Análise a Huawei P20 lite sem limites, é só fumaça?

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Design a acompanhar as tendências
Preço face à concorrência
Sem nada revolucionário para a gama
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A Huawei já conquistou os corações de muitos, prova disso é o facto de serem uma das marcas com mais presença nos mercados mundiais e que mais séria concorrência apresenta às gigantes Samsung e Apple. Recentemente a Forbes revelou a sua lista de Most Valuable Brands 2018, onde a Huawei aparece no lugar 79 com um valor estimado de 8.4 mil milhões de dólares – a única companhia chinesa no top100 da Forbes.

Não é portanto surpresa o burborinho que se cria em torno dos lançamentos de novidades da marca, e a renovação do seu principal flagship foi muito falado nos primeiros meses de 2018, culminando no lançamento da gama Huawei P20 no final de Março em Paris.

A gama conta com três membros, encabeçada pelo Huawei P20 Pro com três câmaras traseiras, fazendo dele talvez o rei das fotografias nos smartphones, o Huawei P20 equipado com duas câmaras , ambos os casos com a assinatura da Leica, e o Huawei P20 Lite – entre eles, fica difícil perceber as diferenças, com designs idênticos, apenas atrás se percebe melhor pelo número de lentes visíveis.

O Huawei P20 Lite foi o primeiro a chegar-nos às mãos, e resolvemos ir viajar com ele

Huawei P20 Lite – Primeiras Impressões

Ao contrário do que aconteceu com linhas passadas, esta versão Lite de entrada na gama P20 tem uma semelhança enorme à primeira vista aos restantes familiares – isto pois noutras gamas, as linhas de entrada, fossem Lite ou Mini, tinham em aspecto pouca relação com os seus superiores. Em termos internos, continuamos claro a observar diferenças, ou não teríamos a diferença de preço esperada – com um PVP de 399€.

O dispositivo tem um design que está muito na moda, moda imposta pelo iPhone X lançado no final do ano passado, e que agora parece estar em todo o lado. À semelhança do P20 e do P20 Pro, a versão Lite conta com uma frente quase toda ela ecrã, com uma pequena saliência no topo onde temos a câmara frontal, a famosa (ou infame?) notch, e ainda uma fina moldura na parte inferior destinada ao branding da marca mãe, Huawei.

Um marketing algo enganador chamar a estes dispositivos sem limites

Com uma moldura em alumínio, a parte de trás parece ser um tipo de plástico, mas com um acabamento bastante bom a dar um belo efeito glossy.

Em termos internos, as diferenças são mais notórias para os flagships da companhia:

  • Ecrã: 5.84″ IPS LCD;
  • Resolução: 1,080 x 2,280 (432ppi);
  • Dimensões: 148.6 x 71.2 x 7.4 mm;
  • Câmara principal: 16MP + 2MP PDAF f/2.2; LED flash; 1080p @ 30 fps;
  • Câmara secundária: 16MP (Global) f/2.0; 1080p @ 30fps video;
  • CPU: 16nm Kirin 659 ([email protected] + [email protected]), Mali-T830;
  • Memória: 4GB RAM, 32 / 64GB armazenamento, com expansão por microSD;
  • Sistema: Android 8.0 Oreo – EMUI 8.0;
  • Bateria: 3.000mAh Li-Po;
  • Connectivity: Dual-SIM; LTE-A (Cat.6 300/50Mbps); microUSB; Wi-Fi b/g/n; GPS/GLONASS; Bluetooth 4.2; FM radio; NFC;
  • Outros: Sensor impressões digitais atrás, ecrã com notch, sem proteção água/salpicos.

As principais diferenças passam pelo processador, que sendo da casa, é uma gama média sem tanto poder nem capacidade AI, mas ainda assim mais do que suficiente para as tarefas diárias. E nas câmaras também são notórias, no papel, as diferenças.

Quem comprar o Huawei P20 Lite terá na caixa um carregador de 18w para carregamento rápido, um cabo USB Type-C e uns headphones. Não contamos com uma capa, nem o dispositivo conta com proteção de ecrã habitual nos dispositivos de gama maior da Huawei.

No dia-a-dia

Como seria de esperar, por um smartphone nesta gama de preço e da Huawei, é bastante competente sempre que procuramos realizar alguma tarefa, ou até mais que uma, no dia-a-dia.

A capacidade interna é mais do que suficiente para correr qualquer aplicação, e até jogos, algo em que os processadores da Huawei têm crescido nas últimas gerações, principalmente em 3D que era um dos pontos mais fracos dos mesmos. Com o Kirin 659 acompanhado de 4GB, apesar de se tratar de um processador com dois anos de mercado ,sentimos que não precisamos de mais poder para correr o que quer que seja.

Em termos de cores e brilho, o ecrã é realmente fantástico, e o espaço extra é sempre bom, seja para passear pelas redes sociais ou ver alguma série nos transportes públicos – neste caso, com a visualização na horizontal, a notch é disfarçada parecendo apenas uma moldura completa.

O ecrã é algo em que a Huawei tem vindo a trabalhar bastante bem

E sim, é possível esconder a notch nas definições do ecrã, deixando as áreas à direita/esquerda desta a preto, para disfarçar, atuando como um ecrã secundário aproveitado para mostrar as notificações, como tínhamos no LG V10 por exemplo.

Quem procurar um dispositivo para jogar algo mais exigente e recente, em termos gráficos, como PUBG, este não será a melhor opção, onde o jogo corre com as definições mínimas.

Quanto ao som, quem usar headphones, não notará diferenças pois a qualidade dependerá muito dos headphones que usam, mas a coluna que o dispositivo incorpora não surpreende, sem inovar, continuo a achar que a melhor opção são duas colunas voltadas para a frente, ou uma, mas voltada para a frente sempre.

Já a bateria, com 3.000 mAh no papel sabemos de antemão que não aguentará uma semana, o desafio seria aguentar dois dias, mas isso dependerá sempre do uso dado. Nas minhas mãos, baterias desta dimensão, chegam-me para um dia.

Não surpreende e não desilude, cumpre

Além de jogar algum Pokémon GO, que puxa bastante pelos sensores do dispositivo, ainda tenho quase duas horas de ecrã dedicadas a ver séries no dia-a-dia, além de ouvir música on the go e trocar meia dúzia de mensagens.

Então, e as fotos?

O que interessa na maior parte dos casos, são as fotografias, e a linha principal da Huawei é a rainha atualmente, graças à parceria com a Leica que tem sido aprimorada a cada geração. Atualmente o Huawei P20 Pro é o rei, seguido precisamente pelo Huawei P20, o primeiro conta com três sensores que diferenciam a qualidade das fotos, por pouco na realidade

Huawei P20 lite Belgium / The Netherlands

O Huawei P20 Lite, como irmão mais novo, tem ainda menos capacidade, ainda que conte com dois sensores atrás, isso apenas serve para disfarçar fazendo-o passar pelo irmão do meio da linha.

Os dois sensores neste smartphone, de 16+2mpx, são suficientes para quem gosta de um efeito bokeh nas suas fotografias do instagram. Mas pouco mais que isso acrescentam à fotografia, sem fotografia monocromática, sem grande-angular nem grande zoom, a fotografia não se destaca da maioria dos dispositivos na mesma gama de preços.

Nos moldes atuais da fotografia de telemóveis, isso não é algo propriamente negativo, pois o standard atual da fotografia é bastante bom.

Fotos equilibradas, com modo bokeh para saciar as redes sociais, e qualidade dúbia em ambientes de baixa-luz? Isso é o standard atual, e é bastante bom comparado com o que tínhamos há uns anos.

Em suma…

Sem dúvidas que se trata de um smartphone cativante pelas linhas, tendo em conta que o design imposto pelo iPhone X tem sido bem aceite. Goste ou não, tenho de dar crédito à Huawei por introduzir este design na gama baixa da sua principal linha do momento.

Um dispositivo mediano com um preço de lançamento alto

Ainda assim, não é propriamente um dispositivo budget com este design, existindo já vários modelos no mercado com a mesma inspiração e preços a rondar os 200€.

Em termos técnicos, é um dispositivo sólido com boa performance no global, a decisão final recai sobre os consumidores e o preço a que o encontram disponível

O PVPR original de 399€ é suficiente para nos fazer olhar para a concorrência, que até 300€ nos oferece um vasto leque de boas opções. O Huawei P20 Lite torna-se apenas interessante ao preço anunciado como promoção que muito se tem visto, em torno dos 279€.

Os principais concorrentes

A própria Huawei tem concorrência a este dispositivo com o PSmart recentemente lançado, até o flagship do ano passado, o Huawei P10, pode ser encontrado por preços próximos, ou por pouco mais, o Honor 10 que é um P20 sem a assinatura da Leica. Fora da companhia, podemos olhar para o Xiaomi Redmi Note 5 com o Snapdragon 636.

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