocarro é interceptado por Tyson Latchford, um antigo criminoso que enfrentamos anteriormente e descobrimos que Khai também esteve envolvida na fuga e tem como novo objectivo arruinar a carreira de Dawes por ter sido também ela traída. A este trio junta-se Boomer, o personagem cómico da série e a sua aparição torna a campanha muito menos séria, mas ao mesmo tempo a sua interacção com os outros membros do grupo torna a campanha muito mais divertida.

Battlefield Hardline

Na missão de combater Dawes e Stoddard somos enviados para Los Angeles, onde vamos atacar diversos locais, como uma mansão repleta de seguranças inimigos e um prédio gigante num heist ao estilo GTA 5.

A Visceral oferece-nos várias maneiras de passar os niveis. Estes estão desenhados de forma semi-linear e podemos enfrentar os inimigos de duas maneiras possiveis: sem sermos detectados ou de arma em punho. Passar os niveis sem sermos detectados é algo completamente novo na série e a Visceral incluiu algumas mecânicas interessantes para tal. A primeira é o sistema de detenção, na qual mostramos o nosso crachá de policia até três inimigos, o que faz com que eles largem as armas e coloquem as mãos no ar. Para evitar retaliação temos de apontar a arma aos vários inimigos de modo a que eles mantenham as mãos no ar e quando nos aproximamos de cada um podemos algemá-los. Este modo apesar original podia ter sido melhor implementado, pois passar niveis inteiros desta forma torna-se entediante e repetitivo. Algo que também não faz sentido é quando estamos sozinhos e prendemos um dos inimigos, os outros não fazerem nada ou não gritarem por reforços. Mais à frente na campanha Nick torna-se um fugitivo mas os inimigos apesar de melhor armados, continuam a submeter-se às nossas ordens.

Mapa Battlefield Hardline Freeze_001

Se quisermos passar os niveis disparando contra tudo, temos a clássica experiência de campanha de Battlefield com vários pontos de cobertura e locais para flanquear os inimigos.

A IA dos inimigos é atroz e muitas vezes ficam parados a olhar para nós. No nível da fuga da prisão é possivel derrotar vários inimigos com um taser bastando para isso escondermo-nos atrás duma pedra eliminando os inimigos um por um.

À medida que vamos progredindo na campanha, vamos subindo de nivel, um pouco ao estilo do modo multi-jogador. Cada nivel desbloqueia novas armas para a campanha ou itens cosméticos para o multi-jogador. Também temos ao nosso dispôr um telemóvel equipado com um scanner que nos permite investigar os níveis à procura de provas. No entanto esta mecânica foi mal implementada pois quando existem provas perto de nós o telemóvel vibra e indica-nos automaticamente quais as provas nessa zona. Isto retira completamente a liberdade de investigação. Teria sido interessante se a Visceral tivesse implementado um sistema de detective como na série Batman Arkham.

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O sistema de progressão na campanha também não faz muito sentido, pois o equipamento que desbloqueamos apenas gira à volta de armas e equipamentos para as mesmas, algo que não faz sentido se passarmos os niveis sem sermos detectados. Teria sido melhor existirem dois sistemas de progressão, algo que até aumentaria a repetitividade da campanha.

Apesar de podermos passar os níveis da campanha como quisermos, a história não nos oferece qualquer tipo de escolha, sendo que muitas dessas escolhas que Nick faz ao longo dos episódios podem não agradar a todos. Nick acaba por ser uma marionete sem personalidade devido a muitas dessas escolhas. Teria sido interessante ver um sistema de ramificações onde cada decisão do jogador pudesse levar a acontecimentos diferentes e quem sabe niveis diferentes. É pena que a Visceral tenha jogado no seguro neste quesito.

Os personagens secundários, apesar de nos proporcionarem alguns diálogos divertidos, são pouco explorados e os motivos que movem alguns deles nunca chegam a ser desenvolvidos. Felizmente o final é satisfatório e é uma das poucas campanhas dos últimos tempos que não tem o irritante sequel bait. Quando terminamos a campanha, desbloqueamos o modo de dificuldade Hardline que torna a experiência muito mais realista pois dificilmente sairemos vivos dum combate se não pensarmos numa estratégia primeiro.

Battlefield Hardline ending

Pontos Positivos:

  • Abordagem diferente das anteriores à campanha
  • Diálogos entre personagens interessantes
  • Boa performance dos actores
  • Liberdade de progressão nos niveis

Pontos Negativos:

  • Não existência de um sistema de escolhas
  • Sistema de progressão não depende do estilo de jogo
  • IA inimiga e dos aliados horrivel
  • Pouco desenvolvimento dos personagens

Multijogador

Terminada a campanha de um jogador, passamos para o modo multijogador onde vamos passar a maior parte do nosso tempo de jogo. A Visceral prometeu o multijogador que os veteranos e fãs queriam à muito tempo e para tal contou com a ajuda de diversos jogadores profissionais e youtubers no seu desenvolvimento.

Existem muitos elementos de Battlefield 4 no multijogador de Hardline, nomeadamente, o HUD, o gunplay, alguns elementos dos mapas, etc., o que levou a que muitos jogadores considerassem que este jogo deveria ser um DLC de Battlefield 4. Algumas mudanças que foram implementadas nos servidores Community Test Environment de BF4 também marcam presença em Hardline como as mudanças no HUD, netcode, etc.

Mapa Battlefield Hardline mp1

O multijogador de Hardline é o mais rápido e agressivo de sempre num jogo de Battlefield, mais focado em combate de infataria e os novos modos de jogo traduzem isso e são uma lufada de ar fresco na série.

Os modos de jogo incluem os clássicos Conquest Small, Conquest Large e Team Deathmatch e introduz os novos modos Hotwire, Heist, Blood Money, Rescue e Crosshair. Em Hotwire vamos lutar pela captura de objectivos de modo a reduzir os pontos da equipa adversária. No entanto, estes objectivos não são pontos fixos no mapa mas sim carros que temos de conduzir ao longo do campo de batalha de modo a ganhar pontos. Isto leva a que cada partida seja sempre diferente e repleta de perseguissões e tiroteios entre veículos. Heist é uma variação do clássico Rush, no entanto, é necessário que os ladrões consigam arrombar primeiro o cofre e que consigam depois levar o dinheiro em segurança até um de dois pontos no mapa. Blood Money é uma abordagem diferente ao modo Capture the Flag, no qual existe uma pilha de dinheiro no centro do mapa que temos de capturar e levar até ao nosso cofre. Também podemos roubar o dinheiro do cofre adversário de modo a atrasar o seu progresso. Este modo leva as duas equipas a convergirem no centro do mapa que se pode tornar extremamente caótico. Rescue é a versão de Battlefield do clássico modo de Counter Strike no qual os policias têm de resgatar reféns e levá-los para a sua base, ou eliminar todos os ladrões. Neste modo não há respawn e se morrermos ficamos em modo espectador até ao fim da ronda. Em Crosshair os policias têm de levar em segurança um VIP controlado por outro jogador, evitando que este seja abatido pelos ladrões. A ronda termina se o VIP for abatido, levado em segurança, ou todos os ladrões forem eliminados. Rescue e Crosshair são os dois modos que a Visceral espera que façam parte do mundo dos campeonatos competitivos.

Algo que é de louvar é o facto dos mapas do multijogador serem todos baseados em níveis da campanha, algo que era norma antigamente, mas que se perdeu um pouco nos ultimos anos. O desenho dos mapas é bastante superior aos de Battlefield 4, sendo menos imprevisíveis e fazendo com que o fluxo de combate seja mais suave. De volta também está o Levolution introduzido em BF 4 e alguns mapas possuem muito boa micro-destruição, onde podemos arrasar paredes totalmente com tiros e explosivos.

O sistema de classes foi alvo de uma total remodelação. A antiga classe Assault, agora chama-se Operator e possui as Assault Rifles, Carbines e pode curar e reviver os companheiros de equipa. A classe Engineer agora chama-se Mechanic e tem ao seu dispôr as PDW para curto alcance, pistolas pesadas e pode reparar veiculos e utilizar spawns portáteis. A classe Support agora chama-se Enforcer e é a única que pode usar shotguns e possui as Battle Rifles, armas com cadência de tiro baixa e alto recúo mas que dão enormes quantidades de dano. A classe Recon agora chama-se Professional e possui as snipers de longo alcance, as DMR e pode utilizar câmeras para identificar os inimigos numa área fazendo com que apareçam no mapa.

O sistema de progressão do jogo também foi alterado. Agora em vez de irmos desbloqueando as armas e equipamentos ao longo dos níveis, as nossas acções recompensam-nos com dinheiro que podemos usar para comprar essas armas e equipamentos. Isso faz com que não precisemos de fazer tanto grind e receber armas que não vamos usar até desbloquear aquela arma que queríamos à tanto tempo.

Temos ainda o sistema de reputação que aumenta durante o jogo com as nossas acções e permite-nos desbloquear bónus até ao fim da ronda como granadas extra, mais carregadores, reparar e curar mais depressa, etc. A cada nível podemos escolher um de dois bonus e temos quatro niveis. Sempre que morremos o progresso para o nivel seguinte é reiniciado.

As facções também foram construídas de forma assimétrica, com armas específicas para cada uma. Por exemplo, na classe de Operator, os polícias têm acesso  a uma das melhores armas do jogo, a M16A3, enquanto que os ladrões têm acesso a outra das melhores armas do jogo a M416. Se queremos usar a M16A3 como ladrão, teremos de apanhar dos inimigos que matamos ou comprar a licença da arma que fica disponível após 1250 mortes com a arma.

No entanto, apesar dos equipamentos assimétricos tornarem cada jogo diferente, o balanceamento das armas é horrivel. Existem armas que são completamente inúteis, enquanto outras dominam totalmente os inimigos e tornam essas armas obsoletas.

A quantidade de armas e equipamentos é bastante inferior a BF 4, no entanto isso não é um mau sinal, pois em BF 4 também existem armas que são muito superiores a outras e a maioria dos gadgets ou são inúteis, ou estragam o combate, como morteiros e UCAV. É também de louvar o facto de ter sido praticamente removido o spam de explosões, reduzindo para um o número de granadas disponiveis e retirando das mãos da classe Mechanic os lança-rockets. No entanto ainda é possivel balancear melhor isto pois é possivel a qualquer jogador tirar uma arma explosiva de um carro que tenha esse upgrade equipado.

Existem também problemas severos a nivel de Spawns, que são completamente aleatórios e muitas vezes renascemos de costas para vários inimigos e somos abatidos sem sequer podermos reagir. Teria sido bom a Visceral implementar em Hardline o mesmo sistema que foi agora colocado em BF 4, no qual não podemos renascer num companheiro que esteja em combate. Estes problemas também são originados devido ao facto de existirem servidores de 64 jogadores em mapas que muitas vezes nem 32 deviam ter portanto é o dever da Visceral introduzir restrições ao número de jogadores nos servidores públicos.

Performance

O adiamento do jogo para 2015 foi a melhor coisa que podia ter acontecido a Hardline, este foi provavelmente o Battlefield mais funcional lançado nos últimos anos. A nivel de performance, é idêntica à de BF 4 visto que o motor gráfico é o mesmo e se conseguem correr BF 4, vão conseguir correr Hardline melhor ainda, visto que não tem tantas explosões e elementos no mapa que o tornem mais pesado. A nivel de netcode, está ao nivel de BF 4 neste momento com raras mortes atrás de cobertura e relativamente boa detecção de disparos. De referir que o Vsync bloqueia o jogo a 75 Hz, o que torna o jogo algo trepidante e alguns crashes com a última driver da Nvidia, pelo que devem manter-se na anterior. Recomendo também jogar em modo Borderless que eliminou completamente os crashes de DirectX que estava a ter.

Visto que não há problemas a nivel de performance, ficam apenas os problemas de balanceamento, facilmente corrigiveis com a ajuda da comunidade. A cooperação entre a Visceral e a DICE L.A. que trabalha nos updates dos servidores CTE vai permitir a Hardline atingir uma óptima qualidade pelo que o seu futuro é bastante promissor.

Resumindo, Battlefield Hardline é um spin-off digno da série, com um multi-jogador que proporciona centenas de horas de diversão e uma campanha que apesar de ser clichê e previsivel é a melhor já feita na série. Já tenho mais de 50 horas de jogo e mesmo assim ainda me consigo divertir bastante no multijogador, existem sempre coisas novas para desbloquear e se jogarem com amigos ainda vos vai proporcionar mais diversão. Se ainda estão em duvida em relação ao preço, saibam que a EA reduziu para 40€ o preço da edição standard do jogo pelo que fica muito mais em conta. Se querem entrar no mundo Battlefield mas não sabem se hão-de escolher Hardline ou BF 4, podem sempre ver os tutoriais e videos de vários youtubers e tomar a vossa decisão com base nas suas opiniões.

Gameplay do Multiplayer de Hardline

Pontos Positivos:

  • Combate rápido e frenético
  • Modos de jogo inovadores na série
  • Bom sistema de progressão
  • Boa estabilidade no lançamento
  • Bom design dos mapas
  • Sistema de reputação é uma boa alternativa aos perks de BF3 e BF4

Pontos Negativos:

  • É preciso algum grinding para completar certos assignments
  • Problemas de balanceamento
  • Falta de restrição no número de jogadores nos servidores público
  • Sistema anti-cheats tem de ser revisto
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