Antes de começar a falar sobre a HoloLens em específico, queria por agradecer à empresa IT People, por nos ter dado a oportunidade de experimentar em primeira mão estes novos óculos de realidade aumentada da Microsoft. Para quem pensa que já conhece alguns produtos de realidade virtual, garanto que a experiência é completamente diferente e que vale a pena experimentar e conhecer a tecnologia de realidade aumentada.

A experiência de usar este aparelho é completamente única e, embora se torne um pouco desconfortável com o  passar do tempo, esta experiência é algo que vos vai ficar na memória para sempre, tal como vos vai deixar o queixo caído e a pensar “Olha se calhar os irmãos Wachowski (ou irmão e irmã, para ser mais preciso) até podem ter razão em alguns aspectos” (Matrix joke).

Realidade Virtual vs Realidade Aumentada

A primeira coisa a referir é um erro que muita gente (eu incluído inicialmente) comete: achar que ambas as tecnologias são a mesma coisa. A verdade é que a única coisa que partilham é o facto de termos de colocar uns óculos acabados de sair de um filme de ficção cientifica na cabeça. Tirando isso, são completamente diferentes.

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Pelas palavras de Nuno Silva, responsável pelo departamento de Inovação da IT People, que nos mostrou a HoloLens a funcionar

“Realidade Virtual altera a realidade, Realidade Aumentada complementa a realidade”

e é nesta frase que está a principal diferença. Ou seja, com a realidade virtual vemos algo que não existe realmente, com a realidade aumentada criamos novas imagens no local onde estamos nesse momento.

Quando experimentamos o Oculus Rift, ainda que seja VR, a verdade é que o funcionamento do aparelho é bastante simples – são dois ecrãs de televisão com um giroscópio que faz mudar a câmara sempre que mexemos a cabeça, e ainda que seja uma ideia brilhante, tem uma enorme desvantagem – não consegue replicar o movimento do nosso corpo, o que pode provocar alguma estranheza e até má disposição.

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Quando experimentarem o Oculus Rift, ou qualquer um dos outros aparelhos de VR, é sempre uma experiência estranha estar a ver um certo movimento, enquanto o nosso cérebro fica confuso entre o que vê e o facto de estar completamente parado, algo que faz com facilidade o nosso cérebro dar erro e a sua resposta natural é o enjoo. Esta é uma das maiores desvantagens da VR.

Realidade aumentada vai um passo mais à frente – tem um sensor que faz uma análise milhares de vezes por segundo da sala onde nos encontramos e cria um modelo 3D desse espaço em tempo real, fazendo da sala onde estamos a usar a HoloLens não só a realidade, como o “local de jogo”.

Experiência única e futurista

A experiência de usar a HoloLens pela primeira vez é, sem dúvida, única. Inicialmente, não parece mais do que um simples aparelho que coloca ecrãs e modelos 3D à frente dos nossos olhos. No entanto, rapidamente percebemos as potencialidades inimagináveis que esta tecnologia tem, não só para conectividade, como multimédia, videojogos, medicina, indústria, … quando adicionamos o factor do sensor 3D.

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Quando vemos este tipo de aparelhos nos nossos computadores e telemóveis ficamos sempre com a ideia que isto não passa de modelos 3D com fraca resolução no mundo real (com excelente resolução). Isto é, no entanto, algo que apenas existe nos nossos monitores. Os modelos criados são excelentes e quase parecem fazer parte do nosso mundo. Chega ao ponto de nos aproximarmos de um buraco para ver se lá está realmente.

Assim, este aparelho faz mais do que colocar ecrãs e figuras é frente dos nossos olhos – querem ver televisão numa parede branca? Força nisso, que é só colocar um ecrã nessa parede. Querem ver um zombie dançar o tango na vossa mesa da sala de jantar? É só seleccionar a app.

O Hololens vai um passo mais à frente ao usar o próprio espaço como local de VR

Querem disparar contra aliens a saírem de um buraco recém-criado no vosso quarto, enquanto andam a correr de um lado para outro correndo o risco de tropeçarem num T-Rex virtual ou numa cadeira bastante real? É só fazer o download da app.

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E é nisto que a HoloLens difere muito da típica realidade virtual – num estamos num espaço completamente digital, no outro o espaço digital é criado a partir de onde estamos, e depois “complementado” por cima. E já agora, podem mexer as mãos no ar para abrir menus e usar os vossos dedos como ponteiros, que vai ser o mais perto de se sentirem o James Bond a experimentar um gadget que o Q vos apresenta com um sotaque tipicamente inglês.

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É que mais do que um sensor 3D, o HoloLens também vem equipado com um primo do Kinect, que detecta alguns movimentos corporais e os usa para fazer algumas funções e complementar a experiência que este aparelho nos pode fornecer.

Não é tudo perfeito

Não existem dúvidas sobre o potencial inacreditável que esta invenção tem. Videojogos onde o mapa é o parque ao lado de nossa casa, estudo do corpo humano, exames tridimensionais para ajudar os médicos no diagnóstico de doenças, cinema e potencialmente até na psicologia, ao ajudar pessoas a lidar com momentos traumáticos ou medos. Estes são apenas alguns exemplos mas as hipóteses são infinitas.

No entanto, a HoloLens ainda tem uns entraves que não o vão fazer o produto do ano a não ser daqui a algum tempo com algum trabalho que já está a ser desenvolvido. Para começar, o facto de cada exemplar custar o preço de uma mota com equipamento incluído, ou mais especificamente, 3500 euros, é um problema para a maioria dos potenciais compradores.

Depois, ainda que seja excelente na horizontal, o field of view vertical está muito abaixo do necessário, chegando ao ponto de perdermos cerca de 50% do que vemos com os nossos olhos. E no final, ainda há o desconforto – ainda que seja sem fios, o que é uma excelente vantagem em relação, por exemplo, ao Oculos ou ao Steam VR, o peso e o suporte no nariz, causou um pouco de desconforto ao fim de apenas 5 minutos.

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Existe ainda o facto de precisar de ser recarregado a cada 4 horas, o que é a última da bandeiras vermelhas de algo que, ainda que brilhante, não esteja pronto para ser comercializado.

O primeiro passo para o futuro

Esta é uma daquelas experiências que alguém que nasceu no século XX achava que nunca aconteceriam no seu tempo de vida e, ainda que esteja a começar, não existem dúvidas do potencial que a HoloLens abriu no campo da realidade alternativa.

De repente, só para os fãs de Pokémon Go, andar por um parque com um Pikachu ao nosso lado a fazer-nos companhia, transformou-se em algo que vai ainda mais além do que vê-lo a partir de um smartphone. Acho que não preciso de dizer que mal posso esperar para voltar a colocar o aparelho na cabeça.