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Análise – Metal Gear Survive: Resident Evil (not) Solid [Review]

Sistema de loot e construção viciante
Requer alguma estratégia
História genérica e sem personagens memoráveis
Port de consola
Combate trapalhão
Navegação nos menus pouco acessível
Imensas características bloqueadas por monetização
Pouca variedade de inimigos e missões
55

Quem segue minimamente a indústria dos videojogos, sabe da polémica em torno do desenvolvimento de Metal Gear Solid 5, uma das franquias mais famosas de sempre, que levou à saída de Hideo Kojima da Konami.

No entanto, esta saída não impediu que a Konami continuasse a faturar, de alguma forma, com esta série tão querida para os fãs, nomeadamente, com os jogos Pachinko, que são extremamente populares no Japão.

A Konami quer continuar Metal Gear sem Kojima

Com tudo isto ainda fresco na memória dos fãs, a Konami toma uma das piores decisões que vi, desde que a Microsoft anunciou a Xbox One na E3 de 2013, ao anunciar um novo Metal Gear sem Kojima ao leme e, pior, um spin-off de zombies e sobrevivência, um género que estava extremamente saturado já na altura e era sinónimo de jogos preguiçosos, feitos com o único propósito de ganhar uns cobres.

Como seria de esperar, a reação dos fãs foi extremamente negativa e, ainda hoje, a maioria dos vídeos sobre Metal Gear Survive são corridos a dislikes.

Mas será que Metal Gear Survive conseguiu ser um jogo capaz de mostrar que a série não precisa de Kojima para continuar? Ou foi exatamente o que se esperava? Pois…

Zombies, a receita do desastre

Nos últimos anos vimos plataformas como o Steam serem infestadas por jogos de zombies e sobrevivência. Praticamente todos estes jogos envolviam “horde mode”, que vos coloca contra vagas de zombies, sendo que a dificuldade vai aumentando cada vez mais.

Metal Gear Survive é um desses jogos, mas construído em cima de Metal Gear Solid 5. Se este jogo fosse uma expansão de 20€ ou, seguindo as últimas tendências, um modo Battle Royale para MGS5, tenho a certeza que a reação dos fãs não seria tão negativa.

Aliás, isto até seria uma excelente forma de revitalizar o jogo, especialmente o online, que deixou muito a desejar no jogo original.

Metal Gear Survive deveria ser uma expansão para Metal Gear Solid 5

Em vez disso, temos uma história extremamente genérica, com um personagem criado pelo jogador igualmente genérico e companheiros que possuem tanta profundidade, que praticamente não me lembro do nome de nenhum deles. A palavra-chave aqui é “genérico”.

A história assume-se como um spin-off de Metal Gear Solid 5, que começa aquando do ataque da XOF à Mother Base, no qual a história de Ground Zeroes acaba e a de MGS5 começa.

MGV_Screenshot_06Durante esse ataque, um portal abre-se no céu e envia vários soldados, incluindo o nosso personagem, e uma boa parte da Mother Base para outra dimensão, chamada Dite.

Nesta dimensão, o ambiente é pós-apocalítico e os seus habitantes são uma espécie de zombies chamados Wanderers. Na realidade, estes Wanderers são seres humanos infetados com uma espécie de vírus que tomou conta do seu corpo, um pouco ao estilo dos Clickers de The Last of us.

Além disso, boa parte das regiões encontram-se cobertas por um nevoeiro chamado, Dust, bastante tóxico para os seres humanos e alberga os Wanderers mais perigosos. Este Dust é uma parte fulcral do jogo e poderia ter sido bem melhor implementado.

Ao longo da história vamos viajar entre duas regiões do Dite. Estas regiões são baseadas em zonas que vimos em MGS5, sendo que alguns locais serão extremamente familiares quando os virem.

O objetivo dos nossos personagens, é descobrir uma forma de regressar à sua dimensão, sendo que para tal terão de derrotar o Lord of Dust, uma enorme criatura que vagueia pelo Dust e o seu design faz lembrar um boss de Bloodborne ou Dark Souls.

A história é bastante genérica e sem momentos memoráveis

Não existe nenhum momento propriamente memorável, visto que as missões da história são basicamente dois modos de jogo, que falarei mais à frente.

A direção do jogo também falha redondamente, na minha opinião, tentando imitar o estilo de Kojima na forma como revelam os personagens, ou nos planos em câmara lenta, que na maioria das vezes parecem bastante forçados.

No final vemos um plot twist relativamente interessante, mas não impede que deixe uma sensação de ficar algo suspenso ou inconclusivo.

Poeira para os olhos

Como referi, o Dust é uma das partes fundamentais do jogo e, onde passarão a maior parte do tempo. Nesta zona, é necessário utilizarem máscara de oxigénio, caso contrário a vossa saúde começará a descer.

Também gastam mais Stamina enquanto correm no Dust, tornando a sua travessia bastante entediante, visto que praticamente não encontram veículos no jogo e, quando digo praticamente, digo que ao longo da campanha encontrei 1 jipe e 2 Gear Walkers, que ao percorrerem poucas dezenas de metros acabam por avariar.

MGV_Screenshot_02No Dust também possuem pouca visibilidade, devido ao nevoeiro cerrado, além de que não vêm a vossa posição no mapa, tendo de utilizar as torres das bases espalhadas ao longo do mapa, como ponto de referência. Podem ainda utilizar uma bandeira, que podem construir no menu de crafting, que possui o mesmo propósito dessas torres.

A ideia do Dust foi bem pensada, mas um pouco mal executada

Apesar de achar o Dust uma ideia interessante, na realidade parece que apenas serve para mascarar o facto de que, Metal Gear Survive recicla praticamente todos os elementos dos cenários de MGS5.

Além disso, a forma como os elementos de sobrevivência estão feitos, impedem que explorem estas zonas um pouco mais a fundo.

Algo que gostaria de ver mudado, era não haver consumo de oxigénio dentro das bases, uma vez que deveriam ser pontos de segurança, mesmo dentro do Dust.

Capitão de papel

O vosso personagem é referido pelos outros NPCs como “Capitão”. O Capitão (ou Capitã, caso joguem com um personagem feminino) é uma pessoa muito frágil.

O simples agarrão de um Wanderer caído no chão é capaz de causar uma hemorragia e uma perna partida. Um simples murro tira metade da saúde e ainda provoca várias lesões. O Capitão pode comer uma vaca inteira e ao fim de duas horas está de estômago vazio, mas se comer meio quilo de bagas, ao fim de duas horas está igualmente com o estômago vazio. O mesmo para a sede, a cada duas horas tem de beber um cantil inteiro de água, ou deixa de conseguir correr.

Estão a ver o problema aqui?

Mesmo sendo um jogo de sobrevivência, um soldado de elite não deveria ser tão frágil como o vosso personagem.

O sistema de sobrevivência precisa de uma atualização de equilíbrio urgente. A vossa fome e sede são medidas num valor até 3000, que diminui constantemente ao longo do tempo. Cada alimento ou bebida, aumenta um certo número de pontos, sendo que, caso atinjam os 100%, vão demorar algum tempo até que este valor comece a descer.

No entanto, não existe um valor para saciação. Na vida real, se comerem um bife de 500 gramas de carne, provavelmente vão ter fome ao fim de mais tempo, que se comerem 500 gramas de vegetais ou fruta. Isto faz com que praticamente possam passar o jogo quase todo à base de bagas.

MGV_Screenshot_03Na vossa base, podem construir uma fogueira, que permite cozinhar as carnes que retiram dos animais que abatem, ou plantar vegetais para colher mais tarde. Também podem converter a água suja em limpa, evitando assim que sejam afetados por envenenamento.

No entanto, a probabilidade de serem afetados por doenças provenientes de água suja é tão baixa e o medicamento é tão fácil de criar, que não vale a pena purificar a água. A água limpa apenas serve para fazerem sopas, que além de vos darem pontos de fome, também conferem pontos de sede.

É aqui que surge o principal problema com a componente de sobrevivência. Tudo o que podem fazer, é na base principal. As outras bases que encontram ao longo do jogo, apenas servem como método de “fast travel” para chegarem a um objetivo mais rapidamente.

Seria interessante poder montar alguns dos balcões que utilizamos na base, como os de reparação e criação de armas, armaduras, gadgets e medicamentos.

À medida que o oxigénio diminui, temos de reabastecer o tanque com Kuban, uma energia cristalizada que serve de moeda do jogo e, experiência para o jogador.

Kuban é a moeda principal do jogo, com a qual fazem praticamente tudo o que seja desenvolvimento

Sempre que quiserem construir algo, melhorar equipamento ou subir de nível, vão necessitar de Kuban. Ao reabastecerem o vosso tanque de oxigénio, que nem podem voltar a colocar a 100%, até que possam construir um aparelho de reabastecimento portátil mais tarde no jogo, vão degradá-lo, sendo que quanto menor a durabilidade, mais caro fica reabastecer e mais depressa o oxigénio é consumido.

Isto faz com que tenham, constantemente, de regressar à base principal para reparar o tanque, algo que seria facilmente evitável caso o pudessem fazer nas bases ao longo do mapa, permitindo explorações mais longas no Dust.

O outro problema com isto, é que apenas podem enviar o loot que encontram ao longo do mapa, quando regressam à base principal, assim como gravar, o que leva a que tenham de passar por loadings desnecessários. Se morrerem ou o jogo for abaixo (algo que me aconteceu várias vezes), perdem todo o progresso e loot que ganharam durante essa exploração, o que quase me fez desistir do jogo.

A única coisa que me deu forças para continuar, foi o facto de vasculhar os cenários à procura desse loot e receitas, para construir itens mais poderosos, ser a melhor parte do jogo e a razão pela qual consegui meter 25 horas no jogo, em apenas 3 dias.

MGV_Screenshot_08as em contentores, que possuem um método de lockpick bastante interessante, no qual têm de manter uma patilha dentro de um cone de segurança que fica menor, quanto maior for a dificuldade. Caso falhem, a patilha vai ranger, o que atrairá inimigos que estejam nas proximidades.

Combate trapalhão, mas furtividade bem implementada

A furtividade sempre foi uma das mecânicas chave da série Metal Gear, portanto é bom ver que Survive não se afastou muito dessa fórmula.

A principal razão é o facto de muitas vezes, nos faltar recursos como munições, explosivos, entre outros, que nos permitam lidar com grupos maiores de inimigos, ou então mais poderosos. Assim, temos de os contornar de forma furtiva.

A furtividade é essencial em certas situações, mas a IA é facil de explorar

A forma como os inimigos reagem é, primariamente, através do som. Caso façam barulho como andar sem ser agachado, correr, andar em água ou vidros partidos, não conseguir abrir um contentor sem errar ou disparar uma arma, os inimigos serão atraídos para o local de onde esse som provém e, caso haja contacto visual, serão alertados para a vossa presença, o que pode atrair ainda mais inimigos das redondezas.

No geral, mesmo que sejam encontrados, é bastante fácil escapar aos inimigos, uma vez que são bastante lentos. A sua IA também não permite muito mais, sendo que o pior inimigo dos Wanderers são pedras ou plataformas que vos coloquem acima do nível do chão.

MGV_Screenshot_05Apesar de fazer sentido, visto que são uma espécie de zombies, isto tira um pouco a sensação de perigo quando podemos simplesmente subir para uma pedra e ficar ali a espetar a lança, até que todos os inimigos caiam.

Isto piora quando numa rua larga, colocamos uma cerca no meio e os inimigos tentam destruí-la, em vez de a contornarem.

O “gunplay” de Metal Gear Solid 5 foi bastante bom e, uma boa adição visto que permitia um novo tipo de abordagem, dado o tema em mundo aberto.

O combate com armas é idêntico a MGS5, mas as armas corpo-a-corpo podem dar alguns problemas

Em Survive, isso mantém-se inalterado, mas a quantidade de munição que vão ter será tão escassa, que praticamente não vão usar armas de fogo, a não ser que passem várias horas a “farmar” materiais para criar munições, mas acaba por ser esse, o objetivo do jogo.

Quando passamos para o combate com armas corpo-a-corpo, nomeadamente lanças, bastões ou martelos e facas, acabamos por verificar que existe apenas uma opção possível: as lanças.

Isto deve-se ao facto de que, os bastões e martelos, apesar do dano enorme que causam, possuem um tempo de ataque tão lento, que é praticamente impossível acertarem nos inimigos sem sofrerem dano ou serem atirados para o chão. As facas atacam mais rapidamente, mas se acertarem num inimigo enquanto este faz a animação do seu próprio ataque, não interrompem esse golpe e ainda sofrem dano.

Sobra então a lança. As lanças possuem alcance suficiente para podermos atacar os inimigos de uma distância segura. Além disso, permite atacar os membros, o que interrompe os golpes inimigos, visto que lhes podem destruir os braços, antes de apontar à cabeça. Além disso as lanças, tirando as armas de fogo, são as únicas que conseguem utilizar para atacar os inimigos pelas cercas, algo que vão fazer durante todo o jogo e, visto que munição é algo muito escasso, a lança é a vossa única opção.

MGV_Screenshot_07Outra arma que gostei bastante foi o arco e flecha. Podem, eventualmente, construir setas mais poderosas ou que causem dano elemental mas, por alguma razão, foi decidido que podem carregar a lança nas costas e uma metralhadora na cintura, mas não podem carregar a lança nas costas e um arco na cintura.

O estilo de missões e escassez de munição impede que experimentem combinações mais variadas de armas

Pessoalmente não gostei muito disto, visto que, com o aumento do número de armas que podem carregar, ao criarem o coldre para isso, podiam ter equipamento capaz de vos servir para todas as situações. No entanto, ter vários “loadouts” é algo que interessa à Konami, como veremos em seguida.

O preço errado

Metal Gear Solid Survive é vendido por sensivelmente 40€. Este preço é uma mentira, visto que existem muitas coisas que foram bloqueadas pelas já famosas “paywalls”.

Ao começarem o jogo, vão reparar que existem 3 cadeados ao lado do vosso personagem. Isso são slots que permitem criar novos personagens, ou ficheiros de gravação, mas requerem 1000 SV para desbloquear.

Inicialmente, achei que o SV fosse uma espécie de moeda de jogo que poderíamos obter, visto que no local onde deveria estar o nome do personagem dizia “Survivor”, o que inicialmente me fez crer que seria um modo de dificuldade maior, que apenas poderíamos desbloquear ao jogar no modo normal o suficiente para desbloquear essas moedas.

A quantidade de elementos do jogo bloqueados por paywalls, chega a ser ridícula

Até que iniciei o jogo e reparei que o SV era uma moeda que apenas se pode comprar com dinheiro real, sendo que 1000 SV equivale a 10€, ou seja, para desbloquear todos os personagens seria necessário pagar mais 30€, subindo o preço do jogo para 70€, o preço de um jogo AAA acabado de sair.

MGV_Screenshot_09Mas estas Paywalls não ficam por aqui. Se quiserem ter mais equipas de exploração, para enviar em missões que permitem obter mais materiais e itens exclusivos, algo que em MGS5 era gratuito, têm de pagar mais 40€. Se querem ter mais espaço no cofre para guardar armas, têm de pagar mais, se querem os famosos emotes que são tão comuns nos jogos de hoje em dia, têm de pagar. Se querem mais loadouts, têm de pagar.

Ainda possuem boosters que aumentam a produtividade da vossa base, entre outros bónus, que chegam também a preços exorbitantes. Tudo isto, faz com que tenham de colocar pelo menos 150€ para terem acesso a todas as mecânicas e menus do jogo, o preço de uma edição de colecionador de muitos outros jogos.

Se compararmos Metal Gear Survive com outro jogo que analisamos recentemente, Monster Hunter World, o último possuía centenas de espaço para colocarem os vossos loadouts, espaço quase infinito para colocarem os materiais e loot que encontravam ao longo das vossas missões, entre muitas outras coisas e, estamos a falar de um jogo estilo MMO de cooperação, com ênfase em loot e equipamentos.

Esta monetização excessiva apenas prejudica o jogo

Metal Gear Survive era um jogo que já era mau antes de ter sido lançado, pelo menos aos olhos dos fãs. Estas medidas de monetização apenas agravam essa reputação e, em nada fazem, para ajudar o jogo no que quer que seja.

Duas bases, três missões e quatro inimigos

Uma das coisas que mais gostei em Metal Gear Survive, foi o desenvolvimento da nossa base. Existem duas bases, uma em cada uma das localizações, que podem desenvolver construindo coisas como tendas, hortas, jaulas para animais, reservatórios de água, entre outros.

Os sobreviventes que vão encontrando ao longo do jogo, podem ser alocados em diversos papéis, sendo que serão mais produtivos, se os colocarem em papéis relacionados com a sua última profissão.

MGV_Screenshot_04A produtividade da vossa base, fará com que possam obter diversos materiais, muitos deles extremamente importantes como comida ou água, que por vezes podem ser difíceis de encontrar no mapa. Felizmente, podem colocar uma boa quantidade de marcadores diferentes no mapa, para que saibam onde encontraram os diversos recursos.

Existem basicamente três tipos de missões que se repetem durante todo o jogo.

As missões que fazem durante o jogo são apenas três tipos: encontrar placas de memória, capturar as bases ou guardar uma broca durante um determinado período de tempo, ao estilo “horde mode” e ter de carregar sobreviventes para uma das bases e teleportar para a base principal.

Apesar de não gostar muito de horde mode, confesso que gostei de ter de planear o local onde colocar as defesas, de modo a cobrir os ângulos que achava serem possíveis, ficando extremamente chateado, no bom e no mau sentido, quando existia um único buraco que não tinha visto e, de repente, tinha a base repleta de inimigos.

Apenas não gostei das missões de Salvage. Estas são as missões da broca que referi, no qual temos de guardar a dita broca durante três vagas, cada vaga com um determinado tempo.

Isto, porque a quantidade de defesas portáteis que podem carregar é bastante limitada e, apesar de antes de cada vaga poderem ver as marcas do caminho que os inimigos vão tomar, pelo que é praticamente impossível conseguirem cobrir todos os ângulos.

MGV_Screenshot_10Este modo foi feito para ser jogado em cooperação, visto que com mais jogadores é possível cobrir esses ângulos, mas durante a história felizmente, é possível sobreviver o tempo necessário visto que a broca aguenta bastante dano.

Apesar de serem feitas para jogar em cooperação, nunca o consegui fazer visto que, de todas as vezes que tentei, estive quase cinco minutos à espera de encontrar alguém, até desistir e voltar para singleplayer. Estamos a falar da semana de lançamento de um jogo com o nome Metal Gear.

A quantidade de inimigos deixa muito a desejar, sendo que cada um não requer uma abordagem muito diferente dos demais.

Em relação aos inimigos, falta imensa variedade. Existem os Wanderers que são o típico zombie e o inimigo mais comum, os Bombers que podem disparar contra as pernas, fazendo com que caiam e destruam os inimigos à volta com uma explosão, os Trackers, que fazem piruetas e são extremamente chatos de atacar com armas corpo-a-corpo e, os Mortar, que podem atirar bombas ou disparar tiros e são o vosso pior inimigo quando estão fora do alcance das vossas armas e, acertam nas vossas defesas com precisão milimétrica e, o vosso maior aliado quando conseguem manipular a sua IA, ao colocarem-se em ângulos que fazem com que estes atirem nos próprios aliados.

Ainda têm dois bosses, um deles uma versão misturada de um Mortar com um Tracker e o boss final, com quem nunca chegam a lutar verdadeiramente.

Gráficos, Performance e som

Graficamente, Survive utiliza a mesma versão do Fox Engine de MGS5. No entanto, devido ao facto de não ter sido feita captura de movimentos, o lip sync é horrível, sendo que muitas vezes os lábios nem mexem, apenas se ouve a voz.

O voice acting depende dos personagens. Alguns são bastante bons, outros são muito maus. A música do jogo é bastante repetitiva, em nada comparada com os temas épicos que vimos em MGS5, sendo que a música do menu principal é tão genérica, que juro já a ter ouvido nalgum Call of Duty.

Em pleno 2018 ainda temos ports de consola tão maus para PC. Felizmente o jogo é bastante leve.

Em termos de performance, estamos perante um port claro de consolas. As teclas parecem ter sido escolhidas aleatoriamente ou, por alguém que não joga desde os anos 90 e ainda não sabe os layouts típicos de hoje em dia, existe bloqueio de FPS até 60, sendo que estamos em 2018 e isto ainda existe. O meu monitor é de 144Hz, portanto não fiquei propriamente agradado. A maioria das mecânicas foram feitas com o comando em mente, especialmente as de desbloquear os contentores.

metal-gear-surviveAinda assim, o Fox Engine não deixa de ser um motor extremamente bem otimizado, sendo que com praticamente tudo ao máximo, consegui 60FPS sem quedas no nosso PC de testes com um Ryzen  5 1600 a 3.4GHz, 16GB de RAM DDR4 a 2666 MHz e uma GTX 1060.

Conclusão

Metal Gear Survive, nas palavras de um certo wrestler igualmente odiado pelos fãs, não é um bom jogo, não é um mau jogo, mas não é “o jogo”, o jogo que prova que a Konami consegue entregar um Metal Gear com a qualidade minimamente parecida ao que era possível com Kojima ao leme.

Não existe um mínimo de atenção ao detalhe, a jogabilidade não oferece praticamente nada de novo, em algumas partes é demasiado profundo, noutros é demasiado superficial. A história não impressiona, falta variedade nos inimigos e nas missões.

No entanto, a componente de sobrevivência e constante caça por recursos, de forma a melhorar o personagem e a base fez com que jogasse 25 horas em 3 dias, o que faz com que não seja um jogo mau, apenas extremamente mediano.

Não sei qual será o futuro de Metal Gear, mas Survive não foi, de todo, o arranque que seria minimamente necessário para garantir esse futuro.

Jogaram Metal Gear Survive? Pensam em comprá-lo? O que acham da série sem Kojima ao leme?