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Análise – Shadow of the Colossus PS4: Old but Gold [Review]

Excelente remake gráfico
Mecânicas ficam progressivamente mais complexas
Bom plot twist no final.
Alguns problemas de câmara e geometria do cenário
Controlos do cavalo
90

O meu historial com Shadow of the Colossus é bastante interessante. Foi provavelmente o jogo que mais vezes tentei jogar na velhinha (mas ainda relevante) PS2, mas os controlos desnecessariamente complicados e o sentimento de não saber minimamente o que fazer, impediram que conseguisse sequer passar do primeiro Colosso (sim, é uma vergonha), ainda por cima com o backlog enorme que já tinha na altura.

Ao fim de 13 anos, consegui finalmente terminar Shadow of the Colossus (Yay?)

O jogo entretanto foi relançado na PS3, num remaster que vinha acompanhado do clássico ICO, mas foi algo que me passou um pouco ao lado, visto que já tinha jogado ICO na PS2, e sentia que o remaster de Shadow of the Colossus continha os mesmos problemas que me afastaram da versão da PS2.

Até que, assim do nada, anunciaram o remake (não remaster) de Shadow of the Colossus para a PS4, desta vez com um tratamento melhor que o de um cirurgião plástico e fiquei bastante curioso, uma vez que um remake geralmente envolve uma revisão nas mecânicas, para se adaptarem ao novo motor gráfico ou para serem mais modernas no geral.

Com mais 13 anos de experiência como jogador em cima, foi com curiosidade e uma pitada de receio, que comecei esta aventura que esteve 13 anos, como dizem “in the making”.

David contra Golias

A história do jogo revolve à volta de Wander, que para tentar ressuscitar Mono, que se assume ser a sua amada, viaja para uma terra proibida, onde pode realizar um ritual que torne o seu desejo realizado.

No entanto, para o fazer, terá de cumprir a tarefa hercúlea de derrotar 16 Colossos que vagueiam pela terra proibida. É uma tarefa de enorme coragem, ao verdadeiro estilo de David contra Golias.

Juntamente com a sua fiel égua Agro, Wander percorre a enorme terra proibida que, diga-se de passagem, é um regalo para os olhos. Existe um sentimento de solidão quase palpável, uma vez que não existem NPC para interagir e, no fundo, apenas existem o vosso personagem, Agro, a rapariga morta e 16 bestas que vos tentam esborrachar caso os perturbem.

Uma missão de sacrifício numa terra hostil e solitária

Apesar da história ser bastante simples, existe um desenvolvimento interessante, pela forma como as mecânicas de cada combate se vão tornando mais exigentes e complexas.

Cada luta funciona como um puzzle. O objetivo das lutas é expor os pontos fracos de cada colosso, e atacá-los com a espada até que sejam mortos. As mecânicas e a forma como expomos esses pontos é que vão ficando cada vez mais complexas.

colossus 2Isto faz com que o jogador sinta o esforço do personagem e se relacione com ele, de uma forma praticamente única, já que sabem que o próximo colosso será mais complicado, mas por outro lado é um enorme degrau que vão escalar para atingirem o objetivo.

Apesar de não existir narrativa propriamente dita, existe um ponto de vista bastante interessante: o dos colossos. Aos olhos deles, Wander é o vilão, pois vejamos: cada colosso está na sua vida, a maioria até está adormecida, sendo que são invadidos por um rapaz que os começa a atacar, a mando de uma voz desconhecida que lhe promete um desejo, sem garantias de que se realize. Egoísta certo?

É bastante importante frisar, que na maioria dos casos, os colossos não vos atacam sem que os ataquem primeiro, ou incomodem as suas rotinas, o que dá mais razão a este ponto de vista.

Jogabilidade, combate e mecânicas

Em termos de jogabilidade, existem algumas ações que podem fazer com Wander. As mais importantes são saltar, trepar e utilizar as armas. Podem ainda apontar a vossa espada para o céu e, caso estejam numa zona iluminada pelo sol, irá indicar o local do próximo colosso que têm de derrotar.

Esta mecânica é também importante durante os combates, uma vez que vos mostra pontos fracos que estejam escondidos. Isto é extremamente útil numa das lutas finais, na qual um dos pontos fracos está muito bem escondido.

O termo “quanto maior é, maior é a queda” é o principal conceito do jogo

Possuem ainda um arco, que excetuando numa luta na qual é fundamental, serve principalmente para atrair os colossos para um determinado local, ou forçá-los a atacarem-vos. Felizmente existe munição ilimitada.

colossus 3A mecânica mais importante, é a resistência do vosso personagem ou stamina, se preferirem. Sempre que trepam ou saltam, perdem um pouco dessa stamina. Caso chegue ao fim, não poderão continuar a trepar e, se estiverem pendurados num colosso, vão cair.

Sempre que derrotam um colosso, a vossa stamina aumenta um pouco, mas como as mecânicas serão mais exigentes, vão continuar a ter de a saber gerir.

Isto significa que têm de aproveitar os momentos em que estão em zonas planas como armaduras, os ombros de alguns colossos, entre outras, nas quais não precisam de estar agarrados, para recuperarem a vossa stamina.

Outra mecânica interessante, é a forma como causam dano aos colossos. Ao premirem o botão de ataque, um círculo na barra de stamina irá aumentar. Ao atingir o máximo, poderão causar uma enorme quantidade de dano ao colosso. No entanto, existem alguns colossos que vos tentam afugentar abanando-se o que interrompe a ação de carregar o ataque.

As mecânicas envolvem alguma estratégia e gestão da vossa stamina.

Assim, têm de ser pacientes e gerir bem a vossa stamina, para que possam causar o máximo de dano possível, já que se caírem, terão de recomeçar o processo de trepar até esse ponto fraco.

colossus 1Apesar de cada luta funcionar como um puzzle, caso o jogo detete que estão perdidos nos confrontos, vão ouvir uma voz que vos dá umas dicas de como proceder, algo que achei bastante adequado, uma vez que não vos diz diretamente o que fazer, mas também não é desnecessariamente abstrato.

Joguei na dificuldade normal e achei-a bastante equilibrada. O jogo não é fácil ao ponto de derrotarem os colossos de uma assentada com um ou dois ataques, mas também não vos pune pelos erros com a morte certa. A principal punição é terem de repetir as mecânicas de escalada, que nos últimos colossos se pode tornar algo extenuante.

Durante as lutas, devo ter morrido 3 ou 4 vezes, sendo que a principal razão foi o facto de que, quando são atingidos, o vosso personagem demora bastante tempo a levantar-se. Nalgumas das lutas com colossos mais pequenos, mas mais rápidos, podem ficar presos num ciclo em que sempre que se levantam, são imediatamente atacados, o que é piorado quando ficam presos nalgum canto ou geometria que esteja menos bem conseguida.

Outra coisa que não gostei muito foi a câmara, que muitas vezes atrapalha, especialmente quando estão pendurados e não consegue acompanhar os movimentos mais rápidos e, quando estão a cavalo.

A câmara e controlos do cavalo por vezes torna o jogo em David vs Golias vs Cavalo

Para fazerem o vosso cavalo andar, têm de manter premido um botão, o que não é ideal, visto que alguns bosses têm de ser atacados com o arco enquanto estão no cavalo e a combinação de teclas deixa-vos os dedos todos trocados.

colossus 6Tirando estes dois defeitos, é um jogo com uma jogabilidade muito interessante, especialmente devido aos controlos que foram refeitos, sendo que existem quatro esquemas: Moderno e Moderno alternativo, ou se preferirem o esquema da PS2, têm o Clássico e Clássico Alternativo.

O melhor remake de sempre?

A Bluepoint Games é a Naughty Dog dos remasters/remakes. A qualidade e dedicação que colocam nas adaptações dos jogos é incrível o seu melhor trabalho é, sem dúvida este jogo.

Estou um pouco dividido se o melhor remake que já vi é este jogo, ou o Crash N Sane Trilogy, mas são ambos remakes absolutamente brilhantes.

Shadow of the Colossus é um jogo de PS4, que usa o original apenas como fundação

Se não soubesse que Shadow of the Colossus era um jogo da PS2, diria que este remake tinha sido feito de origem para a PS4. Em muitos aspetos, achei este título superior a The Last Guardian, em termos de texturas e performance, apesar do segundo possuir alguns cenários mais densos em termos de efeitos.

colossus 4Mesmo que já tenham jogado o original ou o remaster, a diferença gráfica nesta versão torna Shadow of the Colossus numa experiência completamente nova. As diferenças se os virem lado a lado são gritantes.

Além disso, possui uma interface mais moderna e podem jogar com uma boa quantidade de filtros, que alteram o esquema de cores. Jogar a preto e branco é muito interessante e dá ao jogo um aspeto tenebroso.

Podem ainda tirar umas belas fotos com o extensivo modo de fotografia, que vem com opções para dar e vender. Se gostam de guardar os cenários e momentos dos vossos jogos, existem aqui maneiras de os tornarem em algo único e original.

Conclusões

Shadow of the Colossus para a PS4 é um remake brilhante, que torna uma experiência com 13 anos em algo atual e ainda mais imersivo.

Mesmo que já tenham jogado o original, é algo que aconselho vivamente. Existem jogos que tiveram impacto em nós e nos lembramos de terem melhores gráficos e jogabilidade do que realmente têm, os chamados “óculos da nostalgia.” A diferença é que aqui é mesmo o que acontece.

O que vos parece este remake de Shadow of the Colossus? Vão experimentá-lo pela primeira vez, ou voltar a este mundo fantástico?