Na Lisboa Games Week 2016, tivemos a oportunidade jogar uma pequena demonstração de Horizon Zero Dawn, o novo jogo da Guerrilla Games, os criadores de Killzone, passado num futuro pós apocalíptico.

O jogo, ao contrário do que muitos possam pensar, não é um shooter em terceira pessoa, mas sim um RPG de acção que, como poderão ver, possui bastantes influências de outros jogos já famosos, nomeadamente Far Cry.

Começando pelo aspeto do jogo, estamos perante um colosso a nível gráfico. Os cenários são vivos e incrivelmente detalhados, desde a folhagem que cobre o chão e se reage ao vento e ao contacto com a nossa personagem, aos “animais” altamente estilizados que percorrem os cenários.

Não é um Shooter, mas sim um RPG de ação

Estes “animais” são na realidade robôs em forma de animais que dominam o planeta e cada um possui uma rotina específica, não existindo elementos “inúteis” no terreno, o que torna o mundo bastante natural e vivo. A forma como reagem quando quebramos a sua rotina é bastante natural e quase podíamos fazer uma espécie de BBC Vida Selvagem com estes robôs.

O detalhe gráfico não fica só nos NPC, mas também na nossa personagem principal, Aloy, cujo cabelo também se apresenta bastante realista e também reage de forma natural aos movimentos e elementos como o vento. As físicas da roupa também são muito realistas, e os adereços movem-se da forma que seria esperada com os movimentos.

Ainda em relação à componente gráfica, vimos o jogo a correr na PS4 Pro e ficámos maravilhados. Os detalhes ficam muito mais sobressaídos, especialmente a nível das texturas que vêm os seus detalhes aparecerem ainda mais. O upscale para 4K permite às linhas do cenário ficarem extremamente lisas, elementos que estariam esborratados devido à distância, passam a ficar detalhados e os efeitos de luz e reflexos tornam-se extremamente realistas devido ao uso da técnica de HDR.

Apesar de a nível de jogabilidade não existirem alterações, esta adição de técnicas mais avançadas, apenas possível na PS4 Pro torna o jogo ainda mais brilhante. No entanto, a versão da PS4 normal continua extremamente agradável e foto-realista, ao ponto de pensar que essa era a versão da PS4 Pro quando o vi pela primeira vez.

Um sistema de combate bem desenvolvido

A nível de jogabilidade, os movimentos de Aloy são fluidos e realistas, com transições naturais entre andar e correr. O sistema de combate também é bastante intuitivo, ao ponto de quando pegarem no comando, em 5 minutos adaptam-se facilmente ao jogo.

Além do arco e flecha, podem utilizar um bastão para combate corpo-a-corpo e a transição entre ambos é imediata, podendo dar origem a combinações espectaculares.

horizon1

Existem alguns elementos de jogabilidade, que o estúdio claramente foi buscar a outros jogos, nomeadamente Far Cry e The Last of Us. O farm de matérias primas para construir armas e tipos de munição, como flechas de fogo ou explosivos, foi claramente inspirado no existente em Far Cry, assim como a construção dessas mesmas armas “on the go”, assume-se parecido ao existente em The Last of Us.

Outro elemento inspirado em Far Cry é o de subir a enormes robôs, sempre em andamento, que revelam segredos do mapa, um pouco ao estilo das torres existente nos jogos da Ubisoft. No entanto, a forma como estes elementos estão inseridos no mundo de jogo parece natural e adequado, apesar de não ser propriamente original.

Quando vimos Aloy a trepar estes enormes robôs, ficámos de boca aberta pela forma como os pequenos pormenores da sua carapaça, servem de pontos de escalada, assim como a vista extremamente bela que temos quando chegamos ao topo.

A IA também se apresentou bastante sólida, para um jogo que está previsto ser lançado só para o ano.

Ao longo do jogo vamos encontrar rebanhos de robôs que simulam gado, podendo prendê-los ao chão de modo a que os possamos “hackear”, tornando-os nossos aliados. Isto permite montá-los e usá-los como veículos, que nos permite viajar mais rápido e, inclusive, atacar a partir do seu dorso.

Estes rebanhos são acompanhados por uns robôs de ataque, chamados Watchers, que ficam bastante agressivos se nos aproximarmos demasiado do gado e podem até atacar-nos. A sua IA é bastante inteligente, procuram diversas maneiras de nos causar dano, inclusive até, juntando-se com outros da sua espécie, em matilha, de forma a poderem cercar a nossa personagem, atacando de diversos ângulos.

horizon_zero_dawn_20

Apesar de, sozinhos, não serem propriamente desafiadores em termos de rotinas, existem versões chamadas Corrupted, que torna os robôs extremamente agressivos, carregando sobre nós de forma quase imparável. Além disso, se encontrarem vários inimigos, a vossa vida pode ficar bastante dificultada, especialmente se entre eles existir algum de alto nível.

Sendo um RPG, existem inimigos que não podem simplesmente confrontar sem qualquer tipo de preparação, ainda mais com uma IA que lhes permite alterar as suas rotinas a qualquer momento, e de forma inesperada.

Para tal, podem fazer uso de uma técnica chamada Ping, que faz um varrimento da área à vossa volta e, permite identificar os inimigos e as suas fraquezas. Através dessas fraquezas, por exemplo fogo, podem construir flechas, minas ou granadas que vos facilite a vida, pois vão causar muito dano a esses inimigos. Além disso, ainda podem domesticar outros robôs, à semelhança do que fazem com as montadas, de forma a que vos auxiliem durante os combates.

Um jogo a não perder em 2017

Concluindo, Horizon Zero Dawn pega em vários elementos já conhecidos, junta-os com um mundo bastante credível e interessante e a mistura parece estar extremamente bem conseguida. A jogabilidade é intuitiva e fluída, graficamente é um monstro e os elementos RPG obrigam o jogador a pensar numa estratégia antes de enfrentar os inimigos.

As nossas primeiras impressões foram muito positivas e mal podemos esperar para que saia em Março de 2017.