Análise - Sonic Forces: A nova geração [Review]
Excelente personalizaçãoBoa performanceAlguns níveis
Tom da história inadequadoFinal anti-climáticoJogabilidade inconsistenteApenas 5 horas de conteúdo original
65%Overall Score

O ano de 2017 está a ser o ano do ouriço, pelo menos no que toca aos videojogos. Depois do fantástico Sonic Mania, que levou os jogadores de volta ao início dos anos 90, mas sem o envolvimento da Sonic Team, temos em mãos o Sonic Forces, um título feito pela equipa principal e que basicamente reforça todos os problemas que têm assolado esta série na última década.

Sonic Forces procura manter a boa forma de Sonic Mania

Sonic Forces, foi um jogo que até me deixou empolgado quando o vi na Switch, numa apresentação na Nintendo. À primeira vista, parecia um regresso à fórmula dos jogos da PS2, como Sonic Heroes e Shadow the Hedgehog, com bastantes explosões e níveis em 3D com várias rotas possíveis.

No fundo é, mas existem outros problemas que impedem Sonic Forces de chegar à fasquia colocada por Sonic Mania, sendo que o principal é consistência.

O tema certo, com o tom errado

Em Sonic Forces, Eggman finalmente consegue derrotar Sonic ao criar um novo inimigo chamado Infinite. Este vilão tem o poder de alterar a realidade e criar cópias dos antigos vilões, como Metal Sonic, Chaos ou Shadow. Isto faz com que Sonic não esteja presente para proteger o planeta, que é rapidamente conquistado por Eggman e Infinite.

Isto leva a que os antigos companheiros de Sonic se tornem rebeldes, dando início a uma guerra pela conquista do mundo.

Desta vez, não vão jogar exclusivamente com Sonic, sendo que o vosso personagem principal é um sobrevivente que se junta à rebelião, na tentativa de evitar que Infinite cause a outros, os danos que lhe causou a ele.

Podemos finalmente criar o nosso personagem

Mas claro que não poderíamos ter um jogo do Sonic sem o nosso ouriço favorito, uma vez que os rebeldes descobrem que Sonic está vivo e foi capturado por Eggman. Agora têm de o libertar e recuperar vários meses de luta e território perdido.

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O que temos é então a possibilidade de jogar com Sonic, o nosso personagem, frequentemente chamado Buddy pelos outros personagens e o Sonic clássico, que é trazido de volta por Infinite após a sua realidade ter sido distorcida.

Cada personagem possui mecânicas e design de níveis próprios e isto, consegue ajudar e danificar muito o jogo, mas falaremos disso mais tarde.

Apesar de ter gostado do tema e de Infinite, a forma como foram tratados foi má. O tema da guerra poderia ter tornado este jogo um pouco mais negro e sério, lembrando um pouco o que vimos em Shadow the Hedgehog que, não me matem, até gostei, uma vez que introduziu um tom e mecânicas bastante diferentes do que era habitual na série.

Este tom mais sério é imediatamente estragado quando Sonic e os companheiros passam o tempo a mandar piadas, “puns” e one liners, após os monólogos bastante interessantes de Infinite.

O vilão é interessante, mas desperdiçado pela fraca história

A estocada final é quando Infinite, que foi uma ameaça bastante perigosa durante todo o jogo, é derrotado de forma extremamente anti-climática e pouco original, numa luta que já tinha sido copiada duas ou três vezes para outros inimigos, mas com obstáculos ligeiramente diferentes. Ainda pensei que aparecesse novamente, mas quando tal não se verificou apenas fiz um enorme “facepalm”. Diria que a nível de história, este foi o principal problema.

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O problema da consistência

Além do tom da história, o outro grande problema de Sonic Forces é a falta de consistência. Existem claras parecenças com Generations, mas isto só serviu para danificar ainda mais o jogo.

É comum saltar entre os três personagens, que possuem jogabilidades diferentes.

Os níveis do Sonic atual são em 3D, com planos de câmara em constante alteração e secções que são autênticas montanhas russas, nas quais levamos tudo o que aparece à nossa frente ao som da banda sonora, que nos coloca o sangue a bombar.

Os níveis com o Buddy não são tão rápidos, mas são mais focados no combate, sendo que existem níveis que combinam o Sonic atual e Buddy, com várias rotas que se focam mais num ou no outro. Estes níveis foram os melhores a nível de design, e teria sido excelente se existissem mais níveis que nos oferecessem este tipo de opções.

A jogabilidade alterna constantemente as mecânicas e estilos

Os níveis do Sonic clássico foram, na minha opinião, os que mais danificaram o jogo. Apesar de gostar, geralmente, dos níveis em plataformas 2D, o que acontece aqui é que os controlos do pequeno ouriço não se adaptaram tão bem como os dos outros personagens.

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Em vez de alterarem a jogabilidade para ser mais precisa, tal como aconteceu com os jogos antigos, é frequente deslizar ou falhar saltos de forma parva, uma vez que os controlos não respondem tão bem ou a física do jogo decide que não quer cooperar.

Enquanto que nos outros níveis, o design permite alguma margem de manobra para errar um salto, nestes isso não acontece com tanta frequência, o que leva a que tenham por vezes de repetir secções inteiras em níveis com checkpoints demasiado espaçados entre si.

É aqui que ocorre o problema da inconsistência, na medida em que, em Sonic Generations, podíamos passar cada secção com o Sonic atual e depois com o clássico. Isto permitia que o jogador se adaptasse aos diferentes estilos de jogabilidade, uma vez que não existiam alterações significativas durante algum tempo.

Em Sonic Forces, estamos constantemente a alterar entre três estilos completamente diferentes de jogabilidade. Num nível estamos a correr a toda a velocidade, enquanto levamos tudo à frente como se os inimigos fossem pinos de bowling, no outro estamos num nível 2D, com a jogabilidade clássica muito mais limitada.

Gotta go fast

A expressão “Gotta go fast” é uma expressão mítica no mundo dos videojogos, alvo de incontáveis memes e a Sonic Team trouxe esta expressão para Sonic Forces, quer para o melhor, quer para o pior.

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Para o pior, porque a história pode ser terminada em sensivelmente 5 horas na dificuldade hard, que por alguma razão equivale a dificuldade que normalmente seria a normal.

Apenas 5 horas de conteúdo original

Para o melhor, porque trouxe ferramentas para criarem a vossa fantasia do DevianArt, ao permitir que o jogador crie o seu personagem do mundo Sonic. Podem escolher entre várias espécies como ouriços, coelhos, cães ou lobos e equipá-lo com diversos equipamentos, que passam as várias dezenas que são obtidos ao terminar missões.

No que toca a personalização, o jogo está muito bem apetrechado, com uma variedade enorme de roupas e fatos que podemos equipar. Também existem várias armas, que podem ter habilidades passivas como obter anéis ao passar checkpoints, deslizar mais depressa, atrair os anéis, entre outros.

A personalização está bastante integrada com as missões, sendo que a única forma de obter estas peças, é terminar missões.

Estas missões encontram-se listadas e envolvem terminar certos níveis, terminar níveis num determinado tempo ou com uma determinada nota, utilizar uma arma específica, entre outras. Felizmente, este sistema é daqueles à antiga, no qual temos de trabalhar para obter equipamento. À primeira vista, seria um sistema perfeito para microtransações mas, felizmente, não existe nada disso em Sonic Forces.

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As notas que recebem ao fim de cada nível também são afetadas por estas missões, mais propriamente, pelas missões diárias. Estas missões são bastante simples e oferecem-vos um multiplicador, que altera os pontos recebidos ao fim dos níveis. Por cada missão seguida que façam, aumentam o multiplicador em 0.2.

Felizmente não existem microtransações

Também gostei do facto de poderem fazer as missões para os 2 dias seguintes assim, caso não possam jogar no dia seguinte, não perdem o multiplicador.

Ao subirem de nível, obtêm uma medalha de bronze. Ao obterem 5 medalhas de bronze, recebem uma de prata, 5 de prata dão uma de ouro e depois repete. Estas medalhas, servem apenas para mostrar uma vez que existe um sistema de aluguer de personagens, que gostei bastante.

Em cada nível, existem anéis vermelhos em determinadas zonas. Alguns destes anéis são apenas acessíveis com certas armas, isto porque cada arma tem uma habilidade secundária. Estas habilidades incluem saltar várias vezes, escavar o chão, criar plataformas, entre outras.

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Assim, podem alugar um personagem de outro jogador que possua uma arma diferente da vossa, para que possam ter uma maior versatilidade nos níveis. Este aluguer não tem qualquer custo, pelo que podem escolher à vontade.

Além das missões da história, existem algumas missões secretas, que envolvem puzzles e missões SOS. Estas missões requerem que libertem um personagem que se encontra numa daquelas cápsulas, onde geralmente estão os animaizinhos capturados por Eggman, sendo que apenas têm uma vida. Caso morram, a missão desaparece.

Estas missões podem ser completadas com o Sonic, Buddy ou o personagem alugado, dependendo da cor e ao as completarem, são recompensados com experiência extra.

Dezenas de peças de equipamento e modificadores

Ainda assim, este tipo de missões apenas aumenta a longevidade para os jogadores que gostam de completar a 100%, visto que não introduzem nada propriamente novo.

Gráficos, performance e som

Graficamente, Sonic Forces não é um grande salto face aos da anterior geração. No entanto, a nível de performance, o jogo corre extremamente bem.

Na PS4 normal, apenas notei dois soluços notórios durante todo o jogo, sendo que correu sempre a 60FPS, mesmo com dezenas de efeitos no ecrã.

Performance fluida e excelente banda sonora

No que toca ao som, a banda sonora adequou-se bastante aos níveis, com temas em Rock, Eletrónica e 8-bits para os níveis clássicos. O problema aqui é o voice acting.

Tirando Infinite que gostei bastante, pelo tom de voz sério e ameaçador, o resto dos personagens contribuem bastante para destruir esse tom sério, com momentos bastante “cringe”. Acho incrível como é que o nosso personagem e o Sonic clássico, que não falam o jogo todo, conseguem ser mais interessantes que o resto da equipa.

Conclusão

O principal problema de Sonic Forces foi ter saído tão próximo de Sonic Mania. A diferença de qualidade e level design é tal, que nos faz perguntar se a Sonic Team ainda é capaz de entregar um jogo de Sonic de qualidade acima da média.

Sonic Forces não é bom, mas também não é um Sonic Boom. O jogo tem os seus bons momentos, ideias excelentes, mas uma péssima execução. Os níveis conseguem passar de excelentes, a nível de design (como uma versão da Chemical Plant, que se tornou uma das minhas favoritas de sempre), a níveis completamente intragáveis, com caminhos que vos atiram para o precipício, destruindo completamente a excitação que poderiam ter.

No que toca a história, esta foi completamente estragada ao eliminar um vilão que tinha bastante potencial, para voltarem ao mesmo arroz de sempre.

A Sonic Team conseguiu inverter a tendência negativa dos jogos atuais de Sonic, mas não fez muito mais que isso. Esperemos que o próximo consiga subir um pouco a fasquia, e fazer uso das boas ideias aqui introduzidas.

Que acham de Sonic Forces? Possui pernas suficientes para continuar?

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